Da Série: “O Governo Mais Liberal De Sempre”

Governo estima impostos recorde de 37 mil milhões de euros em 2014.

Abaixo, uma imagem apropriada para complementar este post, retirada do Portal das Finanças (com destaque meu) .

SeTodosPagarmosPagamosMenos

9 pensamentos sobre “Da Série: “O Governo Mais Liberal De Sempre”

  1. Green Lantern

    Ah ah ah muito bom se todos pagarmos você paga menos, temos de rir.

    No fundo a imagem e o mais recentes dados acerca do confisco confirmam a teoria do estado toxicodependente. Quanto mais dinheiro tem mais dinheiro quer para gastar mal com rotundas, estradas, festas, filmes, rtp´s, tap´s, etc…

  2. ShakaZoulou

    Já devíamos estar a pagar menos imposto desde a altura do Paulo Macedo. Foi a partir dai que a economia paralela e não paralela levaram um grande desfalque

  3. JP

    Mais impostos => cheiro a mais dinheiro disponível => mais votantes PS => mais TGV e Ota => mais estouros => mais FMI => mais impostos

    Como dizia o professor Agostinho da Silva, se o cidadão entender que o Estado gasta mal gasto o dinheiro, não só tem o dever, como até a obrigação de fugir aos impostos.

  4. João

    JP,

    E se gastar bem? Concorda com uma carga de impostos equivalente?

    Há exemplos, nos países mais evoluídos do norte da Europa.
    E não me entenda mal, sou tão a favor de uma estado mais pequeno e menos intrusivo como qualquer libertário. O que acho é que ainda há papéis que só o Estado pode desempenhar. Papéis esses que a iniciativa privada nem sequer está interessada. Infelizmente, na minha opinião, há muitos libertários que são tão dogmáticos na sua posição como o mais acérrimo comunista.
    Sempre que conheço alguém que descobriu o, ou que recentemente foi exposto ao, liberalismo clássico ou libertarismo o entusiasmo é tal que parece que descobrirão a água. Tornam-se fundamentalistas do dia para a noite e cometem o pecado capital de tomarem posições absolutamente dogmáticas. ” impostos, são um roubo…e mai nada! ”

    Nada que uma leitura de John Rawls ( A Theory of Justice ) não cure.

  5. Olá João. O “gastar bem” é muito relativo e subjectivo. Existe um princípio fundamental que é o direito à propriedade que é claramente violado pelo estado. Mesmo dentro dos libertários há diferentes opiniões do papel do estado – desde a ausência de estado e de países, até um estado apenas responsável pela segurança, justiça e defesa. Outra coisa que distingue claramente os libertários dos socialistas é a defesa de relações e transacções voluntárias em oposição ao uso da coerção ainda que em nome de uma grande maioria. Cumprimentos!

  6. João

    João Cortez,
    Obrigado pela resposta.
    Concordo que o gastar bem é relativo. Contudo o que quis dizer, e o João confirmou, é que ser libertário, para maior parte dos libertários que aqui faz posts, é das duas uma. Não existência do estado ou este confinado somente à segurança, justiça ou defesa.

    Para mim ser libertário, ou um liberal clássico, é sê-lo numa linha mais jeffersoniana. Há papéis importantes que só o estado pode desempenhar, e, como referi no post anterior, que não interessam sequer aos privados. Passo a dar exemplos que me parecem claros.

    NASA ( avanço da fronteira espacial humana)

    Não há razão, ou interesse, para uma empresa ou corporação privada em avançar na fronteira da exploração espacial.
    Quando se avança uma fronteira, neste exemplo da exploração espacial, cometem-se erros que o mercado de capitais escolhe não valorizar. Emitem-se patentes para criação de novas tecnologias, com os spin-offs que dai surgem, que não se sabe se irão funcionar ou serão práticas.
    Sempre que se é o primeiro a avançar e a fazer algo numa escala com esta dimensão, a história da civilização humana demonstra que os únicos fundos disponíveis para tais “aventuras” só surgem via governo. O que acontece é que as patentes são emitidas o governo aprende ” como fazer ” , ainda que de uma forma ineficiente porque é o governo, estas tornam-se rotineiras e de seguida estas mesmas patentes/tecnologias são cedidas ou vertem para a iniciativa privada.
    Os privados nunca serão os primeiros a pousar em marte, ou mesmo a voltar uma segunda vez à lua. Na melhor das hipóteses farão, como vai fazer a virgin aerospacial, voos em órbita baixa para turistas e colocação de satélites para empresas e países. Coisas que a NASA não consegue fazer a baixo custo.
    ( já agora , só por curiosidade, os bail outs americanos, de 2008 somente, excederam o orçamento de 53 anos da NASA incluindo as missões apollo)

    Acrescentando outro exemplo, que nos é muito querido, os descobrimentos portugueses e espanhóis

    A companhia das índias orientais holandesas, empresa privada.

    Não foram eles que desbravaram novos caminhos, que descobriram a América do Norte , ou do sul, que dobraram o cabo da boa esperança, que chegaram à Índia ou ao Japão pela primeira vez. Foram os portugueses e os espanhóis, financiados pelos respectivos monarcas (o governo da altura) . Colombo, Pedro Álvares Cabral ,Vasco da Gama e até o próprio Fernão de Magalhães que foi financiado na sua viagem de circum-navegação pelos reis de Espanha.
    Fossem quais fossem os motivos, superioridade geo-estratégica, controlo de mercados, evangelização ou como em alguns casos querer simplesmente estar na vanguarda da exploração para colher frutos, a incerteza associada a estes empreendimentos nunca iria atrair o capital privado. Depois de tudo feito, mapeado, estudado e aferidas as intenções dos povos nativos, a companhia das índias orientais holandesas veio atrás e fez melhor e mais eficiente, sem duvida. Com enormes lucros.
    Os portugueses e espanhóis fizeram todo o trabalho de sapa, arriscaram no desconhecido, na incerteza. Depois foi fácil para os holandeses fazer uma acepção correcta dos riscos envolvidos numa companhia que visava somente o lucro.

    Caminhos de ferro norte americanos.
    Newt Gingrich fez alusão à sua construção como sendo um testemunho do empreendedorismo dos privados a liderar o que foi a ligação de costa à costa americana. Esqueceu-se de mencionar contudo que foram Lewis e Clark os primeiros a fazer a viagem de costa a costa numa expedição financiada pela administração Jefferson ( herói do liberalismo clássico e meu herói pessoal). Mapearam as montanhas, os rios, as planícies, indicaram e contactaram as populações indígenas descrevendo onde e como viviam. As duas companhias que construíram os caminhos de ferro americanos, com a informação obtida, de uma forma muito mais segura e informada e , acima de tudo, economicamente viável. É mais fácil planear um caminho de ferro com mapas na mão e sem os custos de explorar o terreno.

    Investigação em saúde

    São as universidades e laboratórios financiados pelo estado que investigam doenças que a indústria farmacêutica não tem interesse. Um síndroma que afecta 0,01% da população mundial não tem interesse em ser investigado. Os longos anos e elevados custos que a investigação médica tem não justificam, economicamente , o investimento em terapêuticas ou mesmo curas de doenças consideradas raras. Esse papel recai no estado. A indústria farmacêutica nunca investiria um cêntimo numa estrutura como o CDC nos E.U.A , sendo uma estrutura que não gera qualquer receita e que tem como objectivo proteger ameaças à saúde pública nos estados unidos, de uma forma directa e no mundo inteiro indirectamente. Quando nos toca a nos ter algum familiar com uma doença rara é que percebemos que a lógica privada não é , como muitos libertários dogmáticos acham, o shangri-la.

    Por estas e outras razões sugeri John Rawls, no meu post anterior, como leitura obrigatória no que respeita à temática dos impostos ligados que estão ao papel que o estado e os governos, deverão ter numa sociedade de liberdade individual que ainda assim não pode deixar de ter preocupações colectivas. Economia de mercado livre com ênfase na liberdade individual e propriedade privada, que é para mim a melhor solução, não implica viver numa sociedade mercantilizada onde tudo se pode comprar , onde tudo tem um preço e uma lógica economicista. Há valores civilizacionais que têm de ser garantidos, mas está era uma conversa nova e está já vai longa.
    Desculpe o longo post.

    Cumprimentos,

    João

    ” A wise and frugal government, which shall restrain men from injuring one another, shall leave them otherwise free to regulate their own pursuits of industry and improvement, and shall not take from the mouth of labour the bread is has earned”
    Thomas Jefferson

    http://www.monticello.org/site/jefferson/jeffersons-instructions-to-meriwether-lewis

    Carta com instruções de Jefferson a Lewis. Vale a pena ler.

    Spin-offs da NASA que beneficiaram a humanidade e não saíram de privados.

    Angioplastia a laser
    Sistema de imagens cardíacas
    Pacemaker
    Termómetro infravermelho
    Thermal vídeo
    Body imaging
    Computer reader para cegos
    Sistema de visionamento ocular
    Tecnologia espacial para combate a fogos
    Lentes de bloqueio de radiação
    Sistema de imagem raio x
    Sistema de purificação de água e ar
    Microesferas
    Energia solar
    Produtos sem fios
    Metais com memória
    Monitor de frequência cardíaca
    Realidade virtual
    Análise estrutural
    Computador portátil
    Tecnologia laser
    Geradores de iões
    Líquidos magnéticos
    Robótica
    Micro ondas
    ………..entre muito muitos outros

    São milhares de spin offs que verteram em benefício de todos. Aproveitados e melhorados por privados que nunca financiariam, por falta de vontade, elevado risco ou falta de capital.

  7. João

    Num tom de brincadeira agora,

    A fronteira do conhecimento não dá lucro. Basta ver que em muitos aspectos a mentalidade vocacionada para a lógica de mercado, de criação de capital e maximização de lucros é na sua essência cobarde. Basta ver as notícias e ver como os mercados à mínima coisa abanam. O passos coelho faz declarações para acalmar os mercados, não se pode perturbar os mercados, cuidado que os mercados ficam receosos. Ao mínimo evento num pais produtor de petróleo e os mercados borram-se todos e o petróleo aumenta.
    Se os mercados fossem um tipo era um maricão de primeira, um cobarde que ao primeiro sinal de problemas mete o rabo entre as pernas e corre para salvar a vida.
    Notícias de problemas no BES , a banca europeia fez logo xixi nas calças e as bolsas caíram.

    Os investidores são umas meninas. Basta ver o shark tank na televisão para ver que se os tipos não tem a certeza absoluta que o negócio da dinheiro, se há uma duvida , se há incertezas……sorry i am out!

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