Histeria do disparate

O politicamente correcto obriga à histeria e acção colectiva de tudo e todos contra tudo e contra todos em doses equiparadas ou em excesso às do primeiro agressor. O caso da tshirt da Zara é um exemplo disso. A referência da tshirt não é aos prisioneiros judeus dos campos de concentração, mas sim aos filmes do Western dos EUA (confirmado pela Inditex). A estrela é a do sheriff local e as riscas, listadas horizontalmente, não são as mesmas usadas na vertical durante o Holocausto. Mas fica a intenção: antes de qualquer esclarecimento, censurar. A bem, note-se a ironia, de uma outra forma de fascismo. A do politicamente correcto.

Adenda – Já agora, a designação e referência do produto era Striped “Sheriff” t-shirt REF. 0371/550.

Zara

44 pensamentos sobre “Histeria do disparate

  1. k.

    E a suastica é um simbolo solar que antecede em muito o nazismo.

    Suponho que o mário amorim lopes não se preocupe com o politicamente correto e vá por ai com uma suastica na tshirt – afinal, apenas é um simbolo do sol.

    Certo?

  2. k., onde vê uma suástica na camisa? Eu vejo uma estrela com as pontas circulares que em tudo remete às estrelas dos sheriffs. Não está em causa o uso de símbolos Nazis, é precisamente isso que eu digo. O politicamente correcto impede é que isso seja sequer questionável, censura-se logo, não vá ser uma suástica.

  3. k.

    “Mário Amorim Lopes em Agosto 28, 2014 às 12:05 disse: ”

    Pois, e eu vejo uma suastica e penso logo no “livro da selva” (e nao vou dizer porque). No entanto, reconheço que seria ofensivo andar por ai com uma suastica no peito.

    Não se trata de “politicamente correcto” – a combinação infeliz fez algumas pessoas lembrarem-se do holocausto.
    O facto é que a simbologia das coisas muda, e actualmente, o fato da zara assemelha-se muito a algo que tem uma simbologia bastante desagradável. Não me parece que isso seja “politicamente correto”, é mais senso comum.

  4. Se algumas pessoas se lembram do holocausto, então proíba-se já. Não podemos deixar que algumas pessoas façam uma associação espúria ao Holocausto.

    E tem razão, isto é senso comum, que é o senso que resulta da associação de muitas pessoas. Tem tudo de senso comum, mas nada de bom senso.

  5. k.

    “Mário Amorim Lopes em Agosto 28, 2014 às 12:33 disse: ”

    Mas nada foi proibido. A empresa retirou o produto do mercado e pronto.
    Eu acho que foi uma decisão que demonstra.. bom senso.

  6. Andre

    “Mas nada foi proibido. A empresa retirou o produto do mercado e pronto.
    Eu acho que foi uma decisão que demonstra.. bom senso”

    A empresa retirou o produto porque não ganha nada em entrar num debate público sobre a natureza do seu artigo. A sua decisão é guiada pela racionalidade económica e não por um imperativo moral.

    Internamente os directores estarão certamente a pensar o mesmo que qualquer pessoa sã: “Que cambada de anormais.”

  7. Ricciardi

    Ficamos a saber pelo Mário que os prisioneiros americanos usavam normalmente uma estrela que só mesmo o sherif a podia usar, e que os prisioneiros judeus usavam fardas na vertical com ou sem estrela.
    .
    Rb

  8. Ricciardi

    Enfim, associar uma farda de prisioneiro listada com uma estrela parece-me coisa de mau gosto se se atender ao facto dos judeus condenados em campos de concentração nazis tambem terem usado indumentária semelhante.
    .
    Só não vê quem não quer ver. A Zara teve bom senso e percebeu imediatamente o que o Mário ainda não percebeu. E isso só mostra que a Zara te-lo-à feito sem má intenção.
    .
    Rb

  9. Ricciardi

    A Zara tem a liberdade de colocar à venda o estilo que muito bem entende. Como tambem tem a liberdade de o retirar da venda.
    .
    Independentemente da liberdade, falou mais alto a responsabilidade e a vergonha de não querer estar associada a momentos miseráveis e degradantes da história humana.
    .
    Rb

  10. O que fala efectivamente alto é a capacidade de determinadas pessoas de ver ofensa e calúnia em tudo. Esperemos que não haja quem veja no Sudoku várias suásticas Nazis. Caso contrário, lá se vai o Sudoku.

  11. Ricciardi

    Sim, a capacidade dos responsáveis da Zara viram ofensa e calúnia que, inadvertidamente, a marca incorreu. Os erros devem ser rectificados se as intenções forem boas.
    .
    Mal comparado era como se os avós ou bisavós de certas pessoas tivessem morrido em campos de concentração vestidos daquela mesmissima forma e houvesse certas e determinadas pessoas em certos blogues que achassem bem continuar a achincalhação.
    .
    Rb

  12. Ricciardi

    Considero o mesmo mau gosto caso se trate de estrelas judaicas, triangulos dos jeovás ou outros simbolos manifestamente usados e conectados com qualquer carnificina.
    .
    Rb

  13. Só na sua cabeça, e na cabeça de mais uns quantos indignados, é que aquilo é uma estrela de David. Tal como a empresa já referiu, é uma estrela de Sheriff. Note os círculos e a cor amarela da mesma.

  14. Andre

    Fogo, a porcaria da estrela diz lá no centro claramente “Sheriff”!

    Será que ninguém se deu ao trabalho de olhar a sério para a foto??

  15. Andre

    Ricciardi, você está a alucinar. Nunca ninguém falou que as listas eram referentes a um uniforme de prisioneiro. Só mesmo você que vê ameaças em todo o lado é que pode fazer essa interpretação. A camisa tem listas porque, espame-se, é um pijama.

  16. Ricciardi

    Um pijama com listas e com uma estrela que parece mesmo a indumentária de campo nazi. São coincidencias infelizes que, muito bem, os responsaveis da Zara perceberam.
    .
    Rb

  17. dervich

    Penso que o que muito simplesmente aconteceu foi que a campanha foi inocente, isto é, pode muito bem ter tido origem numa remota inspiração do far west, agora o que é incrível e lamentável é que ninguém dentro daquela multinacional (desde técnicos de markting a diretores) se tivesse apercebido da infeliz coincidência e tivesse tido o bom senso de cancelar/alterar a campanha… só demonstra que, não só nunca viram ao vivo e a cores um uniforme de prisioneiro judeu (as listas são verticais mas os tons usados de azul e amarelo são iguaisinhos), como estão a leste (e a marimbar-se) para toda essa questão…

    Foi basicamente uma questão de ignorância e… “a ignorância difere do erro”.

  18. Andre

    k. disse: “http://www.imdb.com/title/tt0914798/”

    Sim os pijamas têm riscas. Quer ilegalizar ou censurar os pijamas com riscas?

    dervich disse: “só demonstra que, não só nunca viram ao vivo e a cores um uniforme de prisioneiro judeu (as listas são verticais mas os tons usados de azul e amarelo são iguaisinhos), como estão a leste (e a marimbar-se) para toda essa questão”

    Estão a marimbar-se como se deviam realmente marimbar. A (ainda) obsessão da sociedade com símbolos e os seus significados é um atraso civilizacional que ainda vai demorar a ultrapassar. Não é a censura dos mesmos que evitará tragédias futuras, esse processo não passa de uma expressão de pseudo-virtuosismo cuja o objectivo é a masturbação do ego.

    É um pouco como pessoal que faz like em fotos de criancinhas com cancro no Facebook, só serve para nos sentirmos melhor sem na realidade fazer nada.

  19. Carlos Duarte

    Caro MAL,

    Concordo consigo que se fez uma “coisa” de um não-caso. É o que dá meter “designers” ao barulhos (com os arquitectos costuma ser igual). Alguém não viu bem a coisa (seja por desconhecimento seja por uma incapacidade de ligar coisas distintas) e aquilo veio para o mercado. Acontece – já aconteceu noutros casos com mais (os Mitsubish “Pajero” em países que falam castelhano) ou menos (Trekstor i.beat blaxx) piada. Entretanto a marca apercebeu-se e tomou a medida adequada de remover o produto no mercado não por questões “morais” (que me parecem inexistentes) mas por questões comerciais. Ao contrário do Andre não me parece que os directores (ou director, que aquilo ainda é como o Sr. Ortega quer, à boa maneira galega) tenham achado que as queixas eram de uma cambada de anormais. Devem, sim, ter achado que precisam de arranjar designers um bocadinho mais informados.

  20. k.

    “Andre em Agosto 28, 2014 às 14:56 disse: ”

    Não, apenas demonstrar que não é a “histeria” de alguns “anormais” a associação entre o pijama da zara, e “outros pijamas”.

  21. lucklucky

    À distância – sem a imagem em grande formato -parece uma Estrela de David, amarela como os nazis colocavam nos judeus.

    Ao perto não parece.
    Julgo que muito da força da semelhança tem que ver com o amarelo na estrela. E com o tamanho a que se vê a imagem. Á distância também não se percebe as pontas arredondadas da estrela.

  22. António

    Caro André,
    «Uma […] explicação, talvez a mais banal e a mais assustadora, é a que é sugerida pela frase que está à entrada do edifício do Deustsche Bank em Munique: “das ideias nascem mercados”». A conclusão é óbvia e obtem-se o ramalhete completo com o dito pijama, se “das ideias nascem mercados”, “o trabalho liberta”!

    P.S.: Caro Mário, não tendo diretamente nada a ver com a pergunta que lhe coloco, questiono-o: Existe algum poblema, n’O Insurgente, com o conceito de democracia?
    Esta pergunta resulta do facto de não saber por onde isto anda: https://oinsurgente.org/2014/08/28/problemas-com-o-conceito-de-democracia/#comment-244391

  23. António, o primeiro comentário de um endereço de email/IP novo vai sempre para lista de moderação, e apenas o autor desse artigo o pode aprovar, pelo que provavelmente estará em lista de espera.

  24. Andre

    António, não estou a perceber se é um comentário ou uma observação positiva sobre a posição do Louçã.

    Se as pessoas não gostam de um pijama que lhes lembra o Holocauto, têm uma opção muito simples: Não compram o pijama que lhes lembra o Holocauto.

    Eu também acho que o Che Guevara era um assassino de massas, mas não pretendo ver a sua t-shirt excluída por força do mercado.

  25. A frase “mas não pretendo ver a sua t-shirt excluída por força do mercado.” lê-se melhor como “mas não pretendo ver excluída do mercado a sua t-shirt.”

  26. dervich

    “Estão a marimbar-se como se deviam realmente marimbar. A (ainda) obsessão da sociedade com símbolos e os seus significados é um atraso civilizacional que ainda vai demorar a ultrapassar.”

    A sério? Você acha?!… A blogger residente Maria João, por ex., não acha o mesmo em relação à burka, diz que é um símbolo da submissão feminina islâmica (e eu nunca lhe disse, mas até concordo com ela nesse ponto)…

    Atraso civilizacional é não prevenir erros do passado, não estando vigilante com os avisos que os antecedem e que surgem na forma de símbolos. Um símbolo não é algo que vive desmaterializado, como as palavras, ele apoia-se num objeto, num desenho, numa forma física à qual vive associado. É essa forma que lhe permite transportar uma carga ideológica (ou desportiva ou religiosa) que vai muito para além do mero objeto, nem que seja um simples pijama.
    Esta despreocupação com os símbolos e com o passado (“quem vive do passado é museu”) é, ela própria,… simbólica! Significa que convivemos bem com neo-nazis na Ucrânia, com radicais islamitas no Médio Oriente (e na Europa), com claques de futebol violentas, etc. Significa que deixamos cada um usar e ostentar os símbolos que lhes apetece mas que não os responsabilizamos por isso.

    “Não é a censura dos mesmos que evitará tragédias futuras, esse processo não passa de uma expressão de pseudo-virtuosismo cuja o objectivo é a masturbação do ego.
    É um pouco como pessoal que faz like em fotos de criancinhas com cancro no Facebook, só serve para nos sentirmos melhor sem na realidade fazer nada”

    Isso já não sei, não tenho facebook.

  27. “Atraso civilizacional é não prevenir erros do passado, não estando vigilante com os avisos que os antecedem e que surgem na forma de símbolos. Um símbolo não é algo que vive desmaterializado, como as palavras, ele apoia-se num objeto, num desenho, numa forma física à qual vive associado. É essa forma que lhe permite transportar uma carga ideológica (ou desportiva ou religiosa) que vai muito para além do mero objeto, nem que seja um simples pijama.”

    Os povos têm de ser livres para impor a sua própria moral e julgar a sua sociedade como tal. Não sou eu ou você que vai impôr aos sauditas, aos russos, aos chineses, aos birmaneses que valores é que você acha dignos de serem estruturastes da sociedade. Imposição externa de valores leva sempre, mas sempre, a problemas infinitamente maiores do que aqueles que inicialmente queríamos resolver (basta ligar a CNN, ou também não tem?).
    Você fala em “prevenir erros do passado” mas o que está a fazer é cometer os erros do passado. Quem é digno de fazer essa vigilância? O estado? O que é que isso implica? Prender pessoas e proibir produtos? Delito de opinião? Todos odiamos racistas e xenófobos mas a restrição da sua comunicação só lhes dá mais força e isso sim é uma irresponsabilidade histórica.

    A sua filosofia é a mesma dos Neo-Conservadores: os nossos valores são melhores, logo temos de os impor à força. “But, the road to hell is paved with good intentions”.

    A sua visão (e infelizmente a de muita gente) é:

    Mulheres adultas que decidiram usar uma burka têm de ser proibidas de o fazer porque “Nós” sabemos melhor e que isso é um símbolo da sua opressão. Ou , usar um pijama com riscas é em tudo igual à matança de indivíduos e outras restrições de liberdades logo, têm de ser equiparados aos olhos da lei. Você o que quer é um estado ditatorial que aplique a sua visão individual da sociedade. Você quer liberdade para definir unilateralmente como o mundo deve funcionar porque você e só você é um iluminado.

    “Significa que deixamos cada um usar e ostentar os símbolos que lhes apetece mas que não os responsabilizamos por isso”

    Explique-me então se defende a ilegalização dos símbolos comunistas. É que eles mataram tanto ou mais que os fascistas mas não se vê ninguém indignado.

    Porque é que eu me tenho de responsabilizar pelos comportamentos dos outros? Deverei apedrejar um miúdo que use uma t-shirt do Che Guevara no Optimus Alive? Será uma forma de “o responsabilizar por isso”?

    Você comete o mesmo erro de todos os estatistas, você acha que os seus valores morais (que não digo que estejam errados) devem ser impostos à força a terceiros (e isso sim está errado), quando aquilo em você se deveria preocupar é com os direitos fundamentais à liberdade dessas mesmas pessoas para que elas estruturem em conjunto e de livre iniciativa a sua sociedade de forma não-coersiva.

    Mas lá está, não dá para ensinar não-coerção por via da coerção. É um paradoxo.

  28. “Ricciardi em Agosto 28, 2014 às 14:32 disse:
    Considero o mesmo mau gosto caso se trate de estrelas judaicas, triangulos dos jeovás ou outros simbolos manifestamente usados e conectados com qualquer carnificina.”

    Os politicamente correctos do EUROPE4ALL tambem meteram la a foice e o martelo. Portanto, esta estrela esta conectada a carnificina e deveria ser banida!

  29. Pingback: O rapaz do pijama parlamentar | BLASFÉMIAS

  30. maria

    Fernandinho, parece-me que o problema está na associação riscas, estrela e cores. Não havia necessidade.

  31. lucklucky

    Imposição externa de valores leva sempre, mas sempre, a problemas infinitamente maiores do que aqueles que inicialmente queríamos resolver (basta ligar a CNN, ou também não tem?).

    Pois foi sem imposição que a Alemanha, Itália e Japão mudaram. Para falar só de alguns.

    Mais estranho ainda é que têm ditaduras que pelos vistos não são elas próprias imposição.

  32. “Pois foi sem imposição que a Alemanha, Itália e Japão mudaram. Para falar só de alguns.”

    E que valor moral superior é que tem alguém para impor “mudanças” a quem quer que seja? Noto aí muito pouca resolução intelectual.

    Uma coisa é a resposta à agressão e o tipo de pactos militares que um povo no seu pleno direito à auto-determinação estabelece com outros povos igualmente auto-determinados (EUA no auxílio a França na segunda guerra, e o oposto na guerra da independência americana) outra coisa completamente diferente é invadir-se o Iraque porque não gostamos do Saddam Hussein. Estou certo que se pensar um pouco conseguirá ver a diferença.

    “Mais estranho ainda é que têm ditaduras que pelos vistos não são elas próprias imposição.”

    Pois, uma vez mais a palavra certa é auto-determinação. O povo quer ser governado por um ditador? Se calhar até quer. Veja-se Singapura, não os vejo com muita vontade de fazer uma insurreição armada, você vê? E a tugolândia, ainda vejo por cá (infelizmente) muito saudosismo do tempo do Salazar, será que não o queríamos?

    Quem é que afinal tem legitimidade para derrubar um Ditador? Eu explico-lhe: o Povo.
    Não é uma potência estrangeira que na melhor das hipóteses pode é ser instrumentalizada por livre acordo das partes, e não o oposto.

  33. murphy

    O que (mais) esta polémica demonstra, é a permeabilidade da agenda mediática à narrativa esquerdista que logo veio implantar a ideia que aliava uma grande empresa e o nazismo.

    Enfim nada de novo…
    “Já por diversas ocasiões aqui se referiu que uma das maiores falhas do nosso jornalismo, é a forma como a agenda mediática é utilizada – não para tratar os assuntos de “per si”, recorrendo a informação isenta e factual -, mas antes para usar esse espaço como ferramenta de “doutrinação ideológica” dos cidadãos.”
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2014/08/o-que-tem-em-comum-igreja-e-israel-ma.html

  34. Paulo soares

    A Zara fez um produto e ninguem é obrigado a comprar ou sequer gostar. Na verdade nem da Zara se é obrigado a gostar. A principal falha aqui, e que levou a Zara a rapidamente “corrigir o tiro”, é que o designer nao soube acautelar os resultados da “combinacao” de elementos que fez. Demonstra falta de cultura por remeter para associacoes que a Zara nunca pretendeu, tal como fez questao de afirmar. Foi um erro inoquo, que a Zara quiz resolver para nao ter conotacoes erradas e nao uma histeria de disparate. E necessario ser politicamente correcto se pretendemos uma sociedade mais tolerante e de respeito mutuo. Uma sociedade so existe enquanto um exercicio politico, ja agora adequado aos valores dos seus membros e as suas memorias.

  35. Paulo soares, pense bem nas implicações daquilo que propõem.

    “o designer nao soube acautelar os resultados da “combinacao” de elementos que fez”

    Quantas combinações de elementos estéticos é que não arriscam a ofender alguém no dia de hoje? Quantos genocídios históricos? Quantos processos de escravização de povos? Quantas invasões? Quantas guerras civis?

    Você está familiarizado com o genocídio Arménio? Não? Ai ai , falta de cultura! Toca a ler uns livros e uns artigos da totalidade de injustiças praticadas pela humanidade para garantir que não ofende algo ou alguém com algum tipo de comentário ou expressão criativa. Pois não se esqueça: “E necessario ser politicamente correcto se pretendemos uma sociedade mais tolerante e de respeito mutuo”.

    Já agora, um clip para compreender a parvoíce desse raciocínio: http://www.youtube.com/watch?v=1k9IlR3-_-A

  36. Paulo Soares

    André,

    Para quem defende que “não dá para ensinar não-coerção por via da coerção.” estranho que considere assim, sem mais, uma parvoíce um raciocínio de quem vem, de forma cordata, sem demagogias e assumindo o respeito pelo próximo participar numa conversa de um blog, que pensei aberto e na procura do bom senso.

    Não o conheço de lado nenhum mas posso dizer que após essa forma de “verbalizar” menos interesse teria em o conhecer, tanto mais que já tenho idade para não aturar toda a gente, muito menos com parvoíces. Minhas ou de outros.

    Quanto ao exemplo posso mesmo dizer-lhe que não serve para ilustrar a minha alegada parvoíce, sendo que mesmo tendo um lado irónico, é possível encontrar intenção num político, tanto mais que se cria aqui o cenário de ser ele o presidente da América, país que sempre apoiou e apoia a criação de um estado judeu. Acredito que se esta situação acontece-se numa suposta casa branca, houvesse mesmo conselheiros a propor que o dito quadro não se justificava pendurar, somente porque o dito presidente o considera-se bonito, interessante ou com boas cores. Senão poder-se-ia perguntar porque um presidente não penduraria nas paredes publicas dos corredores de acesso à sala oval outros quadros que fossem do seu gosto pessoal, quer pelas memorias pessoais, quer pelas cores, quer por qualquer outro critério mesmo que “politicamente errado”. Ou considera que o humor é fruto de verdades únicas e o mundo é a preto e branco?

    Sim, André, considero que existe o politicamente correcto e o politicamente errado. Voltando ao essencial, a Zara considerou que tinha errado, por isso pediu desculpa e retirou das lojas simplesmente o produto. Não vejo problema demais e volto a reiterar a minha parvoíce.

    Se pessoalmente considera assim tão importante a existência do produto na sua vida, pode livremente fazer umas camisolas assim para os seus filhos e vê-los a dormir com elas. Não se acanhe. Ninguém irá a sua casa prende-lo, nem ninguém lhe chamará parvo. Esses são valores que considero essenciais numa sociedade moderna e que felizmente julgo (ou ainda julgava) que estavam bem presentes, sobretudo em quem quer ter expressão publica: liberdade e respeito.

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