Bolas Para Que Vos Quero

Até teria piada se não fosse tão ridículo. Em Portugal, os vendedores de bolas de Berlim nas praias têm de cumprir 15 exigências que envolvem 6 entidades diferentes (fonte: Visão).

BolasDeBerlim

26 pensamentos sobre “Bolas Para Que Vos Quero

  1. João

    Caramba! Queria ser vendedor de bolas de Berlim na praia.

    Acho que vou tentar algo mais fácil e vou candidatar-me a piloto da força aérea.

  2. JP

    Então esqueceram-se da licença turística e das autorizações da junta de freguesia e associação de moradores? Agora a sério: Portugal é todo ele uma construção legal para liquidar o país. E tem quase 300 deputados! Cada vez me convenço mais que só com fugas massivas à lei esta terra avança. Ou, claro, com o Costa Concórdia.

  3. Comunista

    “Querem socialismo, votam em partidos socialistas têm socialismo. Qual a surpresa?”

    Não é isso burro. Trata-se de um mix de condições de higiene necessárias e de pressões sobre o pequeno comércio impostas pelos boys que tratam de organizar politicamente os interesses da expansão contínua do grande comércio.

  4. ricardo

    E podem ter a certeza de que mesmo cumprindo todas as exigências, haverá sempre uma alínea ou uma prepotência para justificar a multa àqueles que não se mostrarem suficientemente submissos.
    Os burocratas e os fiscais sabem bem que a justiça não é para os pequenos e que podem agir a seu bel prazer com total impunidade.

  5. castanheira antigo

    … e as bolas de berlim eram mais saborosas e muito mais baratas anteriormente a esta deriva socialista …
    O socialismo vai acabar quando a economia ´ja não puder com uma gata pelo rabo … mas que vai acabar disso não há dúvida nenhuma…
    E muito por isso só deveríamos votar em alguém que não só se comprometesse solenemente a não aprovar qualquer lei , mas ainda a acabar com a maior parte delas …

  6. fernandojmferreira

    Por curiosidade, quanto custa uma bolinha de berlim na praia? No meu tempo, so vendiam cornetos, pernas de pau e batatas fritas Pala-pala. Esta das bolas de berlim e’ nova para mim… 😛

  7. lucklucky

    “Não é isso burro. Trata-se de um mix de condições de higiene necessárias e de pressões sobre o pequeno comércio impostas pelos boys que tratam de organizar politicamente os interesses da expansão contínua do grande comércio.”

    O Socialismo é o controlo dos outros para obter a sociedade perfeita.

  8. Dervich

    São 9 comentários mas ainda nenhum sugeriu um único corte ao que está exposto na foto.

    Ninguém quer ter a honra de ser o primeiro?!… Grandes cerimónias!

    “Epá, por isso é que este país não vai prá frente!…”

  9. rmg

    Desta vez dei um ponto ao Dervich , eu que nunca dou pontos a ninguém .

    Acertou em cheio .
    É só bocas espertas mas depois cortam-se todos , não vá apanharem uma caganeira com uma bola de Berlim na praia e vir-se a descobrir que tinha sido precisamente por causa de uma daquelas “exigências” não terem sido cumpridas …

  10. Comunista

    Com certeza que é preciso cuidados com o serviço de comida. Em todo o caso não entendo a necessidade de exame aos dentes e de vacinas em dia – que vacinas são essas e porquê? Depois havendo um atestado de robustez qual a razão de um teste de esforço? A não ser que o atestado de robustez seja bulshit.

  11. André

    Há aqui algumas coisas que até fazem sentido, outras que são um completo absurdo. Comecemos pelo teste de esforço e atestado de robustez. Isto não é uma redundância? Depois, as cores de roupa. Eles devem estar identificáveis, mas para isso não é preciso indicar a cor da roupa, o simples “olha a bola de Berlim” ou similar chega para identificar (a não ser que o fiscal que vá à praia seja surdo).
    Outras imposições são completamente justificadas, nem vale a pena referi-las que todos as conhecem (e não me parece que sejam essas imposições que estejam em causa neste post).
    Outras parecem absurdas, mas é um facto que grande parte dos trabalhadores que se apresentam ao público têm de o fazer. Ter as unhas arranjadas, bem como os dentes, é uma condição para qualquer empregado de atendimento numa qualquer loja, pastelaria ou mesmo para um rececionista de um escritório. Parece-me mais uma imposição legal estúpida uma vez que está inerente ao facto de o vendedor ser a face da empresa junto dos clientes. As vacinas ou análises clínicas é aquilo que grande parte dos trabalhadores tem sempre em ordem (muitas vezes por imposição da entidade patronal). Não é de todo uma novidade.
    O que mais me espanta é a capitania poder fazer imposições por si própria. Num tão criticado sistema socialista e burocrático como o português (pelo menos para quem leia os comentários anteriores…) uma simples capitania pode fazer exigências!? Se isto fosse tão mau como dizem a capitania deveria requerer à direção geral de uma coisa qualquer que emitisse um parecer que seguisse para a secretaria de estado de outra coisa e que por sua vez remetesse para o ministério disso. O ministério contratava uma empresa externa (leia-se, de um qualquer membro do partido) para emitir um parecer independente sobre a questão que seguiria depois para a Assembleia da República, onde se poderia ou não aprovar uma nova imposição. Agora, os meios próximos às pessoas poderem tomar decisões, isto não é uma contradição com o socialismo que os comentadores acima dizem existir a níveis muito preocupantes…?

  12. paam

    “São 9 comentários mas ainda nenhum sugeriu um único corte ao que está exposto na foto.
    Ninguém quer ter a honra de ser o primeiro?!… Grandes cerimónias!”

    Todos menos o ponto 20. Uma simples licença de venda na praia passada pela camara municipal.

  13. paam

    Procurei quais eram os requerimentos para ser um vendedor ambulante em Inglaterra, como por exemplo a venda ambulante com recurso de uma bicicleta, actividade semelhante à mencionada no post:

    The following regulations shall be made with respect to the grant of pedlar certificates:

    (1)Subject as in this Act mentioned, a pedlar’s certificate shall be granted to any person by the chief officer of police of the police district in which the person applying for a certificate has, during one month previous to such application, resided, on such officer being satisfied that the applicant is above seventeen years of age, is a person of good character, and in good faith intends to carry on the trade of a pedlar:

    (2)An application for a pedlar’s certificate shall be in the form specified in schedule two to this Act, or as near thereto as circumstances admit:

    (3)There shall be paid for a pedlar’s certificate previously to the delivery thereof to the applicant a fee of £12.25

    (4)A pedlar’s certificate shall be in the form specified in schedule two to this Act, or as near thereto as circumstances admit:

    (5)A pedlar’s certificate shall remain in force for one year from the date of issue thereof, and no longer:

    (6)On the delivery up of the old certificate, or on sufficient evidence being produced to the satisfaction of the chief officer of police that the old certificate has been lost, that officer may, either at the expiration of the current year, or during the currency of any year, grant a new certificate in the same manner as upon a first application for a pedlar’s certificate. In Great Britain one of Her Majesty’s Principal Secretaries of State, and in Ireland the [F4Department for Social Development may by order provide] for the expiration of all pedlars certificates at the same period of each year, and in doing so shall provide for the apportionment of the fees payable in respect of any such certificate.

    Agora comparem com o exemplo português. E sim, em Inglaterra todos os dias pessoas existem milhares de pessoas a morrer na rua por comerem produtos vendidos por esses mesmo vendedores. É uma verdadeira chacina 😀

  14. k.

    1. Vacinas em dia
    A unica doença que o homem dos bolos poderá transmitir é a da difteria. Tendo em conta que esta está quase extinta, podemos apagar.

    2. Análises
    Existem uma data de doenças transmissiveis que um tipo que nos passa comida, nos pode passar. Concordo que para se poder esta actividade sejam pedidas análises regulares. Mantenha-se.

    3. Boné
    Um adulto terá consciência se necessita ou não de um boné, ou de qualquer outro método de protecção. Apague-se a medida.

    4. Completamente de acordo, nem irei discutir. Mantenha-se.

    5. Fundir com o requerimento 2.

    6. Se à primeira, pensei que não, comecei a pensar por mim – se o tipo tiver problemas cardiacos e não fizer esta prova, morre em dois instantes, a andar debaixo do sol e calor. Mantenha-se

    7. Completamente de acordo, nem irei discutir. Mantenha-se.

    8. Isto nem devia ter de ser um requerimento… mas mantenha-se.

    9. Apague-se. Eu quero um vendedor com calções cor de rosa.

    10. Modifique-se. Ou é a Capitania que manda, ou a Câmara municipal, as duas é demais.

    11. Por uma questão de identificação, se um cliente quiser fazer uma queixa, tem de haver algum mecanismo de controlo e identificação… sendo vendedores ambulantes, não me parece exagerado. Mantenha-se.

    12. Por uma questão de consistência legal, isto tem de ser obrigatorio. Mas pronto, vamos facilitar um regime de excepção, e apagar esta medida.

    13. Mantenha-se. Nem vou discutir.

    14. Apague-se, Quero os meus vendedores vestidos de cor salmão

    15. Inutil – o principio da medida, será, suponho, para impedir maluquinhos de vender. Mas isto pode ser despistado durante o processo de licenciamento. Um muito maluquinho nunca conseguirá passar por toda a burocracia =)

    Portanto de 15 medidas obrigatórias, reduzo para 7 obrigatórias.
    Apago 6.
    Modifico/Fundo duas.

  15. dervich

    “Em todo o caso não entendo a necessidade de exame aos dentes e de vacinas em dia, que vacinas são essas e porquê?”

    Vendedores (credenciados) de alimentos desdentados, ou com dentes com cáries, ou com mau hálito, não me parece que abonem muito à imagem do “Allgarve” ou da Costa do Sol, ou de Prata, afinal, queremos ou não queremos um tipo de turismo distinto, um que atraia os vistos gold e que permita que os reformados ricos da Europa venham cá passar os “anos dourados”?

    Vacinas contra tuberculose, tétano, por ex., em tempos (de boa memória) eram obrigatórias em todo o lado (para mais para quem vende alimentos) mas agora há umas modas com origem nos “old good USA” que até dizem que as vacinas causam doenças…

    “Comecemos pelo teste de esforço e atestado de robustez. Isto não é uma redundância?”

    Um atestado de robustez é feito sentado na cadeira do consultório, não atesta muito da capacidade de um indivíduo para andar Kms na areia com temperaturas perto dos 40º C.
    Um futebolista profissional também não é contratado com um simples atestado de robustez. Nesse caso, o clube que o contrata está a salvaguardar o seu investimento. No caso do vendedor de bolas, a entidade competente para emitir a licença está a salvaguardar-se de um futuro processo judicial a ser-lhe colocado pela família do vendedor, após este ter tido uma síncope e ter “encerrado a actividade”

    “Eles devem estar identificáveis, mas para isso não é preciso indicar a cor da roupa”

    A roupa (e a sua côr) não será para que sejam identificáveis, será para que exista um critério de uniformidade (forma) associado a uma ideia de limpeza (côr branca). Mas claro, isto pode ser dispensável, depende do que se deseje – julgo que os vendedores de Marrocos (e de outros lados) podem vestir o que quiserem, apesar de, nos países do norte da Europa, acharmos piada a certos vendedores com trajes característicos.

    “Ter as unhas arranjadas, bem como os dentes, parece-me mais uma imposição legal estúpida uma vez que está inerente ao facto de o vendedor ser a face da empresa junto dos clientes”

    Julgo que a esmagadora maioria destes vendedores trabalha por conta própria…mas sei lá eu.

    “Todos menos o ponto 20. Uma simples licença de venda na praia passada pela camara municipal.”

    Houve outros comentadores que tentaram discutir o assunto, você não quer (a propósito, não há “ponto 20”, só há 15).

    Uma “simples” licença passada pela Câmara, se fosse assim tão “simples” (sem critérios a cumprir) era passada só para amigos, pensei que fosse também isto que se procura evitar.

    Quanto ao vendedor ambulante inglês, que basta ser “a person of good character, and in good faith”…pois acredito que isso em Inglaterra resolva muitas questões, mas em Portugal parece que não é bem assim…

  16. dervich

    k.,

    Vários pontos que referiu estão abordados no comentário acima, excepto a questão boné.

    As proteções ao cabelo (chapéus ou tocas) são obrigatórias em locais de confeção de alimentos, devido a quedas de cabelos, pingos de gel, etc… Mas ok, um empregado de balcão de pastelaria não precisa ter essa proteção, só que na praia há também a questão do sol, pode ser considerado um “equipamento de proteção individual”…

  17. paam

    Dervich,

    Obrigado pela correcção. Referia-me, obviamente, ao ponto 10. E estou a ver que tem medo das coisas simples onde existe espaço para o “bom-senso”. A licença não era só para amigos, porque tendo o requente preenchido todos os critérios necessários a licença teria de ser emitida pela camara. Simples.

    Mas não, ainda existem aqueles que defendem estas medidas absolutamente absurdas, chegando ao ponto de se contradizer completamente. Exemplo:

    K. disse: “A unica doença que o homem dos bolos poderá transmitir é a da difteria. Tendo em conta que esta está quase extinta…”

    Para logo a seguir concluir:

    “Existem uma data de doenças transmissiveis que um tipo que nos passa comida, nos pode passar. Concordo que para se poder esta actividade sejam pedidas análises regulares. Mantenha-se.”

    Dervich,

    “Vendedores (credenciados) de alimentos desdentados, ou com dentes com cáries, ou com mau hálito, não me parece que abonem muito à imagem do “Allgarve” ou da Costa do Sol, ou de Prata, afinal, queremos ou não queremos um tipo de turismo distinto, um que atraia os vistos gold e que permita que os reformados ricos da Europa venham cá passar os “anos dourados”?”

    Eu, e os demais portugueses ou turistas estrangeiros, queremos lá saber dos dentes ou do mau hálito do vendedor? Eu quero comprar uma bola de berlin, não quero fazer amor com ele!

    E nós queremos lá saber se o vendedor usa chapéu, boné ou uma sombrinha? Ou se ele é robusto, obeso ou assim assim?! Ele saberá tomar a melhor decisão para a sua saúde. Se não o fizer será o seu problema, não o nosso. Mas que mania de achar que temos de legislar em assuntos que são uma liberdade de cada um.

  18. ricardo

    E os sapatos? Cheira a ilegalidade que tresanda. Nenhum idiota se lembrou de regulamentar o calçado?
    Este vendedor de pé descalço parece-me pouco europeu e higiénico (anda por aí tanto pé de atleta).
    Falta legislação – o governo tem que pôr mão nisto!

  19. dervich

    paam,

    Antes de si, o k procurou corrigir o tiro e, como você refere, entrou em contradição, não pelo que escreveu no final, mas pelo que tinha escrito no início!…

    Tal como ele, quando você começa a pôr “a mão na massa” arrisca entrar em contradição:

    “tendo o requente preenchido todos os critérios necessários a licença teria de ser emitida pela camara. Simples”

    Pois, simples, mas afinal quais são esses “critérios necessários”?!…São talvez os que estão na foto, digo eu…

    ricardo,

    à falta de melhor, os argumentos podem sempre reduzir-se à “conversa de pé de chinelo”, não é verdade?

  20. A verdade é que até para a morte há desculpa, e argumentos para todas as idiotices ali expostas também.

    Portanto um tipo com diabetes ou até um pequeno problema cardíaco não pode ganhar a vida (não morre do trabalho – morre de fome)

    Ser gordinho não pode ser ( coisa difícil porque também não podes ganhar dinheiro para comer)

    Cáries também não … mas não podes ganhar dinheiro para ir ao dentista, já que é que coisa que o famoso SNS não tem)

    Unhaca no mindinho, ui um perigo mortal

    Se a minha marca de bola de berlim tem uma imagem verde fluorescente… é pá… não podes

    É pá vejam lá se não é preciso também autorização da Agência do Ambiente, da Direção de recursos hídricos, da comissão da carteira profissional de vendedores das bolas de berlim, da associação de concessionários de praia, do ministério da economia, do ministério da administração interna e do Instituto de socorros a náufragos

    Mudanças de visual também não são permitidas.. deixas crescer as patilhas e toma.. paga lá outro cartão.

  21. paam

    dervich,

    “Pois, simples, mas afinal quais são esses “critérios necessários”?!…São talvez os que estão na foto, digo eu…”

    O básico. Preencher um simples formulário e pagar uma módica quantia pela licença. Caramba, estamos a falar de vender bolas de berlin na praia, não de Engenharia Aeroespacial.

    Também vão obrigar as senhoras de 80 anos que vendem tremoços, para colmatar a reforma miserável de 200 ou 300 euros, a fazer testes de robustez? Francamente!

  22. dervich

    “O básico. Preencher um simples formulário e pagar uma módica quantia pela licença.”

    Pois, penso que foi isso (exceto pagar a licença) que em tempos a CM do Porto pediu a quem se quis candidatar para ser “arrumador”.

    No fundo, este post é paradigmático para aferir o designado “espírito reformista”.
    A uma outra escala, os sucessivos governos propõe-se “reformar o estado”, isto é, desburocratizá-lo para o tornar mais eficiente, só que, quando iniciam essa tarefa, nunca a concluem, como aqui acontece com o nosso “homem das bolas” (salvo seja).

    Primeiro ia-se eliminar 15 requisitos mas depois, vendo bem, eliminam-se só 5 ou 6, e “fundem-se” 2 ou 3, para, no fim, obter um vendedor de bolas que, em termos de saúde e de imagem, se equivale a um…”arrumador”!…

    Para “reformar o estado” precisamos de dois requisitos essenciais:

    – Precisamos de decidir o que (coletivamente) queremos do estado (se queremos vendedores de bolas ou arrumadores);

    – Precisamos de um povo com mais alguma cultura cívica que nos permita ter regulamentos que apenas exijam às pessoas ter “good character and good faith”…

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