A pobreza de raciocínio em causa própria

Tal como previ no final deste texto, a malta do costume (o António Nabais de forma honesta e directa no Aventar e o Paulo Guinote no seu habitual estilo dissimulado numa série de posts sem links) vieram protestar e insultar números e gráficos.
O Paulo Guinote utilizou o estilo habitual de quem desistiu de pensar há muito tempo. Para quem é professor há bastantes anos, pensar é um exercício perigoso pelas conclusões a que se pdoe chegar. Por isso, o argumento único de Paulo Guinote, para todas as discussões, é o de que todos os que discordam de si têm interesses escondidos, são porta-vozes de alguém ou se estão a atirar a um tacho qualquer. É a pobreza de pensamento levada ao limite, mas que vai chegando para manter a claque animada.
Já o António Nabais, que até começou a discussão de forma civilizada, vendo-se derrotado nos argumentos acaba aqui a acusar-me de pobreza de raciocínio. Vejamos então a capacidade de raciocínio do António Nabais:

  • O primeiro conjuntos de gráficos deste post mostra Portugal com um dos países com mais professores por aluno no ensino obrigatório. O argumento sofisticado do António Nabais é, e cito, “(…) CGP não explica, por exemplo, de que modo são contabilizados os professores. No entanto, a decisão de contratar mais ou menos professores não se pode limitar à comparação com outros países”. Ou seja, o facto de Portugal ser dos países da OCDE com mais professores em relação ao número de alunos, e de tal não acontecer devido aos professores terem outro tipo de tarefas que não têm noutros países, não importa. O problema está no modo como “são contabilizados os professores”. O problema, afinal, é aritmético: os senhores da OCDE não sabem contar.
  • Em relação ao facto de os professores ganharem mais do que pessoas com as mesmas habilitações, o António Nabais demonstra também um raciocínio sofisticadíssimo: não são os professores que ganham muito, os outros é que ganham pouco. Um raciocínio sem critério de rejeição, que justificaria qualquer nível salarial. Assim é fácil.
  • Finalmente, o António Nabais não consegue encontrar qualquer relação entre o poder dos sindicatos dos professores e o facto de Portugal ser um dos países em que uma maior percentagem dos gastos em salários vai para educação. Aparentemente não há qualquer relação entre a capacidade negocial de um sindicato e a parte do orçamento que consegue levar em salários. No que toca a pobreza de raciocínio, estamos falados.

Em sua defesa, temos que aceitar que um professor não tem que perceber porque é que a comparação com benchmarks internacionais é importante para definir políticas de gestão do sector da educação. Um professor primário não tem que ter formação para entender porque é que a comparação dos seus salários com pessoas com o mesmo nível de qualificações é importante. Um professor não tem que entender a relação entre o poder sindical de uma classe profissional com a alocação dos recursos do sector a salários. Não será correcto chamar ignorante ou pobre de raciocíno a um professor por causa disso. Um professor não tem que entender problemas decorrentes da escassez de recursos e, pior do que isso, tem todo o interesse em ignorar essa realidade. Mas há uma implicação importante disto: a maior parte dos professores não tem capacidade para discutir a gestão do sector da educação. Isto fica demonstrado a cada tentativa de discussão. Não se pode colocar a gestão económica de um sector público nas mãos da parte interessada que mais beneficia do orçamento. A discussão em causa própria é sempre geradora deste tipo de conflitos de interesse que coloca pessoas inteligentes como o António Nabais a discutir com o nível que o fazem. Muito mais organizados do que pais e contribuintes, os professores têm tido um peso excessivo na determinação das políticas de educação. O resultado é um sistema de ensino que é desenhado em primeiro lugar para eles, não para quem paga, os contribuintes, ou para quem deveria ser desenhado, alunos e pais.

66 pensamentos sobre “A pobreza de raciocínio em causa própria

  1. Carlos Santos

    Fiquei a pensar que no seu texto e em especial nas conclusões, onde se lê professores se pode substituir por médicos/pilotos da TAP …

  2. Jose

    cito-o: “a comparação com benchmarks internacionais é importante para definir políticas de gestão”
    Parece-me díficil dizer que, o facto de estarmos acima/abaixo dos valores de referência da OCDE, nos indicadores que refere em concreto, é bom ou mau. Há indicadores que são fáceis de catalogar (esperança média de vida por exemplo), mas não é evidente, nos casos que refere, que o desvio seja uma coisa “boa ou má”. Podemos até descobrir que países que tiveram este tipo de desvios têm maior crescimento da riqueza nas décadas subsequentes.

  3. Arlindo Carvalho

    “O Paulo Guinote utilizou o estilo habitual de quem desistiu de pensar há muito tempo.”

    Ele nem pensa se pensa ou não.

  4. Gil

    Gosto de ler as opiniões do Carlos Guimarães Pinto, mas não me parece que a Educação seja uma das áreas em que esteja à vontade. Não vou repetir chamadas de atenção sobre o modo como interpretou os gráficos, o que já foi feito nos comentários ao post anterior por quem me parece saber mais do assunto do que eu. No entanto, deixo uma dúvida: em sua opinião o que é preciso mudar no ensino, limita-se a ordenados de professores?

  5. joão

    Os ordenados e avaliação também é muito importante, se não tiverem notas positivas na avaliação não podem ser professores!

  6. Revoltado

    Estes dados estao desactualizados. Em 2011 já estava em curso um processo de mudança que continuou depois disso e mudou muito o panorama do ensino. Gostava de ver os dados actuais.

  7. jo

    Gostava de ver avaliar um ministério que propõe rescisões por mútuo acordo aos professores e no início do ano letivo ainda não sabe se o que propôs é exequível ou não.
    Reparem que as rescisões foram propostas pelo ministério, os professores limitaram-se a aceitar. Neste momento o ministro descobriu que não tem dinheiro para as rescisões, como não tem coragem de o assumir, pede às escolas que considerem os professores em serviço sem avisar os próprios.
    Uma das cratinices do costume, a juntar a uma prova de perguntas de algibeira disfarçada de prova de avaliação.
    Isto do homem que berrava por rigor, não está mal.

  8. Carlos Guimarães Pinto

    Os ordenados dos professores estão longe de ser a única, ou a mais importante, coisa a mudar na educação.

  9. E contudo, Carlos Guimarães, são também um factor fundamental.

    Vou contar-lhe alguma da minha revolta: cortam-me o salário, repõem-me o salário, aumentam-me outros descontos, dão-me duodécimos do subsídio de Natal, o ano passado recebi o subsídio de férias em novembro com cerca de 50% de corte, dizem-me que os cortes eram inconstitucionais mas não havia direito a retroactivos, depois retiraram-me os cortes durantes 3 meses. Voltam agora em Setembro. Ficam para 2015. Apesar de serem inconstitucionais. Antes disso, diziam que me iam repor 20% dos cortes em 2015. O resto seria reposto até 2018 ou 2019. A gora, dizem-me que a partir de 2016 já me retiram os cortes outra vez. E eu não sei porquê, mas deve ser porque a partir de 2016 passam outra vez a inconstitucionais..Para além do mais, as carreiras estão congeladas há quase 1 década e os impostos pago-os todos, tal como o comum dos outros cidadãos, embora haja uns cidadãos mais incomuns/imaginativos ou, direi, esquecidos(?) que fogem deles com glamour.

    Para além disto, passei a estar mais horas na escola numa corrida entre aulas propriamente ditas e outras actividades ditas de componente não lectiva que caem muito bem na opinião pública mas cujo resultado é francamente questionável quer para professores quer para alunos – e estou a pensar nas aulas de substituição, entre outras actividades do género.

    Depois de tudo isto, que me aborrece um bocado porque tenho este péssimo hábito de me aborrecer com estas coisas da vida, resolvi passar a viver e a trabalhar de forma diferente. Sem prejuízo de ninguém – nem dos alunos nem de mim nem da minha família nem dos amigos.

  10. That’s why I always say that teaching is an art form. It’s not a delivery system. I don’t know when we started confusing teaching with FedEx. Teaching is an arts practice. It’s about connoisseurship and judgment and intuition. We all remember the great teachers in our lives. The ones who kind of woke us up and that we’re still thinking about because they said something to us or they gave us an angle on something that we’ve never forgotten.

    Sir Ken Robinson

  11. Luis Moreira

    Se toda uma corporação de milhares de professores se deixa representar por um “alucinado” que reinvindica uma escola pública monopolista ( assim retirando o direito de escolha da escola pelas famílas) que não quer avaliações( logo numa profisssão onde avaliar é uma das funções mais importantes) e não quer rankings das escolas,( assim nivelando todas as escolas pela mediocridade) o que é que querem que se pense quanto à bondade dos seus objectivos? Querem que eu aceite que as minhas netas frequentem a escola que lhes foi atribuída por um qualquer sindicalista comunista ? Sem que eu nada possa fazer para evitar uma má escola? As más escolas públicas estão cheias de alunos pobres.

  12. Maurício Brito

    O que tenta demonstrar através dos seus posts e gráficos já foi desmontado, há anos, por pessoas que entendem de Educação.

    Acho melhor concorrer com o vitordascunhas ao prémio “Pior Interpretador de Gráficos da Blogosfera”.

    Chega a ser deprimente o que escreve sobre Educação.

  13. Jalapeno

    Pela sua última resposta, acusando quem discorda de si de só poder ser professor, também está mais que visto que “todos os que discordam de si têm interesses escondidos, são porta-vozes de alguém ou se estão a atirar a um tacho qualquer.”

    E demonstrada também a evidente pobreza do seu pensamento, principalmente na maneira trauliteira com que responde a quem discorda de si.

    Antes que se atire também a mim, fica o aviso : não, não sou professor.

  14. Carlos Guimarães Pinto

    Jalopeno, a resposta não foi dirigida a quem utilizou argumentos para justificar a discordância. Foi dirigida a alguém que utilizou insultos. A ausência de argumentos ou a utilização de argumentos de autoridade (“você não percebe nada de educação) é a típica estratégia de discussão de quem é parte interessada, daí a minha questão.

  15. «Estes dados estao desactualizados. Em 2011 já estava em curso um processo de mudança que continuou depois disso e mudou muito o panorama do ensino. »

    A única coisa que mudou foi uma diminuição equivalente no número de professores e de alunos, pelo que os rácios continuam mais ou menos iguais. O número de professores do 3º ciclo e secundário reduziu 15% entre 2011 e 2013 enquanto o número de alunos nessa área reduziu entre 12% e 13% no periodo. Mas, no limite, a coisa até pode ter piorado, dependendo do perfil dos professores “reduzidos”.

  16. «O que tenta demonstrar através dos seus posts e gráficos já foi desmontado, há anos, por pessoas que entendem de Educação.»

    Você acha mesmo que argumentação deste nível convence alguém para além de si próprio?

  17. A escola pública, os alunos e o futuro de Portugal

    A discussão em torno da educação em Portugal é simultaneamente tanto um imperativo imposto pela necessidade quanto parece ser uma impossibilidade teórica, imposta pela análise prática quando considerado o caótico processo de discussão educacional que teve lugar nos últimos anos. Com efeito, o que se conclui – para além de que quando se fala desta temática, nada se consegue concluir – é que se discute cá fora o que deveria ser discutido internamente duvidando-se, e com fortes razões para isso, se a discussão que deveria ser feita cá fora, é ou não levada a cabo lá dentro. A primeira diz respeito ás carreiras e ao processo avaliativo, o segundo aos currículos, ao cheque-ensino – concorrência – e à disciplina na escola, entre outros.

    Vamos por partes. O mundo mudou e, como de costume, sectores consideráveis da população Portuguesa, nomeadamente as corporações mais bem instaladas e que mais têm a perder com este processo globalizador, continuam, hoje e sempre, irredutíveis à mudança e ao invasor ideário neo-liberal e ao regime capitalista-exploralista que o serve. Com efeito, é exactamente isso que se passa. Não precisamos de mudar nada no nosso sistema, porque tudo vai bem. O oriente não se industrializou e não se tornou o centro produtor do mundo – em bens e serviços -, o leste europeu, mais alfabetizado e instruído e com custos unitários do factor trabalho mais baixos que o nosso, não se liberalizou, a China e a Índia não aderiram à OMC, os tigres asiáticos são uma lenda polulante que graça lá para os lados do sol nascente à qual não devemos ligar, a América do Sul não tem hoje uma voz activa no mundo, a África não procura, ainda que lentamente, o seu lugar ao sol no concerto das nações e o conjunto das economias emergentes não dilaceraram a estrutura produtiva que existia no País, num mundo com cada vez menos barreiras proteccionistas e no qual a competição sectorial é mais intensa que alguma vez foi.

    Ler o resto em http://pensamentoliberalelibertario.blogspot.pt/2014/07/a-escola-publica-os-alunos-e-o-futuro.html

  18. Jalapeno

    Se for a ver, Carlos Guimarães Pinto, de ambos os lados há o argumento da autoridade. Do outro lado, porque são professores. Do seu, porque é economista. Não é difícil de perceber que o mais certo é nenhum de vocês ter razão. Nem tem razão quem acha que é mal pago pelo trabalho que faz nem quem analisa a questão através de gráficos e estatísticas sem qualquer conhecimento do terreno. Mas isto é mero senso comum. Algo que falta a ambos os lados da discussão. E com isso quem perde é o debate.

    Mas mais do que isso, o debate perde-se pelo tom beligerante que é constantemente empregue. E inesperado tendo em conta que são todos pessoas inteligentes.

  19. Carlos Guimarães Pinto

    Para além dos argumentos de autoridade, eu apresento os números que existem e estão disponíveis. Se o “conhecimento de terreno” é assim tão importante, não deveria ser complicado rebater esses dados. Apesar disso, a maioria das respostas nem sequer tenta contestar os dados ou explicar porque eles não representam a realidade. A maioria das respostas baseia-se em ataques pessoais e argumentos de autoridade, típico de quem não tem contra-argumentos sérios mas que, sendo parte interessada, não pode admitir estar errado. Por isso, não cusa a adivinhar que todos os que respondem dessa forma são professores.

  20. lucklucky

    Não há professores pois os que assim se intitulam já há muito não o querem ser. por segurança preferem ser paus mandados de um sistema Totalitário, quando muito são funcionários educativos.

  21. dervich

    Eu cá por mim até acho que os professores são muito mal pagos pelo seu serviço de guardas prisionais – Oh Carlos Guimarães Pinto, você já viu o que acontece aos centros comerciais quando as prisões gozam férias de Verão?!…

    P.S.: Ah não, não sou professor (nem guarda, já agora…)

  22. “Embora a flexibilidade se tenha transformado num cliché usado até à exaustão no âmbito da economia e da educação, na prática ela tanto pode conduzir ao enriquecimento como à exploração; à diversidade, como à divisão(…)Mas perseguir o objectivo da flexibilidade sem se possuir um entendimentodos seus diferentes significados(…) – é fazê-lo selectiva e acriticamente(…)…..

    Andy Hargreaves, in “Os Professores em tempos de Mudanças”

  23. Alexandre Portugal,

    Não é verdade que os professores , a escola …não queiram mudar. Depende do que se fala quando se fala em mudar e em mudança.

    Uma animação interessante sobre a mudança, baseado numa conferência de Ken Robinson

  24. blitzkrieg

    Tenho 4 professores do lado da família da esposa. Desisti há muito de lhes tentar explicar o quanto são uma classe privilegiada, com salários perfeitamente desajustados e que são demasiados para os alunos que existem. Qualquer argumento estatístico é rebatido com histeria, e eu prefiro não ter de aturar isso… vou pagando impostos, portanto.

  25. Luis Moreira

    Há só que descentralizar, introduzir o cheque ensino e avaliar. Apoiar as boas escolas e fechar as más. Para os alunos não há escola pública ou privada. Há boas e más escolas. As más escolas públicas estão cheias de alunos pobres. Esse sim é um verdadeiro problema ( o aluno pobre, nas más escolas públicas, não tem qualquer oportunidade de ascenção social). Moro aqui há 36 anos. Os filhos dos licenciados frequentaram os colégios privados e são hoje licenciados.As duas escolas públicas existentes aqui no bairro só têm alunos porque os pais não têm meios para os transferir para uma boa escola. (falta de dinheiro e falta de informação)

  26. lucklucky

    Só a ideia de escola como única maneira de aprender é totalitária. Não liga à diferença entre as crianças.

  27. António Marrinhas

    Considero um erro tremendo colocar os professores todos no mesmo saco. É uma classe extremamente heterogénea, e se é verdade que há uns que são uns privilegiados, também os há muitos que são dos trabalhadores mais precários que temos neste país. Atacar os professores todos “à uma” é um erro. Defendê-los também.

  28. Maurício Brito

    Vou tentar ser mais claro: o que apresenta como verdades absolutas já foi, há vários anos, demonstrado que são mentiras ou leituras incompletas.

    Não tenho tempo – nem pachorra – para explicar onde erra.

    Até porque nem sei se não é mais um dos que, propositadamente, apresenta uns gráficos apenas para justificar uma linha de pensamento já completamente formatada, fazendo de conta que através dos mesmos encontrou o Santo Graal dos fanáticos e traumatizados anti-professores deste país e que apresenta como fantásticas conclusões apenas aquilo que deseja que os outros acreditem ser a verdade.

  29. Carlos Guimarães Pinto

    “Não tenho tempo – nem pachorra – para explicar onde erra.”

    Entendo, perfeitamente. É tudo tão evidente que ninguém apresenta um único argumento contraditório decente. O seu amigo Guinote também não tem tempo, nem pachorra, mas passa horas no Google a pesquisar imagens e o meu passado profissional. Vocês fazem lembrar os fracassados no bar que dizem que só não seduzem mais mulheres porque não estão para se chatear.

  30. Maurício Brito

    Ok, estuda então estes posts do Paulo ( http://educar.wordpress.com/category/os-racios/ ) e vê se começas a entender o porquê da falta de pachorra para iluminados como tu.

    Sobre rácios eu lanço-te o seguinte desafio: apresenta UMA única escola EB ou secundária do país que tenha um rácio menor do que o de 1 para 10 ( sim, isso mesmo, não é de 1 para 8 como tão espectacularmente apresentas nos gráficos que dizes tão bem interpretar).

    Se é com números que queres discutir, vamos em frente.

    Quando conseguires o feito, publica aqui a escola.

    – Para cada UMA que apresentares eu apresento DEZ com um rácio superior a esse.

    Aceitas o desafio?

  31. Carlos Guimarães Pinto

    Continua fraquinho e sem argumentos, tal como o seu colega. Eu apresentei números que existem e estão disponíveis. Você ainda não contrapos com um único dado alternativo que os desminta. Quando o fizer, poderemos retomar a discussão. Até lá, está ao nível do Guinote.

  32. Maurício Brito

    Como seria de esperar, fugiu com o forever young à seringa. É que na hora de PROVAR as alarvices, as coisas, naturalmente, ficam complicadas.

    – Fica o registo de que desafiei-o a provar com escolas, professores e alunos REAIS o que o rácio que os fabulosos gráficos tão bem (…) interpretados por si demonstram e que, repito, REGISTE-SE, não consegue arranjar UMA ÚNICA escola que sustente as suas fantásticas conclusões.

    Enfim… até mete dó.

  33. Luis Moreira

    Ficam muito indignados. Argumentos é que não há. Eu por mim só quero que não me tirem o direito de escolha da escola para os meus. Porque hei-de pagar más escolas?

  34. Carlos Guimarães Pinto

    Eu apresentei números e dados disponíveis publicamente. Você, sem apresentar novos dados, vem exigir números que não estão disponíveis para depois poder dizer que eu fujo com o rabo à seringa.
    Está visto que não quer discutir. Quer lançar poeira sobre a discussão como o stalker Guinote. Não, obrigado.

  35. Maurício Brito

    Sem apresentar dados novos? Sim, realmente tem razão: os dados que apresentei e que desmontam de forma clara a sua “fabulosa” tese já são velhos:

    http://educar.wordpress.com/category/os-racios/

    Fica o link para quem, ao contrário do iluminado, quer efectivamente entender alguma coisa sobre rácios.

    Sobre o desafio: dados que não estão disponíveis? É realmente fantástico como certas pessoas só conseguem fazer avaliações à partir (de más interpretações) do que é fornecido, criando verdades absolutas e indesmentíveis sem UMA única prova do que apresenta.

    Ó homem, vou dar-lhe uma ajuda: pegue no telefone, ligue para umas 5-10 escolas do país e pergunte: quantos alunos estão matriculados este ano e quantos professores estarão ao serviço neste ano.

    Será assim algo tão difícil para alguém tão inteligente e esclarecido como você?

    Enfim, como digo, isto é tudo muito triste.

  36. Luis Moreira

    É triste porque vocês têm medo da concorrência e da livre escolha. Não era democrático ver quais as escolas que as famílias escolhiam?

  37. Carlos Duarte

    “Escolhiam”? Mas qual escolhiam, qual carapuça. Que escolas CONSEGUIAM que os filhos entrassem. Porque quando uma escola tiver, sei lá, 3x mais candidatos que vagas, como se processa a seriação? Haverá sempre quem não conseguirá por os filhos onde quer. Pode-se discutir qual é o método mais justo (com base no mérito, condições sócio-económicas, próximidade geográfica, ordem de entrada das candidaturas, etc), mas achar que liberalizando o sistema de repente toda a gente fica satisfeita é pura fantasia. Apenas se vão trocar uns problemas por outros e umas injustiças por outras.

  38. Maurício Brito

    Luís Moreira,

    Eu falo de alhos e você de bugalhos. Fale sobre rácios, homem!

    Quer que diga o que penso sobre a livre escolha? É simples: sou a favor. Se quer os seus filhos numa privada, tem toda a liberdade de fazer essa escolha: meta-os lá e pague o que é cobrado. Considero absurdo é que um direito de todos os cidadãos e que deve ser proporcionado pelo estado – a educação – possa servir os interesses de grupos privados. Vocês querem mais “empreendedores de sucesso” a mamar da teta do estado? Não chega o que já temos?

    Ou seja: sim aos privados mas não aos que querem ser privados com o apoio do estado.

  39. Pingback: Da Desonestidade Ignorante – 1 | A Educação do meu Umbigo

  40. Luis Moreira

    Por amor de Deus você sabe mais que isso. Acha que para os alunos interessa que a escola sejá pública ou privada ? E para os contribuintes interessa saber? Claro que não, querem é pagar as boas escolas, interessa lá que sejam públicas ou privadas. Então a quem interessam as escolas públicas? Aos professores que querem vencimento certo ,nenhuma avaliação e progressão automática.É dificil perceber? Olhe que não.

  41. Depois de o professor Paulo Guinote ter, uma vez mais, dado a conhecer a evolução notória da educação em Portugal, eu diria expectacular (e apesar de tudo, e com isto refiro-me a tantas “reformas e contra-reformas”), qualquer cidadão honesto tira conclusões.

    E uma das conclusões a tirar é a de que os professores têm vindo a realizar um trabalho meritório e meritocrático, as escolas têm conseguido organizar-se (apesar de tanto obstáculo de decretos e contra-decretos, cortes e mais cortes) e os alunos têm obtido bons resultados.

    Gostei de ler que convém separar salários líquidos de ilíquidos e que as comparações têm de ser realizadas com honestidade.

    No seu comentário a tanto argumento mostrado, continua, porém, a achar ( e é mesmo “achar”) que :

    “Os professores podem fazer um excelente trabalho e mesmo assim terem salários acima de profissionais com as mesmas qualificações.”

    O que é outra inverdade. Uma inverdade conveniente.

    Resumindo,passamos de “Os professores podem fazer um excelente trabalho”. Mas o problema nunca foi este, nem os evidentes ganhos a nível da educação e das escolas. O que sempre esteve em causa foi: os professores são demais e ganham mais do que outros profissionais com as mesmas qualificações.

    Argumento fácil de esclarecer.

  42. Carlos Guimarães Pinto

    F se é uma inverdade, então o problema está nos números apresentados pela OCDE. A OCDE é uma isntituição credível e a única que apresenta estas estatísticas.
    Nada disto é uma ofensa aos professores. Nunca aqui foi dito que os professores são maus profissionais. Aliás, usar o plural nem sequer faz sentidos. Há muitos bons professores e, como em todas as profissões, alguns maus também. Mas nada disso implica que os salários dos professores mais velhos possam ser altos para as qualificações ou que haja professores a mais no sistema.

  43. Carlos,

    Custa-me ler que os salários dos professores são altos para as qualificações. Como economista e alguém interessado em estatísticas e relatórios, faça um apanhado sobre o assunto e vai chegar a diferentes conclusões. E vão ser mesmo conclusões muito diferentes.

    A questão de haver ou não professores a mais no sistema também tem de ser equacionada.

    Sem ser da área da economia e da gestão, há algo que me parece evidente e que tem a ver com boas práticas:

    – se a coisa funciona e resulta, não se mexe. E quando se mexe, é para manter e aumentar os resultados.

    A questão, poder-me-á dizer, é manter os mesmos resultados com downsizings. Mas esta é outra questão e não teria sido necessário andar a “rodear” o problema, lançando-se entropias várias sobre o tema.

    Aqui chegados, defende o quê, precisamente?

    – tornar a escola atrativa para a iniciativa privada?

  44. Carlos Guimarães Pinto

    F, a questão dos salários e do número de professores está nos números da OCDE. Pode-se contestar a metodologia, mas são os únicos números que existem.

    Uma coisa pode funcionar e ser cara para as possibilidades do país. Depois, tal como nos salários e nas horas lectivas, a média pode esconder realidades distintas: alunos que têm acesso a boas e más escolas, bons e maus professores. Por isso é que eu penso que é da mais elementar justiça dar liberdade de escolha a pais e alunos sobre a escola que querem frequentar (já que a pagam nos seus impostos) e dar autonomia financeira às escolas em relação a salários e número de professores. Se fosse possível aos alunos escolher as suas escolas, haveria mais incentivo para as escolas gerirem bem os seus recursos, premiarem os melhores professores e serem mais eficientes. Alguns, nomeadamente os professores que dão actualmente menos horas ou são menos bons ficariam a perder, mas os sistema como um todo ganharia.

  45. Rui Pereira

    A Escola Pública portuguesa realizou um notável trabalho: partiu de um patamar baixíssimo e aproximou-se, ultrapassando por vezes, os dados estatísticos que, parcialmente, permitem avaliar os diferentes sistemas educativos. Numa das suas últimas entradas Paulo Guinote prova-o com números e de modo inequívoco. Uma das mentiras que uma certa direita quer provar, apesar destes números, é que a escola pública é má… Contrariando toda a estatística!

  46. Luis Moreira

    Funciona bem? Boas escolas privadas cheias de alunos ricos; boas escolas públicas cheias de alunos remediados; más escolas públicas cheias de alunos pobres e sem qualquer hipótese de se livrarem do carimbo . E mais uma vez não há um dado concreto por parte de quem defende este sistema centralizado e sindicalizado. Depois do direito da livre escolha dos canais de Televisão e dos jornais, da livre escolha do hospital, da livre escolha do sindicato , temos que nos bater pela livre escolha da escola. É a eterna luta dos que lutam pelos direitos democráticos contra os que tentam impor o seu conceito totalitário . Mas como nos casos anteriores a democracia vai vencer.

  47. Carlos Guimarães Pinto

    A escola pública não é má, mas há escolas más. O sistema de ensino público é mau porque os alunos não têm a possibilidade de fugir às más escolas, e os professores dessas escolas têm poucos incentivos para além do seu profissionalismo a fazerem uma escola melhor.
    A escola pública não é má, mas é cara para as condições do país.

  48. Luis Moreira

    O estado tem que apoiar as boas escolas sejam públicas ou privadas e fechar as más sejam públicas ou privadas. E, antes disso tudo, há o direito de escolha das famílias .

  49. dervich

    “O estado tem que apoiar as boas escolas sejam públicas ou privadas e fechar as más sejam públicas ou privadas”

    Pois, é tão simples quanto fazer um Banco “bom” onde ficam as “coisas boas” para o separar do Banco “mau” onde ficam “as coisas más”.

    A treta é definir o que é uma escola “má” e uma escola “boa”…além de que, fechando as más, os alunos que estas libertassem iriam tornar “más” as escolas “boas”…

    Carlos G. Pinto

    “O sistema de ensino público é mau porque os alunos não têm a possibilidade de fugir às más escolas”

    Agora é que você tocou no ponto fulcral:

    Os alunos até querem fugir às más escolas, aliás, fazem o possível por partir a escola toda e torna-la ainda pior, para ver se são suspensos ou expulsos…mas o problema é que não são, porque a escola é obrigatória!

    No tempo em que a escola era um “privilégio” funcionava bem mas agora, sendo a escola uma imposição, funciona mal…Tão simples quanto isto, não tem a ver com o facto de a escola ser pública ou privada porque, para uma escola privada só vai quem quer, enquanto, para uma escola pública, vai maioritariamente quem é obrigado, não no sentido em que não tem meios para ir para outro lado, mas sim no sentido em que é obrigado tout-court…

  50. “A escola pública não é má, mas há escolas más.” E as privadas, são todas boas? O grupo GPS, com uma frota de carros de luxo, frota de autocarros que deu para criar uma empresa de viagens, acusações várias em áreas como assédio a professoras, excesso de aulas dos professores, despedimento de funcionários em tempo de férias, expulsão de alunos por causa dos rankings, roubo descarado aosalunos para coisas pagas pelo estado aos alunos, ida dos boys do Bloco Central do Min. da Educação para lugares de chefia da mesma, retirada de turmas de ensino público (caso de Caldas da Rainha) que queriam ir para a Escola pública e foram obrigados a ir para o GPS – é isso que quer?
    A minha Escola recebe todos os ciganos da mina cidade e arredores, tem alunos de 8 países diferentes (já chegámos a te 15…), tem 2 unidades de deficientes profundos, tem a maioria os alunos com necessidades educativasespeciis, é obrigada a ficar com os restos dos colégios e mesmo assim, os nossos 30 melhores alunos são muito melhores do que os dos colégios, em termos de notas de exames…
    Quem está mal, a minha Escola ou os Colégios? Quer comparar-nos com o GPS?

  51. Carlos Guimarães Pinto

    Há privadas más, privadas boas, públicas más e públicas boas. É irrelevante. Importante é que a maioria dos alunos em escolas públicas más não têm a opção de passar para as boas. Quem está nas privadas más pdoe passar para as boas. Não há problema nenhum que haja privadas más, desde que os alunos tenham a possibilidade de escolher outra escola. Na escola pública essa possibilidade não existe.
    No actual sistema, só aqueles que podem pagar a educação duas vezes (nos impostos e nas mensalidades da escola privada) é que têm a possibilidade de fugir a escolas más. E os sindicatos dos professores são os maiores opositores de abrir o sistema à liberdade de escolha.

  52. “No actual sistema, só aqueles que podem pagar a educação duas vezes é que têm a possibilidade de fugir a escolas más”. Tem a certeza? É que Leiria deve ser como a aldeia do asterix – tem regras especiais… aqui há escolas privadas de graça (em Leiria e nas suas cercanias) quando há públicas no concelho meio vazias…

  53. E tenho pena que não responda às minhas questões (parece o Cunhal, a escorregar como uma enguia nas entrevistas, enquanto regurgitava a cassete…) ou responda com questões, como já fez previamente. O caso GPS/Calvete/Bloco Central é essencial para entender a “liberdade” de escolha dos alunos e das famílias. O meu filho estudou no Jardim de Infãncia e 1º Ciclo numa privada (por não ter família que tuimasse conta dele depois das aulas, pois cá em casa há 2 professores) e eu paguei cerca de 330 euros por mês durante 7 anos – se escolhesse no 2º Ciclo uma privada, não pagava NADA.

  54. Carlos Guimarães Pinto

    Bem apanhado. Com escolas públicas meio vazias, porque optam os alunos por ir para as privadas?

  55. Carlos Guimarães Pinto

    A questão é que são poucos aqueles que têm a opção. Embora possa haver bolsas territoriais onde a opção existe, como em Leiria.

  56. “Com escolas públicas meio vazias, porque optam os alunos por ir para as privadas?” Bem perguntado – eu, se tivesse um décimo da frota de autocarros GPS (e nem sequer falo da outra frota…) também conseguia encher as Escolas públicas (não é o caso da minha Escola, que está cheia). Mas quando é o estado que faz tudo para que as Escolas públicas se esvaziem (e depois os senhores que fazem isso vão para a empresa/colégio que favoreceram…) é fácil perceber o problema. Um exemplo: em Santa Catarina da Serra o estado fez uma Escola Pública, mas já havia 3 colégios em Fátima, apoucos quilómetros, todos com autocarros e outras mordomias. O mesmo se passa na Carreira, que tem o colégio de Monte Redondo do GPS com autocarros e nas Colmeias, que um colégio GPS nas próximidades com autocarros (e penso que até piscina e equipa de futsal profissional…). Será isto concorrência ou escolha? É este o modelo que nos propõe? Na cidade de Leiria, as Secundárias estão a abarrotar (o ano passado sobraram mais de 100 alunos e este ano cerca de 60, que só em agosto ou setenbro souberam onde ficavam e que foram um sério problema para as Escolas públicas) e os colégios não se atrevem a abrir secundário, porque seriam cilindradas pelas públicas…

  57. Carlos Guimarães Pinto

    Possibilidade de escolha é isso: é dar a possibilidade aos pais dos alunos em pegar nos x€ que custa ao estado colocar os seus filhos a estudar, e deixá-los escolher a escola que bem entenderem. É bastante possível que escolham a escola com melhores autcarros ou com a maior piscina, mas é uma decisão deles, que lhes permite escapar às piores escolas, algo que hoje, para muitos, não é possível.

  58. Sim, parece muito bem – e os autocarros para a minha Escola e para as Escolas públicas de Leiria e arredores, esses podem ser adquiridos vendendo a frota dos carros dos dirigentes do ex-grupo GPS (ainda não se sabe qual vai ser o novo nome…) e divididas pelas Escolas Públicas… Tu és engraçado, o Grupo GPS aceitar cheques ensino dos ciganos ricos da minha Escola ou alunos com deficiência ou estrangeiros – era um fartote de riso… Não tens mais propostas divertidas?

  59. maria

    Ciganos, estrangeiros e e deficientes não entram no racio do Carlos. E outros tantos que nunca teriam hipótese de escolha pios estariam sempre no fim das listas. Conversa de treta, sem “substrato” como dizia um aluno meu.

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