No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’. Dois mil anos depois da morte de Augusto.

Os homens bons que se calam

Gaius Asinius Pollio foi um político e historiador romano que morreu no ano 4 depois de Cristo. Defensor da República, Pólio gostava exprimir as suas opiniões. A seguir à vitória de Augusto, deixou a política e, por razões de segurança, a escrita. Mas não deixou de pensar pela sua cabeça.

Pólio é elogiado por Ronald Syme no seu livro “The Roman Revolution”. Neste, Syme defendeu que a queda da República foi o culminar de um processo de decadência das instituições e da classe política. Homens honestos como Pólio (“a pessimistic republican and an honest man”, p. 6) não tinham nela lugar. Ou morriam ou prudentemente resguardavam-se entre os seus. Pólio, que unia coragem com prudência, seguiu esse caminho.

Recordar Pólio é também relembrar os 2 mil anos passados da morte de Augusto, a 19 de Agosto de 14. Augusto garantiu a paz para que o Império Romano subsistisse. Se foi brutal na forma como se impôs, já foi subtil no modo como dominou o sistema. O seu esforço culminou no acto de propaganda que foram as suas cerimónias fúnebres, em Setembro desse ano.

Augusto surgiu pela calada, quando ninguém dava nada por ele. Se foi bem-sucedido, também afastou homens como Pólio. Com isso, Roma perdeu a energia e o talento. O descontentamento constante com o presente. Qualidades próprias de quem não aceita respostas dadas e prefere problemas novos. Com Augusto, o império teve paz, mas perdeu o alento que o alimentava. Quando descansou, teve início a derrocada.

4 pensamentos sobre “No Fio da Navalha

  1. JPT

    Como refere, Augusto morreu em 14DC. Roma caiu 450 anos depois. Entretanto, a espaços de cem anos, colossos como Trajano, Diocleciano e Constantino expandiram, física, administrativa, cultural e espiritualmente o Império , moldando a civilização em que assenta grande parte dos princípios e regras pelos quais a maioria da humanidade hoje se norteia. Magnífica “derrocada”.

  2. Mário Pinto

    Ler este texto aqui e no jornal I é demais, dado o seu vago conteúdo. Decerto que acontece muito a quem tem a obrigação (?) de escrever sem que a imaginação se compadeça desse facto.

  3. lucklucky

    JPT embora não seja grande conhecedor da evolução adminsitrativa do Império não me parece que os Ditadores tenham influenciado alguma coisa excepto de ao assegurarem mais anos de vida ao Império varios procedimentos tenham permanecido em vez de terem sido abandonados.

  4. É difícil escrever sobre aquilo de que não se faz a mínima ideia. Augusto não afastou homens como Pólio. Até porque tal era impossível: havia muitos tumores na política romana mas nenhum ‘Pólio’. Decerto o escrevinhador quer referir-se a Asínio Polião. Mas, claro, isto não tem importância nenhuma.

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