O Insurgente

Mitos e falácias sobre os professores

Anúncios

É recorrente cada vez que se publica artigos sobre a educação em Portugal ler e ouvir reacções violentas a qualquer comentário que insatisfaça as pretensões dos professores. Ficam aqui alguns dos principais comentários lidos nos jornais e na blogosfera e o cruzamento com os factos:

1. “É mentira que haja professores a mais”

Falso. Portugal está abaixo da média da OCDE em todos os níveis do ensino obrigatório no número de alunos por professor (apenas acima no ensino pré-primário). De notar que o número de crianças está a baixar pelo que, na ausência de cortes no número de professores, este rácio ainda baixaria mais.

2. “Portugal tem mais professores do que outros países, porque os professores em Portugal cumprem mais funções para além de ensinar”

Falso. Portugal é um dos países onde os professores passam uma maior parte do seu tempo a ensinar.

3. “Os professores ganham mal” ou “Os professores ganham mal para as qualificações que têm”

Falso e Falso. Os professores portugueses ganham o mesmo que a média da OCDE (grupo de países ricos) e mais do que na Noruega, França ou Itália. Em relação a outros profissionais com as mesmas qualificações, os professores são ainda mais beneficiados: Portugal é um dos 4 países da OCDE em que os professores ganham mais do que alguém com as mesmas qualificações.

4. “Os professores andam há uma década a perder poder de compra”

Falso. Portugal é também dos países em que os salários dos professores mais aumentaram entre 2000 e 2011. O que só demonstra a necessidade da correcção que os sindicatos tanto lutaram por evitar.

5. “O sindicato dos professores não tem assim tanto peso na política de educação.” ou “Os professores estão em luta pela qualidade da educação”

Falso. Mais de 90% dos custos com educação vai para o pagamento de salários (maioritariamente a professores). Portugal é o segundo país da OCDE em que a percentagem de gastos da educação dedicados a salários é maior. As lutas sindicais não são (foram) para benefício da educação. Têm sido, com sucesso, pela manutenção dos benefícios dos professores.

Nota final: todos os dados estão disponíveis na publicação “Education at a glance, 2013” da OCDE. Os dados referem-se a 2011 (os últimos disponíveis). Em 2012 e 2013 existiu uma correcção no número de professores e salários. É improvável que essa correcção altere dramaticamente a posição relativa de Portugal nos diversos gráficos, embora tenha provavelmente ido na direcção certa. Assumindo que tal tenha acontecido é preciso relembrar que em 2011 a posição dos sindicatos de professores era exactamente a mesma que hoje.

Agora, a malta do costume pode voltar a protestar, insultar e levantar processos de intenções. Não se esqueçam é que estarão, mais uma vez, a protestar contra números, a insultar factos e a levantar processos de intenções a gráficos.

Anúncios

Anúncios