Um problema constitucional

Sempre que o Tribunal Constitucional se pronuncia sobre a constitucionalidade de uma qualquer medida apresentada pelo actual Governo, é difícil compreender a sua decisão. Em parte pelo mau português utilizado, em parte porque as próprias decisões são incompreensíveis.

Veja-se o caso das decisões anunciadas hoje, a da constitucionalidade dos cortes temporários nos salários da Função pública em 2014 e 2015, e a inconstitucionalidade desses mesmos cortes entre 2016 e 2018 e da “Contribuição de Sustentabilidade” na Segurança Social. As decisões respeitantes aos salários da Função Pública são particularmente incompreensíveis, porque incompatíveis entre si: se o Tribunal Constitucional entende que a medida viola o princípio básico da igualdade, ela não pode ser constitucional temporariamente. Uma coisa não é ilegal temporariamente: ou é ilegal ou não é. Se eu assaltar um banco, a ilegalidade do acto não depende da sua duração, depende dele ser cometido. Se uma lei ou medida governamental viola um princípio básico da Constituição, viola-o sempre, e não é por ser “temporária” que é menos inconstitucional. Ao permitir que uma lei que considera violar um princípio básico da Constituição seja adoptada, apenas e só porque é temporária, o Tribunal Constitucional está a atribuir-se um direito que não tem (ou não deveria ter): decidir que a Constituição seja violada em nome de determinados critérios, e estabelecer ele próprio que critérios são esses (já que a Constituição não o faz: se uma lei estabelece excepções a essa lei, essas “excepções” não o são verdadeiramente, portanto das duas uma, ou nenhum princípio básico é realmente violado, ou então as “excepções”, mesmo que “temporárias”, autorizadas pelo Tribunal representam um abuso dos seus poderes).

Acresce que só dificilmente se poderá aceitar que um corte salarial na Função pública viola o princípio da igualdade. Argumentar-se-á que o faz ao se aplicar apenas aos funcionários públicos e não aos trabalhadores do sector privado. Mas esse é um argumento profundamente falacioso. Qual é o problema que enfrentamos? O Estado não tem receitas suficientes para pagar as suas despesas, e dado o peso que a carga fiscal já tem, seria no mínimo sensato cortar essa mesma despesa. Ora, o Estado é patrão dos funcionários públicos, não dos trabalhadores do sector privado. Os únicos cortes salariais pelos quais o estado pode ser responsável são os dos seus funcionários, e portanto, quando decide um corte de salários na Função Pública, o estado não está a tratar de forma desigual funcionários públicos e trabalhadores do sector privado: está a tomar uma medida que aplica à esfera que depende de si, e que respeita ao problema que enfrenta. Seria possível ou desejável cortar-se noutras áreas, e não nos salários desses trabalhadores do Estado? Talvez. Mas o papel do Tribunal Constitucional não é pronunciar-se sobre os méritos de uma medida governamental. Essa é uma discussão que todos podemos (e devemos fazer), mas que em nada autoriza o Tribunal Constitucional a declarar a ilegalidade de uma medida.

A decisão sobre a “Contribuição de Sustentabilidade” padece dos mesmos males. Se é verdade que dificilmente se poderia considerar a medida como meritória, não é esse o papel do Tribunal. E a justificação que este dá para a inconstitucionalidade é inaceitável. Se bem percebi, a inconstitucionalidade da CS deve-se a repetir as medidas introduzidas pela CES, mas prescindindo do carácter temporário da dita, e ao facto de não ser uma “reforma estrutural”. Ora, mais uma vez, o papel do Tribunal Constitucional não é pronunciar-se sobre os méritos de uma medida governamental, não é fazer apreciações qualitativas acerca de propostas políticas e da sua desejabilidade ou qualidade, é averiguar a sua conformidade ou falta dela com a Constituição. O facto de ser ou não uma medida “estrutural” não é algo que deva ser julgado pelo Tribunal, é algo que deve ser julgado pelo eleitorado. Essa justificação representa um abuso de poder por parte do TC, postura essa que é agravada pela primeira parte da justificação, a de que a CS é inconstitucional porque perde um “E” (o de “Extraordinária”), por não ser uma medida “temporária” como a CES: como disse anteriormente acerca dos cortes na função pública, uma medida que se for “permanente” será considerada inconstitucional não pode ser autorizada só porque é “temporária”, e ao fazê-lo, o Tribunal Constitucional está a atribuir-se o direito de permitir – mesmo que só “temporariamente” – violações da Constituição e a definir ele próprio quais os critérios que permitem essas excepções. Está, por outras palavras, a atribuir-se a si próprio um poder ditatorial que não é aceitável. O nosso Governo é mau, e as medidas que toma não o são menos. Mas isso não deve levar ninguém, da “esquerda” à “direita”, a aceitar o comportamento de um Tribunal Constitucional que põe em causa a ordem pela qual é suposto zelar.

32 pensamentos sobre “Um problema constitucional

  1. JS

    A Constituição é oportunísticamente interpretada por cada um dos agentes políticos, e respectivos comentadores, segundo as necessidades propragandísticas do momento.

    O silêncio sepulcral que paira na AR -a única entidade que afinal tem poder para aclarar ou actualizar o dúbio texto constitucional- diz tudo sobre a sua “constiuição”.

  2. arni

    Bruno,no seu anterior texto escrevi um comentário,defendendo a tese que o tc quis poupar o governo a uma expectável crise politica que se geraria se os cortes tivessem sido chumbados,É uma inconstitucionalidade varrida para debaixo do tapete.O Bruno saberá que 2015 é ano de eleições.E o mais provável e haver outro governo a seguir a essas eleições.
    Reflectindo um pouco sobre o assunto,isto perde a estranheza

  3. Isso até seria verdade, se esta justificação das medidas “temporárias” não tivesse sido já apresentada várias vezes para outras medidas. Seja como for, qualquer “inconstitucionalidade varrida para debaixo do tapete” representa uma decisão arbitrária por parte do TC, e como tal inaceitável. Isto independentemente do mérito ou demérito das medidas em causa. a postura do TC devia preocupar toda a gente, desde liberais a comunistas

  4. arni

    Mas o temporário pode ser explicado por muitas razões Bruno.Conforme as situações.Nas outras situações tinham um álibi chamado MoU,agora enfim..dizem que este ano e no próximo o pais ainda estará em constrangimentos financeiros; uma justificação atabaolhada.Mas é claro que a razão do TC é meramente politica.
    As dúvidas que o Bruno levanta acerca da arbitrariedade são até precisamente as que um constitucionalista da área do PS,socrático,de uma área insuspeita diga-se.E não é propriamente uma novidade essa arbitrariedade

  5. Não é novidade, nem eu disse que era. disse que era um problema grave. E eu até nem acho que as coisas sejam inconstitucionais. Apenas digo que essa justificação (por muito que possa ser explicado por muitas razões diferentes) é sempre sintoma de um problema grave

  6. ricardo

    Falhos de princípios e perdida a arrogância restam as justificações atabalhoadas.
    Tal como o fim do Conselho da Revolução selou o fim do PREC o estertor do TC sinaliza o impasse do regime.

  7. arni

    Também não acho nada inconstitucionais Bruno,mas é muito provável que o TC ache.Era isso que eu estava a referir

  8. Certo, eu percebi. O que estava a dizer é que é grave que o TC ache que uma medida que ELE PRÓPRIO considera inconstitucional “passe” se for temporária. E que nesse sentido, toda a gente (defensores do Governo e críticos do Governo) têm razões para condenar a acção do TC

  9. lucklucky

    O Tribunal Constitucional existe para dizer que normas da Constituição podem ser violadas
    e para inventar novas normas do agrado dos Juízes do momento.

    Quando uma Constituição tão mal escrita que até é impossível de cumprir sem uma norma violar outra norma é obvio que a discricionaridade é o resultado.

    E é por desenho não por defeito.

  10. Já não sei qual é o preço do meu trabalho, sinceramente. Já foi cortado, depois cortado novamente, depois voltou a não ter cortes, depois aumentaram-me a ADSE, depois prometem-me reposição entre 2015 e 2019, depois voltam os cortes de 2010, “constitucionais” este resto de ano e maqis o de 2015 mas com a reposição de 20% do corte, depois , em 2016 dizem que já é inconstiticional os cortes, a carreira está congelada desde 2005 e pago um balúrdio de impostos, não tendo ainda recebido o reembolso do IRS porque há 1 divergência que ainda não foi resolvida apesar de várias justificações apresentadas, tendo ouvido que não devia ter sido 1 cidadão honesto pois assim as coisas eram mais fáceis de serem resolvidas- mas quem nos manda fazer logo os descontos, ora essa!

    Resumindo, caros amigos, agora é que vou trabalhar pelo preço que me pagam e por toda esta inenarrável aventura de corta, descorta e torna a cortar e espera e toma lá mais impostos e é inconstitucional mas só a partir de e/ou desde de, consoante e quiçá.

    Badamerda para isto!

  11. Rogerio Alves

    Tudo certo, concordo com tudo o que disse e argumentou coisas que nem tinha pensado. No entanto, nos tempos que correm, parece-me que 80% dos portugueses que lessem isso iria “insultá-lo” de liberal (ou antes, neo-liberal), falar no BES, nas PPPs e outras coisas e, de certeza, nem refletir um segundo naquilo que escreveu. Espero me engane e os cidadãos portugueses sejam melhores do que o que eu julgo.

  12. Luís Lavoura

    Os únicos cortes salariais pelos quais o estado pode ser responsável são os dos seus funcionários

    Não propriamente: o Estado pode aumentar o IRS sobre os trabalhadores do privado, o que equivale a um corte do seu salário.

  13. João

    Se a firma onde trabalho reduzir o salário de todos os trabalhadores da firma por dificuldades financeiras podemos recorrer ao tribunal constitucional com o argumento que não foi reduzido o salário de todos os portugueses?
    No caso da minha firma eu sei o que aconteceria ou despedia os empregados necessários para resolver o problema ou fechava.
    No caso do estado o tribunal decreta que se o estado não têm dinheiro para manter estes ordenados todos pagam mais impostos, porque não se pode despedir (são todos imprescindíveis).

  14. Expatriado

    Aumentar o IRS so’ aos trabalhadores do privado vai violar o “principio da igualdade” tao querido por esses juizes……

  15. ricardo

    A confusão instalada, e que não parece incomodar os portugueses, é o resultado natural de um regime político feito à medida dos trafulhas e dos incompetentes.
    Os piores elementos da nossa sociedade tomaram conta de tudo, do parlamento aos partidos, dos clubes de futebol aos jornais.
    Nada lhes escapa – Câmaras municipais, bombeiros, polícias, justiça, serviços públicos – em todo o lado há um camarada, um compadre, um irmão, um favor para cobrar, uma fidelidade a recompensar…
    O TC só nos vem lembrar que as instituições do Estado ,sem o dinheiro de que se alimentaram no passado, não têm mais nada para oferecer ao país.

  16. Depende de que país é que estamos a falar. Pelo que tem vindo a acontecer perante os nossos olhos e a nossa boca ainda aberta de espanto, o estado (Estado?) ainda tem muito para oferecer ao “país”. Milhões de euros ao BES, ao BPN, BCP, BPI, BPP e outras instituições de siglas com muitos Bs. Para além disso, e de modo mais prosaico, também oferece a título mais personalizado às descendências dos que se aproveitaram do 25 de Abril- uma osmose perfeita entre dinheiro velho e dinheiro novo, que perpetua a espécie. Nada de novo que a História já não tenha mostrado. Deste modo, ainda há muito para arrecadar, baralhar e tornar a dar a este país governado por chicos espertos e paus mandados. A cereja em cima do bolo é a citação de Ricardo Espírito Santo de pensamentos do papa Francisco, alegadamente.

    Portugal continua assim, com pequenas excepções pontuais, um rectângulo mal frequentado e mal cheiroso.

    Olhem para os rostos dos portugueses em férias – um povo sem ânimo, triste e com medo, apesar do sol maravilhoso, do mar e de lindas cidades e lugares cheias de turistas felizes e com poder de compra que lhes permite descansar e retemperar forças.

  17. Observador

    O “estado de direito democrático” da República Portuguesa, segundo o artº 2º da Constituição, baseia-se, entre outros, na “separação e interdependência” de poderes. A que poderes se reporta tal afirmação ? Segundo os princípios de direito constitucional reportam-se às funções do Estado, a saber, os poderes legislativo, executivo e judiciário.
    O Tribunal Constitucional, actuando na esfera do poder judiciário, tem por função nuclear assegurar a fiscalização das leis e assegurar a sua compatibilidade com a Constituição. Assim sendo não poderá entrar na esfera do poder legislativo nem alterar as leis que lhe sejam submetidas para apreciação.
    Ora no acórdão, citando o que diz, e muito bem, o Bruno, “Ao permitir que uma lei que considera violar um princípio básico da Constituição seja adoptada, apenas e só porque é temporária” e “decidir que a Constituição seja violada em nome de determinados critérios, e estabelecer ele próprio que critérios são esses” o Tribunal Constitucional estará a interferir directamente na esfera do poder legislativo o que será uma violação da própria Constituição, tanto quanto aos seus princípios fundamentais como quanto ao seu normativo.
    Por outras palavras trata-se de um acórdão manifestamente anti-constitucional.

  18. F,

    Milhões de euros ao BES, ao BPN, BCP, BPI, BPP e outras instituições de siglas com muitos Bs. (sic, já agora as siglas não fasem plural)».

    As PPP (que não têm B) do PS (que não tem B) farão 20 BPN quando forem pagas. É um problema dos portugueses (que não têm B, a não ser de bobos) não darem a culpa (com C) aquem tem a culpa (que a nova geração do novo acordo esse-éme-esse-gráfico inicia com um k).

    Não gosto muito deste governo (sem B, nem L de liberdade), mas até eu reconheço que está a milhas de distância do anterior e para menos mau. Até mesmo a léguas, e não poucas.

  19. arni

    Não gosto muito deste governo (sem B, nem L de liberdade), mas até eu reconheço que está a milhas de distância do anterior e para menos mau. Até mesmo a léguas, e não poucas”
    Como assim Francisco,se o conjunto de medidas que o governo tem tomado são ainda mais á esquerda e anti-liberais em muitos casos do que o anterior governo?
    Por sinal,os elementos deste governo quando estavam na oposição,apoiaram aumentos de despesa com o PCP e BE Francisco.Só por ironia ou sarcasmo é que o alguém pode dizer o que você disse

  20. Arni,

    As PPP são (com a excepção da Ponte Vasc da Gama nas rodoviárias), PS. Perderemos 25% do PIB actual graças a ela no decurso das próximas décadas. Por comparação, o buraco do BPN é menos de 2.500 milhões de euros. Menos do que a auto-estrada A23 nos vai custar.

    Nunca deveríamos ter salvo o BPN, especialmente da maneira que salvámos (com o bife SLN no lado dos compinchas-craputalistas e o osso duro no dos social-expoliados, vulgo contribuintes). A decisão foi PS, e está lá a assinatura do Pinto de Sousa, José Sócrates para os amigos, para o provar.

    O PS foi um desastre para Portugal. É responsável por mais de 100% da nossa dívida, a qual agora se começará a recuperar. A nossa dívida externa líquida (série do Banco de Portugal, procure-a pelo nome) era menos de 10% do PIB (7%) quando o Guterres começou a gastar como se não houvesse amanhã. Apenas durante o governo de Surão Barroso essa série nos foi favorável. Isto é, a dívida decresceu. Depois, com Santana e Sócrates, o foguete subiu à estratosfera.

    Os números, meu caro, não mentem. E metade do crescimento da divida no consulado presente deve-se a consolidação de dívida escondida que a Troika mandou pôr à luz. S’nas autarquias andavam 16.000 milhões. Nas emperressas público-depravadas havia qualquer coisa como (não me admiro) doze mil milhões de euros de dívida escondida em 2011. Bendita Troika, que no-la fez regularizar.

    O pior do Sócrates não foi o que fez, mas o que fez fazer. Isto é, os compromissos em contratos blindados que tomou pela minha geração, pela dos meus filhos e parte da dos meus netos que nascerão lá por 2030. O Álvaro bem tentou dar-lhes freio na rédea, mas o Álvaro é que foi despedido.

    O Álvaro era um homem moral. E desses há poucos e não são claramente para se estimar por estas bandas. Um homem moral não se pode chantagear ou forçar. Talvez em desespero de causa o tenham tentado fazer, e ele tenha ido pelo seu pé. Talvez. Mas duvido. Deve ter sido descartado por ser incómodo.

  21. arni

    E o BES também não é outra nacionalização,não é Francisco? Não é apenas uma forma diferente de organizar a coisa de forma a que não viessem dizer que era o BPN.
    De resto eu não estava a falar disso nem lhe perguntei a si sobre as PPP,o álvaro ou o bávaro.Eu perguntei-lhe alhos e o Francisco desconversa,respondendo-me bugalhos.Obrigado mas continuo a gostar de respostas curtas mas directas e com conteúdo.
    Eu vou repetir-lhe: desde quando é que este governo que aumentou mais impostos do que o anterior governo e do que qualquer outro governo; e que tomou medidas mais anti-liberais que o anterior inclusive,desde quando é que tudo isso faz deste governo melhor? É capaz de me dizer ou não? Ou o Francisco vai fugir como fez?

  22. Zé Nabo

    Grande TC.
    Ganham sempre.
    Não admira ; É uma equipa de 11 em campo e 2 árbitros. Ainda por cima 3 foram cooptados
    Assim, eu também era o maior
    O princípio da igualdade só não funciona quando estão em jogo os privilégios dos ditos cujos.

  23. Caro Francisco Colaço,

    1- “Não gosto muito deste governo (sem B, nem L de liberdade), mas até eu reconheço que está a milhas de distância do anterior e para menos mau”

    Ter de optar por 1 destas 2 governanças que apontou é, para mim, um acto penoso que deixo para quem goste de elaborar sobre o tema.

    2- Bs
    bull shit, duh
    “dude, that’s a bunch of bs”

    (Urban Dictionary)

  24. Comunista

    “Veja-se o caso das decisões anunciadas hoje, a da constitucionalidade dos cortes temporários nos salários da Função pública em 2014 e 2015, e a inconstitucionalidade desses mesmos cortes entre 2016 e 2018 e da “Contribuição de Sustentabilidade” na Segurança Social. As decisões respeitantes aos salários da Função Pública são particularmente incompreensíveis, porque incompatíveis entre si: se o Tribunal Constitucional entende que a medida viola o princípio básico da igualdade, ela não pode ser constitucional temporariamente. Uma coisa não é ilegal temporariamente: ou é ilegal ou não é. Se eu assaltar um banco, a ilegalidade do acto não depende da sua duração, depende dele ser cometido. Se uma lei ou medida governamental viola um princípio básico da Constituição, viola-o sempre, e não é por ser “temporária” que é menos inconstitucional.”

    Isto chega a dar sono de tão imberbe que é.

    O que isto significa é que o TC aceita que haja cortes temporários mas não aceita que haja cortes temporários mas sem data para terminar. Até o ladrão de bancos num Estado de direito tem o direita a saber o tempo da sua pena. Não sei porque razão os funcionários públicos e os reformados que não roubaram nenhum banco não têm o mesmo direito – o de saber o tempo de sua penalização.

  25. «O que isto significa é que o TC aceita que haja cortes temporários mas não aceita que haja cortes temporários mas sem data para terminar.»

    O mesmo Tê-Cê aceitou cortes temporários sem data para terminar no governo Sócrates.

  26. F,

    «Ter de optar por 1 destas 2 governanças que apontou é, para mim, um acto penoso que deixo para quem goste de elaborar sobre o tema.»

    A opção é clara. Basta a diferença entre as nacionalizações do BPN e do BES (ambas indesejáveis, porém diferentes) para perceber que o mal é gradativo, e que este governo é bem menos mau qe o outro.

    Quanto ao seu ponto 2, espero não ter de concluir que o F é uma pessoa mal educada, ou que pelo menos não tem literacia e articulação suficientes para mostrar a sua discordância de modo elegante.

    Arni,

    Eu respondi-lhe. Com a nacionalização do BPN, deixando o bife da SLN do lado dos escroques. E com as liberalíssimas celebrações de PPP, Magalhães, Parque Escolar e tantas outras parcerias de mercado livre e de descentralização. E com os Certificados de Eficiência Energética (que, concedo, este governo não retirou) e com a necessidade iperiosa de todas as casas de banho de empregados terem azulejos claros, uma grande expressão de liberalismo socialista. E com a impossibilidade, liberalíssima, de se compor uma montra sem ter que ter os preços em letras garrafaus, mesmo se forem de óculos num expositor. Verdadeiramente liberal. Ou com a defesa intransigente da PT, que a OI poderia ter comprado, mais uma vez com bloqueios legislativos e o dinheiro dos contribuintes. E a perseguição da ASAE aos pequenos e médios empresários (não queira saber como está a casa de bando do Pingo Doce no Fundão, onde estive ntem — mas tenho a certeza de que eles nunca foram visitados). E os aumentos de IVA de 19% para 21% (e redução de 21% para 20% em tempo de eleições. Depois para 21% e de 21% para 23%. A foto do gajo que anunciava todas estas manĩgâncias era do Pei-Ésse, o seu partido liberal.

    A estrela da liberalidade. Ou a Estrela Vermelha, a Krasnaia Zviezda, que se mete por osmose no nosso edifício legislativo. Culpa, é claro de liberais. Mas não há problema. É tudo liberal.

    Este governo continuou grande parte disso e reverteu pouco? Certamente. Agora, dizer que o governo anterior é que era liberal faz-me perguntar que raio para si é a liberdade.

  27. arni

    u respondi-lhe. Com a nacionalização do BPN, deixando o bife da SLN do lado dos escroques. E com as liberalíssimas celebrações de PPP, Magalhães, Parque Escolar e tantas outras parcerias de mercado livre e de descentralização. E com os Certificados de Eficiência Energética (que, concedo, este governo não retirou) e com a necessidade iperiosa de todas as casas de banho de empregados terem azulejos claros, uma grande expressão de liberalismo socialista. E com a impossibilidade, liberalíssima, de se compor uma montra sem ter que ter os preços em letras garrafaus, mesmo se forem de óculos num expositor. Verdadeiramente liberal. Ou com a defesa intransigente da PT, que a OI poderia ter comprado, mais uma vez com bloqueios legislativos e o dinheiro dos contribuintes. E a perseguição da ASAE aos pequenos e médios empresários (não queira saber como está a casa de bando do Pingo Doce no Fundão, onde estive ntem — mas tenho a certeza de que eles nunca foram visitados). E os aumentos de IVA de 19% para 21% (e redução de 21% para 20% em tempo de eleições. Depois para 21% e de 21% para 23%. A foto do gajo que anunciava todas estas manĩgâncias era do Pei-Ésse, o seu partido liberal.”

    E o que é que este governo fez diferentemente disso Francisco? Nao nacionalizou também um banco? Também não continua a apostar em politicas iguais ao magalhães e ás PPP(aliás ,o que é que se fez verdadeiramente em relação a estas??) O ASAE não continua a perseguir os comerciantes? Não foi neste governo que assistimos não só ao maior aumento de irs de sempre,como esse iva foi aumentado inclusive??
    Não foi o PSD que se colocou ao lado do PCP e do BE para exigir mais despesa pública para a madeira e para os professores?
    Em suma alguma dessas coisas foi melhorada? Este governo também não aumentou impostos?
    Este governo é melhor em relação ao anterior no quê concretamente Francisco,perante os factos que eu enuncio neste comentário?
    PS: eu não disse que o outro governo era liberal.Disse foi que em algumas politicas era mais liberal.No sentido de não prejudicar tanto a liberdade da ecoonomia.
    Na volta insisto,qual dessas coisas que o Francisco disse-me é que alterou? Que raio de melhoria é essa?

  28. Bst

    ” e portanto, quando decide um corte de salários na Função Pública, o estado não está a tratar de forma desigual funcionários públicos e trabalhadores do sector privado: está a tomar uma medida que aplica à esfera que depende de si, e que respeita ao problema que enfrenta.”

    Vejo, finalmente, escrito o que me parece uma evidência evidente. Muitos parabéns!

    Quanto à temporalidade, há o estado de necessidade, que poderia justificar a desconformidade com os preceitos constitucionais e, por isso, não me parece tão falaciosa., mas não li o acórdão.

    Seria útil dar todo o destaque – e insistir – na primeira questão, a da “desigualdade”.

  29. “Quanto ao seu ponto 2, espero não ter de concluir que o F é uma pessoa mal educada, ou que pelo menos não tem literacia e articulação suficientes para mostrar a sua discordância de modo elegante.”

    Francisco Colaço,

    Chamar má educação ao uso do termo Bs é muito severo. Como me disse que não havia plurais de siglas (!?) em português, enveredei pelo inglês. Não me diga que não ficou bem! O que é isso comparado com o “não sejam piegas, aguentem, emigrem, viveram acima das vossas possibilidades, não trabalham, têm muitos feriados….”

    Pode sempre dizer que estou a usar estrangeirismos (ainda por cima da gente nova e dos adolescentes). Aí, pense na quantidade de vocábulos que enchem o nosso quotidiano – benchmarking, empowerment, management, entrepreneurs, CEO, bail in, bail out…….

    Diga lá se um bs no meio disto tudo revela má educação?

    Vou dar-lhe o link para o Urban Dictionary, sempre útil se viajar e quiser perceber a linguagem da rua/cidade.

    http://www.urbandictionary.com/

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