Porque é que os professores estão sempre a protestar?

O Economista InsurgenteIntrodução ao capítulo dedicado à Educação no livro “O Economista Insurgente”

Desde o início dos anos 90, Portugal teve onze ministros da educação. Desses, apenas dois se mantiveram no seu posto por mais de dois anos (Nuno Crato será o terceiro). Poucos são aqueles que sobrevivem politicamente a uma passagem pelo Ministério da Educação (Manuela Ferreira Leite é o maior caso de sucesso, ainda assim relativo e temporário). Os ministros da Educação, de Couto dos Santos a Maria de Lurdes Rodrigues são um alvo permanente de contestação de alunos e professores. A esta situação não é alheio o facto dos professores serem uma das classes profissionais mais bem organizadas sindicalmente e com maior capacidade de reivindicação. O facto de a educação ser um sector fortemente estatizado faz com que os professores tenham ainda mais capacidade negocial.

Os professores têm usado esta capacidade negocial da melhor forma na defesa dos seus interesses: Portugal é um dos países da Europa onde há mais professores por aluno e um dos países onde, em relação aos restantes trabalhadores, os professores têm maiores vencimentos. Os professores conseguiram também rejeitar todo e qualquer modelo de avaliação até hoje apresentado.

Ao contrário do que se possa pensar, o número de professores em início de carreira no desemprego é um indicador desta situação de privilégio dos professores do quadro – e não o oposto. Esta situação é sinal de que milhares de candidatos a professores preferem esperar no desemprego por uma oportunidade de iniciar a sua carreira, a procurar empregos alternativos noutras áreas. Eles entendem que o custo inicial do desemprego virá a ser compensado no dia que consigam ser contratados. Infelizmente para muitos, já não será assim: Apesar do número de professores ter crescido bastante nos anos 80 e 90 devido ao maior acesso ao ensino de muitas crianças, o efeito está hoje a desvanecer e até a inverter-se por via da demografia. Com a atual tendência demográfica, Portugal irá precisar de cada vez menos, não mais, professores.

Apesar desta situação de aparente e relativo privilégio, a classe dos professores é uma das que mais protesta e os sindicatos dos professores dos mais fortes, senão os mais fortes, do país. O impacto desta situação na qualidade do ensino, na situação de alunos e pais (que é para quem o sistema de educação se deveria desenhar) e nos contribuintes (quem, no final, paga por este sistema) é o tema deste capítulo.

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37 pensamentos sobre “Porque é que os professores estão sempre a protestar?

  1. lucklucky

    Porque é que continuam a chamar meros funcionários da máquina Totalitária da Educação Publica de professores?
    São pessoas que não têm autonomia nem poder de decisão.

    Quase podem ser substituidos por robots.

  2. neotonto

    Porque é que estão sempre a malhar nos professores? Deixem-
    nos em paz para ensinar as crianças
    .
    Ficarao traumatizados por eles. Ou bem porque ouviram demasiada musica dos Pink Floyd…:)

  3. «Porque é que estão sempre a malhar nos professores? Deixem-nos em paz para ensinar as crianças…..»

    Quantos professores estão a ensinar em horário zero! O que é um horário zero? Quer dizer que têm também um salário zero? Ou que não é zero e por consequência a sua remuneração horária (EUR/hora) é infinita?

  4. Como é fácil falar dos outros sem dar o exemplo. Erro ortográfico logo no título: em vez de «Porque é que os professores estão sempre a protestar?» deveria ter escrito «Por que é que os professores estão sempre a protestar?». Não têm revisores linguísticos nos jornais?

  5. Renato Souza

    “Portugal é um dos países da Europa onde há mais professores por aluno e um dos países onde, em relação aos restantes trabalhadores, os professores têm maiores vencimentos. ”

    Então devo supor que a educação em Portugal é uma maravilha! Afinal, conforme ensina e esquerda, ao se satisfazer as exigências dos trabalhadores, a qualidade do trabalho sobe.
    Ei, mas as comparações internacionais não dizem, isso! A educação infantil em Portugal não é boa.

    Como será que se explica isso???

  6. jo

    Se experimentar basear os seus arrazoados em verdades vai ver que fica mais convincente.
    A percentagem de professores sindicalizados é baixíssima.
    Os sindicatos são muito mal cotados dentro da classe.
    É falso que Portugal seja um dos países da europa onde há mais professores por aluno.
    ” Esta situação é sinal de que milhares de candidatos a professores preferem esperar no desemprego por uma oportunidade de iniciar a sua carreira, a procurar empregos alternativos noutras áreas”.
    Quais empregos?
    Em que planeta da Galáxia é que vive?
    Agora acredita nas estatísticas do governo sobre o desemprego?
    Também acreditou naquela trampa do BES?
    Haja pachorra.

  7. André

    Segundo os relatórios internacionais, Portugal também é um dos países da Europa com os professores mais bem formados. Mas o seu texto toca num ponto importante: o pouco tempo dos ministros no cargo. Com isso, a falta de coerência e a alteração de métodos recomendados e de conteúdos programáticos de dois em dois ou três em três anos, a educação em Portugal não pode ser boa.

  8. Jo,

    «É falso que Portugal seja um dos países da europa onde há mais professores por aluno.»

    Não é, não. Um pouco de pesquisa faria com que não se enredasse em bestialidades.

    «O melhor rácio de alunos por professor dos mais de 30 países analisados num relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), relativo ao ano de 2006, pertence a Portugal. Segundo o documento ontem divulgado, no Ensino Secundário, temos um professor por cada oito alunos inscritos, enquanto que os Estados Unidos da América têm um docente por cada 16 alunos, a Alemanha um por cada 15 e a França um por cada 12. O México é o país com o pior desempenho com perto de 30 alunos por cada professor a tempo inteiro.»

    Sabe qual é o número de Portugal? OITO.

  9. jo

    É uma boa ideia apresentar números de 2006.
    Ligeiramente desactualizados, o número de professores foi reduzido em mais de 40 000 desde então. Mas dá jeito para contar patranhas.
    E onde encontra os tais empregos que os professores não querem, tem muitos para oferecer?

  10. maria

    Tanta ignorância junta. Ser professor é tão bom e estes cromos não foram para professores. Talvez porque eram ricos, não estudaram à custa de subsídios, eram inteligentes e não davam erros. Isto é o que diz o outro, um tal de cristo.

  11. lucklucky

    “E onde encontra os tais empregos que os professores não querem, tem muitos para oferecer?”

    Se os professores são úteis à sociedade então porque é que não têm emprego?

  12. Jo,

    O orgulho precede a queda:

    «Em 2010, havia um docente para cada 10,9 alunos do primário. No Euro, só o Luxemburgo tinha um rácio inferior (10,1). Levando em consideração os ensinos básico e secundário (do 5º ao 12º anos) havia um professor para 7,5 alunos, o rácio mais baixo do Euro.»

    Ainda menores que em 2006. Sabe os números de 2014?

  13. Pingback: Quem percebe de Educação? Os gestores, claro! – Aventar

  14. É interessante verificar que as críticas aos professores mudam de quadrante consoante muda o partido no poder. Assim, agora é o PSD e o CDS que criticam quando, em pleno governo de Sócrates os defendiam, nomeadamente quando M. Lurdes Rodrigues introduziu a prova de avaliação, que o PSD e CDS criticaram, tal como Nuno Crato e que depois a repôs. É claro que os professores não são santos, mas os ministros da Educação e as respectivas direcções partidárias tb não.

  15. maria

    Francisco,
    Faça um favor aqui aos profs, pobres e ignorantes. Desloque-se a uma escola da sua terrinha e veja as pautas das turmas que estão afixadas. Veja quantos alunos tem cada turma. Mais tarde, veja os horários dessas turmas e verifique quantas turmas tem cada professor.
    Entretanto publique esses dados. Outros cromos podem fazer o mesmo. Estatísticas há muitas, a realidade é outra.
    Também pode ver esses dados na internet, pois há escolas que os publicam.

  16. JV

    Neste momento estou a ler o “Economista insurgente”. Desde o início do livro que percebi que defendem a corrente neoliberal que graça pelos países ditos “desenvolvidos” e que tanta desgraça tem provocado! São opções!

    Existem opiniões no vosso livro que partilho e outras que discordo totalmente. A minha formação económica leva-me a não esquecer que o conhecimento só e útil se estiver ao serviço das pessoas e as pessoas não são números! Aliás, qualquer pessoa com formação económica sabe que os números são a coisa mais fácil de manipular! A Economia deve estar ao serviço das pessoas e não dos números.

    O que mais me indignou ao ler o vosso livro é a forma como tratam os professores. Sou um dos “privilegiados”, contratado pelo Ministério da Educação há mais de dezoito anos, apesar de concorrer todos os anos, a todas as escolas EB 2,3 e secundárias do continente. Neste ano letivo foi colocado com horário incompleto, a mais de 100 km de casa. Se fosse racional teria optado pelo subsídio de desemprego, mas o dinheiro não é a minha prioridade…

    No livro apresentam várias incorreções sobre os professores. Todo o professor do quadro (o que não é o meu caso) é obrigado a concorrer para outras escolas, caso a escola onde está colocado não lhe consiga atribuir pelo menos 6 horas letivas.
    Quanto à redução das horas de trabalho dos professores também cometem incorreções. Os professores têm redução na componente letiva em função da idade. (Têm menos turmas atribuídas mas não trabalham menos horas. Exercem outras atividades.)

    Quando comparam o ensino público com o privado estão a analisar realidades distintas. Eu não conheço a realidade do ensino privado. Mas será que me sabem dizer quantas escolas privadas têm cursos ligados à mecânica e à eletrónica? Isso implica muitos custos, não devem ser muitas!

    Este ano trabalhei exclusivamente com alunos dos cursos profissionais e cursos de educação e formação. Alguns destes alunos só conseguem concluir o percurso porque os professores fazem um esforço excecional para tal. Apesar de muitos deles serem alunos com muitas dificuldades, em contexto de trabalho (estágio), revelam-se excelentes profissionais. Os rankings das escolas que são elaborados a partir das notas dos exames não refletem esta realidade.

    Acreditam que no ano letivo 2001/2002 tive mais de 140 alunos?

    Imaginam que os professores acabam por desempenhar muitas funções que nos outros países são desenvolvidas por técnicos especializados? Já repararam que há falta de psicólogos nas escolas e técnicos sociais?

    Antes de falarem mal dos professores devem ir até às escolas e conhecerem aquilo que lá é feito.

  17. Marcos Dantas

    Colocar num blog um post sobre educação em plenas férias do sector e num momento em que Portugal se encontra a braços com uma crise do sistema bancário privado (para além de outras) de proporções inimagináveis, é bem significativo do sentido da rebeldia dos insurgentes que nele colaboram. Não vou comentar o texto porque a qualidade do mesmo o não merece, mas não posso deixar de comentar uma frase que só muiiiiiiito superficialmente é verdadeira sendo, na realidade, uma mistificação da verdade.

    “Portugal é um dos países da Europa onde há mais professores por aluno…….”

    No seu relatório “Highlights from Education at a Glance 2009” a OCDE explica como utilizando dados e gráficos estatísticos se podem dizer as maiores barbaridades e fazer as maiores demagogias.

    Vejamos um exemplo: Uma escola com 400 alunos e 50 professores tem um rácio de 8 alunos por professor. Trata-se de um valor tão baixo que o aproveitamento escolar só pode ser excepcional. Mas em Portugal, apesar de termos um baixo rácio de alunos por professor, tal não se verifica. A disparidade entre o que deveria acontecer e o que na realidade acontece, possibilita que insurgentes e não insurgentes, avancem com todas as demagogias que entenderem para atingirem os seus propósitos econômicos ou ideológicos já que, muito poucos leitores se darão ao trabalho de tentar analisar as causas de tal disparidade.

    Ao contrário do que a demagogia de certos insurgentes nos pretende fazer crer o rácio de 8 alunos por professor não nos diz absolutamente nada sobre o que, na realidade, importa para o sucesso escolar e nível de instrução dos jovens que frequentam o sistema de ensino – TEMPO DE DEDICAÇÃO LETIVA DE PROFESSOR POR ALUNO – valor este, que está diretamente relacionado com o número EFETIVO de alunos por professor e com a carga horária de aprendizagem, mas nunca com o número de alunos por professor. A palavra efetivo ou real faz aqui, como em quase tudo, toda a diferença

    Os horários dos professores podem ser distribuídos de formas várias entre atividades lectivas e não lectivas. Continuemos com o nosso exemplo admitindo agora que os professores trabalham 35 horas semanais, das quais 10 são dedicadas a atividades lectivas, e que a carga horária é de 40 horas semanais por estudante. O numero real de alunos por professor é então de 6 x 40 / 10 = 24. Se alterarmos as horas lectivas para 20 facilmente concluímos que o número real de alunos por professor baixa para 12. Torna-se assim evidente que o elemento fundamental não é o número de professores mas sim o numero de horas que os professores dedicam à sua atividade fundamental – LECIONAR.
    Quando transformamos professores em diretores escolares, trabalhadores administrativos, psicólogos, sociólogos, terapeutas, advogados, informáticos etc., funções que deveriam caber a profissionais especializados e não a professores, estamos a retirar aos professores tempo de atividade letiva e a aumentar o número real de alunos por professor reduzindo, dessa forma, o TEMPO DE DEDICAÇÃO LECTIVA DO PROFESSOR POR ALUNO o que contribui, de forma decisiva, para (1) aumentar o insucesso escolar; (2) reduzir ARTIFICIALMENTE o número de alunos por professor.

  18. Carlos Guimarães Pinto

    Curiosamente, apesar de a percentagem de professores sindicalizados ser baixa, as iniciativas sindicais costumam ter bastante adesão. Mesmo que a % de sindicalizados seja baixa, aparentemente bastantes professores alinham com as suas lutas.

  19. Carlos Guimarães Pinto

    “contratado pelo Ministério da Educação há mais de dezoito anos, apesar de concorrer todos os anos” (…) “fUi colocado com horário incompleto, a mais de 100 km de casa.”

    É a vida. Eu trabalho há 7 anos a contrato e a 6 mil quilómetros de casa. Não me queixo, antes pelo contrário.

    “Todo o professor do quadro (o que não é o meu caso) é obrigado a concorrer para outras escolas,”
    Faltou dizer, na mesma zona. Os chamados “quadros de zona” referidos no livro.

    “Este ano trabalhei exclusivamente com alunos dos cursos profissionais e cursos de educação e formação. Alguns destes alunos só conseguem concluir o percurso porque os professores fazem um esforço excecional para tal. Apesar de muitos deles serem alunos com muitas dificuldades, em contexto de trabalho (estágio), revelam-se excelentes profissionais. Os rankings das escolas que são elaborados a partir das notas dos exames não refletem esta realidade.”

    Verdade. Nada disto é referido no livro, mas é absolutamente verdade.

    “Acreditam que no ano letivo 2001/2002 tive mais de 140 alunos?”

    O livro fala exactamente sobre isso. No actual sistema há muitos professores obrigados a dar bastantes aulas para que outros privilegiados, normalmente mais velhos, dêem muito pouco. Se tiver lido e as entrevistas, está lá.

    “Imaginam que os professores acabam por desempenhar muitas funções que nos outros países são desenvolvidas por técnicos especializados?”

    De certeza? Tem números sobre o rácio de psicólogos por aluno noutros países?

    “Antes de falarem mal dos professores devem ir até às escolas e conhecerem aquilo que lá é feito”

    Passei lá 12 anos.

  20. Carlos Guimarães Pinto

    Sem dúvida que o que conta para a qualidade do ensino é o número de horas de dedicação lectiva. Isso está no livro, se ler. Infelizmente, professores têm EM MÉDIA poucas horas lectivas e não é só, nem principalmente, por terem outras funções.

  21. Maria,

    Os últimos números médios de que disponho são 20,1, no conjunto do básico e secundário. Mas já estão um bocadinho ultrapassados.

    Se há 7,5 alunos por professor no básico e secundário, 37,3% estão ocupados. O que é que estão a fazer mais de metade dos professores? (números de 2010. Os números de 2014 não devem ser significativamente diferentes, pois também houve uma queda acentuada da população escolar).

    Em 2011/2012 havia em excesso de umas centenas 100.000 professores no quadro, e creio que estes números se circunscrevem ao Básico, Secundário e Ensino Especial. Se conseguir uma estatística fiável do número de alunos pode obter o rácio professor aluno. Não acredito que a população escolar seja de 1.000.000 de pessoas. Assim sendo, o rácio professor aluno está abaixo de dez, o que significa que metade dos professores anda a ganhar sem trabalhar e a outra metade dá o litro para ganhar.

    São as igualdades socialistas.

  22. Marcos Dantas,

    Assumindo uma carga horária média de 22 horas por aluno (Básico e Secundário, creio que é este o número), dez alunos em turmas de vinte por professor implica que estes leccionem em média 11 horas. A 8 implica 8.8 horas.

    Conhece muitos horários de 8,8 horas no Secundário e no Básico?

    Há professores que engolem o meio frango completo sem trabalhar para ele e professores que trabalham por si e pelos outros para engolir a outra metade.

  23. Tiago Franco

    Sei que os autores do blog vão ler isto, por isso digo desde já, tenho muita pena que aquilo que vou escrever não vos possa dizer olhos nos olhos.
    Em primeiro lugar gostaria de referir que ainda em jovem, ser professor, era um sonho para mim, atualmente é sem dúvida um pesadelo. Longe de mim pensar nessa altura, em progressões de carreira, escalões, regalias, etc. Entrei para a faculdade de desporto com uma média que me permitia entrar em qualquer curso em Portugal, exceto medicina. Podia entrar em economias, gestões, advocacia, engenharia, etc, se é que me entendem …..
    Segundo, não é um privilégio de forma alguma estar desempregado, sei por experiência própria o que é viver esse pesadelo. Só ainda não mudei por ser persistente, tão ou mais que os abutres gestores, economistas, banqueiros, políticos etc o são.
    Terceiro, diria que à semelhança do país, quase todos os comentários anteriores, estão cotados na categoria C, lixo, da pior espécie, demonstram total desconhecimento do que é na realidade a escola pública, e são uma espécie de lavagem cerebral às famílias Portuguesas cujos filhos são estudantes na escola pública, vejam o quão conveniente é ……
    Se há coisa que faço, antes de comentar seja o que for, é ter conhecimento de causa. Tenho certeza de que muitos que aqui escreveram vão regularmente às missas dos seus partidos políticos ou então veem ou leem demasiados meios de comunicação social controlados por estes mesmos partidos políticos.
    Quarto, este livro surge no tempo certo. Estava de certeza guardado na editora para ser lançado numa altura precisa, coincide precisamente mais uma vez, com uma fase de ataque às pessoas que decidiram serem professores, e à escola pública. Quem andar atento verá que tenho razão, e outros livros já houveram que foram lançados precisamente em épocas de perseguição como a que vivemos agora (nós os professores).
    Quinto, tenham vergonha na cara, não vendam mentiras às pessoas, vivemos num país muito pobre a todos os níveis. Não destruam a única coisa que pode tirar todo este povo da ignorância.
    Sexto, dediquem-se aquilo que sabem fazer, se são economistas, façam-no, sejam sérios.
    Sétimo, vou repetir-me, gostava de poder discutir isto e muito mais olhos nos olhos, frente a frente. Se tiverem corajem têm ai o meu mail.

  24. Carlos Guimarães Pinto

    “Podia entrar em economias, gestões, advocacia, engenharia, etc, se é que me entendem …”

    Ainda bem. Bem acima da média dos seus pares.

    “quase todos os comentários anteriores, estão cotados na categoria C, lixo, da pior espécie”

    Refere-se ao comentário em que refere os “abutres gestores, economistas, banqueiros, políticos etc”?

    “Se há coisa que faço, antes de comentar seja o que for, é ter conhecimento de causa. Tenho certeza de que muitos que aqui escreveram vão regularmente às missas dos seus partidos políticos ou então veem ou leem demasiados meios de comunicação social controlados por estes mesmos partidos políticos.”

    Veja lá se consegue encontrar a incoerência nessas suas duas frases.

    “Estava de certeza guardado na editora para ser lançado numa altura precisa, coincide precisamente mais uma vez, com uma fase de ataque às pessoas que decidiram serem professores, e à escola pública”

    Sim, foi tudo um plano maquiavélico.

    “Quinto, tenham vergonha na cara”

    OK.

    “Sexto, dediquem-se aquilo que sabem fazer, se são economistas, façam-no, sejam sérios.”
    É o que fizemos no livro e ainda não o vi desmentir nada do que lá está escrito.

    “gostava de poder discutir isto e muito mais olhos nos olhos, frente a frente. Se tiverem corajem têm ai o meu mail”
    Até agora, não vi nenhuma vontade de discutir, apenas insultar, especular e atirar lama. Se colocar aqui uns poucos argumentos decentes, pode ser que mereça entrar numa discussão “olhos nos olhos”.

  25. Pingback: Quem percebe de Educação? Os gestores, claro! (2) – Aventar

  26. Marcos Dantas

    Francisco Colaço

    Acho que você tem alguma razão no que toca ao meio frango e ao frango e meio. Há regalias em excesso relativamente aos professores no topo da carreira, Tais regalias até nem seriam excessivas se o desconto que lhes é concedido em termos de horas lectivas fosse compensado por horas não lectivas, como deveria acontecer, num claro abuso da Lei e com óbvia conivência das Direcções escolares nas quais muitos deles participam. Óbvio, também, que o abuso de uns quantos implica sobrecarga para outros.

    Nada disso, no entanto, invalida o que afirmei no meu comentário (os números eram apenas exemplificativos) de que há muita demagogia na utilização do baixo rácio que Portugal apresenta em termos de alunos por professor. Muitos, mas muitos mesmo, professores estão a ser utilizados em tarefas não lectivas (e não apenas nas escolas), continuando a ser considerados professores quando deveriam ser retirados dessa categoria e colocados numa qualquer outra que possibilitasse uma maior verdade estatística.

    Nada tenho contra a utilização de professores nas direcções. ministérios, agrupamentos, sindicatos, etc, etc., mas tenho tudo contra o facto de essas pessoas continuarem a figurar nas estatísticas como professores possibilitando que, liberais e neoliberais, ataquem desenfreadamente as escolas públicas através de argumentos demagógicos.

  27. Marcos Dantas

    Carlos Guimarães Pinto
    Não sei se é “um plano maquiavélico” ou não, mas até nem me admiraria muito que fosse. Não seria, aliás, nenhuma novidade o lançamento pelo capital, suas organizações e/ou seus apaniguados de campanhas e esquemas maquiavélicos, para a prossecução dos seus fins. A crise das dívidas soberanas está aí, bem fresquinha, para o comprovar. A coincidência do lançamento do livro com os ataques de Alexandre Homem Cristo no Observador, antes do inicio do novo ano lectivo, tanto podem ser coincidência como o inicio de uma campanha acirrada visando transformar a escola portuguesa na escola mercado. É caso para podermos dizer que “com a verdade me enganas”.
    Seja coincidência ou campanha maquiavélica O ATAQUE AOS PROFESSORES E À ESCOLA PUBLICA está aí. A coisa nem seria grave se se limitasse a jornais ou blogues, mas ela vem de cima e de trás. Vem de um ministro, licenciado em matemática, que acha que a matemática se aprende fazendo milhões de exercícios; vem de um ministro que, como dizia Salvador Allende, pertence à “esquerda elástico”, isto é, passam da extrema esquerda stalinomaoista para a direita neoliberal à velocidade da luz, os quais são, ainda segundo Allende, os mais perigosos dos oportunistas porque, vogando ao sabor do vento, querem sempre mostrar o máximo serviço ao patrão que servem. Não é caso único, diga-se em abono da verdade, com os resultados que se conhecem.
    Sem grandes idéias próprias o ministro copia, com quase duas décadas de atraso e sem olhar aos resultados, a conservadora e inglesa “Education Reform Act de 1988”, ou as americanas “No Child Left Behind” e a ”Race to the TOP”, visando transformar a escola nacional na escola mercado, os professores em monitores e os alunos em robots formatados. Na impossibilidade de produzir (pelo menos no imediato) os alfas e betas de Aldous Huxley a ERA, ou GERM (Global Education Reform Mouvment) como lhe chama o pedagogo finlandês Pasi Sahlberg, vai servindo o objectivo neoliberal.
    Cuidem-se os professores, os pais e os estudantes porque o GERM é um virus altamente contagioso e resiliente aos antibióticos conhecidos, A doença alastra qual diabetes e o seu estado de desenvolvimento pode avaliado, segundo Sahlberg, “analisando o estado dos seguintes sintomas:
    1. Aumento da concorrência entre as escolas, que é reforçada pela publicação de tabelas classificativas das mesmas possibilitando aos pais a escolha da escola com base em informações que os ajuda a tomar as decisões correctas “consumidor”;
    2. Padronização do ensino e da aprendizagem que estabelece prescrições detalhadas, de como ensinar e o que os alunos devem alcançar para que o desempenho das escolas possa ser comparado entre si;
    3. Recolha sistemática de informações sobre o desempenho das escolas, empregando testes padronizados. Estes dados são então usados para responsabilizar os professores pelo desempenho dos alunos;
    4. Desvalorização do profissionalismo do professor;
    5. Privatização das escolas públicas, transformando-as em escolas privadas através da implementação de escolas licenciadas, escolas livres e escolas virtuais.”
    Tendo em conta o estado da virose, podemos dizer que já não estamos longe do estado crónico.
    Talvez a resposta ao seu comentário de que:
    “,,..apesar de a percentagem de professores sindicalizados ser baixa, as iniciativas sindicais costumam ter bastante adesão. Mesmo que a % de sindicalizados seja baixa, aparentemente bastantes professores alinham com as suas lutas”.
    esteja exactamente na consciência que os professores têm do estado avançado da virose e do perigo que ela representa para a sociedade se se transformar numa doença crónica.

  28. lucklucky

    Marcos Dantas defende a educação totalitária e tem a lata de falar de padronização.

    A Escola Publica é única, por isso totalitária e mais padronizada é impossível . Os professores não passam de funcionários, sem liberdade alguma.
    O estado de Portugal está directamente ligado à Escola Publica e a sua ideologia igualitária que tem como resultado a mediocridade, incompetência e recusa da diferença que é de onde nasce o crescimento de riqueza.

    Vamos agora falar das vítimas da Escola Publica:
    A Escola Publica destrói ou tenta destruir as crianças com capacidade.
    Raramente encontro um professor com vergonha de sacrificar os bons alunos.
    A grande maioria dos professores tentam usar os bons alunos para puxarem os maus sacrificando-os quando estes podiam desenvolver muito mais ao seu ritmo as suas capacidades.
    Um gigantesco desperdício de capacidades humanas.
    Outras vítimas da Escola Publica, crianças que apreciam o trabalho manual, que não se adaptam às teorias da educação em vigor, algumas que estariam melhores com tutores. Pois as crianças são diferentes.

    Os Sindicatos parte interessada mais no emprego e nada na educação nada têm contra o aumento de anos escolares sem nexo criando um ensino com cada vez com menos eficiência.

    Nem vou entrar na tolerância da Escola Publica com o mau ambiente nas salas de aulas.

    Finalmente. Não existem escolas privadas em Portugal. São todas obrigadas a seguir o programa totalitário do Kremlin da 5 de Outubro e a cultura de todos os professores já foi moldada pela burocracia há muito. As diferenças na maior parte dos casos ficam-se por uma maior disciplina do chamado “privado”o que dado o baixo nível geral até não é despiciente.

  29. Rafael Ortega

    “A grande maioria dos professores tentam usar os bons alunos para puxarem os maus sacrificando-os quando estes podiam desenvolver muito mais ao seu ritmo as suas capacidades.”

    Confere.
    Eu era bom aluno e passava secas enormes nas aulas. O ritmo era desesperantemente lento. Penso que no 2º ciclo, na disciplina de ciências, avançamos 20 páginas do manual num mês de aulas.
    Isto não é politicamente correcto, mas a única forma de a escola melhorar é com segregação. Turmas para bons alunos, onde se puxe a sério pelas suas capacidades. Turmas para médios. Turmas para maus alunos, onde o acompanhamento por parte do professor possa ser mais próximo. Mas isto é fascismo, dizem-me…

    Para além disto, regra geral, os bons alunos são sossegados, sendo por isso colocados por muitos professores aos lado dos barulhentos (regra geral maus alunos), porque “não lhes dão conversa”. Será que os professores que fazem isso não pensam que o bom aluno pode ter muito pouco interesse em ser posto ao lado do mau?

  30. Pingback: Quem percebe de Educação? Os gestores, claro! (3) – Aventar

  31. Tiago Franco

    “A grande maioria dos professores tentam usar os bons alunos para puxarem os maus sacrificando-os quando estes podiam desenvolver muito mais ao seu ritmo as suas capacidades.”

    Se tivesses estudado pedagogia saberias porquê!

    Tenham vergonha mais uma vez digo, dediquem-se ao que fazem porque de ensino não percebem nadinha……

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