11 mil milhões

É quanto o BES detém no seu balanço em dívida titularizada. Se o estado meter dinheiro no BES será os detentores desta dívida que estará a salvar com o dinheiro dos contribuintes, não os depositantes.

Na TSF fala-se de uma taxa de retorno de 10% nesta intervenção. Certamente, com uma taxa de retorno assim, não faltarão privados a querer injectar capital.

19 pensamentos sobre “11 mil milhões

  1. João Silva

    Carlos, na SIC José Gomes Ferreira fala em outras vias para a intervenção do Estado no BES nomeadamente acesso ao crédito da troika à banca. Nesse caso também os juros do crédito passam para o Estado ou recaem no BES? Não se pode comparar ao caso do Banif, não pelas causas mas pelo modus operandi consequente? E por ultimo, falou-se já no blog que o sistema bancário europeu nunca deixará um banco falir, o Banco de Portugal provou isso esta semana, ainda poderia o governo por a mão na mesa e impedir o facto?

    Cumps

  2. Carlos Guimarães Pinto

    Nesse caso também os juros do crédito passam para o Estado ou recaem no BES?
    Caem sempre sobre o estado, e se o BES não pagar ou o capital depreciar, fica como dívida do estado.

    Não se pode comparar ao caso do Banif, não pelas causas mas pelo modus operandi consequente?

    Sim, por isso.

    Não percebi a última questão.

  3. henrique pereira dos santos

    Tenho gostado muito das análises que tem feito, mas se olhar para o caso do BANIF, verificará que as garantias que o Estado exigiu, e que lhe permitem reduzir enormemente o risco (a garantia é uma obrigação de compra de dívida pública, pelo que em caso de falência o que o Estado não recebe é compensado pelo que não tem de pagar), não estão ao alcance de um privado. Acresce que o Estado tem esse dinheiro disponível a cerca de 3,5%, coisa que não é líquido que os privados tenham.
    Por fim, não são apenas os privados que perdem se o banco falir, não discutindo já o efeito global na economia, é o Estado que vai ter de pagar os subsídios de desemprego de muita gente, por exemplo.
    Eu percebo o seu ponto de vista, estou, à partida, de acordo com ele, mas é preciso pôr numa coluna os ganhos e as perdas para o Estado e ver de que forma se cobrem os riscos com garantias sólidas.
    No caso do BANIF pareceu-me que a coisa ficou bem feita. Não sei que aqui é possível, o que sei é que os privados não têm a mesma capacidade de impor as garantias que o Estado tem. E por isso pode haver retornos de 10% (como no BANIF), sem que isso interesse aos privados, face ao risco actual.

  4. JP

    Se nós formos a bóia e se ela já estiver toda furada, corremos sérios riscos de morrer afogados junto com o náufrago, que é a história de Portugal a decorrer, de que o BES é apenas um dos capítulos e sintomas. Entretanto, o professor-doutor ex-ministro das finanças que mal ouviu falar em Cadilhe nacionalizou de imediato o BPN e deixou o país resvalar até à penúria para desenrascar o seu chefe até às eleições (certamente omitindo as notícias da realidade até lá), manda postas intelectuais sobre o assunto – Estado, nem pensar!

  5. paam

    Depois da tragédia que foi o último aumento de capital, ninguém no seu perfeito juízo colocaria um cêntimo que fosse no BES. O que vale é que Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, António José Seguro e Carlos Costa nos garantem que o banco é sólido. Isto foi dias antes de apresentar prejuízos recorde e perder mais de 65% do seu valor em Bolsa.

    Também Passos Coelho garantiu que não haveria intervenção do Estado no BES e, poucos dias depois, já existem noticias que o Estado vai entrar no capital do BES.

    Mas quem, quem?!?!, é que investirá num país cujas instituições politico-financeiras não têm credibilidade absolutamente nenhuma?

  6. TOUNABOA

    O BES é Too Big To Fail, mas é uma questão de tempo até que um TBTF acabe mesmo por falir.

  7. Abel

    Carlos, já ouvi dizer que o BES é o maior banco português. Isso é verdade, não será antes a CGD?

    Pode-me tirar esta dúvida?

  8. lucklucky

    “O que vale é que Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, António José Seguro e Carlos Costa nos garantem que o banco é sólido. Isto foi dias antes de apresentar prejuízos recorde e perder mais de 65% do seu valor em Bolsa.

    Também Passos Coelho garantiu que não haveria intervenção do Estado no BES e, poucos dias depois, já existem noticias que o Estado vai entrar no capital do BES.

    Mas quem, quem?!?!, é que investirá num país cujas instituições politico-financeiras não têm credibilidade absolutamente nenhuma?”

    Ora bem.

    Parece que o Vitor Bento envelheceu em poucos dias.

  9. Alexandre Carvalho da Silveira

    Se meter o dinheiro que a troika emprestou no BCP e no BPI correu bem, porque é que meter o dinheiro que a troika emprestou no BES não há-de correr bem? o BES representa 20% do mercado bancário em Portugal, deixá-lo cair teria consequências catastróficas.
    Outra questão é o facto que dos 3700 milhões que são o buraco do 1º semestre , 3500 milhões terem desaparecido entre Maio e Junho. Não compreendo como é que ainda não está ninguém a responder por isso na Justiça.
    Na minha opinião Carlos Guimarães Pinto está a usar os mesmos argumentos que PCP, BE e parte do PS usam: o dinheiro dos contribuintes serve para salvar os capitalistas.
    Que eu saiba, isso só aconteceu uma vez e foi da responsabilidade de um governo socialista: a nacionalização do BPN deixando a SLN de fora. Ou seja: o estado (os contribuintes) ficou com os ossos e deixou o filet-mignon para os accionistas do banco.
    Tanto quanto se sabe até ao momento, os accionistas do BES e do GES ficam sem nada.

  10. Luís Lavoura

    com uma taxa de retorno assim, não faltarão privados

    Faltaram nos casos do BPI, BCP e BANIF. Apesar de em todos esses casos a taxa de retorno ter sido dessa ordem.

  11. Luís Lavoura

    será os detentores desta dívida que estará a salvar com o dinheiro dos contribuintes, não os depositantes

    (1) Não é “com o dinheiro dos contribuintes”. Tratar-se-á apenas de um empréstimo ao banco. Os contribuintes apenas estarão a emprestar dinheiro; em princípio, esse dinheiro ser-lhes-á devolvido (com bons juros).

    (2) Os depositantes acima de 100.000 euros também serão salvos. Deverá haver muitas empresas nessa situação.

  12. Marco

    Os buracos do BES vão parecer o BPN uma brincadeira de crianças. Exige-se que se criminos políticos usarem dinheiros públicos a fundo perdido sejam chicoteados em praça pública …

    E esperem lá até a CGD dar o peido …

    Está tudo a brincar com dinheiro que não existe … alguém tem de ficar a arder e devido à extrema corrupção e incompetência politica quem paga é boda …

  13. paulo santos

    mas qual dinheiro dos contribuintes? aprendam a fundamentar e não especular. O dinheiro a injectar no BEs vem do Fundo de Resolução que tem cerca de 6.4 mil milhões para o sistema Português. E quem diz “deixem falir” não tem noção que a falência do BES iria arrastar todo o sistema em Portugal e acabar com a falência do próprio País.

  14. JLeite

    Falir o país? Até podia ser uma solução os problemas existentes. Possívelmente seria a maneira de arranjar um futuro para os jovens de agora. De outro modo andarão sempre a carregar com o passado.

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