O Insurgente

Do pecado da soberba

Anúncios

Carlos Moedas foi o escolhido por Passos Coelho para integrar a nova Comissão. Não tardaram a inundar o espaço mediático as vozes críticas que não só procuram desdourar o escolhido, como lamentam o facto doutras escolhas não terem sido as preferidas.

A Carlos Moedas assenta-lhe bem o cargo, como ficaríamos no plano da competência bem representados por todos os nomes que nos últimos meses têm sido publicamente aventados: Maria Luis Albuquerque, Poiares Maduro, Paulo Portas ou Maria João Rodrigues dariam bons comissários, mais isso não faz de Moedas uma má escolha.

As escolhas para uma Comissão não são lineares, e não dependem exclusivamente do Estado que as efectua; a selecção de Moedas terá sido negociada e aceite por Juncker, em função de uma série de variáveis, muitas delas fora do alcance dos profissionais do bitaite nacional.

A opção final por Moedas tem para mim várias virtudes. Desde logo, e digo isto pela positiva, e não contra ninguém em concreto, porque se escolhe alguém que está no pleno das suas capacidades, em crescendo, e não um(a) “senador(a)” do Regime, em fim de carreira. Escolhe-se ainda alguém que soube sempre trabalhar em equipa, com zelo, dedicação e humildade. Escolhe-se, last but not least, um dos poucos que corajosamente pensa Portugal com ideias que estão longe dos anacronismos do passado, mostrando que se pode estar na vida pública com educação mas sem concessões ideológicas e cedências à chantagem muitas vezes primária do status quo.

Para a história fica o lamentável espectáculo protagonizado pelo PS, e a falta de humildade exibidas sem qualquer pudor democrático, quer do Partido, quer da própria Maria João Rodrigues, que num exercício de soberba veio mostrar-nos a todos porque razão, mormente as suas eventuais enormes capacidades, não merece ser escolhida. Portugal precisa de gente trabalhadora, políticos humildes, e não de predestinados que actuam na vida pública sem fair play ou respeito, como se fossem donos da Democracia.

Acresce que as escolhas dos membros da futura Comissão não são apenas de “nomes”, são também, saudavelmente, escolhas políticas. Pese embora muita gente olhe para a Europa como um Império da Tecnocracia (e há razões válidas para se pensar assim), feitas as contas no fim não é só um técnico que se indica. Ora, há diferenças ideológicas bem vincadas entre Carlos Moedas e Maria João Rodrigues, diferenças essas que justificam, só por si, a escolha do primeiro, em detrimento da segunda. Porque a União Europeia tem desafios significativos pela frente, onde a raiz ideológica dos candidatos não é, ao contrário do que se treslê na discussão de “nomes”, neutra.

 

Anúncios

Anúncios