Mais Do Que As Palavras, Venham Os Actos

AlbuquerqueSegundo Maria Luís Albuquerque, a despesa pública representou cerca de 49% do produto interno bruto (PIB) em 2013. Para a ministra, “este valor traduz um peso excessivo do Estado na economia”. Excessivo, sustentou, “porque não permite libertar recursos para o investimento privado, excessivo porque em 2011 conduziu a uma situação de bancarrota iminente e em 2014 [esse peso] é suportado por uma carga fiscal reconhecidamente elevada – uma carga fiscal ainda necessária para equilibrar as contas públicas, mas que não incentiva adequadamente o trabalho e o investimento privado”. Foi neste contexto que a ministra considerou a redução da despesa um “imperativo” que possa abrir caminho à descida da carga fiscal.

Subscrevo por inteiro o diagnóstico e o tratamento. Mas muito mais importante do que as palavras, são os actos.

17 pensamentos sobre “Mais Do Que As Palavras, Venham Os Actos

  1. ricardo

    A senhora já começou a falar como ex-ministro.
    Vai com certeza para fora, que “em Portugal os impostos estão pela hora da morte”.

  2. lucklucky

    Ou seja para ela a Liberdade = Respeito pelos Outros, A vontade dos outros. Não interessa para nada.

    Se o trabalho fosse incentivado por 100% de impostos já seria bom.

  3. Luís Lavoura

    não permite libertar recursos para o investimento privado

    Não é por falta de recursos que não há investimento privado. Recursos não faltam (quanto mais não seja, na arena internacional) e, se houvesse boas perspetivas de lucro, eles seriam investidos.

  4. Lucklucky,

    Sejamos justos. A admissão do pecado é sempre a primeira parte do arrependimento. 😉

    Agora mais a sério. A Maria Luís albuquerque herdou uma casa em frangalhos, que apenas começou a ser recuperada com Vítor gaspar. Estamos a meio de um processo de recuperação, e infelizmente as Finanças têm pouco a dizer no assunto. Pois se assim fosse, o Estado já tinha sido reduzido à sua mínima expressão e estávamos com claros superavites.

    Isto é: estão a vencer os políticos, que se preocupam com as próximas eleições, aos tecnocratas, aqueles que poderiam arranjar este bandalhal todo (se ao menos os deixassem!)

  5. Luís Lavoura, que informação dispõe que lhe permita dizer isso? Dada a taxa de poupança registada em Portugal e o nível de endividamento médio diria que faltam todos os recursos para existir investimento em PMEs. Talvez apenas os grandes grupos económicos ainda disponham de liquidez. Ou será que acha que todo o investimento tem de passar pelos grandes grupos económicos? Ilucide-nos.

  6. Mário,

    Há gralhas que vêm por bem. 🙂 Esse «ilucide-nos» tem muito mais a ver com «ilusão» que com «elucidare». E no caso do Luís Lavoura, aplica-se como uma luva. 😉 (Luís, é apenas um chiste inocente para alguém que está no campo contrário e com cujo nem sempre concordamos)

  7. Rogerio Alves

    Vejo Maria Luís como das menos culpadas pela não redução da despesa: num país que tem grande parte dos media a amplificar os queixumes e berrarias contra quase qualquer redução e que, por outro lado, tem grande parte dos capitalistas a viver à custa do Estado e a pressionar todos os dias para manter o status quo, fica praticamente ilibada quando, para cúmulo, temos um TC e um sistema de justiça cujo principal objectivo é mostrar que tem o poder omnipresente e que nunca dele largará mão.

    Com um sistema político desta forma, não há Ministros das Finanças que consigam melhor.

  8. Green Lantern

    Gaspar não brincava quando falou de um brutal aumento de impostos.

    Já senti isso na pele, com a prenda que o IRS me enviou.

    A sensação com que fico é a seguinte, o trabalho não é incentivado.

    O meu caso é particularmente esclarecedor, tenho contrato de trabalho e presto serviços noutra actividade passando sempre recibo. Pago impostos sobre o trabalho ao longo do ano inclusive a sobretaxa de IRS, PEC, pago casa e tenho um seguro de saude.

    Ou seja trabalho mais para receber mais, nada de mal com isto, certo? Errado, toca a pagar mais e muito mais num claro desincentivo ao empreendorismo e ao trabalho.

    Se trabalhasse para o estado seria um injustiçado, como trabalho e presto serviços para o sector privado só existo para pagar.

    Cumprimentos

  9. castanheira antigo

    Os politicos ( albuquerque incluida ) criarão sempre a ilusão de que irão tomar as medidas adequadas , mas na pratica preocupar-se-ão apenas em manter o poder ou ganha-lo se for o caso .
    Sendo , assim , a mudança só será feita com o fim do ciclo e independentemente da vontade dos politicos e pela imposição da propria realidade por si mesma.

  10. Luís Lavoura

    Mário Amorim Lopes

    Dada a taxa de poupança registada em Portugal e o nível de endividamento médio

    A sua frase é correta, concedo. Mas então a frase de Maria Luís não deveria ter sido “não permite libertar recursos para o investimento privado” e sim “não permite libertar recursos para a desalavancagem privada”…

  11. Obviamente que para existirem recursos disponíveis para investir têm de existir recursos e para isso o privado tem de consolidar as suas contas — se tiver mais rendimento disponível (porque o Estado não lhe caçou quase metade) resta mais dinheiro para consolidar e para investir.

  12. Alexandre Carvalho da Silveira

    Uma população que vive maioritáriamente do estado, e exige que o estado a trate cada vez melhor, não se pode queixar de pagar muitos impostos. Para a riqueza que geram e o estado social e respectivas prebendas de que usufruem, os portugueses ainda pagam poucos impostos. Os défices crónicos das contas públicas estão aí para o demonstrar. E a procissão ainda vai no adro: preparem-se porque com os próximos chumbos dos zelotas do Ratton, vai ser uma razia.
    Não ma admiraria que a ministra das finanças fosse para Bruxelas, a maioria está a desmoronar-se, e os candidatos a candidatos a 1º ministro do PS andam na estratoesfera a prometer o Sol e a Lua. Com o impacto negativo que esta “brincadeira” dos Espíritos nos arranjou, não vem aí nada de bom.
    O melhor é irmos todos a Fátima pôr uma velinha a Nossa Senhora, porque só um milagre nos pode valer. E acreditem que eu sou dos que vêem o copo sempre meio cheio.

  13. k.

    “Mário Amorim Lopes em Julho 17, 2014 às 11:23 disse: ”

    Há muito dinheiro “lá fora”(1) , e liberdade de circulação de capitais. “Global savings glut” já é uma expressão com uns aninhos.

    Se o investimento não entra em Portugal é porque efectivamente, não há oportunidades de obter uma boa rentabilidade, por muitas razões – menos a fiscal, dado que a fiscalidade Portuguesa, se não das mais “brandas” tambem não é das mais agressivas (2).

    (1)
    http://www.standardandpoors.com/spf/upload/Ratings_EMEA/2013_02_05_EMEA_RR_Commentary.pdf

    (2)
    http://www.kpmg.com/global/en/services/tax/tax-tools-and-resources/pages/corporate-tax-rates-table.aspx

  14. k.,

    Leia o abstract e conclusões deste relatório do BdP [1] e compare ainda o investment freedom index de Portugal comparado com países semelhantes ao nosso (Bélgica, Luxemburgo, Espanha, Irlanda, etc.). O problema da falta de FDI é que existem outros sítios mais apetecíveis: impostos mais baixos, mão de obra igualmente qualificada, justiça funcional e menos burocracia. É também importante recordar que foram as reformas no IRC para 12.5% que permitiram a explosão de FDI que ocorreu na Irlanda.

    [1] – http://www.bportugal.pt/en-US/BdP%20Publications%20Research/wp201306.pdf

  15. O problema, longe de ser conjuntural, é estrutural, e tem séculos. Aparentemente, depois da extinção das ordens religiosas em 1834, crê-se que cerca de dois terços da população vivesse directamente dependente de mosteiros ou da ajuda que eles forneciam. Hoje o número não deve andar longe: 6 milhões, julga-se.

    Mesmo depois de corte maciços – assim são descritos todos os dias, embora a adjectivação seja relativa e dependa do POV de cada um -, ainda gastamos 4 ou 5% a mais do que arrecadamos em impostos, ou seja, e contando que o PIB ronde neste momento 165, 5 mil milhões de euros, ainda gastamos 7 mil milhões de euros a mais do que arrecadamos em contribuições – ?!?!?!?!?!?!?!? – e impostos. Como em economia não se faz magia – até faz: chama-se aumento de capital -, ou se aumentam os impostos, se pede dinheiro emprestado ou se corta na despesa. Equação simples: cortar na despesa é praticamente impossível como o TC tem demonstrado e, como um destes dias nos secam a fonte porque percebem o evidente – que não vamos conseguir pagar -; sobra o aumento de impostos.

    Meus senhores, parabéns: moram num país falido e insolvente.

    Boa sorte.

    http://pensamentoliberalelibertario.blogspot.pt/

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