Diz que é para combater a hegemonia ocidental

Brazil, Russia, India, China and South Africa – dubbed Brics nations – on Tuesday signed a deal to launch a new $100 billion development bank and emergency reserve fund, reports the BBC

Parece-me extremamente positivo, embora algo estranho, que os tais BRIC’s queira estoirar o seu próprio dinheiro neste tipo de coisas. Força nisso!

6 pensamentos sobre “Diz que é para combater a hegemonia ocidental

  1. Ce qu’on voit et ce qu’on ne voit pas – Bastiat e a minha visão do Liberalismo Clássico nos países ocidentais – Comentário ao post de Miguel Noronha

    Na sua intelectualidade refinada, Frédéric Bastiat resumiu numa expressão, de resto impecavelmente condensada, uma quantidade de informação tão densa e de tão grande relevo que se torna difícil discorrer sobre ela sem que omitamos pontos que eventuais leitores considerem falta grave ou cuja deslembrança não possa configurar, para si, um verdadeiro crime de lesa majestade. De idêntico modo, será também fácil atribuir-lhe significados que o autor não terá assumido aquando da sua formulação, razão pela qual entendo que a realização deste simulacro reflectivo deverá assentar sobretudo no meu próprio ponto de vista. Evita-se assim não só a desfocagem do original, ou o que quer que uns tantos pretensos herdeiros morais da sua tradição liberal entendam por «original», esses verdadeiros representantes dessa «nomenklatura» de liberais que gostam de arrebanhar que em aplicar os princípios de liberdade que tão prontamente defendem; mas também, ou sobretudo, expressar o meu próprio ponto de vista sobre a temática sobre a qual me proponho discorrer.

    Assumindo que a assumpção desse risco, dessa forte possibilidade de me ver ver incompreendido faz parte da vida, creio ser importante que liguemos a ficha que nos alimenta à tomada da razão que, pelo que vejo, ou tem estado desligada ou curto-circuitou. A este respeito, devo confessar que foi o uso desse instrumento que o racionalismo continental miscigenado com o empirismo insular sintetizado pela majestático criticismo Kantiniano nos legou, que nos permitiu lançar as bases para o período maior expansão comercial e industrial que a historiografia até então havia registado. Foi com o auxílio da razão, da lógica, da coerência epistemológica, foi através da negação da lenda, do dogma e dos postulados inquestionáveis impostos pela minoria dominante à maioria ductilizada e submissa, que a liberdade se impôs e que o Liberalismo vingou. Foi o século da luzes, a que seguiu o século das revoluções Liberais. Foi acabando com o Lordismo feudal com que poucos agrilhoavam muitos, foi extinguindo direitos hereditários que a sociedade não podia já tolerar e contra os quais se insurgiu, foi eliminando proteccionismos vários com que alguns mantinham o seu stautus quo de privilégio à custa da manutenção dos demais na ignorância e na miséria, que a sociedade avançou, que a liberdade ousou vingar. O sucesso passou a medir-se cada vez menos pelo berço e mais pela perseverança, pelo mérito, pelo valor do agente e pela força das suas ideias no mercado. Os que não nasciam entre a aristocracia e que, contra todas as probabilidades, venciam, não admitiam que lhes não fosse reservada representação política consistente com a sua importância. Foram estes, e não os outros, que acumularam o capital necessário para das inicio às revoluções industriais. Foram estes que permitiram a milhões sais do estado de pobreza absoluta em que se encontravam. Foram este que criaram excedentes sistematicamente reinvestidos na actividade produtiva reprodutiva – sim, há actividade produtiva não reprodutiva – que fizeram com que mais pessoas vissem melhorada a sua vida e a doss seus. Foram estes não e o Estado, foram estes e não decretos, foram estes e não um conjunto de palavras bonitas, mas vazias, que moldaram o mundo em que vivemos. Em toda a história nunca um ideário, nunca um corpo filosófico-político não coordenado, não combinado, não superintendido, transformou de forma tão profunda, tão demarcada, o futuro dos povos e das nações. Nunca um movimento desligado e não comandado mudou tão indelevelmente a sociedade como o Liberalismo. E fê-lo aumentando de forma nunca antes vista a qualidade vida dos cidadãos, fê-lo abrindo barreiras até então intransponíveis para os que não tinham voz ou que não ousavam usá-la por medo ou por temor.

    É isto o Liberalismo: colocar no centro o indivíduo, o homem, com os seus defeitos e com as suas virtudes, um ser livre, não comandado, não ordenado, que age com base nos seus interesses, sim, há que assumi-lo. Quem tem isso de mal?

    O grande legado do Liberalismo, o toque de midas, o seu maior insight, foi ter percebido que o mercado induz no indivíduo a percepção que é do seu interesse cooperar com os seus pares, ainda que o agente, por outras quaisquer circunstâncias, o não quisesse fazer. O primeiro grande erro do mundo contemporâneo foi ter-se espalhado a virulenta percepção, mesmo de entre as democracias liberais, que há quem saiba o que é melhor para nós, que há outros que têm a responsabilidade de – vejam, outras carregam por nós a responsabilidade! – se preocupam por nós e, em última instância, que há alguém que carrega o sempre pesado fardo de decidir o nosso destino. O segundo grande erro é gostarmos disso. O segundo grande erro foi aceitarmos que decidam a nossa vida sem quase termos força para nos opormos. O terceiro foi termo-nos habituado, e vivermos bem com isso.

    Quando nos perguntamos porque temos hoje crises globais, quando nos questionamos porque têm as democracias ocidentais os gravíssimos problemas de endividamento público e externo, de sustentabilidade das finanças públicas, de pagamento de pensões, de demografia ou de competitividade para com os mercados emergentes, temos que nos lembrar que a economia é tão feita de ciclos de crescimento e de retracção como a bolsa se compões de períodos bear e bull. Contudo, quando o processo de tomada de decisões se encontrava atomizado, quando as deliberações eram tomadas de forma desconcentrada e descentralizada pelos agente económicos no mercado, qualquer crise resultava na obrigação de reestruturação da empresa ou na sua falência. Raramente estes acontecimentos tinha consequências sistémicas. Por cada empresa que caía, duas se levantavam: o mercado resolvia rapidamente as suas ineficiências e recuperava rapidamente as suas perdas. E, de repente, como nos disse Jean Guéhenno, o equilíbrio rompeu-se. Com a dispersão metástica por entre todas as áreas da sociedade civil de políticas públicas frequentemente tanto invasivas e desajustadas quanto deformadas e extemporâneas, e com o colectivização e internalização de decisões cuja assumpção de risco passou dos agentes económicos que operavam no mercado directamente para o controlo Estatal; tudo mudou. As cíclicas crises cujo impacto no pretérito o mercado aguentava e da qual rapidamente recuperava, tornam-se hoje, porque o processo de tomada de decisões se viu concentrada e burocratizado, fenómenos passíveis de fazer ruir sistemas inteiros que foram sendo construídos em cima de palavras bonitas, de promessas vãs que o dinheiro que entretanto não foi gerado pelo anémico crescimento económico medido, não puderam nem podem pagar.

    Está na altura de falarmos verdade. Estaria na altura de devolver aos cidadãos a liberdade entretanto perdida. Estaria na altura de retirar o colete de forças dos que têm vontade de avançar e se vêem presos pelos que se querem manter imóveis. Digo estaria porque várias gerações a viver numa sociedade semi-colectivizada deixaram marcas na nossa em que as consequências dos nosso actos são frequentemente dispersas pela sociedade em geral, deixaram marcas profundas na nossa relação com a liberdade, até porque ela pressupõe responsabilidade.

    O grande desafio do Liberalismo contemporâneo é pois fazer a apologia da liberdade, fazendo-os crer que, como nos dizia Goethe, que «ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser». Convencer alguém a deixar de ser esse escravo que se submete, que oferece a sua liberdade em troca de uma pretensa protecção contra a as adversidades da vida cujo sistema sabemos estar perto do colapso, mas que ninguém se atreve a propor alterá-lo; é oferecer-lhe um lugar numa fusta com uma vela e com um leme que o pode levar onde quiser. Basta aprender a pilotá-la.

    http://pensamentoliberalelibertario.blogspot.pt/

  2. Quando 65% das notas e moedas do Mundo são denominadas em Dólares, por causa do comércio internacional, não acham que isto vai criar um terramoto?

    Em 2008, a Rússia tentou lixar o dólar, e sí não conseguiu porque a China não alinhou (está documentado). Conseguiu apenas a crise de 2008, mas acabou a ser afectada por ela. Exactamente porque o comércio internacional era feito em dólares. Em 2014 a China parece querer aderir, e mesmo a Suiça reconhece o Yuan como a nova moeda reserva.

    No mais imediato, vai crescer o preço da alimentação. Teorizo que isso vai mudar o Mundo tanto quanto o advento do automóvel, mas não sou nem profeta, sem haruspex, nem vidente, nem revelador, nem mago, nem astrólogo.

  3. Miguel Noronha

    Com a quantidade de activos que a China tem denominados em USD imagino que também não lhe interessa mesmo nada a sua desvalorização e a maior alternativa ao USD que era o Euro provou não ser muito segura. Já nem falo das respectivas moedas internas.
    Isto é apenas uma forma de distribuirem entre si “jobs for the boys” e empréstimos políticos com retorno mais que duvidoso. Pagam os contribuites dos respectivos países. Ao menos, desta vez não somos nós.

  4. Miguel,

    O que vai acontecer na sua opinião com todo um stock de dólares que não são necessários ao comércio internacional?

    Quanto à China, esta tem trocado discretamente dólares por ouro desde 2009. Agora pergunto-lhe: quantos mísseis Minuteman existem nos Estados Unidos? Onde estão os navios e submarinos nucleares (ou quantos estão no porto e quantos na água)? Finalmente, qual é a presente política de retaliação dos EUA aquando de um ataque nuclear?

    Bastam estas três. As respostas não são difíceis de achar. Quando as achar, dar-se-á conta, como eu há uns anos me dei, que os Estados Unidos estão a ser traídos por dentro e atacados por fora.

  5. Miguel Noronha

    “O que vai acontecer na sua opinião com todo um stock de dólares que não são necessários ao comércio internacional?”
    Não percebo muito bem a sua questão. O China pode ter comprado bastante ouro mas com o fluxo comercial com os EUA imagino que o stock de USD seja muitissimo elevado.

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