Portugal não é a Polónia

Vale a pena ler este artigo da Economist sobre a Polónia dedicado aos portadores do discurso: “É preciso ir com calma para que o doente não morra da cura”

When the Iron Curtain came down in 1989, Poland was nearly bankrupt, with a big, inefficient agricultural sector, terrible roads and rail links and an economy no bigger than that of neighbouring (and much larger) Ukraine. At the time the ex-communist countries with the best prospects were widely thought to be Czechoslovakia and Hungary. Hopes for Poland were low.
But rigorous economic shock therapy in the early 1990s put Poland on the right track. Market-oriented reforms included removing price controls, restraining wage increases, slashing subsidies for goods and services and balancing the budget. The cure was painful, but after a couple of years of sharp recession in 1990-91 Poland started to grow again. It has not stopped since, and received a further boost when it joined the EU in 2004. Since then economic growth has averaged 4% a year. GDP per person at purchasing-power parity is now 67% of the EU average, compared with 33% in 1989, and the economy is almost three times the size of Ukraine’s. The country has redirected much of its trade from its eastern neighbours to the EU, started to modernise its transport infrastructure and restructured some of its ailing state-owned industrial behemoths.(…)
Many Poles are aware that other EU countries have missed their chance of using EU funds for structural reforms. “Portugal has good highways but no competitive companies,” says Mr Jankowiak.

25 pensamentos sobre “Portugal não é a Polónia

  1. Jose

    Não foi na Polónia que o Cavaco foi há anos presenteado com uma humilhante conversa sobre a dívida pública e a economia portuguesa em geral? O que fez então o Sr? Engoliu não ripostou , Assobiou ao cochicho e continuou a falar tipo oráculo enigmático aos portugueses! Nem por um só momento passou pela cabeça da personagem utilizar o incidente para transmitir aos portugueses de uma maneira simples clara e inteligível que os políticos em geral e Sócrates em particular estavam a conduzir o pais para a banca rota de modo a mudar essa rota
    Claro que não há comparação possível entre a polónia e Portugal no que respeita a recursos quer naturais quer humanos, nem no que respeita à geoestrategia europeia , coisa que tendo sempre a ser ignorada nestas comparações oportunistas ( lembram-se do modelo Irlandês? Não o da saída limpa mas o outro do tigre europeu!) e de conveniência! Pois é vamos ter quer sofrer para nos penitenciarmos dos pecados cometidos pela canalha que nos governou e governa!

  2. Luís Lavoura

    rigorous economic shock therapy in the early 1990s put Poland on the right track

    Pois. Mas a mesma terapia de choque foi aplicada exatamente na mesma altura na Rússia e na Ucrânia e não funcionou. Nesses países privatizou-se tudo, com a consequência de fazer oligarcas mas não de aumentar a eficiênca económica. Aquilo que funcionou na Polónia falhou alhures.

  3. k.

    “Luís Lavoura em Julho 3, 2014 às 14:44 disse: ”

    1) A polonia tem uma população instruida, que fala ingles
    2) a polonia é um pais geograficamente central, e proximo de zonas “ricas” do centro da europa

    As circunstancias ajudam, tambem

  4. Luís Lavoura

    k, exatamente. Esses dois fatores – sobretudo o segundo – foram e são provavelmente muito mais importantes para a Polónia do que a “terapia de choque” dos anos 1990.

  5. Carlos Guimarães Pinto

    Sim, a Rússia e a Ucrânia são um exemplo perfeito de mercado livre e abertura ao mercado externo. Tenta lá abrir uma empresa na Rússia e diga como correu.

  6. Miguel Noronha

    “Esses dois fatores…”
    Sim, porque antes de 1990 esses factores não estavam lá. Provavelmente a Polónia até devia ser algures nas estepes asiáticas.

  7. Rui

    Areia para os olhos.
    No outro dia estive a falar com uma rapariga polaca e entre outras coisas a conversa passou pelos temas de salário e desemprego.
    A minha ideia preconcebida era de que a Polónia, estado fora do euro, poderia ter estado sujeita aos choque economico que se abateu sobre Portugal e ter uma economia pujante.

    A verdade é que pelo relato que ela me deu foi que os salários são significativamente mais baixos do que em PT e também têm taxas de desemprego bastante elevadas e niveis de emigração também elevados por isso não me parece que seja de forma alguma um exemplo a seguir. Os preços não são de forma alguma tão mais baixos que em PT que compensem as diferenças salariais.

    E note-se que a Polónia faz fronteira com a Alemanha um dos países com maior pujança económica nos últimos anos enquanto o nosso maior parceiro comercial, a Espanha, também sofreu e sofre imenso com a crise financeira.
    Agora se o critério for a rentabilidade dos investimentos até acredito que a Polónia seja um exemplo a seguir…

  8. Rui

    No post acima escrevi mal o parágrafo, falta um “não”:
    “A minha ideia preconcebida era de que a Polónia, estado fora do euro, poderia NÃO ter estado sujeita aos choque economico que se abateu sobre Portugal e ter uma economia pujante.”

  9. Carlos

    Fiquei a saber, depois de ler este post, que os chilenos falam inglês e estão próximos de potências económicas, principalmente a Venezuela.

  10. dervich

    Oh Carlos G. Pinto,

    Como eu prefiro pensar que você não acha que quem lê o que você escreve é “tolinho” (para usar um termo com antecedentes aqui no blog), aconselho-o a ler com mais atenção o artigo que citou:

    É o próprio Jankowiak que assinala o receio da Polónia estar a trilhar o mesmo caminho errado que outros países da UE já trilharam antes:

    “Janusz Jankowiak, chief economist of the Polish Business Roundtable, a pro-business lobby group, is optimistic about Poland’s prospects for the rest of this decade but more doubtful about the longer term. Poland has already benefited from a €102 billion ($139 billion) cash inflow from Brussels and is set to receive another €106 billion between now and 2020. The risk is that the government will spend a big chunk of it on infrastructure so that it can show tangible results soon, neglecting longer-term efforts to make the economy more competitive, such as investment in vocational training or higher education. Many Poles are aware that other EU countries have missed their chance of using EU funds for structural reforms. “Portugal has good highways but no competitive companies,” says Mr Jankowiak. For now the main plank of Poland’s success is cheap labour, which western European and American companies are using to turn the country into a big outsourcing and subcontracting hub. But in time that advantage is bound to be eroded.”

    Portanto, um paraíso de mão de obra barata e outsourcing, o sonho de qualquer economia “livre”.

    Mas concordo que Portugal não é a Polónia, por isso o BCP saiu de lá e a Jerónimo Martins dá-se melhor a distribuir produtos num país com estradas más do que noutro com estradas boas, onde se está sempre a queixar.

  11. k.

    “Carlos em Julho 3, 2014 às 15:38 disse: ”

    Portanto você rejeita que o proprio posicionamento geográfico de um Pais influencie a sua economia?

    (não estou a afirmar que é o unico factor, diga-se)

  12. rmg

    Rhianor

    Todos os emigrantes de todas as origens continuam a crescer em todos os países em que pensam poder ter oportunidades que não têm na sua terra ou noutros sítios .

    Os próprios ingleses também emigram e não é pouco .

    Se V. ainda não percebeu o novo mundo em que vive e que a globalização ajudou a criar é porque anda por aí a apanhar papéis …

  13. rmg

    Dervich

    Conhece a Polónia de lá ter estado e convivido durante anos com a realidade local ?

    Se sim , explique-se melhor .
    Se não , vá sentar-se um bocadinho no banco do jardim .

  14. k.

    “rmg em Julho 3, 2014 às 15:58 disse: ”

    lol. Que ataque despropositado – não é necessário o Dervich ter estado na polónia para o post dele ser totalmente acertado.

  15. Luís Lavoura

    rRui

    os salários são significativamente mais baixos do que em PT e também têm taxas de desemprego bastante elevadas e niveis de emigração também elevados</i

    Todos estes factos são também referidos no artigo do Economist referido pelo Carlos.

    Tenho um colega que é casado com uma polaca e já lhe perguntei porque é que ele não emigra para lá, a resposta é simples, porque os salários na Polónia são significativamente mais baixos do que cá. Com exceção de Varsóvia, que tem um nível de vida comparável ao português, a generalidade da Polónia é significativamente mais pobre.

    Também, a fertilidade dos polacos é comparável à dos portugueses, ou seja, baixíssima, pela mesma razão: falta de dinheiro para ter filhos.

    E a emigração dos polacos, mais uma vez, é comparável à portuguesa.

    Mas nada disso informa aquilo que o Carlos diz neste post – que a Polónia tem progredido enormemente.

  16. Sim o numero de emigrantes para portugal tem vindo a crescer…
    Os Britânicos emigram,por que na realidade a vida no Reino Unido não é tão boa como parece aos que vêem de fora. A globalização não explica tudo, e a emigração seria muito mais baixa se houvessem certas condições no pais. Basta sair de Lisboa para se ver o deserto em que Portugal se está a transformar.

    “Rhianor

    Todos os emigrantes de todas as origens continuam a crescer em todos os países em que pensam poder ter oportunidades que não têm na sua terra ou noutros sítios .

    Os próprios ingleses também emigram e não é pouco .

    Se V. ainda não percebeu o novo mundo em que vive e que a globalização ajudou a criar é porque anda por aí a apanhar papéis …”

  17. dervich

    rmg,

    Eheh, não sou eu que me tenho de explicar, é o Jankowiak, eu fiz copy paste.
    E se ele diz que Portugal tem boas autoestradas é porque, comparativamente, as da Polónia serão piores…ou tenho de ir lá eu pessoalmente contar os buracos que elas têm?!…

    k.
    Não se preocupe, já estou habituado.
    Sabe, isto não deixa de ser um blogue português, portanto, olha-se primeiro para quem assina e só depois, se houver pachorra, para o conteúdo. Percebe agora?…

  18. Rui

    Luís Lavoura.

    o que Carlos Guimarães Pinto diz é
    “Market-oriented reforms included removing price controls, restraining wage increases, slashing subsidies for goods and services and balancing the budget. The cure was painful, but after a couple of years of sharp recession in 1990-91 Poland started to grow again. It has not stopped since, and received a further boost when it joined the EU in 2004. Since then economic growth has averaged 4% a year. GDP per person at purchasing-power parity is now 67% of the EU average”

    O que outro comentarista escreveu acima foi:
    “Poland has already benefited from a €102 billion ($139 billion) cash inflow from Brussels and is set to receive another €106 billion between now and 2020.”

    Lol e agora venham dizer que foi o restraining wage increases e removing price controls que aumentou o GDP…

    Areia para os olhos.
    Obviamente que se PT voltar a receber €€€ de bruxelas como no tempo do guterres/durão o nosso GDP vai crescer 3,4,5% ou até mais. Agora dizer que isso se deve a remoção de controlo de preços ou restrições ao crescimento dos salários se não é da mais pura desonestidade intelectual então não sei o que é…

  19. A. R

    “Mas a mesma terapia de choque foi aplicada exatamente na mesma altura na Rússia e na “Ucrânia e não funcionou.” Não foi… é falso. As empresas foram passadas para a Nomenclatura comunista de forma a, após o comunismo, manterem todos os previlégios que gozavam. Os que se portaram bem perante o Putin/Medvedev continuaram os outros foram perseguidos. As empresas não geridas por pessoas capazes apenas pelas que tinham poder político: além disso a corrupção em países comunistas/socialistas é maior que em economias livres.

    “Esses dois fatores – sobretudo o segundo – foram e são provavelmente muito mais importantes para a Polónia do que a “terapia de choque” dos anos 1990”. A Coreia do Norte tem a Coreia do Sul e não se desenvolve. Cuba tem o Panamá e não se desenvolve.

    O problema é um problema político: é que o socialismo/comunismo é uma aberração que não funciona seja com quem for em que país for.

  20. Renato Souza

    Alguns esquecem um detalhe importante:
    Países que eram socialistas, saíram de um nível econômico muito baixo. Foi isso que aconteceu com a Polônia e os países bálticos. A questão é o quanto estão crescendo, e o potencial de crescimento futuro, e se não mudarem de rumo, estão em bom caminho.
    O caso da Rússia e Ucrânia é diferente, por lá não há liberdade de mercado real. Os antigos donos reais das empresas (a nomenklatura) se tornaram os novos donos oficiais, desde que prestem vassalagem aos donos do poder central.
    Agora pensemos no potencial de crescimento futuro de Portugal, considerando sua dívida crescente, a impossibilidade de cortar gastos e a impossibilidade de mudar a fundo as instituições, a impossibilidade de reestruturar a organização do estado. Portugal não é um país viável. Parece viável enquanto está recebendo dinheiro de fora. Por ser muito pequeno, é viável para a Europa sustentar artificialmente o crescimento de Portugal, mas não quiseram continuar a fazer isso para sempre. Os portugueses deveriam se perguntar “como podemos crescer economicamente sem que outros nos sustentem”?

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