Continuando com o champanhe

Então por causa dos comentários indignados a este post com a horrorooooooooooooooosa supressão da liberdade que é proibir o uso de burka, venho aqui deixar uns tantos argumentos. (Aos anos que eu andava para escrever este post, e ia sempre deixando para depois. Hoje, como se vê, é dia de pôr as coisas na ordem devida).

1. A liberdade de nos vestirmos como queremos – que é, no fundo, a liberdade de nos exprimirmos através das nossas roupas – não é absoluta quando colide com liberdades e direitos de terceiros. Em minha casa eu posso andar nua, totalmente tapada com um pano preto, até poderia vestir-me integralmente de amarelo (cor que me fica pessimamente). Não me choca – pelo contrário – que num restaurante, bar, discoteca, o que seja, os proprietários estabeleçam um dress para admissão de clientes. Que pode ser uso de saltos de mais de 10cm, gravata, burka, tudo nu acima da cintura – o céu é o limite. No espaço público é diferente e não podemos esquecer que a forma como nos vestimos implica a forma como nos relacionamos com os outros. As restrições ao vestuário não apareceram com a proibição das burkas em França e na Bélgica. Também é proibido andarmos a passear pela cidade inteiramente despidos – desde logo por uma questão de higiene. Não entendo as comichões que provocam as proibições do uso da burka – no espaço público e nos edifícios públicos, evidentemente – a pessoas que encaram normalmente e sem grandes sobressaltos da liberdade a proibição de andarmos sem roupa. O uso da burka tem como finalidade precisamente recusar essa relação com os outros e traz consigo todo um leque de problemas de segurança, de dificuldade de de identificação,… que justificam inteiramente a proibição.

2. A questão da liberdade das mulheres poderem usar uma burka se assim o entenderem é muito bonita mas só a põe quem não faz ideia do que se passa nas comunidades muçulmanas residentes na Europa. Pode-se falar de liberdade nos casos de mulheres ocidentais não muçulmanas que casam com muçulmanos e, a partir daí, passam a usar burka. Falar de liberdade quando nos referimos a muçulmanas imigrantes na Europa, que muitas vezes não têm instrução que lhes permita encontrarem um emprego, não falam ou falam mal a língua do país de acolhimento, não têm qualquer ligação ao exterior da sua comunidade, não fazem ideia de apoios legais ou sociais de que poderiam usufruir, têm filhos que, sozinhas, não conseguem sustentar, e, e, e… – falar de liberdade nestes casos só pode mesmo fazer quem não tem noção do significado da palavra.

3. Acho piada que coisas dispiciendas como ‘a dignidade da mulher’ não sejam razão para nada. Na verdade, os sistemas penais europeus estão cheios de crimes e infrações para os casos em que algo ofende a dignidade de um ser humano. Se eu chamo canalha a alguém, por exemplo, essa pessoa pode sentir-se ofendida na sua dignidade e, se apresentar queixa e eu não provar que é, de facto, um canalha, o sistema penal atribui-me uma pena. O mesmo para difamações, calúnias, atentado ao bom nome, etc. A violência doméstica é crime porque ofende a dignidade daquele que é agredido. Mas pelos vistos algo que só ofende a dignidade da mulher – e o uso de burka é algo ostensivamente utilizado para diminuir a dignidade de uma mulher, tirando-lhe a identidade e a individualidade, a capacidade de se relacionar com o mundo, obrigando-a ao uso de um símbolo de submissão e é expressão mais visível e simbólica do desrespeito pelos direitos humanos das mulheres promovido pelos muçulmanos – já se deve ignorar. De facto eu sou de opinião que os métodos muçulmanos de tratamento das mulheres têm, apesar de tudo, aceitação no Ocidente porque apelam ao machismo dos ocidentais.

4. A questão da burka não pode ser desligada de todos os restantes problemas que trazem as comunidades muçulmanas residentes na Europa (já falei deles aqui e não me vou repetir). Não estejamos com rodriguinhos: se aceitamos o símbolo do desrespeito pelos direitos das mulheres que é a burka, não venham depois tentar convencer que se incomodam com realidades como crimes ditos de honra, mutilação genital feminina ou aplicação do direito familiar do país de origem em vez do do país de acolhimento. (Na verdade não tentam convencer ninguém, o que se tem passado é que deixam as mulheres muçulmanas residentes na Europa entregues à sua sorte.)

5. Como bem se explica neste texto da Standpoint, as contemporizações com os estados de alma anti-femininos dos muçulmanos residentes nos países europeus atentam contra os direitos das mulheres – todas – nos países europeus.

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47 pensamentos sobre “Continuando com o champanhe

  1. Acho os pontos 3 e 4 irrelevantes por si (só poderão ser relevantes se enquadrados pelo 2).

    – A questão da “dignidade”: há uma diferença entre chamar outra pessoa de “canalha” e uma mulher andar de burka; no primeiro caso está a ofender a dignidade de outra pessoa, no segundo está a ofender a dignidade dela própria

    – A questão das mutilições genitais, assassinios de honra, etc. de novo, a diferença em entre fazer algo a terceiros (e, como escrevi, não teria nada contra mutiliações genitais feitas a pedido da própria mutilada, se esta fosse adulta) e fazer algo a si próprio

    Claro que a MJM pode argumentar que grande parte das mulheres que usam burka não são verdadeiramente livres de usar burka (a velha questão de liberdade negativa vs. positiva?), mas então os outros pontos estão dependentes disso. De qualquer maneira, se formos por aí teríamos que demonstrar que a liberdade das mulheres que não querem usar burka e irão ser “libertadas” pela proibição conta mais que a liberdade das mulheres que querem usar burka (isso que eu vou dizer é apenas um palpite sem quase nenhuma base empirica, mas atendendo que é quase uma regra universal que as mulheres tendem a ser mais religiosas e conservadores que os homens, não me admirava que em muitas famílias o que aconteça seja a mulher a querer usar burka contra a vontade do marido)

    Como escrevi atrás, não tenho nada contra a proibição da burka e do nikab (mas não do hijab, que mal se distingue de alguns trajes tipicos portugueses) por razões de segurança e identificação; tenho é contra os argumento na linha “temos que as obrigar a ser livres”.

  2. Maria João Marques

    Miguel Madeira, evidentemente coloca-se a questão da liberdade, e não vejo bem onde se inspirará para achar que as mulheres são mais conservadoras e religiosas que os maridos. É uma opinião sua e nada baseada, sequer, em observações casuísticas. Eu vejo muitas sauditas ou muçulmanas de outros países onde têm de andar cobertas que fora do seu país se vestem como as ocidentais, eventualmente (a minoria) com um lenço Hermes a cobrir parte dos cabelos. Vejo as iranianas a quererem não andar cobertas. Vejo unhas de mãos e de pés pintadas e olhos bem maquilhados mesmo quando o resto está coberto de preto. Vejo revistas de moda e de beleza consumidas por muçulmanas que, enfim, são inúteis para quem gosta de se tapar. Só mesmo um homem para dizer que uma mulher prefere andar coberta.

    Mas a questão nem é a da escolha da mulher que anda coberta, se é ela que faz a escolha ou não. A questão é se aceitamos relacionarmo-nos com alguém que se cobre totalmente, e acho que não temos nada de aceitar (por todas as razões, tanto de segurança como de defesa dos direitos das mulheres), tal como não aceitamos que uma pessoa ande nua num transporte público.

    Não vejo onde viu a defesa de que devemos obrigar as pessoas a serem livres, desde logo porque uma mulher que continue sujeita às regras da comunidade muçulmana onde vive não é livre, ande de burka ou não.

  3. PeSilva

    “A questão é se aceitamos relacionarmo-nos com alguém que se cobre totalmente”

    Se for sua vontade qual é o problema?

    “tal como não aceitamos que uma pessoa ande nua num transporte público.”

    Evitaria torcicolos a muito boa gente.

    “Também é proibido andarmos a passear pela cidade inteiramente despidos – desde logo por uma questão de higiene.”

    Esta intrigou-me.

    No fundo, não podemos (deveriamos poder) andar completamente tapados ou completamente nus. A MJM já pensou nos cms permitidos de pela à vista que deveriam constar na lei?

  4. ZDF

    mais uma vez se escreve contra os muçulmanos e a roupa que as muçulmanas vestem…
    Temos sikhs a usar turbante… temos avozinhas de Vinhais a usar lenço na cabeça quando saem da missa… temos hindus com o tilak na testa… nada disso é proibido.

    «4. A questão da burka não pode ser desligada de todos os restantes problemas que trazem as comunidades muçulmanas residentes na Europa.»

    e mais esta…

    «Não vejo onde viu a defesa de que devemos obrigar as pessoas a serem livres, desde logo PORQUE UMA MULHER QUE CONTINUE SUJEITA ÀS REGRAS DE UMA COMUNIDADE MUÇULMANA ONDE VIVE NÃO É LIVRE, ANDE DE BURKA OU NÃO.»

    O nojo sobre o islão é evidente. Mafoma está na europa há 1300 anos mas traz sempre problemas. Quem reza orientado a meca não é livre, é coagido.

    A practica da religião só é permitida nos templos. Fora deles, tudo o que identifica a religião é totalmente proibido, porque ofende, porque é contra a inteligência humana acreditar/estar preso por avatares celestiais.

  5. “bem onde se inspirará para achar que as mulheres são mais conservadoras e religiosas que os maridos.”

    Bem, o meu ponto inicial era de que as mulheres são mais religiosas que os homens; o serem mais religiosas que os maridos já foi uma extrapolação.

    A respeito das mulheres serem normalmente mais religiosas: http://econlog.econlib.org/archives/2006/12/a_kuranian_take.html

    É verdade que eu também escrevi mais “conservadores”; corrijo-me: eu diria que as mulheres são (quando escrevo “são” quero dizer “tendem a ser”) mais socialmente conformistas que os homens, o que não é exatamente a mesma coisa, mas vai dar quase ao mesmo.
    “Vejo unhas de mãos e de pés pintadas e olhos bem maquilhados mesmo quando o resto está coberto de preto. Vejo revistas de moda e de beleza consumidas por muçulmanas que, enfim, são inúteis para quem gosta de se tapar.”

    Bem, não é a Maria João Marques que diz que as mulheres se vestem mais para as outras mulheres do que para os homens (e se você o diz, quem sou eu para contestar)? Atendendo que burkas, niqabs, etc. são só suposto serem usados em companha mista, não há necessariamente contradição entre uma coisa e outra.

    “A questão é se aceitamos relacionarmo-nos com alguém que se cobre totalmente, e acho que não temos nada de aceitar ”

    E porque é que há que ter que se relacionar? Eu não me relaciono com mais de 90% das pessoas com que me cruzo na rua

  6. ZDF

    estes ataques aos muçulmanos não visam desmantelar organizações sociais criminosas mas antes esconder as fraquezas de uma religião que por desprezar as mulheres, já não atrai as únicas que ainda frequentam os templos.

  7. Maria João Marques

    PeSilva, já expliquei o que pergunta, se não percebeu à primeira, lamenta-se. Se gostava de se sentar num lugar de um transporte público de onde se tivesse levantado alguém nú, enfim, não lhe posso elogiar a sua exigência higiénica.

    ZDF, as elaborações sobre liberdade e Islão são suas. Mas de facto uma rapariga paquistanesa, por exemplo, que veja a irmã mais velha ser assassinada por pais e irmãos porque escolheu casar com alguém que não o eleito da família – por lá é mato e ainda há dias se noticiou novo caso – e que por falta de meios financeiros não pode fugir do local onde vive é mesmo muito livre para fazer todas as escolhas para a sua vida.

  8. ZDF

    Deixe de criticar os outros países quando aqui tem mulheres que levam pancada por maridos bêbados durante anos a fio… e que depois as matam porque elas sairam de casa.

  9. ZDF

    a sua religião, como você muito bem sabe, não admite o divórcio… e se ele existe na lei civil, com muito sofrimento a igreja de roma o aceitou.

  10. Maria João Marques

    Miguel Madeira, sim, vestimo-nos muito para as outras mulheres. E quem lhe disse que o fazemos só para as nossas amigas, que encontramos em casa umas das outras?

    Quanto ao socialmente conformistas, mais uma vez é uma opinião. Se tivermos em conta a forma de votar, por exemplo, não se aplica nada o que disse. E não me expliquei bem. Quando digo ‘relacionamo-nos’ – na linha do meu post – digo enquanto sociedade, não enquanto eu, indivíduo. E já expliquei as razões por que me parece que não devemos aceitar as burkas, não vale a pena estarmos a andar aos círculos. Não concorda, não concorda.

  11. Já agora, um estudo sobre os resultados eleitorais na Tunisia e no Egipto:

    http://transitionalgovernanceproject.org/wp-content/uploads/2013/05/DIIS-Why-Islamists-Won-and-Implications.pdf

    Ir à pagina 10; confesso que estava à espera que as mulheres votassem mais em partidos islamitas que os homens, não é o caso, mas votam exatamente o mesmo (suponho que esse 72% se refiram às eleições egipcias, e somem a Irmandade, os whaabitas e mais alguns grupinhos); é verdade que não se pode deduzir daqui “72% das mulheres egipcias querem andar de burka” (até porque grande parte dos islamitas só quer impor o hijab, não a burka), mas põe em causa a narrativa “as mulheres que só usam traje tradicional islâmico porque são obrigadas pelos maridos” (afinal, se as mulheres são tão propensas como os homens a apoiar o islamismo politico, é de supor que também serão igualmente tão propensas como os homens a defenderem a burka)

  12. Maria João Marques

    ZDF, o que tem uma coisa a ver com outra?! Desde quando é que eu defendo que algo que é pecado na minha religião deve ser também ilegal?

  13. Maria João Marques

    (sendo que obviamente há coisas que são pecado e acho bem que sejam ilegais – todos os tipos de violência, só para dar um exemplo – mas não é por serem pecado que considero que devam ser ilegais)

  14. Maria João Marques

    Miguel Madeira, confesso que não entendo. Eu não estou a defender a proibição do uso de burka no Egito, mas nos países da UE. Como já disse, esta questão vai para além do ‘é livre para escolher ou não?’. Fui buscar essa questão porque ninguém pode ajuizar se são livres ou não e, logo, o agumento da escolha não é válido.

  15. EMS

    Quando se fala nisso da proibição das burcas imagino sempre como seria o debate na Polinésia, ou noutro local onde as senhoras tradicionalmente andem de peitos descobertos, caso o governo lá do sítio se lembrasse de tornar obrigatório o topless.

  16. Vou explicar melhor – o meu raciocinio é se as mulheres egipcias são tão propensas como os homens egipcios a votar em partidos islamitas, então é bastante provável que as mulheres de origem islâmica na Europa sejam tão propensas como os homens a serem a favor do uso da burka.

    É verdade que isto tem já duas extrapolações talvez algo forçadas – das “mulheres egipcias” para as “imigrantes na europa”, e de “votar em partidos islamitas” para “ser a favor da burca”, mas foi os dados que consegui arranjar.

    Atenção que eu não estou a dizer que seja expectável que 72% das imigrantes muçulmanas na Europa seja a favor da burka, apenas que é razoável supor que sejam a favor da burca na mesma proporção que os homens (é natural que os imigrantes na europa sejam muito mais “progressistas” e secularizados que os egipcios, mas não vejo grande razão para essa secularização ser mais intensa nas mulheres)

  17. Maria João Marques

    Já estive na Polinésia e por acaso as mulheres até andam vestidas de forma muito pouco ousada. (De resto a maioria das mulheres polinésias – e ao contrário do mito do Gauguin e do Mutiny on the Bounty – é bastante gordinha.)

  18. EMS

    Maria João, provavelmente a tradição Polinesia foi destruida pela ação de missionarios e de hamburgueres.
    Podemos transferir a questão para outro local do mundo onde se mantenham essas tradições de liberdade peitoral. Para ai a Papua, Amazonia, Ilha da Utopia. É irrelevante o sitio.

  19. Sendo assim, vou cancelar a minha viagem à Polinésia. Obrigado por evitares uma viagem em vão.

    PS O que é que te dá para discutir estes assuntos? Este é daqueles assuntos que só não percebe quem é muito burro ou, simplesmente, não quer perceber. Na maioria dos casos, penso, limitam-se a fingir que não percebem. Seja qual for a hipótese válida, a verdade é que não vale a pena discutir.

  20. jonh

    o islão é incompativel com os direitos humanos, ponto final. A burka o veu etc é apenas uma da inumeras normas a que a mulher muçulmana, como ser inferior, tem que se sujeitar nos países que vivem sob o islão. Infelizmente a força do islão chegou à Europa. Tudo o resto é fumo para tapar a realidade.

  21. IO

    O FINAL DO PONTO 3 EXPLICA MUITA COISA!
    Embora é verdade que o uso de burka mas principalmente do véu, é visto por muitas mulheres como forma de afirmação de identidade frente ao ocidente!

  22. jonh

    para quem vem com o mais que estafado argumento ” as mulheres muçulmanas é que querem vestir-se assim”, consultem as estatisticas dos crimes de honra ( mulheres mortas por familiares ) na Europa, Canadá e EUA . Elas provam que não, as mulheres muçulmanas ( na sua maioria ) não querem andar tapadas, querem escolher o seu namorado/marido, querem escolher o seu emprego e acima de tudo não querem viver segundo o estatuto de inferioridade a que as suas mães/avós se submeteram durante gerações.

  23. Rafael Ortega

    “Temos sikhs a usar turbante… temos avozinhas de Vinhais a usar lenço na cabeça quando saem da missa… temos hindus com o tilak na testa… nada disso é proibido. ”

    E o véu também não é (nem se pretende que seja) proibido…

    O que se vai proibir é a burqa, tal como é proibido entrar num banco com um capacete de mota, uma máscara de ski, ou uma caraça de carnaval.

    Arre, que é burro!

  24. Maria João Marques

    Luís, sempre às ordens. (E de vez em quando tem de se falar disto, porque há aquela mania ‘que horror, que atentado à liberdade é a proibição da burka’).

    IO, algumas afirmam assim a identidade, outras querem ser mulheres europeias comuns.

    John, os crimes ‘de honra’ são um assunto muito sério, de facto, que merecem atenção desligados de tudo o resto.

  25. A. R

    Já lá vai o tempo em que uma mulher entrar com um véu transparente na Igreja era uma humilhação à condição feminina, usar saia era igualmente um estereotipo, meter as maminhas dentro soutien era opressor, vestir fatinho de banho completo era retrogrado … era tudo uma repressão.

    Agora esses bandalhos ensacam as mulheres a vida inteira, tratam-nas como animais, ostracizam-nas da vida e do Mundo e é tudo uma questão cultural e de liberdade. Ide para o ca***ho hipócritas: tanto amam as mamas das femen como as burkas dos mohamed.

    Já dizia uma iraniana na praia … que bom sentir o vento na cara.

  26. «para quem vem com o mais que estafado argumento ” as mulheres muçulmanas é que querem vestir-se assim”, consultem as estatisticas dos crimes de honra ( mulheres mortas por familiares ) na Europa, Canadá e EUA . Elas provam que não, as mulheres muçulmanas ( na sua maioria ) »

    Bem, fazendo uma pesquisa na wilipedia, vejo que no Reino Unido há cerca de uma dúzia de crimes de honra por ano (vamos assumir 15, para facilitar as contas); há 2,7 milhões de muçulmanos – imagino que para ai 1,5 milhões sejam mulheres; vamos supor que para aí 1/5 tenham entre 10 e 30 anos, que penso ser a faixa etária em que esses crimes são mais comuns – logo, 300 mil. Assim todos os anos 1 em 20.000 raparigas muçulmanas serão vitimas de crimes de honra; ou seja, num periodo de 20 anos (entre os 10 e os 30 anos), a probabilidade de uma rapariga muçulmana ser vitima de um crime de honra é de 0,1%.

    Claro que este número (além de ter sido calculado com muitas hipoteses ad hoc, a começar pela percentagem de mulheres entre os 10 e os 30, que foi um puro palpite) por si só pouco prova – os 99,9% de raparigas muçulmanas que não foram assassinadas não são necessariamente muçulmanas conservadoras: podem ser filhas de famílias tolerantes (ou simplesmente de famílias que usam castigos mais brandos do que o assassinio); podem estar desejosas de viver à ocidental e não terem coragem de enfrentar os pais; podem simplesmente ter sobrevivido a tentativas de assassinio; etc. etc. Mas não me parece que a estatística de crimes de honra, por si só, seja a prova de que as comunidades islâmicas na Europa estejam a abarrotar de raparigas desejosas de viver “à ocidental”.

  27. Renato Souza

    Certamente uma discussão com pessoas que não querem entender. Mas é bom que o assunto seja discutido, justamente para que os hipócritas se revelem como hipócritas. É certo que as mesmas pessoas que apoiam as feministas maluquetes nuas, apoiam as burkas, e se alguém usa-las para cometer um atentado sem ser reconhecido, mais felizes essas pessoas ficarão ainda, porque é isso mesmo que querem. É uma estratégia vencedora essa da esquerda, de usar os muçulmanos para destruir o ocidente. Depois, esses mesmos esquerdistas, tão multiculturalistas, tão tolerantes, quando tiverem terminado de usarem os muçulmanos contra o ocidente, não terão remorso nenhum em lutar contra os islamistas e massacra-los.

    Todo esquerdista é um cão.

  28. PeSilva

    “PeSilva, já expliquei o que pergunta, se não percebeu à primeira, lamenta-se. Se gostava de se sentar num lugar de um transporte público de onde se tivesse levantado alguém nú, enfim, não lhe posso elogiar a sua exigência higiénica.”

    A MJM confunde várias coisas ao mesmo tempo:

    1 – fala em passear na cidade e de seguida já está a falar em transportes públicos. Que problema higiénico levanta eu andar nu pela cidade?
    2 – o facto de pode andar nu pela cidade não quer dizer que possa andar nu nos transportes públicos, ou não, seria uma escolha de quem gere os transportes públicos.
    3 – se alguém pode andar nu nos transportes públicos não quer dizer que a MJM o faça, logo poderia sentar as suas calças ou saias onde alguém se sentou nu. Não vejo maiores problemas higiénicos que por exemplo beber um copo num qualquer bar, onde na maior parte dos casos quase que nem por água são passados entre utilizações por clientes diferentes.
    4 – é demais evidente que os naturistas são pessoas pouco higiénicas e cheias de doenças e que os locais naturistas que frequentam são antros de doenças da pior espécie.

  29. Maria João Marques

    Miguel Madeira, que curioso. Por um lado tem de arranjar números para tudo – como se só aquilo que fosse quantificável existisse – e, por outro, para fazer contas assume coisas a partir do nada. Vá ver as notícias sobre os crimes de honra na Grã-Bretanha, para ver o que é. Vá procurar associações que acolhem mulheres muçulmanas e indianas que estão a ser forçadas pelos pais a casarem (no RU ou nos países de origem dos pais), vá ver as raparigas adolescentes que desaparecem das escolas e do país (sem que os pais participem o desaparecimento). E depois, se não entender nada de nada, venha cá dizer que não há qualquer indício de que as raparigas muçulmanas se querem ocidentalizar contra a vontade das famílias. Presumo que enquanto não encontrar uma sondagem em que essas raparigas lhe digam isso memso, vá arranjar maneira de desconversar. Assuma que coisas como a dignidade das mulheres – como de resto já deu a entender – para si nada valem e pronto. A sua argumentação baseia-se nisso e em inventar números.

  30. Maria João Marques

    PeSilva, não percebe o que eu já expliquei, não percebe, não vale a pena continuar a explicar. Quanto aos naturistas, faça filmes para si próprio e não para o que eu penso, sff.

  31. “Por um lado tem de arranjar números para tudo – como se só aquilo que fosse quantificável existisse – e, por outro, para fazer contas assume coisas a partir do nada.”

    Quem foi buscar as estatísticas o john, eu limitei-me a, no possivel, responder nos termos em que ele colocou a questão.

    “Vá ver as notícias sobre os crimes de honra na Grã-Bretanha, para ver o que é. ”

    “The plural of annedocte is not data”

    Rapariga que se quer ocidentalizar e que os pais a deixam ocidentalizar – não é noticia
    Rapariga que não se quer ocidentalizar e os pais também não querem – não é noticia
    Rapariga que se quer ocidentalizar contra a vontade dos pais – grande potencial de noticia (os tais crimes de honra e situações similares)
    Rapariga tradicionalista filha de pais ocidentalizados – ocasionalmente é noticia (mas suponho que esses casos sejam raros)

    De novo, eu não sei se as mulheres que usam burka querem usar burka ou se apenas o fazem por pressão da família (embora tenha fortes suspeitas que a grande parte das mulheres vivendo em famílias tradicionalistas são, elas próprias, tradicionalistas), mas não me parece que essas noticias, por mais chocantes que sejam, sejam importantes para averiguar esse ponto.

  32. Mas se não quiser números com estimativas e suposições, então vamos lá: 15 crimes de honra por ano, para 1.350.000 mulheres muçulmanas; não vou fazer suposições de idade, e vou simplesmente dividir um valor pelo outro: por ano, 0,0011% das mulheres muçulmanos no Reino Unido são vítimas de crimes de honra; logo, a probabilidade de uma muçulmana passar 80 anos sem ser vitima de um crime de honra é de 99,9% (1-0,0011%^80); ou seja e de novo (agora sem suposições) chegamos outra vez aos 0,1% de mulheres vitimas de crimes de honra (a razão porque as suposições que fiz acabaram por não afectar muito o resultado é porque algumas afectam tanto o numerador como o denominador das contas)

  33. Maria João Marques

    Miguel Madeira, é mesmo a sério?! Quer discutir esta questão fazendo contas (e as suas, que entende relevantes)? É este o seu scope argumentativo? E já calculou o preço da dignidade das mulheres ou ainda está a meio da conta?

  34. k.

    “Maria João Marques em Julho 3, 2014 às 14:02 disse: ”

    Objectivamente o que o Miguel Madeira demonstra é que a utilização da burqa, mesmo que pelos piores motivos, é tão marginal que utilizar a sua existencia como “prova” da ameaça islâmica sobre todos nós é algo espúrio.

    Ergo, a proibição da Burqa não resolve nenhum problema, é excessiva versus o seu beneficio (dado que existe sarceamento de liberdade de quem quer usar a burqa, sem que esses ameacem a liberdade de outros).

  35. “Objectivamente o que o Miguel Madeira demonstra é que a utilização da burqa, mesmo que pelos piores motivos, é tão marginal”

    A ideia que eu tenho realmente é a de que a burka e o nikab (ao contrário do hijab) quase não são usados; no entanto as contas que tive a fazer não tinham nada a ver com isso – tinham a ver com os “crimes de honra”

  36. Mas porque acho que fazer contas pode ser relevante – a proibição do uso da burka vai simultaneamente aumentar e diminuir a liberdade (conceito que, confesso, prefiro ao de “dignidade”) das mulheres muçulmanas que atualmente a usam:

    – por um lado, as que só a usam porque os familiares as obrigam vão ficar mais livres (a menos que a partir daí os familiares as prendam em casa)

    – por outro, as que querem efetivamente usá-la vão ficar menos livres

    Portanto, ter uma ideia da dimensão de cada um dos conjuntos pode ter alguma importância

  37. Maria João Marques

    Miguel, há quanto tempo não vai ao centro de Londres (por exemplo)? Há muito, certamente, para dizer que quase não se usa burka e niqab. (A realidade francesa conheço pior. Na Bélgica estive a última vez em Dezembro de 2012, entre Bruxelas e o Museu Hergé e não vi mulheres muito cobertas, mas não sei se já eram efeitos da legislação).

  38. Considera que o meu número de que a probabilidade de um mulher muçulmano no Reino Unido, durante um ano, ser vitima de um “crime de honra” é de 0,0011%, é inventado? SE sim, qual a falha nas minhas contas?

  39. ruicarmo

    Sejamos claros: a burka para além de ser uma questão para estilistas.parece ter evoluído para uma questão estatística.

  40. Maria João Marques

    Não faço ideia se o número está certo porque não fui procurar os números que permitem lá chegar. Não sei é para que serve a probabilidade de uma mulher muçulmana ser assassinada num crime de honra para discutir a bondade da proibição da burka.

  41. Maria João Marques: «Não sei é para que serve a probabilidade de uma mulher muçulmana ser assassinada num crime de honra para discutir a bondade da proibição da burka.»

    Por cuasa disto:

    john (Julho 2, 2014 às 19:54 dis):«para quem vem com o mais que estafado argumento ” as mulheres muçulmanas é que querem vestir-se assim”, consultem as estatisticas dos crimes de honra ( mulheres mortas por familiares ) na Europa, Canadá e EUA .»

  42. k.

    “Maria João Marques em Julho 3, 2014 às 22:19 disse: ”

    Eu sugeria que parasse de beber champagne.

  43. Renato Souza

    MIguel, há uma falha. Para cada assassinato “por honra” há um enorme número de mulheres que se sentem constrangidas, pela família, às tradições muçulmanas. Mas são casos que não chegam ao assassinato. Quais os números? não sabemos. Mas concordo que a proibição desses trajes muçulmanos é uma restrição forte e até preocupante à liberdade das pessoas.

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