Quilos de carne

Vindas de quem promove e incentiva a colonização e a ocupação ilegal de territórios que, aos olhos do direito internacional tutelado pelas organizações internacionais de que Israel escolheu fazer parte são zonas de interposição entre forças beligerantes, e vem tentando fazer pela força dos factos consumados aquilo que não consegue pela força dos argumentos e do cumprimento das regras que voluntariamente assumiu, só posso qualificar como lágrimas de crocodilo as que são vertidas pela morte de pessoas que, em primeiro lugar, não deveriam sequer estar no local onde sucederam os eventos que culminaram nesse desfecho.

Talvez da próxima vez em que o governo israelita quiser vir a publico anunciar a criação de uma nova vaga de colonatos em circunstâncias idênticas se possa lembrar, quando envia nova leva de civis armados para defender a sua guarda avançada no terreno, de quantos desfechos semelhantes está a promover e a incitar. Quantos são os quilos de carne dos seus que se propõe trucidar na máquina para comprar a sua vitória unilateral. Para depois tudo não ficar atolado na hipocrisia que transpira em declarações de circunstância como as que se ouvem na sequência do sucedido, quando o polícia, juiz e carrasco já investigou e se pronunciou inequivocamente em relação aos culpados. Isto depois da orgia de 10 mortos e 500 detidos com que se banqueteou depois do desaparecimento. Nas averiguações.

É que, se “o Diabo ainda não criou a vingança apropriada para o sangue de uma criança”, há alguns que deveriam por a mão na consciência e avaliar de todo o trabalho que andam a fazer por iniciativa própria nesse sentido.

49 pensamentos sobre “Quilos de carne

  1. Miguel Noronha

    “”não deveriam sequer estar no local onde sucederam os eventos que culminaram nesse desfecho.”
    Deveriam estar onde?

  2. k.

    Por mais injustificada que seja as acções de israel em termos legais, nada justifica o assassinio de adolescentes – que ao contrário dos pais, provavelmente foram apenas “arrastados” para aquele territorio.

  3. Miguel Noronha

    Essa de culpar as vítimas pelos actos terroristas por “estarem no sítio errado” não um argumento com grande validade.

  4. Este “blame the victim” é completamente nojento.

    Ficamos esclarecidos que a culpa é dos judeus e de Israel, por acharem que os judeus também têm direito a viver na Judeia, apesar de terem sido expulsos de lá em 1948 e apenas podido voltar em 1967. Que têm culpa dos mortos porque os judeus também reivindicam aqueles territórios. Que as vítimas colaterais de medidas militares de defesa são “uma orgia” e “um banquete” – tal como a prisão de terroristas – quando são os judeus que se tentam defender.

    Vemos também que para JLP Israel é supremo criminoso porque – veja-se – não segue as decisões da ONU.

    João, o seu anti-semitismo cheira mal e sabe que mais? Os judeus e Israel não querem saber dele para nada porque o época colonial europeia e romana terminou, os judeus não são nossos objetos ou súbditos, são donos de si próprios e definirão as suas próprias fronteiras e decidirão como se proteger da forma que mais lhes aprouver. Os judeus não são mais vítimas inocentes e indefesas como pessoas como você adoravam que continuassem a ser, submetidas a cada capricho e decisão de Europeus e Americanos ou da ONU.

    Get over it!

  5. Já agora, faça uma revisão do direito internacional: de acordo com os tratados internacionais vigentes, nomeadamente a Conferência de São Remo e com a resolução 242 da ONU, a Cisjordânia e Jerusalém continuam atribuídas ao povo judeu e Israel não tem qualquer obrigação de se retirar de lá. É fácil dizer que é ilegal a presença israelita, difícil é encontrar e a decisão ou tratado com peso legal que mostre isso. Porque não existe.

  6. k.

    “Romeu Monteiro em Julho 1, 2014 às 13:09 disse: ”

    Afirmar que um ataque ao estado de israel equivale a anti-semitismo é falacioso; O estado de israel não é o povo judaico.
    Por outro lado, lá porque o estado de israel pode fazer, não quer dizer que moralmente seja defensável que o faça (neste caso, anexar territorios)

  7. Os adolescentes foram raptados na zona C da Cisjordânia, que segundo os acordos vigentes entre a Autoridade Palestiniana e Israel são zonas administradas e controladas tanto em termos militares como civis por Israel. Os rapazes tinham todo o direito de lá estar. É surpreendente como se aceita – e exige – que árabes tenham direito de viver e circular livremente em Israel enquanto se aceita de forma tão natural que os judeus tenham sido expulsos e sejam mantidos fora até mesmo das zonas controladas e administradas por Israel. Diga-se que na zona C apenas vivem 2% dos palestinianos e a população é esmagadoramente israelita.

  8. Miguel, estar no “lugar errado” possivelmente é estar numa torre gémea na altura dos atentados, ou no centro de Londres aquando da explosão de uma bomba, ou algo semelhante. Estar numa zona de exclusão e de interposição não é “estar no sítio errado”.

    Já agora, há “actos terroristas” em zonas deste género?

  9. “com a resolução 242 da ONU, a Cisjordânia e Jerusalém continuam atribuídas ao povo judeu”

    http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/7D35E1F729DF491C85256EE700686136

    O texto da resolução nada fala em “judeus”; eu suspeito que o Romeu Monteiro esteja usando “povo judeu” como uma forma peculiar de dizer “Israel” (qie conforme dá mais jeito, é um estado secular e multirracial, ou o “Povo Judeu” encarnado). Mas mesmo isso não me parece: (i) Withdrawal of Israel armed forces from territories occupied in the recent conflict;

  10. Caro Romeu Monteiro,

    Não se exalte. Eu sei por experiência passada que posições que não se enquadrem na defesa da Grande Israel, do “Aliado Especial” ou da “Única Democracia do Médio-Oriente(tm)” desqualificam de imediato o seu autor como sendo “anti-sionista”, “nojento”, “malcheiroso”, “o Inimigo”, e de uma maneira geral, um “gajo mau”, próximo de “terrorista”, ou pelo menos um seu “apologista”.

    Em relação à sua interpretação do direito internacional em relação à questão, peca por alguma falta de originalidade, e está longe de ser o consenso da ONU e da generalidade da comunidade internacional. É francamente próxima da tese de facção que é argumentada praticamente só por Israel. Não me vou desdobrar em grandes discussões sobre o assunto (já foi tempo), até porque esse encontro de teses é mais do que público e amplamente disponível (por exemplo 1, 2)

    Em relação ao resto,

    “Que as vítimas colaterais de medidas militares de defesa”

    Quem, os três jovens israelitas?

    “quando são os judeus que se tentam defender”

    Portanto, as acções efectuadas em território palestiniano foram enquadradas num “direito a defesa”. Não foram averiguações em relação ao paradeiro dos jovens ou aos autores do sucedido, foram “actos de defesa”. Enquadrados naturalmente no espírito de defesa da “retaliação” ou da “punição”, presumo.

    “para JLP Israel é supremo criminoso porque – veja-se – não segue as decisões da ONU”

    Porque é que Israel não sai da ONU?

    “Diga-se que na zona C apenas vivem 2% dos palestinianos e a população é esmagadoramente israelita.”

    Ora veja lá se adivinha porquê.

    “definirão as suas próprias fronteiras e decidirão como se proteger da forma que mais lhes aprouver”

    Fiquei integralmente esclarecido. Se dúvidas houvesse, ficaram claramente dissipadas em relação ao seu ponto de vista.

  11. Meus amigos,

    Depois de ter sido descoberta um bovino vermelho (leiam o livro de Números, no Velho Testamento, se quiserem saber o seu significado), as coisas vão aquecer por lá.

    Não escondo a minha simpatia por Israel. Basta ver como os muçulmanos (E A MAIORIA DESTES, NÃO HÁ COMO NEGAR) tratam a mulher.

  12. k.,

    Assim como o uso de milícias civis descaracterizadas. Mas interpretando de forma estrita o que refere (“um ataque que com razoável probabilidade ameace civis”) eu diria que todas as guerras que tiveram lugar depois da aprovação das Convenções de Genebra teriam sido ilegais.

  13. ricardo

    Os israelitas sabem que no dia em que fraquejarem serão liquidados.
    Naquela parte do mundo quem não proteje os seus e não mantem os inimigos em respeito é exterminado.
    Os idiotas que falam em tratados e leis deviam passar uns dias no Líbano, na Síria ou no Iraque
    para aprenderem a lidar com a barbárie.
    Os europeus que se cuidem se não querem ver as netas de burka e as ruas entregues aos selvagens.

  14. k.

    “João Luís Pinto em Julho 1, 2014 às 14:15 disse: ”

    Sim.

    “ricardo em Julho 1, 2014 às 14:17 disse: ”

    O seu comentário é inconsistente e um bocadinho.. bárbaro. São precisamente os paises e organizações que respeitam tratados onde não há barbárie. A indisponibilidade das partes em ceder e negociar é precisamente porque se continuam a matar.
    De qualquer modo, Israel tem uma grande rede de aliados que defendem o seu direito à existencia. Mas o direito de israel a existir não é uma carta branca para fazerem o que querem.

  15. “Os israelitas sabem que no dia em que fraquejarem serão liquidados.
    Naquela parte do mundo quem não proteje os seus e não mantem os inimigos em respeito é exterminado.”

    Diga-se que os israelitas (ao contrário dos palestinianos, libaneses, sirios, iraquianos, etc. etc., que estão lá mais ou menos por “ordem espontânea”) tomaram a decisão deliberada de viver “naquela parte do mundo”

  16. “Os israelitas sabem que no dia em que fraquejarem serão liquidados.
    Naquela parte do mundo quem não proteje os seus e não mantem os inimigos em respeito é exterminado.”

    Substitua à vontade por palestinianos, sírios, libaneses, iraquianos, iranianos, …

  17. tina

    “só posso qualificar como lágrimas de crocodilo as que são vertidas pela morte de pessoas”

    Só espero que um dia o JLP não tenha de chorar lágrimas de crocodilo pelos seus filhos.

  18. Geralmente os pais não choram lágrimas de crocodilo pelos seus filhos. O que mais uma vez neste caso se confirmará: os pais que choram lágrimas pelos seus filhos; as de crocodilo ficam reservadas aos que não são seus pais.

  19. tina

    “as de crocodilo ficam reservadas aos que não são seus pais.”

    Só bestas é que não choram pelos filhos dos outros. Só bestas cometem estas atrocidades. Só pessoas desumanas conseguem arranjar desculpas para comportamentos desta bestialidade.

  20. Blé

    Sr. João Luis Pinto, se o Adolfo do bigodinho tivesse acabado o servicinho hoje não teríamos esta chatice de ter que fazer uma piruetas retóricas para justificar o injustificável, não é?!

  21. A tina também chora pelos filhos dos palestinianos, alguns dos quais constam da lista de dez vítimas mortais que referi, ou esses já não são “outros”? Ou já desculpabilizou as bestas ou arranjou desculpas para comportamentos dessa bestialidade?

  22. Joao Bettencourt

    O lamentável rapto e assassinato destes miúdos é um caso de polícia. Não há que meter o exército nisto a não ser que os objetivos sejam outros…

  23. lucklucky

    Tivemos a receita habitual de quem gosta dos mísseis do Hamas mas não gosta quando os Israelitas respondem.
    Que está calado quando os Palestinianos fazem barbaridades mas escreve quando têm resposta.

    É o típico “liberalismo” esquerdista à Ron Paul em que as culpas nunca estão no outro.

    Que apoia não só as acções militares palestinanas mas também as criminosas, mas quando as coisas correm mal e sabe que o resulatdo é a derrota muda de tática e começa criticar a violência.

    Quando são os Palestinanos a fazê-la em qualquer condição – é bom notar – pode continuar, quando os Israeltas respodem já não.

  24. k.

    “lucklucky em Julho 1, 2014 às 15:41 disse: ”

    Tem exemplos concretos de alguém neste blog a defender qualquer acção do Hamas?
    Ou tem apenas generalizações bacocas?

  25. lucklucky

    Alguém que considera legítimas as acções do Hamas então está a defendê-las.

    Mas é pior, consideram também que o Hamas representa a vontade dos Palestinianos.
    Hamas que tem as características de um Poder que repudiariam caso estivessem sobre a sua pata.

  26. JSP

    Caríssimo , se , enquanto pinto, os seus pios são de uma “coragem” insultuosa e gratuita, porque bem instalada e protegida, podemos imaginar a qualidade dos cacarejos quando, eventualmente, cumprir a sua vocação de galinha…

  27. tina

    “A tina também chora pelos filhos dos palestinianos, alguns dos quais constam da lista de dez vítimas mortais que referi, ou esses já não são “outros”?”

    Como é que pode comparar uma situação de vítimas colaterais de guerra com esta, em que 3 jovens são deliberadamente rapatados e assassinados? Fossem os israelitas a fazer isso e perderiam qualquer simpatia por minha parte. Graças a Deus, felizmente, eu nunca me associo a bestas.

  28. “uma situação de vítimas colaterais de guerra”

    Portanto confirma-se que já desculpabilizou as atrocidades e arranjou as devidas desculpas para comportamentos de bestialidade.

  29. João Luís Pinto,
    Deixe-em ver se entendo.
    Se eu sair à rua e deliberadamente com uma faca matar um jovem porque ele é digamos de uma cor diferente da minha é A MESMA COISA que eu sair de carro e como estou com pressa vou depressa de mais (sei quais os perigos e devia ser responsável) e mesmo assim sabendo os riscos acelero ( e pá tenho mesmo que chegar a casa e até bebi um bocado) mas acabo por perder o controlo do carro e,matar o mesmo jovem.

    Para si e igual, não é?

    Curioso, não é muito diferente dos estudos feitos com pessoas com danos no VMPFC (Ventromedial prefrontal cortex).

  30. tina

    Distorça o que quiser, jogue com as palavras e continue a defender e a associar-se a assassinos, mas porque é que não vai fazer isso para outro lado e deixa o Insurgente livre de interferências aberrantes?

  31. mggomes

    A ginástica que o João Luís Pinto faz para minimizar ou até mesmo justificar actos que nunca poderão ser considerados outra coisa senão selváticos é digna de mínimos olímpicos.

    Se não fosse isto O Insurgente e o post estivesse assinado por Francisco Louçã (ou outro qualquer Anacleto de serviço) ninguém estranharia. A retórica é do mesmo nível. Quer se defenda o Hamas ou a ETA.

    Certas franjas libertárias são, de facto, muito, muito estranhas…

  32. «mas porque é que não vai fazer isso para outro lado e deixa o Insurgente livre de interferências aberrantes?»

    A/O tina quer que n’ O Insurgente apenas escrevam coisas com que concorde, género pensamento único típico dos totalitarismos? Um blogue «sem mácula» que conspurque a «pureza e elevação ética» das suas ideias…

  33. JPT

    Sou um apoiante de Israel, acho que tem todo o direito a defender-se de quem põe em causa a sua existência e segurança (e é uma multidão), usando, para isso, a força que entender adequada, mas recuso que isso me obrigue a defender racistas messiânicos e os políticos cínicos e oportunistas que os usam há décadas para se perpetuarem no poder. Lamento, mas raras vezes vi um espectáculo mais repugnante do que os dos adolescentes de kippa e uzi a passearem, em Jerusalem Oriental, com a mesma soberba dos oficiais nazis na Paris de 40. Lamento, mas choro tanto por eles como eles choraram por Itzhak Rabin.

  34. tina

    “Um blogue «sem mácula» que conspurque a «pureza e elevação ética» das suas ideias…”

    Nada disso, apenas um blogue onde uma pessoa se sinta bem, sem parvoíces de adolescentes.

  35. ramila

    Não que eu esperasse muito mais, mas esse seu comentário só confirma à saciedade aquilo que eu afirmei. E parece-me, essa sim uma parvoíce de adolescente, frequentar apenas blogues onde se sinta bem, ou seja, onde não a/o contrariem. Esclarecedor.

  36. E mais ainda, querer que blogs alheios adotem esta ou aquela linha editorial…

    [Uma observação colateral: suspeito que quem leia o blog no firefox ou no chrome e perceba – ou tenha um amigo que perceba – alguma coisa de javascript poderá facilmente, usando as extensões adequadas, configurar o browser para excluir os posts de determinados autores]

  37. Surprese

    Eh eh eh, este João Luis Pinto é mesmo uma carta fora do baralho.

    Interessante, trás tráfego e audiências ao Insurgente.

  38. A. R

    Em resumo:
    – Carne Israelita pesa menos que a de assassinos e terroristas
    – O sítio por onde andamos justifica que sejamos executados e não mereçamos lágrimas a não ser de crocodilos
    – Estar no sítio errado à hora errada é uma boa desculpa para tudo
    – 10 terroristas estavam no sítio errado à hora errada. Nem lágrimas e crocodilo tenho para chorar: apenas foguetes de lágrimas

  39. David Israel

    Primeiro para o autor do post: por favor diga-me que a sua referência ao sangue de crianças não significa o que estou a pensar e que constitui uma das mais antigas difamações de que os judeus são vítimas. Caso signifique mesmo o que penso, então só posso dizer, sem hipérbole, que você não teria feito fraca figura como guarda de Auschwitz.
    Seguidamente para o comentador Miguel Madeira: 1. “withdrawal from territories occupied” não é o mesmo que “withdrawal from THE territories occupied”; 2. esses “territories occupied” estiveram na posse de Jordânia e Egipto entre 1949 e 1967, e não me consta que isso tenham aproveitado para aí criarem um “estado palestiniano”; 3. a “linha verde”, que separa Israel dos “territórios ocupados”, não é uma fronteira internacionalmente reconhecida, mas apenas uma linha de armistício, que data de 1949; 4. se as resoluções da AG da ONU fossem vinculativas, os árabes estavam em incumprimento desde 1948 (partilha da Palestina entre dois estados, pelos árabes recusada).

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