Da série “o governo mais liberal de sempre”

Tenham calma. Não se trata de “fixação de preços administrativos”, Isso seria a marca do intervencionismo socialista. É apenas um “preço de referência”. Mas então para que serve?

Fonte do Governo diz à TSF que o executivo olha para os preços de referência como uma espécie de teste do algodão deste mercado: esta fonte garante que se os valores praticados não reagirem aos preços indicativos, a Entidade para os combustíveis terá de propor medidas adicionais ao Governo – mas não especifica que medidas serão essas.

Pois, no newspeak do governo se o “indicativo” não for voluntariamente seguido passa-se à fase seguinte e torna-se “obrigatório. Liberalismo do mais puro. Sem sombra de dúvida.

Mas e qual será a reacção normal do mercado perante este preço “indicativo-obrigatório”?

A publicação de preços indicativos suscitou dúvidas à Autoridade da Concorrência, que alertou para a possibilidade dos operadores entenderem o valor de referência como um valor máximo, e de «encostarem» os seus preços a esse valor.

Para quem já não se lembra (e não foi assim há tantos anos) antes da liberalização do preço dos combustíveis (e após o fim do tabelamento) o governo fixava apenas um preço máximo. Por mais estranho que isso possa parecer era seguido por todos os players e levou a várias investigações da AdC por desconfiar da existência de um cartel na distribuição. Agora releiam a primeira citação. Afinal não é precisamente isso que o governo pretende que aconteça? Pois é. Como no passado o governo cria condições para a cartelização do mercado e depois escandaliza-se quando é precisamente isso que acontece. Mas para o governo isso agora não interessa.

O Governo desvaloriza este alerta, argumentando que os preços de referência não são nem obrigatórios nem máximos e que se vários distribuidores começarem a praticar o mesmo preço, haverá sempre algum que vai vender mais barato para captar mais clientes

Ficaram esclarecidos? Haja fé. Se isto falhar faz-se um novo decreto-lei ou regulamento para os obrigar a fazer descontos.

3 pensamentos sobre “Da série “o governo mais liberal de sempre”

  1. Jose

    Para termos uma verdadeira alternativa às políticas seguidas em Portugal nos últimos anos, não podemos depender dos mesmos atores de sempre. Independentemente da cor política que proclamam, a atuação é igual, servindo os interesses partidários e dos grupos a que pertencem a maior parte. A alternativa só poderia vir de fora, importada, à imagem do que se faz no futebol, onde se contrata o jogador adequado para cada posição, independentemente na sua nacionalidade.

  2. JP

    Tudo o que em Portugal comece por “Autoridade” merece-me a mesma confianças dos regimes que começam por “República Popular”. Por regra, parecem ser mecanismos de escape cuja única grande capacidade é opinar, estudar ou mandar fazer estudos, ou actuar como carpideiras. São estas autoridades que permitem a duplicação de custos fixos como os da água em poucos anos, sem que ninguém pie, para logo aparecer alguém a dizer que é preciso corrigir os preços que não se actualizaram.

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