O instinto de auto-preservação da FIFA

refA vida não está fácil para a FIFA. Entre uma liderança enfraquecida e os problemas de corrupção com a escolha do Qatar para organizar o Mundial de 2022, as críticas à organização espalham-se um pouco por todos os media mainstream, tendo chegado até à revista Economist que dedicou uma edição aos problemas de corrupção no futebol.
O Mundial, a grande festa da FIFA, não poderia ter vindo em melhor altura, pensarão alguns. E à partida nada melhor do que um mundial no grande país do futebol para fazer esquecer todos os outros problemas. Mas nem aqui a FIFA teve sorte. Nos meses anteriores ao mundial, a população brasileira lembrou-se de olhar para a conta de organizar o Mundial (algo que os portugueses só fizeram anos depois, no caso do Euro) e não gostaram do que viram. Contra todas as expectativas, foi no país do futebol que a organização de um Mundial foi mais contestada, não sendo de todo improvável que um escalar dos protestos coloque em causa o governo e exponha ainda mais a FIFA. Cinicamente, todos sabemos que os resultados da selecção brasileira serão um importante factor desanuviador ou incentivador dos protestos. Uma vitória do Brasil em casa acalmará os protestos ou relativiza-los-à, quando comparados à dimensão dos festejos. Já uma saída precoce ou humilhante, por exemplo na fase de grupos, poderia ser o trigger emocional que faria escalar os protestos. A FIFA fará tudo para evitar isso e a selecção brasileira, com a sua graça, chegará longe.

11 pensamentos sobre “O instinto de auto-preservação da FIFA

  1. nuno granja

    “a população brasileira lembrou-se de olhar para a conta de organizar o Mundial (algo que os portugueses só fizeram anos depois, no caso do Euro) e não gostaram do que viram”
    Tiro-lhes o chapéu.

  2. Jon

    @Nuno, e é uma viragem importante que temos que aplaudir. Pode ser que no futuro outros políticos populistas não caiam tão rapidamente na tentação dos grandes eventos que assaltam o contribuinte, pois a partir de agora haverá sempre o receio do evento e respectivos gastos se virarem contra eles.

  3. Euro2cent

    > Tiro-lhes o chapéu.

    Caramba, já há gente que chegue a tirar-lhes coisas …

    (A língua portuguesa é muito traiçoeira 😉

  4. Gil

    Carlos Guimarães Pinto:
    Tal como a corrupção, interessa acabar com determinados “modismos”, como essa coisa dos “midia” que não existe. O termo é latino e não inglês e é “media” no plural e “medium” no singular.

  5. tina

    O que não se percebe é porque é que aquele Blatter está lá há tanto tempo. Não deveria o presidente da Fifa ser substituído regularmente? Claro que devia.

  6. Revoltado

    Portanto agora passa a ser os políticos, presidentes da FIFA e fraldas que devem ser substituídos regularmente, pela mesma razão.

  7. Flávio

    Ah CGP, como gostaria de poder concordar com você!? Infelizmente, sua interpretação é muito ingênua. O Brasil, em pleno século XXI, está passando por um processo de “transição” ao socialismo e o que se viu em junho do ano passado nada mais foi que a manifestação das disputas entre as esquerdas, a disputar a liderança da “revolução”. Eu sei que isso parecerá teoria da conspiração; quem me dera fosse! Infelizmente, não é. Parte considerável da América Latina é governada por uma organização discreta chamada “foro de São Paulo”, fundada por Lula e por Fidel Castro em 92. A seção nacional dessa “intercontinental socialista”, o PT, fomentou e patrocinou, durante os últimos 30 anos o já velho conhecido discurso de ódio das esquerdas contra “azelite”, os brancos, os burgueses etc.; financiaram “movimentos” como o Movimento dos Sem Terra, o Movimento dos sem teto etc., os quais são usados ora para atacar governos adversários, ora para causar tumulto e distrair das malfeitorias do próprio PT e de seus aliados; eles desmoralizam as instituições tradicionais do país, tais como a polícia, a Igreja, a família, ao mesmo tempo em que se aliam com o crime organizado (a principal e mais velha quadrilha do país chama-se.. Comando Vermelho!), de modo a abrandar as leis penais; aparelharam praticamente todos os órgãos do funcionalismo público e. ainda semana passada, por decreto, o governo estabeleceu uma bisonha e bolivariana lei da participação direta dos movimentos sociais INSTITUCIONALIZADOS OU NÃO (SIC) na administração federal. Por esse decreto, fica determinado que os ditos movimentos sociais passam a ter preferência na formulação de políticas públicas… pergunto: não é exatamente essa a função dos mandatários eleitos? não é para isso que existem eleições livres e periódicas? Se as políticas públicas serão tomadas, preferencialmente, por “movimentos sociais”, então, como se fará caso haja dissenso entre o governo eleito e os ditos movimentos? e já agora: votar para quê, se os tais movimentos cuidarão de tudo por nós? Em uma palavra: imagine o Francisco Louçã com influência de massas… Imaginou? Agora, imagine que o peste conte ainda com o suporte – e o dinheiro – das FARCs e com o “know how” da família Castro em matéria de palmar toda uma nação… percebeu? imagine ainda que nosso “PS” ainda tenha lá seus Costas e seus Seguros… acho que você já entendeu onde quero chegar, não é? Em início de junho do ano passado, um “movimento social” chamado Movimento Passe Livre se propôs a fazer uma passeata contra o aumento de portentosos R$ 0,20 na passagem de trens, ônibus e metrô em São Paulo; esse aumento verificou-se em todo o Brasil, mas eles resolveram fazer esse protesto exatamente no último reduto da oposição – por que será que um “movimento social” resolveu protestar na capital do estado mais rico e esqueceu-se do resto do país???? -; as autoridades de São Paulo fechou a avenida paulista para os protestos e ficou combinado que eles, os manifestantes, não poderiam fechar a rua da consolação – há, nesta rua, 9 hospitais, dos quais, duas maternidades -; os “manifestantes” esperaram a imprensa chegar e…. foram para a rua da Consolação! A polícia cumpriu com seu papel mas acabou por atingir um jornalista; a comunicação social deu grande enfase a este fato e a coisa saiu ao controle do tal “movimento”. Curiosamente, uma semana depois, e já com o país a pegar fogo – e, portanto, com chances maiores de fazerem avançar até outras propostas de sua pauta – o tal “movimento” retirou o chamado às ruas e a coisa arrefeceu e, à exceção de grupelhos da estrema esquerda – pequenos mas barulhentos -, cadê o “povo” desperto, nas ruas, depois de divulgado o envolvimento de deputados do PT com o PCC (organização criminosa de São Paulo)? cadê o povo nas ruas depois de divulgado que, pelo quarto ano seguido, o Brasil alcançou a nada honrosa cifra de mais de 50 MIL MORTOS POR ANO? Cadê o povo nas ruas com os novos escândalos na Petrobrás, com os “médicos” cubados contratados em regime de escravidão (de acordo com as milhares de leis trabalhistas em vigor no país)? O Povo nunca despertou, Carlos! Quem não sabe onde vai, não vai a lugar nenhum. Nós, que fomos às ruas, estávamos tão despertos quanto bois num pasto grande: a gente até correu, até mugiu, até fingiu lutar, mas quando os cães nos cercaram, a gente não tinha mais nada a fazer que não seguir, bovina e mansamente, para o curral nosso de cada dia… por óbvio, posso estar equivocado no que vou dizer agora, mas acredito que o desempenho da seleção conta muito pouco…

  8. Flávio

    Esqueci de mencionar: se puder, dê lá um olhadela no blog do Reinaldo Azevedo, da revista “Veja”, a única publicação independente do Brasil, hoje em dia, e você verá o clima do país…

  9. Luís Lavoura

    Creio que o Carlos exagera com os problemas da FIFA. Embora a atual liderança de Blatter seja muito contestada na Europa, ela é apoiada em todo o resto do mundo. Blatter vai-se recandidatar e conta com o apoio generalizado da América e da Ásia.

  10. Luís Lavoura

    A revista Economist meteu os pés pelas mãos ao tratar da corrupção na escolha do Qatar para o Mundial de 2022. Sugeriu que as escolhas dos países organizadores dos Mundiais deveriam passar a ser feitas por leilão. Ora bem, um leilão institucionalizaria aquilo que o Qatar fez: pagar para ter a organização do mundial. Se a sugestão da Economist fosse seguida, todos os mundiais a partir de 2022 seriam sempre no Qatar…

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