Decisão arriscada

“saída pela via da “roleta russa”?” de Pedro Pita Barros (Momentos Económicos)

A decisão de prescindir da última tranche do programa de apoio financeiro é corajosa. Não por afrontar a troika. E sim por apostar em algo tão volátil como a disponibilidade dos mercados financeiros internacionais para emprestar a Portugal. As últimas colocações de dívida pública portuguesa correram bem. Esse sucesso poderá ser resultado de uma avaliação dos investidores internacionais de que as perspectivas de longo prazo da economia portuguesa asseguram a capacidade do estado português cumprir os seus compromissos para com a dívida que emite. Ou pode ser resultado de considerarem que o programa de ajustamento levará a essa capacidade. Se os trabalhos prévios de colocação de dívida portuguesa envolveram falar e ouvir investidores internacionais, conhecer como estão a avaliar o país e saber o que está na base dessa avaliação, sendo esta decisão de prescindir da última fatia da troika tomada com base nesse conhecimento, óptimo. Se a decisão foi tomada apenas com base na lógica de não há capacidade de tomar medidas adicionais agora (seja por motivos políticos seja por problemas técnicos de conhecimento sobre a realidade e o impacto de alternativas na trajectória da despesa pública) e como foi construído uma reserva de fundos para o final do programa, então está-se a arriscar não no imediato mas a médio prazo. É a via da “roleta russa”, pode correr bem, ou pode correr mal, muito mal

20 pensamentos sobre “Decisão arriscada

  1. jorge

    a Min Fin já explicou claramente que a razão foi a incapacidade de indicar as medidas alternativas até ao final de Junho…

  2. tina

    É incrível não é, com os socialistas a governar fomos desesperados e de joelhos pedir ajuda externa, agora até a dispensamos!…

  3. JLeite

    Por outro lado, caso a “disponibilidade dos mercados financeiros internacionais para emprestar a Portugal” terminar ou diminuir, o valor da última tranche não nos resolve qualquer tipo de problema. Pode adiar por um ou dois meses uma situação muito grave, mas não a evita.

  4. Miguel Noronha

    Eu diria que não são propriamente trocos.
    Mas o que acho particularmente grave é que me parece que estamos a abdicar do dinheiro para não termos de realizar mais cortes na despesa. Parece-me que isto leva a um aumento das necessidades de financiamento.

  5. Miguel Noronha

    Chamam-se “necessidades permanentes de financiamento”.
    É precisamente a necessidade de “rolar” continuadamente esta dívida que o pessoal que reclama a suspensão unilateral dos pagamentos de juros não consegue ou quer entender.

  6. fernandojmferreira

    Ja me apercebi da terminologia. Estou mesmo a ver um mendigo a dizer ao outro: “Olha, vai pra porta do Metro dos Restauradores, que la colaca-se divida muito facilmente; Vais ver que vais satisfazer as tuas necessidades de financiamento!”

  7. manel z

    Ainda ninguém mencionou o facto do custo da dívida no mercado é mais baixo que o custo da última tranche?

  8. Alexandre Carvalho da Silveira

    Estamos como gostamos: fizemos uma curva de 360º e chegàmos aonde estávamos em 2011: pedir emprestado para pagar os buracos no OGE.

  9. JS

    Exacto. Afinal quem manda?. O poder político ou o poder financeiro?. Ou um “mix” dos dois?.

    “… In short, this is just kidstuff. Cantor and Ryan have effectively removed the GOP from the field of fiscal battle by serving up budgetary platitudes for home consumption by the rank and file.

    So Eric Cantor made a career of milking the Warfare State and pandering to Wall Street. This brought him nearly to the top of the Washington heap. But in the end, it did not fool his constituents. And most certainly it set back the conservative cause immeasurably.”

    http://www.zerohedge.com/news/2014-06-13/good-riddance-rep-eric-cantor-bagman-wall-street-and-war-party

    Os EUA, têm um sistema politico aonde existem, ainda, alguns “checks and balances”.
    O “político” Sr. Cantor, agora eleitoralmente derrotado, demonstrou na prática como nos EUA, apesar de aquele sistema político, é possível “domar” os representantes eleitos do povo, distorcendo todo o sistema financeiro/político em benefício de um grupo. (E em prejuízo de toda a Nação). Eventualmente o eleitorado silênciou o Sr. Cantor. (Que certamente não vai morrer à fome, diga-se).

    Em Portugal, com o presente sistema político, alguma vez o eleitorado vai ter a possibilidade de silênciar alguma(s) vozes dissonantes, ou afónicas, dissimuladas dentro dos três sacos de compinchas perpetuamente no poder?. “No pun intended”.

  10. JS,

    «Em Portugal, com o presente sistema político, alguma vez o eleitorado vai ter a possibilidade de silênciar alguma(s) vozes dissonantes, ou afónicas, dissimuladas dentro dos três sacos de compinchas perpetuamente no poder?. “No pun intended”.»

    Ninguém impede um português de se associar a outros como ele e fundar um partido político que tenha como mote o liberalismo. É claro que na prática essa pessoa seria assassinada na imprensa do sistema.

  11. Pelo principio da caridade, eu ate entendo o que o Colaco quer dizer, mas nao passa de uma grande ilusao.
    Primeiro nao e’ facil fundar um partido politico, nao basta “um portugues associar-se a outros” e ja esta. Os partidos existentes odeiam concorrencia e, sendo assim, ha um monte de “leis e regulamentos” a cumprir. Por exemplo, para um americano poder concorrer a presidendia dos EUA, e’ preciso que ele cumpra todos os requisitos e exigencias de um regulamento com mais de 500 paginas. La se vai a ideia de que, em democracia, qualquer um pode ser presidente;
    Depois ha a estranha ideia que e’ fundando um partido politico que se muda alguma coisa. Nao e’! Partidos politicos precisam de vontantes e os votantes so votam no partido que lhes prometer coisas, sempre a custa dos outros. Partido que nao promete o que nao pode dar, e’ partido que nao ganha eleicoes.
    Para finalizar, triste a ideia de que, para um individuo tentar livrar-se do poder opressivo do colectivo, so’ o consegue (teoricamente) associando-se a outros. Sozinho, nunca o conseguira. Pois eu digo que, nem sozinho e se associando a outros.

  12. Fernando,

    Deve ter percebido que me referia àqueles que dizem que nada se pode fazer. Há sempre algo que se pode fazer, muito embora se saiba que quem o fizer estará azucrinado desde aqui até ao dia em que finalmente der a alma ao cuidado do Redentor.

    Também nem todos em Portugal se podem candidatar a emperresidente de uma república (a não ser que seja a República Estudantil dos Patos Bravos). Um homem ou mulher que queira presidir a casa pública portuguesa tem de ter mais de trinta e cinco anos, ter o ensino secundário completo, ter nascido em solo português e não ter outra nacionalidade além da portuguesa. (o primeiro-ministro já pode ser naturalizado)

    Por não existirem normas quanto a saúde mental ou a quociente de inteligência, tivemos o jorge Sampaio e o Mário Soares elegíveis e escolhidos. Um doido escolhe outro doido, e isso não é abonatório da capacidade do povo português. No entanto:

    1) na democracia, escolhemos o veneno que nos irá matar;
    2) No comunismo, esse veneno é-nos fornecido por uma delegação científica;
    3) Na anarquia, esse veneno é-nos imposto e admininstrado por quem tem mais poder de fogo.

    Como costumo dizer, na anarquia há escolha. «A bolsa ou a vida», proposta por quem não escolhe o primado da lei, é uma escolha.

  13. JS

    FMC “Ninguém impede um português de se associar a outros como ele e fundar um partido político…”.
    Como terá notado referi o exemplo da derrota “nominal” de Cantor, num eleição, para dar ênfase ao facto de com o sistema eleitoral em vigor em Portugal o eleitor não tem a possibilidade de premiar, ou sancionar, um português que exerceu um cargo político, dentro de um partido.
    Em Portugal os “bons”, e os “maus”, deputados são premiados, ou sancionados, pela hierarquia (dentro) do partido e não pelo eleitor. Anedótico, diga-se.
    O resultado são sucessivos exercícios do poder, pelos partidos, em benefício próprio e dos “lobies” que os controlam.
    O contribuinte paga com o seu nível de vida uma gestão, insancionável, da coisa pública que beneficia os políticos no poder (PS, PSD e CDS).

    Os autores, e defensores, deste sistema afirmam que “sem partidos” não há democracia. Obviamente um estribilho imbecil.
    O problema não é a existência, ou não, de partidos.
    O problema é um sistema de eleição de pseudo-representantes, sem rosto (atentos, venerandos e obrigados) que não podem ser avaliados por quem dizem representar!.
    40 anos de pseudo-democracia. E o resultado está à vista.
    Curiosamente os mentores desta pseudo-democracia até continuam a ter “boa imprensa” …

  14. JS,

    Raramente voto acima e quase nunca voto abaixo. Do seu último comentário apenas lamento poder votar uma única vez acima.

    Contudo, continuo a dizer que se o sistema de partidos nos é abjecto, outros partidos devem ser criados. É a única saída possibilitada pelo actual sistema de desgovernação da causa pública portuguesa.

    A outra hipótese é uma ditadura, a qual apenas aceitarei na hipótese de ser eu o ditador vitalício. 😉

  15. JS

    FMC. Soa como um benevolente, concordato e razoavelmente bem humorado ditador de si mesmo. Vitalício claro. Cordialmente 🙂

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