Os pulhas

Chicago Teachers Go On Strike For First Time In 25 Years

A respeito ou despeito do 10 de Junho fala-se de um pulha, pulha esse nunca sufragado, votado ou vetado que atenta e ridiculariza contra uma figura institucional de um Estado de Direito e passa com ofício mas sem arte por uma espécie de Ministro da Educação oficioso, é momento oportuno para falar daquilo em que o pulha se especializou. Greves.

Ora, uma hora antes do embarque sou informado pela TAP que o voo tinha sido cancelado. Porquê? Greve em Itália. Consultando os noticiários italianos é fácil constatar que, à semelhança das greves diárias-binárias (dia sim, dia não) de transportes em Portugal, esta é apenas mais uma, à qual os italianos não dão grande importância. Se cá nós nos desenrascamos, eles lá ci arrangiamo, eles lá se arranjam. O que, com grevistas profissionais, é manifestamente pouco.

Entretanto, porque os trabalhadores unidos jamais serão vencidos, os taxistas de Londres entraram, também eles, em greve. Porquê? Extrapolemos. Porque a câmara de Londres aprovou uma nova taxa de circulação no centro de Londres? Porque o preço do combustível subiu? Porque os impostos sobre o transporte de passageiros foram alterados? Não. Porque alguém decidiu criar uma aplicação móvel que permite gerir o car pooling, que consiste em partilhar lugares vagos numa viatura particular. Uma dádiva para os cidadãos, que assim poupam dinheiro, e ainda uma pérola para os ambientalistas, que assim se regozijam com menos emissões.

Tudo muito bem, excepto para os taxistas que agora urgem que o Estado intervenha e os proteja, apanágio diário do vigário que se quer servir do Estado, servindo-se ele próprio dos restantes contribuintes. Eu estou servido, uma viagem que duraria umas parcas horas irá durar um dia inteiro. Perante isto, só posso exigir greve contra os grevistas e, com especial relevância, contra os cabecilhas que delas vivem e que delas se alimentam. Os pulhas.

P.S. – Curiosamente, ou não, a greve dos taxistas fez com que o registo na nova aplicação aumentasse 800%.

23 pensamentos sobre “Os pulhas

  1. jon

    Bom, não é de carpooling que se trata. Trata-se de serviço comercial de transporte de passageiros. A concorrer num sector bastante regulado com barreiras de entrada impostas pelo Estado onde por exemplo em Lisboa um alvará pode custar mais de 100,000€, em Chicago 300 mil ou em Nova York mais de meio milhão. Obviamente existe aqui um choque frontal, e parte da fúria de muitos taxistas é mais do que compreensível..
    E falo do taxista “empresário”, dos que detêm os alvarás, que depois vendem ou subcontratam ao dia, noite ou mês- Porque o taxista “normal”, aquele que não possui o alvará receberá de braços abertos projectos como o Uber e outros. Desconfio que serão eles até os primeiros fornecedores do serviço a candidatarem-se.
    Agora, expliquem-me é como é que o Estado, vão descalçar esta bota, este choque frontal.

  2. Luís Lavoura

    jon tem razão. De acordo com a notícia lincada,

    Uber uses a mobile app to book rides in both licensed taxis and minicabs

    Não se trata portanto de gerir car-pooling mas sim de gerir um serviço comercial de táxis. Pelo que, os taxistas têm razão em protestar contra algo que configura uma violação dos termos da lei que regula tal tipo de serviços. (O que não quer dizer que essa lei não possa, ou deva, ser modificada.)

  3. Luís Lavoura

    Deste post chegamos à conclusão que todas as greves são uma pulhice gerida por pulhas. A greve em Itália também é uma pulhice, evidentemente, ainda que o Mário não saiba explicar porquê porque não sabe os seus motivos; mas é uma pulhice e prontos. Todos os sindicalistas são pulhas e todos os grevistas, presumivelmente, também o serão. Os patrões, esses, não devem ser.
    Estamos conversados.

  4. Luis Lavoura, não estava à espera que conseguisse concluir o que é suposto ser concluído deste post. Se assim fosse, não seria o Luis Lavoura, seria outra pessoa qualquer.

    Assim sendo, deixo claro para os restantes: este artigo é uma crítica aos cabecilhas das greves que não são directamente afectados pelo que motiva as greves (a pessoa em causa não exerce há 27 anos, é um sindicalista profissional) mas que beneficiam com as greves.

  5. Quanto ao Uber (que não é o tema principal deste artigo):

    1. Não necessita de taxímetro porque o serviço é pago à empresa e não ao condutor. Seria o equivalente que colocar taxímetro num carro com motorista;
    2. Os impostos são pagos pela empresa no momento em que esta declara os seus resultados;
    3. Os alvarás são para taxis. O Uber não são taxis, não existem filas para os apanhar. A comparação mais adequada seria um serviço de chofer;
    4. Se é um serviço de chofer democratizado, acessível a todos por um baixo custo, não é um serviço de taxis. Logo, as regulações do sector não são aplicáveis.

    O que a lei diz não nos diz se é legítimo ou não. E, até prova em contrário, é legítimo.

  6. Mário,

    O uso de profissional como qualificativo de sindicalista parece-me um barbarismo. Podia-lhe chamar antes sindicalista militante ou sindicalista praticante, já que o sindicalismo não é uma profissão. É uma religião. E a prova disso é que está altamente regulada e controlada na China, em Cuba e a Coreia do Norte. Lá, como qualquer religião, existe mas pia baixinho ou leva do que é forte!

  7. E a prova do que acabo de dizer é que na Polónia, quando um sindicalista resolveu defender os trabalhadores, levou que se fartou; mas no fim o governo comunista também levou na tarraqueta.

    Faço um apelo, qual faziam os russos na Grande Guerra Patriótica, mas parafraseio-o: Amigo, já deste nas trombas ao teu sindicalista hoje?

  8. Comunista

    “Eu estou servido, uma viagem que duraria umas parcas horas irá durar um dia inteiro.”

    Os pulhas pensam que o mundo gira à volta deles; os pulhas pensam que os trabalhadores devem pensar apenas no interesse deles e não no seu; os pulhas não gostam de organizações de trabalhadores porque os acham criancinhas que só têm que obedecer.

  9. Eu também estava em trabalho. Eu, quando quero reivindicar seja o que for, falo directamente com a pessoa acima de mim ou então despeço-me. Não incomodo as outras pessoas que também querem trabalhar. É essa a diferença entre uns e outros. Os pulhas.

  10. Comunista

    “Não incomodo as outras pessoas que também querem trabalhar.”

    Os pulhas pensam que a vida dos trabalhadores não se deve politizar, que deve apenas dedicar-se a trabalhar, dormir, comer e beber, cagar e mijar e dar umas quecas de vez em quando.

  11. Manuel Costa Guimarães

    “Os pulhas pensam que a vida dos trabalhadores não se deve politizar”.

    Para os pulhas dos sindicalistas/comunistas, a vida dos trabalhadores serve exactamente para isso. Mantê-los pobres enquanto que gritam que são pobres.

  12. Quando os trabalhadores enriquecem, os sindicatos perdem a sua força. Logo, mantém-se o trabalhador pobre e domado.

    Os trabalhos que pagam mais e que são mais dinâmicos não têm sindicatos, nem aqui nem na França nem nos States.

  13. Comunista

    “Comunista, politize a sua vida como e quando quiser. Deixe é os outros em paz.”

    Dito por quem opina diária e politicamente sobre a vida dos outros…

  14. Gil

    Francisco:
    Reveja as suas notas. Portugal é dos países com mais baixa taxa de sindicalização, ao contrário de países do centro e norte da Europa. Não é por aí…

  15. Renato Souza

    Comunista

    É interessante notar que o Mário Amorim Lopes consegue agir politicamente (como você disse, diariamente) sem jamais se impor pela violência. Mesmo defendendo uma posição extremamente minoritária, sem sequer um partido que o represente, defendendo uma ideia que tem pouca aceitação na imprensa.

    Já vocês, marxistas, tendo a máquina burocrática de Europa a seu dispor, o apoio de virtualmente todos os funcionários públicos, tendo a imprensa a seus pés, os políticos, a academia, ainda assim recorrem à violência. Porque greve é isso, violência de um grupo de trabalhadores contra outros, e também contra o público em geral.

    E não contentes com esse poder todo, vocês marxistas, quando dominam totalmente um país, impõem mais violência ainda. Quanto mais fracos os que discordam, maior a violência, a ponto de terem massacrado cerca de 170.000.000 de pessoas indefesas. Que Deus os julgue por todo esse mal.

  16. Comunista

    “É interessante notar que o Mário Amorim Lopes consegue agir politicamente (como você disse, diariamente) sem jamais se impor pela violência. Mesmo defendendo uma posição extremamente minoritária, sem sequer um partido que o represente, defendendo uma ideia que tem pouca aceitação na imprensa.”

    Eu nem disse que age politicamente eu disse que opina politicamente. Acção política é outra coisa. O facto de não ter sequer um partido só mostra a representatividade insignificante das ideias que defende – é por isso que precisam escondê-las como fez este governo porque se forem a votos a defender o que defendem aqui ía ser um risota – nem ao Livra ganhavam.

    Também é interessante como nunca se viu uma manifestação de rua de banqueiros e no entanto garantiram junto do governo que o empréstimo da troika viesse com uma tranche para eles.

    Você fala em violência, que violência é que os manifestantes do 10 de Junho lançaram?

    E ainda, desde quando é que você recusa em absoluto a violência em política?

  17. Comunista, é óbvio que não percebe a diferença entre opinar e agir. As minhas palavras não impedem ninguém de ir trabalhar, de estar com a família ou de ir de férias. Pelo contrário, bem interpretadas até poderão fazer um país mais rico e produtivo. São minoritárias em Portugal, é verdade, e com um imenso orgulho. Não procuro aceitação.

  18. Gil,

    Se é verdade que os sindicatos aqui têm menos memros, tâm também menos responsabilidade. Os sindicratas (grafia intencional!) não estão la para defender os trabalhadores nem o trabalho. Estão lá para fomentar a revolução, a qual aliás empobrece as nações e as coloca nas grilhetas. Excepção feita a uns poucos sindicatos independentes, esses verdadeiros sindicatos.

    Se os sindicacas (ntencional!) se preocupassem com os trabalhadores e defendessem os seus interesses, tanto as empresas como os trabalhadores estariam bem melhor neste momento. Infelizmente, os nossos sindicatos querem uma sociedade como Cuba (e vão lá todos os anos em las ao Fidel). E não descansarão até que tenham ums sociedade como Cuba, onde EUR100,00 por mês fazem um trabalhador muito bem pago e o Fidel usa equipamento desportivo que custa mais que um ano de salário médio de um cubano e tem mais dinheiro em seu nome fora de Cuba que o Belmiro de Azevedo.

    Se eles querem esta sociedade, eu não. Já nem os russos a querem. Veja a opinião de Samuel Lemma no Pravda. Ele escreve em inglês e é traduzido para o russo fielmente — sinal de que o que escreve é para russo ler.

  19. É precisamente isso, Francisco. O problema não são os trabalhadores ou os sindicatos, estruturais que emergem naturalmente num mercado livre (as pessoas associam-se). São os cabecilhas cujo único propósito é espalhar o caos. Excelente comentário.

  20. O problema é a captura das estruturas ocidentais por infiltração dos comunistas. muitas vezes o que parece não é. O comunismo, expulso da maioria dos países que governaram e com convites para não voltar, encontra porto seguro e pitança nos Estados Unidos e na União Europeia, onde andam a fazer danos graves à economia.

    Os sindicráticos (grafia intencional!) são apenas um dos tentáculos da infiltração comunista na Europa. Um a um irão sair do buraco nos próximos dois anos, e muita gente se espantará, pois aparecerão infiltrados de todos os quadrantes políticos. Até da direita.

    O comunismo de amanhã nem será comunista nem se chamará comunismo. Tem outro nome. Talvez seja bom começarem a ler o que diz Alexandre Dugin e verificar a sua relação com o Kremlin.

  21. Comunista

    “As minhas palavras não impedem ninguém de ir trabalhar, de estar com a família ou de ir de férias. Pelo contrário, bem interpretadas até poderão fazer um país mais rico e produtivo.”

    E eu a pensar que você distinguia opinião de acção e que até me criticava por eu não distinguir (quando eu até distingui no comentário anterior ao seu), afinal você disse: “Comunista, é óbvio que não percebe a diferença entre opinar e agir.”

    É que essa da boa interpretação das suas palavras fazer de Portugal um país mais rico quer dizer que você equivale opinião a acção – afinal interpretar uma opinião não deixa de ser uma opinião sobre uma opinião.

    Deve ser isto a intelectualidade de direita de que fala o jornal “I”, aquela que se contradiz alegremente como se nada fosse.

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