Mais uma “vitória chocante” do Tea Party

Diário Económico

A extrema-direita acantonada no Partido Republicano dos EUA, conhecida pelo Tea Party, teve uma vitória tão inesperada quanto emblemática, depois de David Brat, membro daquela facção, ter derrotado Eric Cantor, candidato do aparelho partidário às primárias para as Intercalares de Novembro

A preguiça em investigar as fontes e a aceitação acritica de clichés dá nisto. Como já se viu nas eleições para o PE, tudo o que foge ao “consenso” (que pelos vistos não é assim tão consensual) e às nossas convições é “arrumado” nos extremos.

O Tea Party é um “chapéu de chuva” que agrupa muitas posições anti-establishent e cujo apoio é disputado por muitos – alguns verdadeiramente de extrema direita. Mas os maiores grupos ligados a esta corrente não apoiaram explicita nem financeiramente o Professor David Brat pese embora a identificação do programa eleitoral deste com que é defendido pelos “Tea parties”. A desproporção de meios era enorme. O seu opositor, o Congressista Eric Cantor, contou com um orçamento para a campanha 25 vezes superior. Por outro lado, quer as suas posições políticas quer o seu trabalho académico não autorizam o seu posicionamento na extrema-direita. Mas isso não interessa para nada e o mito está criado e irá ser repetido ad nauseam.

23 pensamentos sobre “Mais uma “vitória chocante” do Tea Party

  1. mggomes

    A aceitação acrítica é não só muito mais fácil, como ainda por cima corresponde, na maioria das vezes, exactamente àquilo que as pessoas querem ouvir. Por que razão mudar?

    Depois há os casos absolutamente deliciosos de nem sequer acertarem com grafias e/ou pronúncias. Aqui o caso do UKIP e do seu líder é paradigmático.

    Quando ainda lia o Público não me recordo de alguma vez terem usado um só “r” em Farage. Uma verdadeira farra. E quase juraria que pronunciam “iu-kei-ai-pi”… tal como ouvi a Jaime Nogueira Pinto (que era suposto ser um pouco mais conhecedor).
    E falo apenas da forma, que do conteúdo é melhor nada dizer.

    Outro (mau) exemplo, e vindo de alguém que tinha em melhor conta. Pela segunda vez em pouco tempo, refere-se João Marques de Almeida n’O Observador se a um tal de “Nigal” Farage,
    A menos que se trate de um caso de excesso de criatividade do editor, creio que este caso revela, além do mais, que o escriba nem sequer o nome sabe pronunciar.
    Obviamente, o conteúdo está ao nível raso da ortografia.

    Não é tão fácil escrever em Portugal?

  2. lucklucky

    É o jornalismo português que só lê os jornais do Partido Democrata.

    Deveria é se falar das muitas políticas extremistas do centro político.

  3. João Silva

    designar o Tea Party como simplesmente “extrema direita” é do mais básico que existe, infelizmente, no nosso jornalismo. Uma simples visita ao wikipédia esclareceria o jornalista.

  4. José Maia

    Gostava era de saber como é que um partido que contém em si um “chapelinho de chuva” que, ali segregado, tem ainda dentro de si uma multiplicidade de posições intransigentes (algumas delas puramente irracionais), pode governar um país.

  5. hajapachorra

    Um tipo que seja pro-vida é de ‘extrema-direita’, apenas isso. Para os nossos jornalistas a Marine Le Pen não é de extrema direita desde que começou a confessar-se abortista.

  6. JS

    A derrotade de Eric Cantor terá sido o sinal de que as notícias, permaturas, da morte do “Tea Party” foram infundadas.
    Os dois candidatos tinham programas iguais.
    Um deu a imagem de personagem perdulário com certas discutíveis despesas. Os Tea Parties apenas premiaram a modesta contenção do rival. Azar.
    Aparentemente Cantor não soube, ou não pode, comprar comunicação social suficiente.
    Aviso à navegação local: está a ser cada vez mais difícil manter artificialmente boa imagem tentando, simploriamente, impor-se à comunicação social informal.

  7. Talvez não exactamente com o nome de UKip e Frente Nacional, ou Tea Party ou Danish people party… mas o futuro vai ser marcado precisamente por aquilo que aqueles defendem.
    Falhada a experiência esquerdista, multiculturalista e secularista vamos assistir ao extremar de posições muitas vezes dentro das populações no mesmo pais (como se assiste nos EUA).
    Os fenómenos de white flight, assortive mating e religiosidade, essencialmente todos o tipo de agregação que permita maior Ingroup estão a crescer exponencialmente pelo mundo fora. Na europa não é excepção.
    A pergunta que fica é…. E partir de aqui o que se segue?
    Não, não é um mistério: a esquerda, sendo normativa e prescritiva (quer prescrever um remédio) vai tentar “prescritar” (impor) a censura oficial e/ ou informal destes. Vai tentar barrar acesso a media, parlamentos, e até a formas de liberdade de expressão.

    Já a Direita tem que tomar uma decisão mais difícil – Tem que assumir que pretende a realização pessoal através da criação de ambientes repletos de valores descritivos (descriptive values) que são convenções entre pessoas que fortalecem espírito de ingroup e com isso distanciar-se dos ambientes mais permissivos que a Esquerda impôs nos últimos 30 anos.

    E se alguém souber como isto se faz, sou todo ouvidos. 🙂

  8. João Silva

    É curioso (ou talvez não) que os EUA se estejam a debater no sentido semelhante ao caso português. Seria uma analise bastante interessante de fazer pois partidos como o Libertarian Party também estão a tentar uma ascenção no eleitorado americano no sentido de um Estado mais pequeno (o caso de Ron Paul, que também já foi associado ao Tea Party, já foi abordado pelo blog). Tenho pena que um movimento/vontade semelhante não tenha ainda surgido dentro do PSD (que podia ser comparado também ao ACTUAL Republican Party, no fundo também está interessando num Estado despesista). A diferença e a ironia é que a Constuição Americana defende exactamente o oposto da Portuguesa e não faltam avisos que o pensamento politico maioritário norte-americano está a desviar-se cada vez mais da sua génese liberal.
    Voltando ao Tea Party, e o Miguel Noronha creio que concordará, pessoas como Michele Bachmann, Glenn Beck ou Herman Cain apenas disvirtuam o potencial que o movimento criou, usam-se dele para demagogia e populismo. Na minha opinião, o Tea Party movement tem tanto de complexo como o Brony movement, e tenho pena que nenhum jornalista serio perca tempo com ele.

  9. José Maia

    Os que pretendem compaginar beatice com liberalismo deviam ler o livrinho de D. Felix Sardá y Salvany, escrito nos finais do séc. XIX, de seu título “O Liberalismo é Pecado”. Grande reaccionário? Sem dúvida. Mas pelo menos não era hipócrita.

  10. Fernão Magalhães

    para mim uma das razões para esta vitória anti-establishent é a FNC, que ao contrário da generalidade dos meios de comunicação não é socialista, e desta forma não impõe aos seus colaboradores uma agenda ditada pelo “establishent”. Como é obvio todos os outros media ridicularizam a FNC com videos tirados fora do contexto, e dizem que é de extrema direita (usado para tudo que não é socialista). Se existisse uma FNC em portugal o António Costa não andava alegremente a hipotecar o futuro dos lisboetas dando tudo aos sindicatos, pois não é do bolso dele que se vai pagar…

  11. Renato Souza

    É interessante notar que o liberalismo clássico, embora tivesse entre seus maiores expoentes um grande número de deístas, foi posto em prática por cristãos. O povo americano, e grande parte da elite intelectual de então, era cristão e conservador, e foram eles que deram o sangue para criar um país liberal. A demanda por um estado que permitisse as liberdades individuais era primeiramente uma demanda do povo, e portanto dos conservadores. Diria mais ainda, a maior parte dos deístas de então, hoje seriam considerados conservadores.

    Quanto ao partido republicano, foi preciso uma enorme transformação para leva-lo a ser o partido despesista e intervencionista de hoje. Se os republicanos de hoje fossem ler os conservadores de outrora, aprenderiam liberalismo econômico e limitação do estado.

  12. José Maia

    Renato: refere-se a cristianismo protestante. Uma espécie de religião que contempla apenas trabalho e consumo.

  13. lucklucky

    Errado como sempre. Contempla a liberdade da pessoa se asociar ou não com quem quiser. A possibilidade da diferença.
    Coisa que como é óbvio o José Maia não tolera.

    Os Totalitarismos mudam ao longo do tempo os posts da baliza – como todos os Totalitarismos há 30 anos quem dissesse que queria mais de 50% da economia a passar pelas mãos do Estado seria Comunista hoje é a “boa” Social Democracia.

  14. Renato Souza

    João Maia

    Vejamos, você não consegue defender a sua ideologia contra acusações muitas e gravíssimas de genocídio, tortura em massa, empobrecimento da população, liberticídio, entrega do poder, sistematicamente a psicopatas, roubo generalizado da população por parte da elite governante, irracionalidade total de produção, censura, perseguição a inocentes. As provas dos repetidos crimes, em todos os países comunistas são amplíssimas e irrefutáveis.

    Não conseguindo defender a monstruosidade pela qual você luta, tira da cartola uma afirmação infantil e ridícula, que nega também uma imensa quantidade de fatos irrefutáveis. Só uma pessoa absurdamente ignorante da imensa quantidade e diversidade do pensamento protestante poderia dizer uma tolice dessas.

  15. José Maia

    Primeiro que tudo deixe-me dizer-lhe que incorreu em tropical precipitação ao afirmar que o comunismo é a minha ideologia. Engana-se redondamente. Depois, recorde-se que o protestantismo está hoje estilhaçado em mais de mil igrejas que se foram criando ao sabor das conveniências e bem à medida dos negócios. Por isso, reafirmo que não o considero religião nenhuma mas sim uma espécie dela. Por outro lado, o totalitarismo vem hoje por via de McDonalds que por todo o lado substituem restaurantes tradicionais, hipermercados que substituem o comércio tradicional, enfim, pelo domínio monopolista de “meia dúzia” de empresas que dominam os diversos sectores, estandardizando globalmente costumes, modas e gostos. As vítimas de tudo isto, mortais e não mortais, padecem em total discrição e não são fáceis de contabilizar. E se os totalitarismos do séc. XX sucederam naturalmente ao Liberalismo do séc. XIX (grande ladrão de bens alheios quando se tratou promover conflitos para roubar e vender grande parte da propriedade da Igreja Católica) , não vejo razão para que se volte a defender este último.

  16. José Maia,

    O protestantismo não está estilhaçado. O protestantismo é abjeto no seu cerne a uma autoridade central. Cada pessoa é livre para escolher o modo como pretende adorar a Deus, e a interpretação da Bíblia e da palavra divina é deixada à congregação. Claro, isto leva a enormes diferenças de metodologia e de convicções. Mas isso é exatamente o que Martinho Lutero e o que Calvino pretendiam: que cada homem se aproximasse de Deus e o adorasse pelo estudo pessoal e pela participação comunitária, com ênfase na individualidade.

    Acusar as igrejas protestantes de nascer à conveniência de negócios faz-me referenciá-lo para Max Weber. Há certamente quem se aproveite para fazer igrejas-negócio. Mas nem isso é a norma nem o cerne do protestantismo. A pequena congregação do adorável e honesto reverendo Lovejoy d’Os Simpson é mais perto da realidade do que aqui, no mundo católico, se pode imaginar.

    Diz-lhe isto quem não é protestante. Nem católico. E cristão convicto e praticante.

  17. Renato Souza

    João Maia

    Mil perdões por confundi-lo com um comunista. Nenhum não comunista merece ser chamado assim. Entretanto, devo dizer-lhe, muito da mitologia comunista que domina os meios de comunicações e a academia, infelizmente acabaram por fixar-se no seu pensamento como se fossem fatos reais. Tanto assim que sua fala parece extremamente com a fala dos comunistas que conheço.

    Sobre o liberalismo, diria que ele é o contrário do roubo e da intervenção. Deixo com você um artigo que pode começar a esclarece-lo:

    http://espectadorinteressado.blogspot.com.br/2014/06/a-conquista-dos-eua-pela-espanha.html

    Diria mais: Em tudo aquilo onde governantes de países supostamente liberais foram intervencionistas, agiram contra a doutrina liberal. Já os governantes comunistas, em todas as ocasiões em que agiram de forma brutal, intervencionista, totalitária, genocida, agiram exatamente de acordo com a sua doutrina.

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