Pela Mesma Lógica

Se aplicar cortes aos salários dos funcionários públicos e ao valor das pensões é inconstitucional porque viola o princípio da igualdade, pela mesma lógica, qualquer medida (por exemplo esta) que aumente os salários dos funcionários públicos ou das pensões também o é porque viola o mesmo princípio.

22 pensamentos sobre “Pela Mesma Lógica

  1. Joaquim Amado Lopes

    João Cortez,
    A lógica não é essa. A lógica é “se está de acordo com o posicionamento político dos juízes (a CRP que se lixe) então faz sentido”.

  2. João Cortez,

    Contribuintes? Credores? Mas isso são pessoas? O Estado governa para as pessoas, as quais são, presumidamente, funcionários do Estado.

    Tudo o resto são contribuintes e credores e utentes, espeécies tão mesquinhas que nem Lineu se atreveu a classificar.

  3. dervich

    Acho que o post tem toda a razão: Em vez dos salários de FP e pensões terem variado 2,9% – 12% = – 9,1% em 5 anos, deveriam ter variado de acordo com a evolução média salarial em Portugal, ou seja, talvez + 3% ou + 4%, no mesmo período (fora prémios de desempenho e promoções, que consta continuarem a existir, embora na esfera do estado isso é do domínio das fábulas).

  4. Pedro

    Correto…o problema é que ninguém pôs uma ação no tribunal constitucional.
    Mas da proximas vez poderemos tentar fazê-lo. Como?

  5. lucklucky

    Dervich os 3-4% que você inventou conta com os desempregados/emigrados?

    Bem me parecia. Que tal incluir ainda o período antes dos seus curiosos 5 anos.

    E que tal subtrair aos inventados 3-4% a subida de impostos?

    Os salários da FP deveriam subir só quando o crescimento dos impostos sobe devido exclusivamente ao crescimento económico.
    E isto é sem ter em consideração a evolução da produtividade.
    Porque uma evolução da produtividade positiva na FP implica quase sempre despedimentos:fecho de comissões, entidades, observatórios etc…

  6. JS

    Lógico. E que tal um Projecto de Lei que aclare -como deve e tem que ser- a exclusividade da Assembleia da República, no que concerne o Orçamento de Estado?. E com retroactividade, por causa das dúvidas?. Bastava um Primeiro Ministro com coragem.
    Afinal quem representa o eleitorado?. Or será que, enfim, os deputados assumiram que realmente não representam o eleitorado?.

  7. Joaquim Amado Lopes

    Concordo com o dervich: sempre que o desemprego aumentar deve ser despedida uma percentagem correspondente de funcionários públicos e quando fechar um determinado número de empresas fecha também uma repartição de finanças, um tribunal, uma escola ou um centro de saúde.
    Também concordo com o dervich quando defende que, ao encerrar um serviço do Estado, os funcionários públicos deverão ser transferidos para onde houver vagas independentemente da distância ou do tipo de vaga (basta terem competências para executar o trabalho) e o seu salário deverá ser ajustado (para cima ou para baixo) à vaga que vai ser ocupada.
    O dervich também tem razão quando defende que, existindo vários candidatos a cada vaga, cada candidato deverá tentar “convencer” o “contratador” a contratá-lo, eventualmente aceitando um salário mais baixo ou “abdicando” de benefícios.

    Afinal, o que o dervich defende (e muito bem) é o princípio constitucional da igualdade.

  8. Dervich

    “Bem me parecia” – Não sei o que lhe parece ou não parece, cá a mim parece-me que só se pode comparar o que é igual, gente empregada de um lado (500 mil) com gente empregada do outro (uns 4 milhões).

    Já aqui tenho falado do período anterior que você quer, a saber, 2002/2009: + 4% na totalidade, o que faz que, para uma mesma categoria, um vencimento de 2014 é inferior a um de 2002. Mas pronto, já todos sabemos que você gosta de períodos longos, tipo 1970/2009 mas, como até à invenção do Euro este país vivia feliz e contente, assumo que o problema não vinha de trás.

    Admito que inventei o valor de 3% – 4% porque, em certos casos (políticos e boys), foi até mais, mas os impostos foram iguais para todos. Mas admito que isso se note mais quando um subsídio inteiro fica logo retido na fonte.

    E volto a concordar com o Joaquim A. Lopes, um aumento do desemprego de 7% para 15% não está em linha com o fecho de 50% de repartições de finanças e de percentagens de cerca de 20% no fecho dos outros equipamentos. Mas creio que fechar o país inteiro será o maior incentivo à emigração que pode haver, portanto, deve tudo bater certo.

  9. Hugo Rego

    Talvez sim ou talvez não. Tal como a notícia explica, o aumento real foi de apenas 0,4%.

    O que não está sujeito ao Constitucional é isto: de acordo com uma consultora de renome, no sector Privado, em Portugal, verificou-se, em 2013, um incremento salarial muito moderado (1,09% – 1,24%) e é esperado que tal se mantenha durante 2014 (1,17% – 1,20%).

    Pequena curiosidade: tendo em conta que o a taxa de inflação, em 2013, foi de 0,27%, o crescimento real terá sido de 0,82% – 0,97%. Com o PIB a crescer para baixo.

    Há histórias muito giras. Quer-me parecer que não eram só os Comunistas que as inventavam para assustar as criancinhas…

  10. Ricardo Batista

    Hugo Rego

    Eu sei que a verdade é muito técnica e a mentira não precisa de fundamentos. Diga lá qual é a consultora de renome?

    De acordo com isto: http://www.bportugal.pt/pt-PT/BdP%20Publicaes%20de%20Investigao/AB200906_p.pdf

    e isto: http://www.bportugal.pt/pt-PT/BdP%20Publicaes%20de%20Investigao/AB201115_p.pdf

    o que diz é mentira. E como dizia o Pinto da Costa, quem mente são os mentirosos.

    Já agora veja isto: http://dre.pt/pdf2sdip/2014/05/088000000/1197711997.pdf

    Eu falo-lhe por experiencia também. Vi o salário da minha esposa cortado em 20%. Leu bem, 20%, no sector privado. Sabe quanto recebe ela agora? 600 euros. E terá que pagar mais uns impostos do seu salário cortado em 20% para 600 euros, para sustentar os chulos como o Sr. Hugo Rego. Sim, ela é licenciada. É contabilista. E por ser contabilista viu isto passar-se em várias empresas, onde pessoas tiveram que aceitar perdas nos seus salários já de miséria (com eliminação de turnos, de horas extraordinárias, etc) para sustentar a cambada de chulos que o Sr. Hugo Rego integra.

    Parabéns, no que toca a parasitas os senhores são do mais eficiente que há. Ainda tentam enganar o hospedeiro dizendo-lhe que quem sofreu com a fome dele foram de facto vocês. Nem peço que tenham vergonha porque nesse capítulo já temos a resposta. Mas não goze com a miséria que qualquer dia o hospedeiro morre e os os parasitas têm que se parasitar uns aos outros.

  11. JS

    Interessante. Portugal é um País fundado por uma bula Papal. Culturalmente respira, há séculos, o dogma da infalibilidade papal. Convém claro.

    Agora passou a vigorar o dogma da infabilidade do, totalmente frutuito, Tribunal Constitucional. Tribunal ele mesmo fruto de uma Constituição nascida a ferros e nunca sufragada.
    Uma dúzia de apóstolos sujeitos a um pentecostes laico ultrapassam a opinião de todo o universo eleitoral, bem ou mal, representado na Assembleia da República.
    Pelo menos assim julgam os funcionários públicos, Convém claro.

  12. Henrique Gama Pinto

    Dervich, desconheço esse crescimento de salário de + 3% ou + 4%. No setor Privado o ataque ao salário começou bem antes do que ao Publico. Quanto aos prémios de desempenho e promoções, na esfera do estado são realidade, basta ver dias de ferias, horas de trabalho, não apetecer trabalhar, não obedecer a ordens, estar-se pouco lixando para o cidadão etc…. Quanto às chefias do setor publico, nem se fala…

  13. dervich

    Henrique,

    Na verdade, reconheço que esse aumento de 3% ou 4% esteja associado a grandes empresas e não a PME´s, onde possivelmente é como diz – o ataque ao salário começou antes, mas talvez somente em relação a horas extraordinárias, prémios, etc. Mas lá por desconhecê-lo, não significa que não tivesse existido.

    Como concordo consigo em relação a não se falar nas chefias do setor público (pelo menos algumas), não vou me pronunciar em relação ao resto da desconversa, embora tenha apreciado o momento de “vox populi”…

  14. Hugo Rego

    Caro Ricardo, antes de insultar alguém pelos seus pontos de vista, aconselho-o a duas coisas:

    1) aprenda a lêr, pelo menos, os documentos que cita
    2) aprenda que o seu caso particular não se aplica a todos

    Posto isto, seguem transcrições de documento do BdP, que VOCÊ MESMO APRESENTOU:
    (entre parêntesis, coloco notas pessoais)

    “A proporção de funcionários públicos que reportam educação universitária ronda os 50 por cento em 2005, enquanto no sector privado esta corresponde a pouco mais de 10 por cento”
    (isto implica sempre diferenciação salarial)

    Os funcionários públicos são também, em média, mais experientes do que os seus congéneres do sector privado, embora a diferença neste domínio não seja muito significativa

    Verifica-se que a disparidade salarial bruta entre os dois sectores apresentada na última secção é largamente explicada pelas diferenças nas características da mão-de-obra
    (a proporção de licenciados em cada um dos sectores explica isto)

    É ainda de referir um aspecto relacionado com os dados que pode contribuir para o aumento do prémio estimado neste estudo. Trata-se do facto de a cobertura dados para o sector privado ter vindo a melhorar ao longo do tempo. Com efeito, o alargamento da base dos Quadros de Pessoal fez-se sobretudo através da inclusão de um maior número de empresas de pequena dimensão, às quais está normalmente associada uma penalização salarial
    (creio que não necessita de explicações)

    Considerando os valores relativos ao ano de 2005, este varia entre cerca de 3 por cento para indivíduos do sexo masculino cujo local de trabalho se situa em áreas mais desenvolvidas (para os quais ainda em 1996 existia uma penalização), e mais de 40 por cento para mulheres cujos empregos estão localizados em zonas menos desenvolvidas
    (isto explica-se pela baixa capacidade de organização laboral no sector privado, com expressão nos números de sindicalização. A culpa não é dos outros.)

    Enquanto para 1996 foi calculada uma penalização associada a trabalhar no sector público já na mediana da distribuição, em 2005 esta região estava praticamente confinada ao último quartil. Em contrapartida, no painel, o nível do indicador mantém-se bastante estável, observando-se uma penalização associada ao sector público ao longo de toda a distribuição com excepção dos quantis inferiores
    (ora diga, se faz favor ?)

    Mais ainda, parte da oferta adicional de licenciados que foi acomodada pelo sector privado veio ocupar postos de trabalho relativamente pior remunerados e tradicionalmente desempenhados por indivíduos com níveis de escolaridade mais baixos.
    (o que não faltam são licenciados a trabalharem em caixas de hipermercados. Isto não se deve apenas à crise.)

    A evidência recolhida indica, ainda, que outros factores no lado da oferta de trabalho terão desempenhado um papel de relevo, tornando possível a coexistência, particularmente no passado, de um substancial ingresso de licenciados no sector público com uma penalização a nível salarial

    A maior compressão salarial no sector público é mais evidente para os licenciados do que quando se consideram todos os trabalhadores A margem de manobra para recompensar desempenhos individuais diferenciados é normalmente muito maior no caso dos trabalhadores mais qualificados e a utilização dos salários para esse fim parece ser muito mais limitada no sector público.

    O resultado mais saliente que se retira do quadro é o elevado nível do prémio, avaliado na média, associado às profissões em que o sector público é o principal empregador, contrastando com uma penalização para as profissões em que o emprego é repartido pelos dois sectores. Esta última penalização é particularmente acentuada para as ocupações mais procuradas no sector privado, como é o caso dos engenheiros, especialistas da informática e economistas. Em 1999, a penalização para estas profissões rondava os 20 por cento e, apesar de uma atenuação nos anos mais recentes, em linha com a evolução anteriormente descrita, apresenta ainda um valor considerável em 2005, sugerindo uma deficiente capacidade do sector público para recrutar ou manter os trabalhadores mais qualificados nestas áreas. Mais ainda, nesta análise foram consideradas apenas as remunerações de carácter regular, sendo de esperar que compensações em espécie e outros benefícios tenham particular relevância no sector privado.
    (as compensações em espécie, no sector privado, sempre representaram uma mais-valia adicional importante, sobretudo em médias e grandes empresas. O facto de não terem sido levadas em conta, associado ao peso que as pequenas empresas têm na amostra, aponta para um prémio que será sempre superior aos 20% já referidos.)

    Finalmente, os licenciados não especialistas têm uma penalização no sector público ao longo de quase toda a distribuição. No quadro destas profissões de grau relativamente mais baixo, os empregadores privados parecem ter mais margem de manobra para remunerar as competências dos trabalhadores mais qualificados.

    É de destacar que os trabalhadores licenciados do sector público têm menores ganhos em relação ao salário de entrada do que os seus congéneres do sector privado. Em 1996, a diferença é de cerca de 12 p.p. após 10 anos de experiência e, partir daí, mantém-se relativamente estável ao longo da carreira; em 2005, os valores são mais elevados, observando- se uma diferença nos ganhos de cerca de 15 p.p. após 10 anos de experiência e 20 p.p. após 20 anos.
    (mais uma vêz, sem incorporação das bonificações do Privado e com a distorção da amostragem)

    Conclusões do estudo do BdP

    O nível do prémio está sujeito a variações consideráveis segundo as categorias profissionais. No caso das profissões nas quais ambos os sectores são empregadores importantes verifica-se uma penalização, a qual indicia pouca capacidade por parte da Administração Pública para atrair os trabalhadores que as desempenham.

    Pelo contrário, o prémio é particularmente alto em áreas como a saúde e a educação, nas quais o sector público é o principal empregador, o que em parte reflecte o forte poder negocial dos funcionários públicos nestas áreas.
    (aqui vou tecer algumas considerações sobre áreas que conheço em maior profundidade: o BdP não levou, ou não quis levar, porque não dá jeito, em linha de conta, que, o sector Privado da Saúde sempre recorreu, e recorre, a profissionais do Público altamente diferenciados, que não integram os quadros de pessoal das empresas privadas e cujo prémio, lhe garanto, é muitíssimo superior. De salientar que o estudo também não leva em linha de conta, os rendimentos dos profissionais liberais que, em algumas áreas, auferem rendimentos brutos com prémios extremamente expressivos. De salientar que, a este nível, a possibilidade de se constituírem em empresários individuais, distorce a avaliação da realidade em si)

    Eu poderia aproveitar para descer até ao seu nível mas, e estou a ser sincero no que lhe digo, tendo em conta a sua realidade pessoal, até entenderia a sua revolta. Mas a verdade é que a sua realidade não será a do País e a sua revolta deve-se a uma distorção que você tem da realidade.

    Como última nota, reforço isto: A Administração Pública pode e deve ser melhorada. Pode e deve ser reestruturada, onde tiver que o ser, para poder prestar mais e/ou melhores serviços.
    Reduzir a sua estrutura “só porque sim”, vai resultar numa coisa: ou passa a recorrer a privados e pagar muito mais, ou os serviços públicos passarão a ser concessionados e continuará a pagar muito mais…

  15. Hugo Rego

    Ricardo, por lapso, esqueci-me de mencionar qual é a consultora de renome que forneceu os dados em questão: A Mercer. Ironicamente, a mesma consultora a quem o actual Executivo encomendou um estudo “de alfaiate”.

    Boas leituras.

  16. Ricardo Batista

    Hugo Rego

    Não sei se consigo aprender a “lêr” !? com vossa douta excelência. Todavia tentarei responder-lhe sem acento circunflexo.

    “(isto implica sempre diferenciação salarial)”
    Ora, tendo Portugal uma elevada taxa de desemprego jovem licenciada, (creio que é uma bagatela demonstrar isso), como pode afirmar que há uma diferenciação salarial positiva a favor dos licenciados quando o que se passa no mercado é precisamente uma escassez de procura para essa mão de obra? Profissão de fé? Ou desonestidade intelectual?

    “(a proporção de licenciados em cada um dos sectores explica isto)”
    Atentando ao que lhe referi acima, esta afirmação torna-se inválida.

    “(creio que não necessita de explicações)”
    Concordo. Creio que deve ler outra vez porque parece-me que não percebeu que a afirmação invalida a sua posição e não se apercebeu disso.

    “(isto explica-se pela baixa capacidade de organização laboral no sector privado, com expressão nos números de sindicalização. A culpa não é dos outros.)”
    Como? Afinal há uma diferença? Julgava que não havia!

    “(o que não faltam são licenciados a trabalharem em caixas de hipermercados. Isto não se deve apenas à crise.)”
    Correto. Cada tiro cada melro.

    “(as compensações em espécie, no sector privado, sempre representaram uma mais-valia adicional importante, sobretudo em médias e grandes empresas. O facto de não terem sido levadas em conta, associado ao peso que as pequenas empresas têm na amostra, aponta para um prémio que será sempre superior aos 20% já referidos.)”
    Mais uns cálculos em cima do joelho? De que compensações em espécie está a falar? De horários de trabalho mais reduzidos? De ADSE? De impossibilidade de despedimento (ou improbabilidade pelo menos)? Mais uma atoarda destas e eu nem preciso de continuar a escrever.

    A realidade de que lhe falei não é apenas da minha mulher. Como lhe disse ela é Contabilista e faz a contabilidade a várias empresas. Quase sem excepção houve redução de salários em todas elas por duas vias: redução efetiva do salário ou despedimento com contratação posterior de outro trabalhador com custos salariais menores. Para além dos estudos largamente publicitados inclusive aqui no Insurgente, há a realidade com que nos deparamos todos os dias. Dou-lhe outro exemplo. Eu trabalho numa organização que em nada está relacionada com a da minha mulher. No inicio de 2013 todos os salários acima dos 1300 euros foram cortados para este valor. Todos, independentemente do valor base inicial. Portanto casos houve em que o corte foi acima dos 30%.

    O mercado privado rege-se por regras de mercado onde não existe o poder discricionário do Estado. A matemática aqui é a regra. Se o negócio não suporta os níveis salariais não há outro forma que não a de reduzir os custos salariais. A entidade privada não pode tratar os clientes como contribuintes e fazer incidir sobre eles os custos da ineficiência.

    Mas dou-lhe mais uma informação. Na empresa onde trabalho existem vários trabalhadores que auferem cerca de 650 euros brutos mensais. Antes da crise tinha ma possibilidade de complementar esse salário com trabalho extra e nocturno. Isso desapareceu. Portanto sofreram um corte efetivo. Mas, para além disso, viram-se apanhados nos aumentos de impostos. Repare que um indivíduo com rendimento bruto de 650 euros terá um probabilidade próxima de 1 de consumir todo o seu rendimento sem conseguir qualquer poupança, a não ser a troco de fome. Ora, com o advento do aumento do IVA para 6% em bens essenciais, 23% em bens “supérfluos”, pagamento de sobretaxa de IRS, alteração da taxa de IVA na energia, aumento do IMI, este desgraçado ficou em estado comatoso. Para quê? Para subsidiar a ineficiência do Estado. Veja que parte dos impostos que este desgraçado paga servirão para pagar os salários do vizinho dele que é cantoneiro na Câmara Municipal e aufere 1193 brutos mês. O desgraçado que tem o mesmo nível de escolaridade do cantoneiro, mas até tirou um curso profissional de electrónica, tem que retirar do seu salário de miséria uma parte para subsidiar também a estrada onde não anda, a subvenção do político, os estádios de futebol que nem vê, o salário do carrasco fiscal dele, o carro do carrasco, as férias do carrasco, o subsídio de alimentação do carrasco, etc. Portanto é o Socialismo ao contrário. O pobre a subsidiar o rico. Explique-lhe lá a ele porque motivo ele tem que pagar isto tudo ganhando 650 euros brutos e o vizinho cantoneiro dele não pode ver o subsídio (perdão salário) reduzido!

    Como tenho defendido aqui várias vezes e posso demonstrar, as decisões do TC e o rumo para o paraíso socialista levar-nos-ão inexoravelmente ao um choque de alienação (ou a bater na parede se preferir). Mas isso, a longo prazo pouco me importa. Na verdade preocupo-me com a injustiça. Injustiça essa que me leva a abandonar este país no próximo ano. Já arranjei trabalho num país fora da UE, onde o peso do Estado é mais condicente com uma economia sustentável e onde os funcionários públicos estão sujeitos ao regime de mercado. Portanto, como costumo dizer, quando todas as vítimas do socialismo fugirem, ficarão os funcionários públicos a tributarem-se uns aos outros. Como até poderão imprimir notas isto será um paraíso. Façam bom proveito. Eu por mim, assim que possa, envio o passaporte ao Imbecil que estiver no poder na altura.

  17. Ricardo Batista

    Hugo Rego

    Não leve a mal a brincadeira com o acento circunflexo, mas não consegui resistir.

  18. Hugo Rego

    Não levo, Ricardo. Tal como compreendo que haja quem tenha dificuldade em enquadrar alguns aspectos mais problemáticos.

    Antes de mais e quanto aos licenciados presentes no mercado de trabalho, sugiro-lhe que pesquise alguns números, a saber: oferta de contingentes de formação do Ensino Superior e número de nascimentos anuais.

    Antes de mais, eu não afirmei nada. Quem afirmou foi o BdP e não percebo qual a sua dificuldade em entender a mesma: há uma descriminação positiva dos licenciados vs não-licenciados. Casos “pontuais” não fazem a floresta.

    Voltando à questão do mercado de trabalho, coloco-lhe a seguinte questão: por acaso está a defender que o sr. Engenheiro Belmiro deva remunerar os operadores de caixa em função da sua formação ou da natureza e especificidade da actividade ? Por outras palavras, se todos os operadores de caixa tiverem como formação, um mestrado, entende que a remuneração dos mesmos deva ser quanto: 2.000, 3.000 € ?

    A baixa procura por parte do sector privado, por profissionais especializados (licenciados), deve-se a um handicap crónico do nosso tecido empresarial, sobretudo ao nível das PME’s – empresas voltadas para o mercado interno, planeamento deficiente, gestão não profissionalizada. Em números, 75% dos patrões detêm uma escolaridade igual ou inferior ao 9º ano.

    O mercado de trabalho até poderia ser constituído única e exclusivamente por licenciados. E ?

    Mas não deixa de ser curioso (não vou dizer que é desonesto) imputar problemas crónicos do sector privado à FP, neste critério. Já agora, mais nada ? E porque não serem responsáveis pelo conflito Israelo-Árabe, pelo Darfur ou pelas alterações climáticas ?

    Não, não necessita de explicações. Pelo menos, para quem tem noção das coisas. O próprio BdP salienta que, ao incluir, na sua base de dados, uma maior quantidade de pequenas empresas, tal desvirtua o modelo em analise já que aumenta a amostragem mas esta não tem, em escala, correspondência face à dimensão e distribuição do País.
    Se pretender mais esclarecimentos sobre este ponto, sugiro que contacte o BdP ou alguém com conhecimentos em estatística.

    Quanto à assimetria salarial em função da região ou género, é claro que, no Privado, há. Presumo que também culpe a FP pela descriminação salarial que o privado exerce. Pois claro! Mais alguma coisinha ?

    Relativamente às bonificações, mais uma vêz, o BdP, consultoras, etc., referem as bonificações como relevante para o cálculo das disparidades. Mas você não gosta! Não é porque não existam, não é porque não sejam reconhecidas por malta que trabalha só a estudar isto! É porque você não quer! E os outros é que são desonestos na discussão!

    Quanto à ADSE, ela sai do bolso dos trabalhadores! Muitas empresas, sobretudo médias e grandes, OFERECEM O SEGURO DE SAÚDE ao trabalhador!

    Quanto ao despedimentos, é uma falsa questão. Até a poderia abordar aqui mas tenho tendência em debater de forma honesta quando há correspondência do outro lado!

    Relativamente ao teor da sua descrição, volto a repetir: os seus casos não fazem a floresta. Quer falar do cantoneiro da Câmara ? Concerteza! Então vamos lá falar dos trabalhadores da construção civil! Vamos lá falar das situações, inúmeras em todo o País, em que estes, em pequenas obras, auferiram rendimentos de 60, 80, 100€ DIA, sem passar recibo (taxação = 0).

    Se prefere defender clichés ou profissões de fé, mesmo CONTRA OS ESTUDOS POR SI APRESENTADOS, faça favor. Ai bate na parede sim. Mas pelo seu próprio pé. De certeza que há-de arranjar uma lengalenga qualquer para atirar as culpas à malta do costume.

    Já agora, chegou a consultar a Mercer ? Ou a ler bem o estudo que citou ? Sugiro-lhe também o relatório anual da OCDE sobre Portugal. Não e que os sacanas resolveram recomendar ao Governo, um aumento das remunerações da Função Pública ???

    Sacanas!!! Cambada de comunistas!!! Estão todos feitos com os gajos do Ratton!!! Isto é um complot, digo-lhe! Um complot!!!

  19. dervich

    O feliz do cantoneiro até pode custar 1193 € à respetiva Câmara mas, para sua casa, só leva 475 €
    (http://dre.pt/pdf2sdip/2010/09/191000000/4889248892.pdf)

    Já quanto ao eletricista, compreende-se a sua infelicidade: dirige-se ao trabalho por montes e vales e não por estradas, não pratica nem vê futebol, nem natação, nem corre em parques municipais, não vai aos centros de saúde (porque não usa estradas) e, se calhar, nem vai um dia usar cemitérios.

    Por outro lado, usa água, energia, gás, transportes, internet e correios, mas não está muito satisfeito com isso, já que passaram a ser mais caros depois de privatizados.

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