O legado de José Sócrates

Sobre os resultados das eleições europeias, passada uma semana, não posso deixar de ficar algo admirado por ver muitos a atribuírem o principal fundamento da fraca votação no Partido Socialista à inaptidão do seu líder, TóZéro António José Seguro. É, afinal, isso que os apoiantes do pretenso candidato António Costa querem fazer crer.

Mas o que os resultados das autárquicas de 2013 já tinham, de certa forma, mostrado é que existe significativo descontentamento do eleitorado em relação aos partidos da governação (PS, PSD e CDS/PP). E do qual os outros partidos não conseguem beneficiar.

Em épocas de crise os votos de protesto contra o(s) partido(s) no poder são, geralmente, canalizados para o maior partido na oposição (o de âmbito governativo). Nas duas últimas eleições tal não tem acontecido. Nas autárquicas e europeias esses “votos” foram para os “independentes”, votos nulos/brancos e abstenção. O descontentamento é, portanto, generalizado a toda a classe política.

Durante este fim-de-semana, ouvi comentários que, se António Costa for eleito secretário-geral do PS, as probabilidades do partido obter maioria absoluta nas próximas legislativas aumentam exponencialmente. Até pode acontecer, mas mais por demérito do governo PSD/CDS do que por mérito das capacidades políticas do actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Passo a explicar a minha previsão.

Acredito que o eleitorado português está cada vez mais ciente do passado. Acredito que um número crescente de portugueses vêem os políticos pelo que realmente são: aspirantes a clientelas da usurpação pública de rendimentos privados. Acredito que muitos olham para o legado de José Sócrates (falência de um país) não apenas como o falhanço de um indivíduo mas de todo o partido que o apoiou.

Relembro que, no mês anterior à demissão como primeiro-ministro, Sócrates tinha, no XVII Congresso do partido, sido reeleito secretário-geral por 93,3% dos militantes presentes. Sócrates entretanto saiu de cena(!) mas as bases permanecem. E é isso que assusta muito do eleitorado. Principalmente quando as propostas políticas para resolução da crise são as mesmas ilusões de sempre. António Costa, ex-ministro de José Sócrates é apenas mais um de tantos daqueles militantes! Chega a um ponto que os portugueses não querem mais continuar a ser enganados.

PS: para terem alguma credibilidade os militantes do PS teriam de eleger Rómulo Machado…

… com Luís Campos e Cunha como Ministro das Finanças.

3 pensamentos sobre “O legado de José Sócrates

  1. JS

    Sim. ” Até pode acontecer, mas mais por demérito do governo PSD/CDS do que por mérito das capacidades políticas do actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa…”. Mérito?”.
    Será que A. Costa, e PS, julgam mesmo que o eleitorado, de Lisboa, que votou nele nas eleições para a Camara, de Lisboa, irá votar nele nas legislativas?….

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