Joaquinismo

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A política fiscal deixou de ser norteada pela teoria económica. Não é contra-cíclica, como sugeriria Keynes, nem é equilibrada, como advogariam os monetaristas, os neoclássicos e os austríacos. Não segue uma regra de ouro, não tem um défice fixo ou é um orçamento equilibrado.

A política fiscal em Portugal é ditada pelo Joaquim. E o Joaquim ditou: “medidas de caráter tributário oferecem melhores garantias de fugir a uma censura”. Logo, de acordo com o recém-decretado economista Joaquim e na recém-inaugurada escola de pensamento económico, o Joaquinismo, cuja similitude fonética com Jacobinismo não é coincidência, o único instrumento de política fiscal são os impostos e, já agora, numa única direcção: a subir.

A única coisa que separa Portugal de um país de terceiro mundo é o mediterrâneo.

31 pensamentos sobre “Joaquinismo

  1. Nuno

    Se há coisa que me dá gozo é ver keynesianos assumidos dizer que agora que a economia está a retomar, é altura para uma política pública expansionista.

    Ao menos sejam honestos. É simples: o dinheiro dos outros existe para ser taxado e gasto em dobro. Sempre. Quando se tem gasta-se. Quando não se tem gasta-se também. Teorias contraciciclas para as urtigas.

    Defender o emprego. Taxar as fortunas!

  2. ricardo

    O cerimonial~ridículo, o ar grave, a fardamenta preta, a condescendência do tom e a opacidade do verbo ,já não escondem aquilo que está verdadeiramente em causa – os umbigos das personagens e as fidelidades a que estão presos.

  3. António Barreto*

    O que os vincula, efetivamente?, a constituição, o funcionalismo público, a oposição, um projeto político próprio, ou prosaicamente, apenas o próprio umbigo? O que é certo é que, aos olhos de muitos, descredibilizam uma instituição que deveria estar acima de qualquer suspeita, desde logo pelas sumptuárias prerrogativas que auferem, e contribuem decisivamente para eternizar a crise orçamental e económica do país, dando razão aos que o dizem ser irreformável. Enquanto isso, assiste-se ao crescente cair de braços de muitos que têm teimado em lutar, exauridos e descrentes. Infelizmente, parece que ainda não foi desta que aprendemos, parece que temos mesmo que bater no fundo; aí dois ou três meses com salários reduzidos aí a 50 %, uns e sem eles, outros. Um país e uma europa para elites, não.

  4. David Calão

    Por que se deve nortear o governo de uma nação, a “teoria económica” e os economistas ou a constituição e praxis subjacente? Hum….

  5. Carlos Pacheco

    “a economia estuda a realidade” e a realidade é tão objectiva que 49,5% dos economistas diz uma coisa, 49,5% diz outra e os economistas liberais/alucinados tipo insurgente dizem outra ainda.

  6. M. Miranda

    Nem o Mediterrâneo nos salva. A Europa como se dizia antes do 25 de Abril começa nos Pirenéus

  7. Pedro Borges

    Não confundas terceiro mundo pobre mas livre com terceiro mundo pobre, mas escravo. Claramente caímos na ultima categoria, é um terceiro mundismo induzido, uma pobreza de propósito. Pelo simples fato de termos cargos com mais poder do que competências para os preencher. A esquerda teima em mudar os bois à espera do messias que vai implementar o “maravilhoso amanhã”, já a direita costuma focar-se em resultados e prefere reduzir as competências do estado.

  8. Carlos Pacheco

    Querer finanças públicas equilibradas e ao mesmo tempo preservar vida na terra não é de certeza empreitada para os alucinados insurgentes.

  9. lucklucky

    A Constituição caminha para o Socialismo diz logo é perfeitamente natural que os Juízes da Constituição defendam mais e mais impostos.
    O que é anti constitucional é que os mesmos Juízes defendam a discriminação de pessoas com base na sua capacidade económica. Assim violando a Constituição.

  10. Carlos Pacheco,

    «Querer finanças públicas equilibradas e ao mesmo tempo preservar vida na terra não é de certeza empreitada para os alucinados insurgentes.»

    Suponho que seja tarefa para padeiros sustentáveis.

  11. «A esquerda teima em mudar os bois à espera do messias que vai implementar o “maravilhoso amanhã”, já a direita costuma focar-se em resultados e prefere reduzir as competências do estado.»

    Onde é que está essa direita, caro Pedro Borges? Aqui todos esperam o messias à borda d’água, ora no Rio ora na Costa.

    ANÚNCIO

    Procura-se a Direita para assumir a condução da República Portuguesa. Deve andar pelos 40 anos, ser limpinha e parcimoniosa, e saber gerir a sua casa sem entrar em dívidas. Caso esteja interessada, deve entrar em contacto com Pântano de Tanga <desgoverno.sem.volta@republica.pt>

  12. Alexandre Carvalho da Silveira

    Depois admiram-se que emigrem 100 mil licenciados por ano. Eu admiro-me é que não emigrem 200 ou 300 mil. Quem é que no seu perfeito juízo que viver num país que é governado a partir de um orgão que não tem legitimidade democrática?
    E já vão mais de 3500 milhões em aumentos de impostos. E o Tozé aplaude…

  13. Carlos Pacheco

    “Suponho que seja tarefa para padeiros sustentáveis.” Antes entregar isto a padeiros e padeiras que a economistas insurgentes, chiça!

  14. lucklucky

    Se há alguém contra os padeiros e outros merceeiros é o Carlos Pacheco.

    E atente-se na expressão “entregar isto” como se um Estado reduzido não favorecesse um Comunistas genuínos construirem a sua Comuna.

    Com um Estado minímo o Carlos Pacheco teriam muito menos dinheiro dos impostos a ir para os capitalistas colados ao Estado.
    Mas sabemos muito bem que as grandes empresas e os grandes grupos económicos colados ao Estado é que dão emprego ao Sindicalismo…

    Na verdade a maior parte dos Comunistas portugueses são Neo-Fascistas.

  15. Comunista

    “Mas sabemos muito bem que as grandes empresas e os grandes grupos económicos colados ao Estado é que dão emprego ao Sindicalismo…”

    Todas as grandes empresas e grandes grupos económicos, em todo o lado, estão colados ao Estado – eles não dão emprego ao sindicalismo, eles, em Portugal e no mundo, dão emprego e verbas aos políticos do centrão.

    O Estado mínimo vosso quereria dizer apenas uma coisa – Estado só para o grande Capital, ou seja, neofascista é o que o sr. propõe.

  16. Comunista

    “Quem é que no seu perfeito juízo que viver num país que é governado a partir de um orgão que não tem legitimidade democrática?”

    O que não tem legitimidade democrática são as medidas chumbadas pelo TC. Claro que no ideário terceiro-mundista do insurgentismo quanto menos controlo sobre um governo (de direita) melhor. Vejo que já desistiram de exigir o fim das mordomias das PPP, das EDP e demais FDP, querem antes expremer o trabalhador do serviço público e o reformado.

  17. J.Pinto

    Porque é que o preâmbulo da CRP diz claramente que o povo tem “de abrir caminho para uma sociedade socialista,”. Porque é que tem de ser socialista? Quem é que decidiu? Porque é que a Consituição não deixa que os Governantes procedam como os cidadãos querem? Os Governantes, pelo menos, vão a votos de 4 em 4 anos.

  18. J. Pinto,

    O único texto de aplicação obrigatória na Constituição é esse versículo do preâmbulo. Tudo o resto é para ignorar, especialmente se o governo for de esquerda, consoante as necessidades do momento.

  19. David Calão

    J. Pinto, não seja preguiçoso e vá estudar história se quer mesmo resposta a essas questões. A malta hoje em dia está demasiado habituada a perguntar tudo ao Google, é uma chatice.

  20. Miguel Noronha

    “Porque é que o preâmbulo da CRP diz claramente que o povo tem “de abrir caminho para uma sociedade socialista,”.
    Porque na altura confundiam socialismo com democracia. Tudo o que não estivesse de acordo com os canones marxistas era fascismo. Hoje ainda o fazem mas como têm vergonha preferem chamar-lhe “direitos sociais”-

  21. A. R

    É incrível como as decisões deste politburo, sem ser eleito nem ter qualquer legitimidade que não seja uma constituição sobre a pressão da metralha comunista, se tornam obrigatórias.

  22. jorge

    Mas que teoria económica defende medidas de rajada com reduções salariais a eito sem qualquer reorganização do estado ou de qualquer organização, apenas para seguir a linha de menor resistencia? O problema destas medidas é que são um paliativo facilmente reversível e portanto em nada resolvem os problemas. Serviram como medida de emergencia, mas não servem como reforma duradoura…

  23. Carlos Pacheco

    Pois é, nem dar pontapés, nem cortar pernas… Não deixam fazer nada, e nós já estamos fartos de jogar à bola e ao pião.

  24. J.Pinto

    David Calão,

    Vi pela sua resposta que a constituição é socialista porque sim. Não tem resposta razoável. É socialista porque era a melhor forma de defender os tais direitos sociais de uns, forçando os outros a pagar.

  25. jorge

    Pode-se rever a Constituição e aproximar Portugal de um país “normal”…
    Era por aí que a história devia ter começado antes de resvalar para os diálogos pueris sobre a comunicação entre o governo e a oposição.

    O receituário até pode fazer algum sentido: não querem ou não podem reformar? paguem!

    se o que está em causa é afectar o sector de bens não transaccionáveis, os ganhos de produtividade só se conseguem com mudanças estruturais.

    Os juízos de valor baseados no nível salarial e na igualdade apenas agravam as distorções. Os quadros qualificados da função publica ganham pouco (vide médicos, professores doutorados, etc) e a estrutura de qualificação é absurda. Alguém que ajude dizendo quantos motoristas são empregues na Administração central? . E assistentes administrativos?
    Não me parece que haja alguma de coisa de útil em comprimir salários, mexendo nos salários relativos (porque os mais baixos são intocáveis, independentemente da sua relavancia ou contribuição)…

    Por isso tambem me parece pouco útil discutir o tema como se tratasse de uma discussão clubistica de futebol. O Passismo e o Joaquinismo não são as unicas alternativas. Do ponto de vista da teoria económica nem são alternativas muito aceitáveis.

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