E depois do Adeus à Troika?

Até já, o meu artigo para o Diário Económico no 25 de Abril:

Vamos começar com factos, com base no OE2014. As prestações sociais pesam 48% do Orçamento, as despesas com pessoal 22%, os juros sobre a dívida estatal 9%. Em 2013, em plena crise, a massa salarial cresceu 6,3%. Neste século, a mesma massa salarial estatal cresceu cerca de 50%, enquanto que a economia, esmagada pelo peso do Estado, não cresceu.

Mais problemática ainda é a situação demográfica. As prestações sociais estão numa trajectória insustentável de acordo com todos os estudos conhecidos. A causa pode ser vista no OE2014, nas projeções do rácio de dependência dos idosos (população 65+ anos/população 15-64 anos): os 28% de 2014 vão mais que duplicar em 2050. Os “direitos adquiridos” dos que não têm de ser competitivos obrigam a geração mais nova a trabalhar para pagar impostos, não deixando margem para poder financiar a renovação geracional. De acordo com o INE, mais de 40% dos jovens (25-34) portugueses moram em casa dos pais. O número de filhos por casal reduziu-se de 2,25 (1980), para 1,55 (2000) e é agora de 1,28 (2014). A idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho aumentou de 24,7 (1990) para 29,5 (2012).

Esgotada a capacidade de endividamento, esmagado o crescimento económico e exaurida ou expulsa a geração “mais bem preparada de sempre”… quem acha que vamos poder voltar ao festim de quando tínhamos 15% de dívida, reservas auríferas no Top10 mundial, remessas de emigrantes volumosas e uma natalidade saudável… desengane-se e acorde.

Se o País souber cortar em quem não produz riqueza (público e também privado que vive à custa daquele – “rentistas”, na literatura), instituir uma cultura de transparência e meritocracia, liberdade de ação com responsabilidade pelas consequências, e aceitação do risco, tem futuro. Senão, E depois do adeus à Troika?
Até já!

 

3 pensamentos sobre “E depois do Adeus à Troika?

  1. Nuno

    Não faz mal.
    Cortesia de Draghi, vamos continuar a acumular dívida a juros baixos e de preferência nas emissões com maturidade mais reduzida, onde ainda são mais baixos, para que a margem de manobra seja inexistente e o desastre ainda seja maior ao mínimo sobressalto do mercado.
    O que interessa é deixar a situação mais ou menos tranquila até já se estar bem longe.
    Se sempre foi assim em Portugal e em toda a Europa, pré e pós-crise, porque mudaria agora?!

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