Estatísticas Governamentais

Os EUA anunciaram ontem que a taxa de desemprego baixou de 6,7% em Março para 6,4% em Abril. Porreiro, pá.

UnemploymentUSAApril2014

Analisando os números em mais detalhe, entre Março e Abril deste ano registam-se menos 73 mil pessoas empregadas (!) e também 988 mil pessoas que deixaram de pertencer à população activa (!!!).

UnemploymentUSAApril2014Details

O site ShadowStats mantém o registo da taxa de desemprego de acordo com a metodologia usada pelos  EUA em 1994, e que tem sido modificada sistematicamente para os números parecerem melhor do que o que são. De acordo com essa metodologia, a taxa de desemprego nos EUA encontra-se perto dos 23%.

ShadowStatsUnemployment

 

 

 

11 pensamentos sobre “Estatísticas Governamentais

  1. A. R

    Nos EUA funciona o marketing político e manipulação de números. O Brasil segue o mesmo caminho. Vai ser um estoiro que se vai ouvir longe ..

  2. Joao

    Repararam que desde fevereiro o num de pessoas empregadas cresce? E que fevereiro para março cresce menos que a força de trabalho? Alguém se lembra do panico do desemprego ter crescido nessa altura? Ninguem? Se calhar o governo de obama anda a cozinhar os números mas é tão burro que em março os cozinhou ao contrário.

    Ou se calhar o problema é prestar demasiada atenção ao shadowstats. Que desde 2007 anda a dizer que para o ano há hiperinflação….

    Melhor é manter esses chapéus de “tin foil” não vá as conspirações serem verdadeiras. 😉

  3. lucklucky

    Como o Estado domina a estatísticas desenha-as como lhe dá mais jeito.
    É aliás uma coisa que os liberais não se apercebem, deixam os Estado dominar os números do crescimento, inflação por exemplo.

  4. José

    Será que o nosso INE e o governo já aplicam estes métodos rigorosos de abandalhar as estatísticas? Julgo que sim

  5. Marco

    @José

    Nunca na vida (sarcasmo).
    Basta ver que a segurança social poderia dar estatísticas em relação ao número de activos contribuintes … e … é o que se vê …
    Na política o interesse é manipular as estatísticas a nosso favor … Sócrates era um “mágico” nisso, mas Portas e Coelho andam no seu encalce … o InSeguro parece que é um tanto burro para aproveitar a coisa, mas “parace” …

  6. lucklucky

    Deveria existir competição nas estatísticas entre o INE e institutos privados não um monopólio de facto pelo Estado destas.

  7. “Deveria existir competição nas estatísticas entre o INE e institutos privados não um monopólio de facto pelo Estado destas.”

    Ninguém tem vontade de ver o Rei nu…enquanto nos iludimos com as suas vestes majestosas, está tudo bem…

  8. Lucklucky,

    «Deveria existir competição nas estatísticas entre o INE e institutos privados não um monopólio de facto pelo Estado destas.»

    Ninguém o impede de formar um instituto e fazer estatísticas. Existem, caso desconheça, agências de sondagens que realizam estatísticas sobreos mais diversos assuntos. Existem gabinetes de estudo dos bancos e interbancários que compilam estatísticas sobre economia e finanças.

    Lucklcky, ainda não chegámos à fase da estatística SOVSTAT. O INE tem feito um excelente trabalho. Ninguém lá fora pôs, ao meu melhor conhecimento, em causa as estatísticas do INE; e fazem-no aos congéneres grego e cipriota e, em menor grau, italiano.

  9. HO

    “Deveria existir competição nas estatísticas entre o INE e institutos privados não um monopólio de facto pelo Estado destas.”

    Como este?
    http://bpp.mit.edu/usa/

    Ou este?
    http://www.adpemploymentreport.com/

    Os números da taxa de desemprego não são tão positivos como a taxa U3 sugere prima facie? Correcto, e nem sequer pela LPR (http://esoltas.blogspot.com.br/2014/05/why-participation-is-down.html). Porém isso não implica que sejam más notícias. Os números do ShadowStats são absurdos. Não há meio termo: acreditar nos números do ShadowStats significa que todas as outras estatísticas, públicas e privadas, de indicadores micro com vendas de carros aos números dos portais de ofertas de emprego ou inventários aos macro como consumo e investimento, estão erradas.

    A febre anti-monetarista está a tornar parte substancial da direita esquizofrénica. A política fiscal norte-americana, longe de ser perfeita, tem sido aceitável nos últimos 3 anos, em particular no último. Ao invés de esfregar estes números na cara dos fiscalistas keynesianos que fizeram previsões semi-apocalípticas durante o fiscal cliff, apresenta-se a tese de que os números são bons demais para ser verdade? Em Dezembro, os republicanos no Congresso conseguiram finalmente forçar a não prorrogação da extensão de emergência dos subsídios de desemprego – utilizando o argumento de que isso diminuiria a taxa de desemprego. A taxa de desemprego cai. Era de se fazer uma victory lap, não enjoar num carrossel conspiratório.

  10. Nuno

    A taxa de desemprego tornou-se totalmente irrelevante para aferir a performance económica nos EUA. De tal modo era embaraçoso o evidente contraste entre a queda da taxa, no papel, e o lento crescimento económico e a falta de melhoria do bem-estar geral, demonstrado pelos altos números de americanos em food-stamps, pelo pesadelo Keynesiano do teimoso deleveraging das famílias, do matching quase perfeito entre o total do programa QE e a diferença abissal entre DO’s e Crédito concedido nos balanços dos bancos, montante que foi seguramente parar às respectivas divisões de ‘trading’, dos sucessivos falhanços nas top-lines das empresas cotadas (apesar dos EPS – medida que o mercado prefere – cumprirem sucessivamente, cortesia de gigantescos buy-backs), da dívida líquida (Passivo Fin. – Cash) das empresas estar em máximos e o Capex em mínimos, que a própria Fed teve de, envergonhadamente, substituir o irrelevante target de 6,5% pela irrelevante ‘forward guidance’. Eles não fazem ideia do que andam a fazer e, contudo, continuam a fazê-lo.

    Não, os anti-monetaristas austríacos têm razão. O crédito fácil conseguiu, além de baixar a taxa de default de dívida empresarial para 2%, valor impressionantemente baixo mas com precedentes em 1990 e 2006 (…), substituir o Capex gerador de empregos e sustentabilidade empresarial pelos stock buy-backs apoiados em dívida para os accionistas militantes e as administrações irresponsáveis e carregadas de stock options, permitiu uma onde de refi’s hipotecários e o respectivo resgate de um rei aos bancos, o retorno da inovação financeira com a criação do subprime automóvel (!) – apesar do que os inventários da GM nunca estiveram tão altos – a criação de nova bolha accionista e febre dos IPOs, com a dot.com 2.0.

    http://davidstockmanscontracorner.com/chronicling-the-folly-of-qe-bernankes-swell-gift-to-the-big-four-banks/

    http://davidstockmanscontracorner.com/big-blue-stock-buy-back-machine-on-steriods/

    Tudo isto gera um simulacro podre duma economia, uma infra-estrutura produtiva esclerosada que tem como corolário o desaparecimento daquilo a que David Stockman chama os ‘bread-winner jobs’ e a sua substituição pela indústria financeira rentista que inflaciona a riqueza (no papel) das classes detentoras de activos financeiros.
    Como consequência, a desigualdade na distribuição da riqueza está em níveis de 1929, não tendo parado de subir desde Obama/Bernanke 1.0, apesar das tretas lidas do teleponto, que não é nenhuma falha de constituição do Capitalismo de lucros e falências mas resultante do socialismo monetário dos sábios da Reserva Federal – uma repressão financeira que não é mais que redistribuição da riqueza dos pobres para os ricos.
    São estas as consequências micro da gestão dos modelos macro do Politburo monetário.

    http://www.zerohedge.com/news/2014-01-19/guest-post-president-obama-inequality-rhetoric-vs-reality

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