Ayrton Senna

 

Ayrton Senna morreu há 20 anos. Em Outubro de 1984, Senna, ainda ao volante de um Toleman, encontrava-se em segundo lugar no Grande Prémio de Portugal e foi o último obstáculo que Lauda teve de ultrapassar para se sagrar campeão pela terceira vez. Nesse dia, quando as atenções se centravam no austríaco, olhei para o meu pai e disse-lhe que daquele momento em diante, iria torcer por Senna. Não importava que a equipa fosse fraca. O que ele transmitia, e eu era um miúdo nessa altura, era uma tal vontade de vencer que tudo seria possível. A partir desse dia deixei de apreciar corridas de F1 para passar a ver Senna conduzir um fórmula 1.

A 21 de Abril do ano seguinte, no Estoril, Senna venceu pela primeira vez. Chovia desalmadamente e o brasileiro cilindrou tudo e todos. Nada restou além dele; ele e os saltos de alegria dentro do Lótus preto, feliz como se fosse o culminar de uma carreira quando ainda era o seu princípio. Aqueles pulos, ao mesmo tempo que guiava o carro após cortada a meta, eram a alegria que Senna deixava transparecer no que fazia de melhor. Ayrton tinha uma alegria ingénua e juvenil na vitória que nunca desapareceu. Nem quando já era tri-campeão do mundo, nem quando entrou na sua última curva em Imola. Foi essa ingenuidade, aliada à genialidade que tornava fácil o que fazia, que o fizeram incomparável.

Foi a jovialidade que lhe deu a coragem. ‘Um homem corajoso’ como o definiu o cineasta Arnaldo Jabor. A coragem para enfrentar um sistema de interesses que só podia nascer num espírito simples. A coragem de se superar a si próprio, mesmo quando isso implicava falhar, deixando incrédulos os que puxavam por ele. Como muitos outros, custava-me crer quando Senna não conseguia e deixava de ver as corridas quando ele saía.

Mas Senna tinha algo mais: comunicava com os fãs. Quando fazia o impensável, Senna respondia não só ao apelo dos que torciam por ele, mas à crença mais íntima de que não havia impossíveis. Foi assim quando, no Japão, partiu da 16.ª posição e venceu a corrida que lhe deu o título em 1988. Ou, em Donington, em 1993, quando a primeira volta foi suficiente para passar de 5.º para 1.º. Se havia algo bom demais para acontecer, acontecia. Era alegria pura. Sofríamos até a corrida acabar. Sofríamos defendendo-o sempre, a toda a hora, contra os que preferiam a cautela de Prost. Sofria-se porque se estava à frente e era preciso bater o recorde da pista; e o recorde de vitórias. E do número de voltas mais rápidas. Senna imbuía-nos da ansiedade da vitória, da tranquilidade dos sonhos realizados.

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One thought on “Ayrton Senna

  1. lucklucky

    Um gangster das pistas. Quando é que o título de 1991 lhe vai ser retirado? tiraram os pontos todos a Schumacher pelo mesmo.

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