Não foi o 25 de Abril que trouxe evolução ou progresso. Foram os homens e as mulheres que se erguiam e dos seus tentos erigiam, na proporção dos seus sonhos, nos alicerces e nas calçadas, um Portugal melhor — para eles e para os seus. Do 25 de Abril saiu revolução e retrocesso, dois anos de contra-ciclo, nacionalizações, saneamentos, reformas agrárias, despojos e demais violações das propriedades de quem de direito. Saiu um ideário, saiu um plano revolucionário em curso e saíram coveiros para o executar, com maior sucesso do que o país e os portugueses mereciam.
Mas o 25 de Abril teve algo de profundamente positivo, que nada nem ninguém poderá negar: uma leve e tímida alvorada de liberdade. Festeje-se então o exórdio da liberdade, mas não nos contentemos. A liberdade começa mas não pode terminar aqui. Festeje-se a liberdade, como um fim de si mesmo. Foi há quarenta anos que se conquistou um pouco, mas somente um pouco — tanto ainda por alcançar — da parca liberdade que hoje exaltamos. É por essa liberdade e pela promessa de que mais virá que hoje devemos rejubilar.
O 25 de Abril não está por cumprir. Pelo contrário, o seu cumprimento extravasou por larga medida aquilo que eram as ambições das gentes: o fim de guerra colonial e, sobretudo, o fim da repressão política. Liberdade. O que ficou por cumprir foi o panfletário daqueles que viam no 25 de Abril uma oportunidade de, obstante ou não obstante o que para eles era um pormenor, a liberdade, instituir o seu regime de eleição: uma outra ditadura, uma outra opressão. Ficou e ficará, porque alguns dos homens que outrora se ergueram, erguer-se-ão novamente. Desta terra de onde escrevo e de tantas outras espalhadas por este Portugal.
E foi por isso, mas não apenas por isso, que o 25 de Abril, a par com o 25 de Novembro, deve ser celebrado e exaltado. Foi este o arrepiado e tremelicado esforço sobre o qual Portugal e os portugueses começaram a erguer as fundações da liberdade. Nenhum Governo, Estado, regime ou nação garante a liberdade. As instituições são limitadas pela liberdade. Pela liberdade dos seus povos e, especialmente, dos seus indivíduos, hoje e sempre. E, por essa liberdade, viva o 25 de Abril!