Passatempo revolucionário

5008aQualquer pessoa que analise o actual regime desapaixonadamente, concluirá que foi um fracasso económico. Apesar das oportunidades, o regime fracassou em desenvolver o país e melhorar o padrão de vida dos portugueses. Portugal está hoje, em termos relativos, na mesma posição em que estava em 1974 em relação às economias mais avançadas. As melhorias no nível de bem-estar ocorreram devido ao passar do tempo e não devido ao regime. A isto, é comum responderem que mesmo que tenha sido um fracasso económico, as condições sociais, saúde e educação melhoraram bastante graças ao 25 de Abril. Para testar esta teoria proponho um jogo aos nossos eleitores.

Em baixo encontram gráficos com dados de alguns dos principais indicadores de qualidade na saúde e educação. Os gráfico contém dados referentes a um período de 40 anos que inclui 1974. O meu desafio para aqueles que acreditam que o 25 de Abril foi o ponto de viragem na qualidade de vida dos portugueses, é o de localizarem 1974 nos gráficos (está sempre na mesma posição). Certamente se 1974 foi o ponto de viragem não será complicado de encontrar.

Mortalidade Infantil

Mortalidade

Brutaescolaridade

realescolaridade

esperançamédia

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48 pensamentos sobre “Passatempo revolucionário

  1. António Pires

    Adenda ao comentário anterior: se referi 1973 foi por ser o último ano completo do anterior regime. O 25 de Abril de 1974 corresponde ao ano 15 dos gráficos.

  2. Josand

    É pena os anuários estatísticos mais antigos estejam num formato( digitalização de papel) que dificulta a comparação e uso dos dados… Talvez ainda tivéssemos mais dados!

  3. Alexandre Carvalho da Silveira

    Parto do principio que o ano 1 corresponde a 1960. Nesse caso, 1974 seria o ano 15. Mas para mim o mais interessante seria comparar 1934 com 1974, e 1974 com 2014.

  4. Fernando S

    O que estes gráficos mostram é que o pos-25 de Abril continuou um processo de melhoria destes indicadores (absolutos) que vinha de antes de 1974.
    A questão do hipotético “fracasso economico” do actual regime tem de ser tratada a outro nivel. O post sugere que seja a comparação da evolução de indicadores nacionais com os mesmos indicadores dos outros paises. Mas esse é outro “passatempo” …

  5. k.

    E para ser mesmo cínico: Suponho que os gráficos acima “demonstrem” que o PREC e as nacionalizações foram completamente neutras para o Pais!! 😛

  6. A. R

    Excelente. Demonstra aos doentinhos ideológicos que havia muita vida, progresso e mais honestidade sem endividar o país quase sem remissão.

  7. Independentemente de se concordar ou não com a ideia subjacente, o post torna-se confuso exatamente por não se perceber a que ano corresponde 74, só mesmo vendo os comentários se percebe

  8. Rinka

    “As melhorias no nível de bem-estar ocorreram devido ao passar do tempo e não devido ao regime.”

    Estranhamente a maior parte dos países do mundo não atingiu esse desenvolvimento, embora tenha passado pelo mesmo tempo

  9. Estou neste momento a ler o livro de Henrique Raposo “História Politicamente Incorrecta de Portugal Contemporâneo” que defende, com dados numéricos, exactamente a ideia de que o progresso em muitos aspectos do pós-25 de Abril é apenas uma continuação do progresso anterior ainda em pleno Estado Novo, que se tornou mais pronunciado a partir dos anos 60. Dentro desta ideia, suponho que o ano de 1974 corresponde ao ponto 12, notando-se em alguns indicadores as flutuações negativas devidas ao PREC.

  10. Vivendi

    A gratidão pertence à História, não à política.
    António Oliveira Salazar

    Contextualização:
    Com a 2ª Guerra Mundial a decorrer, os países que costumavam fornecer Portugal não puderam corresponder aos pedidos, pois a sua industria estava dirigida para o armamento.
    Assim, Portugal teve que começar a produzir os seus próprios bens e para isso foi criada a Lei de Fomento e Reorganização Industrial – cujo objectivo era substituir as importações (mais uma vez aqui implicito, o principio de autarcia).
    Com a entrada na OECE, a necessidade de planeamento económico foi reforçada e para isso foram criados três Planos de Fomento.

    Os Planos:

    I Plano
    a) Reconhece a importância da industrialização;
    b) Não esquece a vocação agricola do país;
    c) Investimento de 7.5 milhões de contos;
    d) Criação de infra-estruturas.

    II Plano
    a)Indústria transformadora de base foi privilegiada;
    b)Visava a substituição das importações;
    c)Lei do condicionamento industrial

    III Plano – marca a inversão da política de autarcia do estado novo
    a)Funcionamento do mercado;
    b)Consolidação empresarial;
    c)Política de exportações;
    d)Captação de investimentos estrangeiros;
    e)Apelo ao dinamismo empresarial.

  11. F

    Planos trienais à moda dos quinquenais!

    Um pormenor: havia censura, PIDE, os mortos votavam (e não eram todos), mais de 2 pessoas a falarem na via pública era considerado subversivo e ainda ias acabar o dia na prisa.

    um pormenor…..

  12. rmg

    Rinka

    Sem olhar para as curvas correspondentes desses países isso que diz não passa de uma “boca” , para mais se não especificar a que “grande parte” dos países é que se refere .

    É evidente que em países onde já se chegou a um estádio tão bom que pouca evolução podem verificar não aconteceu isto , tal como nós não podemos evoluír muito mais na mortalidade infantil e um dia destes aparece um homónimo seu na China (por exemplo) a fazer comentários comparativos connosco semelhantes ao que fez .

  13. Ricciardi

    Admitindo que os ultimos 4 anos dos graficos não são projecções (portanto, inventados), então 1974 = ano 1

  14. Ricciardi

    o Ano 1 coincide exactamente com os valores da esperança media de vida que em 1970 estava na casa dos 64 anos. Não tem muito que enganar…

  15. Ricciardi

    Na prática em 1970 a idade para morrer é hoje, curiosamente, a idade para se reformar. Mais coisa menos coisa.
    .
    Mas estes são os aspectos positivos desta demo-cracia. Os negativos é que os aspectos positivos foram tomados por empréstimo. Um gajo deve-os.
    .
    Ainda assim é preferivel dever do que não existir. A prova está no facto de serem os vivos reformados e aquelas crianças que não fizeram parte das estatisticas da mortalidade infantil de (alguns escrevem hoje neste e noutros blogues) que estão a estão pagar.
    .
    Se um gajo pudesse perguntar a um nado morto da decada de sessenta se preferia ter dividas ou estar vivo, eu tenho a impressão que ele escolheria a 2º hipotese.
    .
    Ou ao contrário: se se perguntar a um vivo endividado de hoje se preferia ter sido um dos infelizes da estatistica da mortalidade infantil eu penso que ele pensaria em continuar endividado. Tambem pode dar um tiro na cabeça.
    .
    A questão não está, nem nunca esteve na evolução meritosa nas áreas da saúde e educação. O endividamento deveio de outras cenisses.
    .
    Anyway, uma dessas cenisses tem muito a ver com as miseráveis nacionalizações que se fizeram e que bloquearam o crescimento REAL do país. A outra cenisse tem a ver com coisinhas simples como corrupção, rentismo, partidocracia etc,

  16. Rogério Alves

    Gostava mesmo de saber a que corresponde o 25 do 4. Suponho que seja 14 ou 20 mas gostaria de ter a certrza

  17. Rogério Alves

    E , sim, este posto é muito bom… pela desmistificação. Infelizmente o mito do milagre económico do 25 de 4 continuara a ser difundido como discurso único. Esclareço que a instauração da democracia e da liberdade foi uma coisa indiscutivelmente boa mas considero a hipótese de a ditadura acabar por se transformar em democracia quase inevitavelmente…

  18. Fernando S

    O aspecto mais positivo do 25 de Abril foi mesmo a queda de um regime politico caduco e o regresso do pais à democracia.
    O pior do 25 de Abril foi o lado “revolução”, em que a queda do regime anterior deu lugar a uma certa indefinição de poder que foi de imediato aproveitada por forças de pendor fortemente socialista e comunisante. O PREC, internamente, e a “descolonização exemplar”, nas ex-colonias, foram as manifestações mais visiveis e com consequencias mais negativas.
    No plano da especulação conjectural pode-se naturalmente discutir sobre se teria sido melhor que esta mudança de regime tivesse feito a economia de uma “revolução” e tivesse antes acontecido a partir da desagregação interna do proprio regime, num processo institucionalmente controlado e gradual, como foi, por exemplo, o caso em Espanha.
    Julgo que não é dificil concluir que se, como em Espanha, não tivesse demorado e tivesse sido relativamente rápida (no fim de contas o regime franquista acabou em 1976 em práticamente 6 meses), a transição para a democracia teria tido menos custos economicos e sociais. A probabilidade de que, sem o “25 de Abril”, teria sido esta a evolução da situação portuguesa, parece-me bastante forte tendo em conta que o regime estava em 1974 numa situação de grande fragilidade e que existiam já no seu seio forças reformistas, nomeadamente a “ala liberal” no Parlamento, muito activas e determinadas.
    A verdade é que o “25 de Abril” chegou antes e os acontecimentos seguiram o rumo que se conhece.
    De qualquer modo, e mesmo admitindo que, para além dos “estragos” imediatos do PREC, as crises de 1978 e 1983 também foram em boa medida uma consequencia da “revolução”, a verdade é que a seguir a 1974 o pais continuou no essencial uma trajectoria de longo prazo de modernização e progresso que provávelmente não teria sido muito diferente sem a “revolução”. De notar que uma progressiva convergencia do rendimento per capita e de outros indicadores economicos e humanos com os dos paises mais desenvolvidos foi prosseguida a seguir ao 25 de Abril depois de se terem “encaixado” as consequencias negativas do PREC, sobretudo nas duas ultimas décadas do século XX.
    Dito isto, parece-me também claro que o pais poderia ter tido uma evolução ainda mais positiva, aproveitando melhor a maior liberdade politica e economica e a maior e mais institucionalizada integração na Europa e na Zona Euro.
    Tal não aconteceu, já não tanto por causa das sequelas negativas do 25 de Abril mas sobretudo porque a governação do pais seguiu politicas economicas erradas. As vantagens obtidas com a integração europeia, em particular no plano do financiamento, foram utilizadas sobretudo para aumentar gastos publicos e consumos correntes. O resultado foi, sobretudo a partir da viragem do século, um crescente endividamento e uma degradação acelarada das condições de competitividade da economia. A grave crise financeira a partir de 2010/2011 foi o desenlace inevitável desta situação.
    O “25 de Abril” e as consequencias da fase “revolucionária” que se segiu voltam então a condicionar a marcha dos acontecimentos, o modo como a crise foi e tem sido combatida. A Constituição herdada do pós-revolução, apesar de revista nos anos subsequentes, manteve um forte cunho socializante e iliberal que limitou significativamente a margem de manobra do governo que tem vindo a aplicar o programa de assistencia financeira acordado com os credores institucionais. Assim, a consolidação orçamental não pode ir tão longe quanto o previsto no corte de despesa publica e as reformas estruturais, que poderiam ter sido entretanto começadas, admitindo naturalmente que teria em paralelo existido a intenção e a vontade politica para tal, teem estado em boa medida constitucionalmente bloqueadas.
    O resultado é que, embora o pais esteja a conseguir ultrapassar a emergencia da crise, os problemas de fundo continuam ainda em grande parte por resolver.
    De certo modo, o custo da “revolução” do “25 de Abril” continua a ser pago 40 anos depois.

  19. Ricardo P.

    Mas isto está tudo louco… O que mais me espanta é como um blog suportado por liberais se movimenta com tanto fervor em defesa do regime mais estatizante – no mau sentido – alguma vez existente em Portugal.

  20. Carlos Guimarães Pinto

    Gostava de saber onde é que o Ricardo P. viu alguém a defender o Estado Novo neste blog. Ou então para si, não comer todas as narrativas que lhe são dados pela elite socialista no poder é defender o estado Novo.

  21. Ricardo P.

    Carlos Pinto, sei bem o que digo. A lógica subjacente a este miserável post é q a melhoria das condições de vida era uma tendência já presente antes de 74. Se bem q este dado não é substancialmente falso, é enganador. Note que alguns progressos sociais foram alcançados durante a chamada “primavera marcelista” (se as curvas se iniciassem antes desse período a ilusão seria desmascarada) portanto, qualquer medida social tomada pelo Estado a partir de finais da década de sessenta e olhando ao lastimável ponto de partida q havia resultaria numa evolução positiva. Bem mais difícil foi manter essa tendência e evitar a estagnação dos indicadores. Espero ter sido claro.

  22. Carlos Guimarães Pinto

    1. As curvas começam em 1961
    2. Segundo o seu raciocínio, o 25 de Abril ocorreu no preciso momento em que todas as variáveis tinham acabado a parte fácil da evolução e se preparavam para estagnar. É isso? Muito conveniente, não é?

  23. José

    Ahhhhh.. Graças a Deus que já passou o 25 de Abril ! Já estava farto dos salpicos de ressaibiamento derramados por aqui! Infelizmente ainda falta o 1º de Maio mas depois abre-se um a gloriosa avenida para que alguns possam celebrar ( por enquanto ainda discretamente) o 28 de Maio….isso é que eram tempos! É a história , pode ser reescrita , reintrepetada mas as consequências ficarão , as do ante 25/4, as do depois do 25/4 ,as do durante o “Programa de Ajustamento” e até mesmo as posteriores ao relógio do Caldas que não parará na data prevista , ficando até a trabalhar em modo “background ” sabe-se lá até quando, ou até o novo Vasconcelos ( não não é o da comissão dos impostos verdes – mas também poderia ser) ser defenestrado .

  24. Carlos Guimarães Pinto

    Claro José, quem não concorda com a narrativa do comunismo libertador que nos retirou da miséria, só pode ser fascista. É óbvio que sim.

  25. Pingback: Passatempos reaccionários – Aventar

  26. JR

    Acusar quem defende algum mérito do 25 de abril de “comer as narrativas da elite socialista no poder” ou de esses méritos serem uma “narrativa do comunismo libertador” também me parece um bocadinho radical. Não há meio termo por aqui? É possível ter-se orgulho no 25 de abril sem se ser apelidado de comunista revolucionário? Ou criticar o que de mal aconteceu nestes 40 anos sem ser um fascista ressabiado?

  27. Ricardo P.

    Este post tem aspectos verdadeiramente surrealistas….. Segundo o primeiro gráfico em 1961 (comentário supra) a mortalidade infantil era 90 por cento, acho q nem no tempo dos neandertais…. Para além disto, qual a seriedade de fazer análises à evolução de um sistema educativo tendo por base números referentes ao segundo ciclo….. Se a presença do segundo ciclo fosse de cem porcento da população juvenil e daí para diante descesse para zero, estaríamos perante uma boa política educativa? Ou pode garantir q a tendência presente na evolução do segundo ciclo se estendia para os demais níveis superiores de ensino?

  28. Carlos Guimarães Pinto

    O Ping tem que ser aprovado para aparecer e ainda não conseguimos contratar um estagiário que trate disto 24/7. Já está aprovado.

  29. Pingback: Find the revolution

  30. Elfo

    Como nada percebo de economia,não vou discutir,por esse campo,apenas respondo por factos reais por mim vividos…..quando aconteceu o 25 de Abril,eu tinha uns 16 anitos,mas vamos aos factos reais do antes……erámos 5 lá em casa,ou melhor lá na barraca,sim porque nós viviamos numa das milhares que esta cidade tinha,mesmo com 4 salários,não conseguiamos ter dinheiro para pagar uma renda de casa,o melhor que se conseguiu,foi uma barraca,por 300 escudos.Como a vergonha era muita de tal situação se tentou alugar uma casa,mas o senhorio além de querer,3.500 escudos ainda queria fiador e a caução,é evidente,que era dificil.Agora vamos ao recheio,televisão isso era no clube de bairro,onde só se ia ver o festival da canção,pagando 5 escudos,sófas era outro dos luxos,que não era para nós,carro só olhando para os dos outros,bem mas fiquemos por aqui,e me despeço dizendo o seguinte,no dia 25 de Abril,já tinha melhorado um pouco,tinha passado da barraca para um quanto,por 400 escudos,sempre era menos vergonhoso morar num quarto do que numa barraca…….

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