Democracia Não É Liberdade

Por muito que se tente usar os termos “Democracia” e “Liberdade” de forma indistinta, elas representam na realidade coisas bem diferentes. De facto, a partir do momento em que a democracia permite votar e decidir sobre os direitos fundamentais dos indivíduos, permitindo que as maiorias imponham de forma coerciva as suas vontades sobre as minorias, torna-se bastante clara a diferença.

32 pensamentos sobre “Democracia Não É Liberdade

  1. k.

    Por essa lógica, nenhuma forma de governo é liberdade – creio que o seu conceito de liberdade é inatingivel

    Em Democracia pelo menos, os governantes governam com o consentimento dos governados. Imperfeita como seja, continua a ser a melhor.

  2. AA

    «Em Democracia pelo menos, os governantes governam com o consentimento dos governados.»
    Ou não. Algum regime já admitiu governar sem o consentimento dos governados?

  3. Fernando S

    “[A democracia], sendo o unico método que os homens por enquanto descobriram para mudar pacificamente de governantes, apesar de tudo, é algo de precioso e que justifica que se lute para a manter.”

    Friedrich A. Hayek
    “Law, Legislation and Liberty” Vol 3
    1979

  4. ulaikamor

    Sendo Democracia e Liberdade conceitos perfeitamente distintos, não devemos, no entanto, cair na tentação de pensar que Democracia é apenas uma “Ditadura da Maioria”, como os Socialistas do mundo gostariam de nos fazer acreditar.

    Existe o conceito de uma Democracia Liberal em que o Governo é de facto de maioria, mas com respeito pelas minorias, minorias essas que têm um lugar participativo no governo. Um exemplo perfeito de um sistema que implementa tal conceito, é o sistema parlamentar em que os partidos de minoria (não todos) têm representação.

  5. ulaikamor

    “Em Democracia pelo menos, os governantes governam com o consentimento dos governados. Imperfeita como seja, continua a ser a melhor.”

    “Consentimento” pode ser obtido pelo meio da violência… 🙂

  6. RicFer

    LOL:

    “Sendo Democracia e Liberdade conceitos perfeitamente distintos, não devemos, no entanto, cair na tentação de pensar que Democracia é apenas uma “Ditadura da Maioria”, como os Socialistas do mundo gostariam de nos fazer acreditar.”

    Hans-Hermann Hoppe, esse eminente xuxalista.

  7. Carlos Pacheco

    Ai que saudades quando era a minoria “liberal” a ditar a sua vontade à maioria! Os nossos avozinhos podiam pôr e dispor com toda a liberdade. A liberdade de comprar escravos. A liberdade de prender comunas. Ai ai… que saudades.

  8. HO

    K,

    “Por essa lógica, nenhuma forma de governo é liberdade – creio que o seu conceito de liberdade é inatingivel”

    A democracia é o método de escolher governantes, ou políticas públicas, por processo electivo com participação popular, nem mais, nem menos que isso. O liberalismo -no sentido constitucional, clássico- traduz-se na existência de mecanismos que limitam o poder dos governantes e o alcance das decisões políticas. Há democracias liberais e há democracias iliberais. Há ditaduras bem mais liberais que algumas democracias. A “civic association” do Oakeshott é um estado de ficção tão liberal que é irrelevante a forma de governo ser democrática ou outra qualquer. Na prática, a democracia e a liberdade têm sido frères enemies – tanto há uma irresolúvel tensão entre uma e outra, como, nos tempos modernos, têm prosperado melhor juntas que separadas.

    Chamar a isto “libertarianismo a sério” é severo. É uma grelha de análise com ampla aceitação, quase banal, embora possivelmente em maior grau na na teoria política académica do que no discurso político mundano, propenso à alegre misturada dos dois conceitos e à transformação da democracia num conceito esponjoso e vagamente mítico.

    ulaikamor,
    “Existe o conceito de uma Democracia Liberal em que o Governo é de facto de maioria, mas com respeito pelas minorias, minorias essas que têm um lugar participativo no governo. Um exemplo perfeito de um sistema que implementa tal conceito, é o sistema parlamentar em que os partidos de minoria (não todos) têm representação.”

    Isso não é exemplo, muito menos perfeito, de uma democracia liberal. Será mais um exemplo de uma democracia com um método eleitoral que assegura a representação política das minorias. A não ser que considere a Rússia ou Angola exemplos perfeitos de democracias liberais.

  9. RicFer

    Pacheco, “liberal” (no sentido europeu) e “ditar”/”escravos” não joga. Veja o vídeo e entenda de uma vez o que se defende aqui. Se nem com desenhos vai lá, não sei que lhe diga mais.

  10. Um excelente artigo que so poderia ter vindo do Joao Cortez!
    Quanto aos comentarios, o primeiro “premio” vai, sem duvida, para o k., que acha que os “governantes governam com o CONSENTIMENTO dos governados”. Esta podia ser para rir, se nao fosse para chorar…

  11. k.

    Suponho que prefeririam então o regime anterior ao 25 de Abril, ou outro análogo. Afinal ai os governantes tinham ainda mais supervisão e possiblidade de substituição que os actuais.

    E já agora, “consentimento dos governados” é uma frase que podem encontrar noutra revolução; Especificamente a Revolução Americana.

    Grandes liberais andam por aqui..

  12. AA

    « The Constitution has no inherent authority or obligation. It has no authority or obligation at all, unless as a contract between man and man. And it does not so much as even purport to be a contract between persons now existing. It purports, at most, to be only a contract between persons living eighty years ago. And it can be supposed to have been a contract then only between persons who had already come to years of discretion, so as to be competent to make reasonable and obligatory contracts. Furthermore, we know, historically, that only a small portion even of the people then existing were consulted on the subject, or asked, or permitted to express either their consent or dissent in any formal manner. Those persons, if any, who did give their consent formally, are all dead now. Most of them have been dead forty, fifty, sixty, or seventy years. And the constitution, so far as it was their contract, died with them. They had no natural power or right to make it obligatory upon their children. »

  13. k.
    Os EUA foram fundados como uma “republica” e nao como uma “democracia”.
    Nao e’ que isso seja de algum modo melhor, ambas sao variacoes de colectivismo coercivo, mas sao diferentes.
    Ja agora, como ficam aqueles que nao consentem ser governados?

  14. Carlos Pacheco

    RicFer. “liberal” (no sentido europeu) 😀 Os meus amigos não passam de um recauchutagem fajuta da velha direita com bafo a sacristia de sempre, sob o nome pomposo e irónico de “liberal”. De liberal, no sentido de tolerância e respeito pelos outros, vocês têm só as patilhas. Quem não vos conheça que vos compre. Não é por acaso que ficam sempre tão nervosinhos no 25 de abril. Ai que saudadinhas :’

  15. Fernando S

    Carlos Pacheco,
    “Saudadinhas” tem Vc da “tolerancia e respeito pelos outros” dos seus amigos “comunas” durante o famigerado PREC em 1974/75.
    O seu “25 de Abril” é antes o “11 de Março”, que cancelou o “25 de Abril”.
    Felizmente, houve o “25 de Novembro”. Mas deste não tem Vc de certeza “saudadinhas” !…

  16. Carlos Pacheco

    ui ui o fernando S também está nervoso. eram tão bonitos aqueles tempos. tudo tão “liberal”. 😥

  17. Fernando S

    Carlos Pacheco,
    Sim, é verdade, fico “nervoso” quando vejo um “comuna”, adepto de um dos sistemas mais repressivos e totalitários do nosso tempo, vir dar lições de liberdade e de democracia.
    Para um comunista a unica “liberdade” que conta é a dele e dos seus acólitos e a unica “democracia” que imagina é a “popular”, onde um partido unico se confunde com o Estado e controla o conjunto da sociedade.
    Um comunista tem muito mais a ver com o a repressão e a ditadura que caracterizou o “24 de Abril” do que com a liberdade e a democracia tornadas possiveis pelo “25 de Abril”.
    A principal diferença é que um regime comunista, seja ele qual for e sob todos os pontos de vista, é bem pior do que foi a ditadura do “Estado Novo” em Portugal.

  18. Carlos Pacheco

    😀 O Fernando S é um vidente que vê mal. Nada de anormal num talibã.”liberal”. Mas respire fundo. O que lá vai lá vai. Agora é olhar para a frente e ter calma. É mesmo difícil vencer a saudadinha, não é verdade?.

  19. Fernando S

    Carlos Pacheco,
    Para além da provocação idiota e mal-criada, qual é mesmo o seu argumento ?… se é que tem algum ?…
    Se tiver algum, e se estiver interessado, diga exactamente qual é e podemos eventualmente discutir.
    Se não tiver ou não estiver realmente interessado em confrontar pontos de vista, como parece ser o caso, então não vale a pena estarmos aqui os dois a perder tempo com esta conversa inutil.

  20. Fernando S

    Exacto … como imaginava Vc não tem qualquer argumento, nem veio aqui debater, vei apenas insultar …

  21. Vivendi

    A liberdade democrática…

    “Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suiça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa.”
    “Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República.”

    Marcelo Caetano sobre o 25 de Abril

  22. arni

    Carlos Pacheco,não estamos aqui para insultar,estamos para debater.Eu nem acho que este governo seja propriamente,ou tenha alguma coisa a haver com liberalismo,antes pelo contrário,tomou medidas mais á esquerda das que o PS alguma vez tomou,mas quem é que você se julga para chamar aos outros talibâs?

  23. rmg

    Não percebo como é que ainda perdem tempo com o Carlos Pacheco .
    O homem bebe , é notório .
    E o vinho é mau .

  24. Hugo Rego

    Não sei se ria ou se leve isto a sério. A ingenuidade e a limitação podem ser desculpáveis nas crianças. Neste post (e vídeo) tornam-se ridículas.
    Não sei se pelo basismo atroz, se pelo narcisismo travestido em “bondade humana”, se pelas banalidades recorrentes ou se pelo raciocínio limitado e pueril. Mas é ridículo.

  25. Carlos Pacheco?

    Se o comunismo é tão bom partido, quantos chineses estão filiados no PCC e qual é a percentagem relativamente à população chinesa?

    Quantos russos estavam filiados no PCUS em, digamos, 1985, e quanto representa isso perante a população geral?

    Depois de saber os números, verificará que até nos países onde as pessoas não têm hipótese de escolha, a esmagadora maioria das pessoas não quer saber de comunismo para nada. Se não verificar, apenas torna inconclusiva qualquer existência de vida inteligente à esquerda do PS.

  26. Hugo Rego

    Caro AA, com certeza que não. É certo que dá menos trabalho do que um copy-past mas como não me considero pessoa dada à preguiça (nem sequer à preguiça mental)…

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