A escravatura dos tempos modernos

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Imagine o leitor, sem muito esforço criativo necessário, que lê uma notícia de que foi encontrado um homem que, nesta era de democracia a jorros e liberdade para todos, era forçado a trabalhar para outro. Esse homem via-se também forçado a prescindir de cerca de 50% do seu salário a favor do seu dono. Com efeito, só começava a receber a partir de Junho. Era obrigado a cumprir um pacto, um contracto que nunca havia assinado, que o submetia às ordens e às vontades do seu dono. Estou plenamente convicto que, muito revoltado, condenaria a situação.

Imagine agora uma outra notícia que fala não de um homem a subjugar outro homem mas uma empresa ou corporação que faz precisamente o mesmo a outros homens. Só lhes paga cerca de ½ do salário que os trabalhadores definiram como sendo o valor justo. Os trabalhadores estão lá confinados, não tendo liberdade de a abandonar ou rejeitar. Mais. Essa mesma empresa impõem-se ao ponto de proibir que esses trabalhadores possam trabalhar noutras empresas, excepto se pelo valor que esta decretou. Novamente, a revolta seria previsível e justificável.

E, no entanto, se substituirmos o protagonista principal desta história pelo Estado tudo passa a ser permitido. É permitido que trabalhemos 6 meses do ano só para pagar o punhado do feudo ao suserano Estado. Estamos proibidos de estipular um valor abaixo daquilo que este decreta. Estamos sujeitos à ampla discricionariedade dos legisladores, dos burocratas e da panóplia de indivíduos cuja vida se resume a impor sobre a vida dos outros. É o “bem comum”, clamam.

O salário mínimo nacional é a evocação deste mesmo princípio — a submissão de vassalos a decretos dos suseranos. Também é permitir que alguns, os 10% dos trabalhadores assalariados que recebem 485€, possam receber um pouco mais, embora às custas dos que agora ficarão desempregados.

A escravatura não acabou. Mudou foi de rosto, de nome e de embalagem. É new age, parece bem, tem defensores, tem iguais senhores feudais, mas o princípio é o mesmo: um homem submetido à vontade arbitrária de outros homens.

107 pensamentos sobre “A escravatura dos tempos modernos

  1. k.

    O post é falacioso, assume que uma lei aprovada em Democracia não tem legitimidade, e que os representates eleitos também não têm legitimidade. Caminho perigoso..
    A vontade do legislador não é arbitrária. É sufragada. Só porque leis que não vos agradam são aprovadas, isso não quer dizer que não sejam legitimas.

  2. Manuel Costa Guimarães

    k.,

    A partir de que percentagem é que é escravatura? 50%? 60%? 62,5%?

    “A vontade do legislador não é arbitrária. É sufragada.”
    Por quem? Só seria realmente sufragada se fosse referendada, não?
    Tem razão quando diz que não é arbitrária, porque tem sempre o mesmo objectivo: retirar dinheiro aos outros.

  3. jo

    Para renunciar à escravatura o escravo tem de renunciar a tudo o que o seu dono lhe dá. Não pode utilizar estradas feitas pelo dono, ir a hospitais do dono, estudar em escolas do dono e não tem direito a influir nas decisões do dono.
    Existem numerosos países em África e na Ásia onde praticamente não se cobram impostos sobre os rendimentos, porque será que são sociedades que funcionam tão mal?

  4. mggomes

    “Para renunciar à escravatura o escravo tem de renunciar a tudo o que o seu dono lhe dá. Não pode utilizar estradas feitas pelo dono, ir a hospitais do dono, estudar em escolas do dono e não tem direito a influir nas decisões do dono.”

    Infelizmente, não é verdade.
    Não há liberdade de escolha.

    Eu prescindiria de bom grado dessa maravilha que dizem ser o Estado Social se pudesse deixar de contribuir para tal.

    Permitam-me e escolha entre:
    – passar a pagar todas as portagens necessárias, educação e saúde financiadas directamente por mim, deixando o Estado de ter desculpa para me roubar
    ou
    – continuar a ser roubado, contribuindo regularmente com uma vara (não confundir com o outro) para receber uns míseros salpicões

    A minha escolha seria fácil.
    Infelizmente, a minha LIberdade de escolha foi coarctada.

  5. José Maia

    Só que nas sociedades modernas não se leva com o chicote. Nem temos a liberdade de movimentos ou os detalhes da vida íntima decididos por outros.

  6. A minha especialização profissional foi na área da paginação gráfica.
    Trabalhei durante anos, ganhei muito e bom dinheiro, e agora graças também a uma certa segurança financeira herdada, tenho toda a minha vida organizada a nível financeiro.
    Resumindo, só trabalho por gosto e porque quero.
    Não sou pessoas de frequentar cafés durante o dia – prefiro a noite – nem de estar a frequentar redes sociais.
    Assim aceito os mais diversos trabalhos, mais por gozo pessoal do que necessidade.
    O facto de praticar preços 50% abaixo dos meus colegas mais novos e que agora começam uma carreira profissional, só representa a minha liberdade individual de escolha.
    Afinal de contas, só necessito do dinheiro para uma cervejas ao fim do dia com os amigos, e uns petiscos gourmets ao fim de semana.
    Será que me devo sentir moralmente afectado por estar a prejudicar outros que, praticando os preços que eu pratico não conseguem alimentar a sua família.
    Não! Não posso sentir-me assim, porque estou a praticar a minha individualidade, a minha liberdade pessoal.
    Que se lixe a socieadade.

  7. k.

    “Manuel Costa Guimarães em Abril 11, 2014 às 12:08 disse: ”

    Creio que concordará que todas as peças legislativas não podem ser referendadas, por questões meramente práticas. E discordo da sua consideração de “o mesmo objectivo: retirar dinheiro aos outros.”. Como o Jo escreve, você é taxado, mas recebe serviços em troca. E se é verdade que você não tem escolha para não ser taxado, também é verdade que não lhe é negado nenhum desses serviços que paga.

  8. hustler

    Está na altura de começar a ler outra literatura que não apenas do avôzinho Friedman, essa também a sei, mas complementei-a com outra bibliografia. Lá porque nos repetem uma cassete em todas as universidades, não significa que seja a palavra de deus. É igual aos comunas que ainda andam para aí, ao evocarem a mesma lenga lenga de sempre, de tanto a repetirem, a mentira torna-se verdade.
    A verdade é que Friedman estudou a coisa à luz de um mercado de concorrência perfeita e sem ter em conta muitas outras variáveis, mas na verdade o mercado de trabalho não é tão simplista.
    A literatura sobre mercados monopsoísticos assim o demonstra.

  9. David Calão

    O que é ridículo é que, de facto, existe escravatura nos tempos modernos. E comparar pagar impostos a essa escravatura é de uma falta de gosto execrável.

  10. k., a vontade é sufragada, as leis estão sujeitas à vontade popular. É precisamente essa a nova forma de escravatura. Em vez de um, temos vários donos.

    hustler, convém saber do que se fala quando se fala. Não basta atirar o nome de um economista para o ar e dizer que ele estudou concorrência perfeita e que estava errado, porque o que está certo é a “literatura sobre mercados monopsoísticos”. Coisa que, ainda por cima, não se aplica à generalidade do mercado de trabalho.

  11. David Calão, se não gosta, não leia, não visite, não frequente. Vote com a carteira. Ou com o clique. Pelo menos nós damos-lhe a liberdade para isso. Não estou certo que ao contrário acontecesse o mesmo.

  12. David Calão

    Engana-se. Não me dão liberdade nenhuma, não têm liberdade nenhuma para me dar. A liberdade é minha e eu faço com ela o que me apetecer. Isso é que era bom, precisar da vossa permissão para usar a minha liberdade, eheh

  13. David Calão

    Não me fiz entender bem, se calhar. Eu não preciso que me “dê” liberdade para fazer o que quer que seja. Como se vocês aqui tivessem poder para isso, ou eu precisasse da vossa permissão para ler ou não ler o que quer que seja. É verdade, na A.R. estão 230 pessoas, entre as quais algumas que já prosaram neste blogue. Essas têm o poder que têm porque as pessoas com quem vivo em comunidade votaram nelas, e, para o mal e para o bem, têm um poder legítimo para o fazer, com conta, peso e medida, limitados pela constituição. Quem me dá a liberdade, de estudar, de estar doente, de ficar desempregado, de dizer o que me apetece, são as pessoas que votaram essa A.R. Isso é bom, para que eu não precise de pedir ao A, ao B ou ao C permissão para usar a minha liberdade. (ou para que eles se sintam em posição de ma dar, tão magnanimamente).

  14. David Calão

    Quanto a escravatura a sério, sugiro que faça uma breve pesquisa no google e depois diga-me se acha a comparação com isto que descreve aqui sensata. É muito giro entretermo-nos com abstracções, mas é bom não esquecer o que é que se passa aí pelo mundo, em mercados absolutamente livres, sem democracias que lhes restrinjam “as liberdades”.

  15. Quem aqui não percebeu a metáfora entre a subordinação actual e a escravatura foi o David, ao ponto de achar que eu disse que pagar impostos é igual a escravatura. Portanto, pode sempre reler o artigo com mais sobriedade ou ignorá-lo.

  16. hustler

    “porque o que está certo é a “literatura sobre mercados monopsoísticos”. Coisa que, ainda por cima, não se aplica à generalidade do mercado de trabalho.”,
    nunca tal coisa foi mencionada por mim, nem nunca utilizei tais superlativos, certo/errado.
    O que eu quis dizer é que vocês, oinsurgente, só têm linha de conta o mercado de concorrência completamente perfeita, ignorando os outros sub-mercados, pelo que a discussão do tema surge sempre enviesada.

    ” Our understanding of the distribution of wages, unemployment, and human capital can all be improved by recognizing that employers have some monopsony power over their workers. Also considered are policy issues including the minimum wage, equal pay legislation, and caps on working hours. In a monopsonistic labor market, concludes Manning, the “free” market can no longer be sustained as an ideal and labor economists need to be more open-minded in their evaluation of labor market policies.”

  17. David Calão

    Pois, fui eu que não percebi. “A escravatura não acabou. Mudou foi de rosto, de nome e de embalagem. É new age, parece bem, tem defensores, tem iguais senhores feudais, mas o princípio é o mesmo: um homem submetido à vontade arbitrária de outros homens.”, isto não é, de todo, dizer que as coisas são iguais, ou comparáveis no mínimo.

    Sobretudo quando a verdadeira escravatura nos tempos modernos ocorre, não só mas sobretudo, em países onde que não existe salário mínimo nem estado social nem nada dessas grilhetas que tanto vos afligem. E mais, quem a pratica vive muito bem à conta de fazer negócios no mercado livre, sem regulação, sem contemplação pelas condições em que a produção é feita. O mercado livre que apregoam aqui proporciona e premeia um tipo de escravatura dos tempos modernos que atenta muito mais contra qualquer liberdade do que o facto de se pagar impostos ou haver regulação nas relações laborais.

  18. hustler, tanto assim não é que existem empresas de head-hunting para encontrar os melhores. Hoje em dia os trabalhadores diferenciados e qualificados são procurados, não o contrário. Poderá existir um ou outro sector em que as empresas são poucas, da mesma forma em que existem sectores em que a procura é muita e a oferta de trabalho é reduzida (Engºs Informáticos ainda recebem bastante bem, mesmo em Portugal, p. ex.).

    David Calão, para encerrar este assunto consigo: escravatura é, por definição, estar a mando de outrém. É a ausência de liberdade. Neste sentido, dado que nós estamos sujeitos ao mando do Estado, da maioria, a escravatura mantém-se. É este o sentido metafórico e não no sentido de cavar batatas sob escolta do chicote, como vai pela sua cabeça.

  19. David Calão

    Se estamos numa de “por definição”, escravatura é, por definição, alguém ser propriedade de alguém. Sendo que o Estado não detém ninguém como propriedade, antes é propriedade de todos os cidadãos, a sua comparação cai pela base, ou se preferir, pela “definição”.

  20. Você disse: “Sendo que o Estado não detém ninguém como propriedade, antes é propriedade de todos os cidadãos”

    E eu tinha escrito: “mas o princípio é o mesmo: um homem submetido à vontade arbitrária de outros homens.”

    ‘Nuff said. Bom fim de semana.

  21. hustler

    Caro Mário Amorim, o que me diz é verdade, mas isto não é Dinamarca, nem a Suécia, nem a Alemanha.
    Em Portugal ainda há muita empresa que não precisa de trabalho extremamente qualificado ou especializado.

    Exemplos de empregadores monopsónicos

    Os principais empregadores em uma pequena cidade (por exemplo, uma fábrica de automóveis, um grande supermercado ou a sede de um banco)
    Lares empregadores de auxiliares de cuidados geriátricos.
    O governo também pode ter poder de monopsónio como o principal empregador na profissão docente ou no Serviço Nacional de Saúde.
    As autoridades locais também são grandes empregadores, por exemplo, na colecta de lixo, limpeza de rua e bibliotecas locais.
    Agências que empregam milhares de pessoas no hotel, catering e limpeza indústrias.
    O sector da agricultura, que emprega um grande número de pessoas em termos temporários durante a temporada de pico de colheita.

  22. David Calão

    MAL, é um democrata? É contra a existência de Estado? Ou é uma questão de grau? Tipo, até aos 30% de impostos e sem SMN sou a favor, 45% com SMN de 485, mais ou menos…50% e SMN de 500 é escravatura! Se é pelo princípio, ou é contra a existência do Estado ou o argumento que usa não vale nada.

  23. Vivendi

    A grande festa da democracia de Abril está a chegar com os portugueses cada vez mais pobres e escravos dessa mesma democracia para qual foram ensinados (formatados) a admirar e maior é a festa quanto maior é descalabro…

    A democracia de Abril não passa de um sistema de regime socialista (regime abrileiro) onde o objetivo máximo do regime consiste em capturar a liberdade das pessoas usando justamente o engodo da liberdade para capturar a liberdade (as imposições restritivas são cada vez maiores de dia para dia).

    De ilusão em ilusão os portugueses são a cada dia que passa menos livres, e temos neste momento uma sociedade dividida, onde de um lado temos os beneficiadores diretos do regime (a malta dos direito adquiridos) e no outro lado temos (milhões de portugueses) que foram condenados pelo regime à apatia ou em alternativa à emigração e uns quantos resistentes que não deixaram de acreditar na força da iniciativa privada para empreender e resistir à fúria estatizante.

    A democracia está longe de ser o sistema mais eficaz.

    Abaixo um texto que expõe de forma bastante clara a tragédia social geral pela democracia…

    http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2014/04/a-tragedia-social-gerada-pela-democracia.html

  24. hustler

    Fricções do mercado de trabalho

    “Minimum wage laws help low-wage workers because they simultaneously increase wages and
    reduce the marginal expense of labor.” Analyze this statement.

    Answer: This statement has two aspects. First, minimum wage laws can increase wages and reduce
    the marginal expense of labor if the labor market is characterized by monopsonistic
    conditions and the minimum wage increases are not “too large” (that is, they do not
    impose a wage higher than the pre-existing marginal expense of labor). Second, however,
    these changes can only help workers if the higher wage bills faced by employers do not
    drive their employers out of business.

    Click to access hw_c5.pdf

    Mário Amorim, o texto que abaixo transcrevo, afirma que a maior parte do mercado de trabalho no Reino Unido é monopsonistico, e se o é na ilha, concerteza também o é em Portugal.
    Para ajudar ao debate, este exemplo mostra onde a intervenção dos sindicatos nos dois mercados, perfeito-competitivo e monopsonistico, têm um efeito positivo e um efeito pernicioso, nesses mesmos mercados.

    “Bearing in mind that most labour markets in the UK are, to some extent, imperfect, and most of the larger labour markets have unions, it is probably fair to say that most unions are helping the economy in the sense that they try to force the monopsonistic firms to keep wage rate and employment closer to the efficient levels found in competitive labour markets”

    Read more at http://www.s-cool.co.uk/a-level/economics/labour-markets/revise-it/trade-unions#gtwP5GPm4kedpe90.99

  25. hustler, um artigo científico sobre o assunto [1]. Conclusões: “Ultimately, however, this reader was left unconvinced that monopsony is the ‘right’ model of most firms’ labor market behavior in the long run.”. E uma aplicação concreta no mercado de enfermeiras nos EUA, que rejeita evidência de mercados monopsonísticos [2] e ainda outro estudo empírico num outro mercado laboral [3] que conclui “recent theoretical and empirical advances have renewed interest in
    monopsonistic models of the labor market. However, there is little
    direct empirical support for these models”.

    Se estivéssemos a falar dos mineiros e dos operários industriais do séc XVIII, eu concordaria. Hoje em dia, não, especialmente nos países do 1º mundo.

    [1] – http://www.econ.ucsb.edu/~pjkuhn/Research%20Papers/Manning.pdf
    [2] – http://economics.stanford.edu/files/matsudaira6_2.pdf
    [3] – http://www.dartmouth.edu/~dstaiger/Papers/2010/staiger%20spetz%20phibbs%20monopsony%20jole%202010.pdf

  26. Vivendi,

    O 25 de Abril não tem hoje nada a ver com liberdade. Tem a ver com as famílias de fautores de Abril, aquelas que acham que Portugal lhes estará eternamente devedor, e quando digo devedor falo em dinheiro. Ele foram perromoções, ele foram dirreitinhos, ele foram tenças, medalhas e condecorações e pensões à pala disso. E famílias monarquicamente donas do regime republicano saído , dizem eles, de Abril.

    O 25 de Abril hoje é dos filhos da mãe a quem sobretudo faz jeito que lhes fique bem um cravo vermelho ao peito. E assim completo um quiasmo com uma canção de intervenção muito conhecida.

  27. k.,

    Veja o que diz a frase que lhe citei em russo. Faça uma pesquisa (o Google Translator e o Google são seus amigos) e verá o que começo a achar da NOSSA democracia à luso-monárquico-abrilada.

    A velha anedota russa, já do tempo do Czar, é intemporal

  28. hustler

    Mário Amorim, já começa a admitir a existência de mercados monopsonisticos no seu discurso e já não se fica pela chapa quatro do capítulo sete do livro de economia leccionado na faculdade.
    Ao ler os exemplos que me deixou em link, não apresentam resultados conclusivos. Dois desses estudos tiveram uma amostragem pequena, uma vez que o objecto de estudo era o mercado de trabalho das enfermeiras da Califórnia.
    Umas das conclusões do terceiro artigo que me indica, são estas:
    “Thus, our identification is similar
    to recent studies of the minimum wage, which also find that legislated
    changes in wages have small positive effects on employment”
    e continua:
    For example, within the fast-food or high-tech industries, work places are also highly differentiated in terms of corporate culture and customer base. Therefore, our results may be representative of the monopsony power exercised by many employers.”

    “Se estivéssemos a falar dos mineiros e dos operários industriais do séc XVIII, eu concordaria. Hoje em dia, não, especialmente nos países do 1º mundo.”, Apenas porque o paradigma da industria não especializada esteja aos poucos a converter-se numa indústria tecnológica qualificada, não quer dizer que todo o mercado de trabalho esteja nesse patamar, já aqui dei o exemplo da grande distribuição, retalho por grosso, bancos, hotéis, agricultura sazonal, industria intensiva, etc…Haverá sempre este tipo de mercado de trabalho, independentemente, do tecido empresarial à volta ser maioritariamente hi-tech, que o não é, e muito menos em países em vias de desenvolvimento, onde – desculpe a presunção -incluo Portugal.

  29. Calão,

    Pagar impostos é uma forma moderna de escravatura. Aliás, é a forma moderna. Não assim tão moderna, porque o famoso e inteligentíssimo Marco Túlio Cícero já ligava as duas.

    Deixo-lhe outra citação de Cícero:

    A Liberdade não consiste em ter um bom amo, mas em não o ter.

  30. fernandojmferreira

    Ui, se o Francisco admite que e’ anarquista, entao e’ que o Calao vai aos arames… Aposto que o Calao vai vir com o Sudao! 😉

  31. David Calão

    Não vou. Aí até posso considerar coerente a posição de que os impostos constituem escravatura, e aí será uma discordância insanável, provavelmente. O anarco-capitalismo é uma filosofia infantil, mas coerente, e cada um professa as religiões que quiser. Agora, se alguém admite a existência do Estado, ou não pode aceitar que os impostos são escravatura, ou admite que aceita ser escravo e que só não aceita ultrapassar uma x percentagem de escravidão.

  32. HO

    hustler,
    “Mário Amorim, já começa a admitir a existência de mercados monopsonisticos no seu discurso e já não se fica pela chapa quatro do capítulo sete do livro de economia leccionado na faculdade”

    O seu desprezo pelos manuais universitários – que, melhor ou pior, espelham o consenso académico na área – é divertido vindo de quem cita extensivamente a partir de um blog de extrema-esquerda como o DailyKos, de artigos de opinião em sites de explicações para liceais ou de op-eds na BusinessWeek e no NYT. Caso queira continuar a mamar na generosa teta do argumentum ad verecundiam, faça um favor a si próprio e cite o Manning ou Card & Krueger.

    Quando os modelos do mercado de trabalho como monopsónio forem convincentes como retratos da realidade, os manuais adaptar-se-ão.

    Ainda que fossem, daí não decorreria a optimização da existência de um salário mínimo.

    Este post, especialmente se lido em conjunto com o do CGP sobre os trade-offs, apresenta pistas importantes.

    Se a implementação do salário mínimo legal for uma solução política para aumentar o poder de compra dos indivíduos com baixa produtividade de trabalho, cabe aos defensores do salário mínimo explicarem porque é essa a forma de atingir esse objectivo e se os trade-offs são aceitáveis.

    Num modelo em que as empresas não respondam aumentado o desemprego, fazem-o aumentado o nível de preços. IOW, os custos dos aumentos do salário mínimo são transferidos para os consumidores – alguns deles com menos poder de compra que os assalariados de baixa produtividade. Isto é uma forma irracional de transferir recursos para esses indivíduos.

    O salário mínimo é politicamente popular porque permite transferências sociais para grupos de interesse escondendo as partes negativas do trade-off. Os aumentos na margem de desempregados e de preços são “invisíveis”.

    É economicamente irracional pelas mesmas razões. Se a sociedade entende, e o expressa em arranjos políticos, que os membros de baixa produtividade devem ser subsidiados – em graus iguais ou diferentes para assalariados e desempregados involuntários – deve fazê-lo de forma transparente e eficiente. Taxando -definindo sobre quem recairá a incidência da taxa- e subsidiando.

    O salário mínimo é uma decisão política e os custos e benefícios dessa decisão política devem ser transparentes para os decisores – em última instância, os eleitores.

    Se efectivamente leu Friedman, sugiro que, com urgência, repita a dose. Estava desatento na primeira ronda. Leia o que ele escreveu sobre salários mínimos, wage subsidies e o EITC, por exemplo. Talvez então consiga responder à pergunta que lhe fiz ontem.

  33. hustler

    RicFe,
    O que era para admirar era se o filho contradissesse o pai, no entanto, no resumo que li há assuntos polémicos que podem ter vários enquadramentos, por exemplo, a opinião sobre o estado social pode ser facilmente rebatida por vários modelos, o transversal, vertical, horizontal, presentes em vários países europeus; no entanto, como não li o livro, não posso especular!
    Sem desmérito a Mises e a Hayek, e à sua enorme contribuição para o estudo da economia, estes não se debruçaram sobre os “micro ambientes do mercado laboral”, e é disto que se trata neste post.
    A si também o aconselho a não fazer uma leitura meramente generalista.

  34. David Calão

    O que está em causa é perceber o que está por trás das atoardas de cada um e, perdoem a expressão, chamar os bois pelos nomes. Alguém que diz que fixar um SMN e pagar impostos, ou aceitar que algumas coisas são decididas pela maioria, é escravidão, não pode seriamente afirmar-se como democrata. Eu percebo que o Fernando não é democrata, é anarquista, não vale a pena discutir os méritos de uma posição ou de outra, é coerente e respeito isso. Mas gosto de saber com quem estou a falar, se vale a pena argumentar com base em determinados princípios ou não. E, já agora, se houver assim tantos anarquistas por aqui, pelo menos irei perceber porque é que me chamam sempre socialista, esquerdista, comunista, etc.

  35. HO

    Aliás, é por isto que os modelos com um mercado de trabalho em monopsónio e salários mínimos tendem a ter assumpções sobre a capacidade tributária dos governos, a linearidade das taxas ou a capacidade de alocar desempregados a todas as vagas de emprego disponíveis. Assumpções intelectualmente interessantes mas irrealistas.

  36. hustler

    Caro HO, tenho-o em conta como uma pessoa extremamente culta e inteligente, mas não significa que tenha sempre razão no seu argumentário, onde, diga-se, o exprime muito bem.

    “O seu desprezo pelos manuais universitários – que, melhor ou pior, espelham o consenso académico na área – é divertido vindo de quem cita extensivamente a partir de um blog de extrema-esquerda como o DailyKos, de artigos de opinião em sites de explicações para liceais ou de op-eds na BusinessWeek e no NYT. Caso queira continuar a mamar na generosa teta do argumentum ad verecundiam, faça um favor a si próprio e cite o Manning ou Card & Krueger.”
    Não nutro qualquer desprezo pelos manuais universitários, apenas acho que estes são uma introdução a todos os assuntos descritos nos mesmos. O leitor, deverá complementar um assunto com literatura variada.
    Como não sou economista, não possuo um leque de literatura sobre as matérias ao meu dispor, cito aquilo que está disponível na net sobre as várias temáticas. Longe de mim pensar que os artigos que leio estão cheios de factos inverosímeis, mas se o faço, por favor corrija-me ou complemente introduzindo novos dados na discussão. O facto de por vezes incluir “expressões liceais” pretende simplificar o ponto de vista e o debate, a literatura demasiado científica introduz uma névoa no que se pretende debater.

    “Quando os modelos do mercado de trabalho como monopsónio forem convincentes como retratos da realidade, os manuais adaptar-se-ão.”, de facto, nos tempos que correm já deveriam incluir uma adenda.

    “O salário mínimo é politicamente popular porque permite transferências sociais para grupos de interesse escondendo as partes negativas do trade-off. Os aumentos na margem de desempregados e de preços são “invisíveis”.”, penso que mais importante que isso tudo é saber se os trade offs negativos suplantam os positivos. Se apenas mencionar o incremento marginal de desempregados e preços está a limitar a discussão aos aspectos negativos; o que é politicamente popular, pode não ser completamente negativo, dependendo da magnitude ou dose dessas políticas.

    Denoto que, mesmo defendendo acerrimamente o seu ponto de vista, nunca em algum momento, contrariou a existência de um mercado monopsonista. E se não o nega, então assumo que admita a co-existência do mesmo com o modelo da concorrência perfeita. No entanto, no que escreve, não se alargou a observar os efeitos positivos, apenas os negativos.

    Quanto ao resto que me indica, assim o farei e logo lhe comunico as minhas conclusões.

  37. hustler

    “Aliás, é por isto que os modelos com um mercado de trabalho em monopsónio e salários mínimos tendem a ter assumpções sobre a capacidade tributária dos governos, a linearidade das taxas ou a capacidade de alocar desempregados a todas as vagas de emprego disponíveis.”, é capaz de o corroborar com literatura? Gostava de entender melhor o seu ponto de vista.

  38. fernandojmferreira

    Numa coisa tenho de dar razao ao Calao. O minarquismo nao faz sentido. Achar que impostos sao roubos (e sao mesmo), mas depois dizer que se forem 5%, ou 10% (para pagar aquelas coisas “imprescindiveis” e que nao existiriam de outro modo, como a ‘justica’ e a ‘defesa’), e’ ridiculo. Qualquer forma de colectivismo obrigatorio e’ sempre coercivo, seja ela minarquista ou maiorquista.
    Ja nao concordo com o Calao, quando afirma que o anarquismo e’ infantil. A democracia (mais ou forma de colectivismo obrigatorio) e’ infantil e nao funciona. Esta a vista de todos. Ja nao funcionava na Atenas do seculo IV BC e essa democracia era muito mais democrata que esta, onde qualquer cidadao poderia ser deputado ou ministro por 1 dia e nos tribunais os 501 juris eram quem mais ordenava. Esta coisa da “democracia representativa” nao tem logica nenhuma, e’ baseada em pressupostos que nao fazem sentido (o “povo” e’ que manda, os politicos “representam” o povo e tomam decisoes “pelo povo” e o poder dos politicos “vem do povo”). Um puto de 10 anos desmonta estes argumentos em 3 tempos.
    Ora, eu nao quero que o Calao seja obrigado a mamar com o meu anarquismo. O Calao democrata continuaria a poder associar-se com os outros democratas e terem os seus hospitais ‘publicos’, as escolas ‘publicas’ e concordarem em ter uns tribunais ‘publicos’ onde as dispostas entre eles fossem discutadas; Eu e os outros anarquistas, we just want to opt out!

  39. RicFer

    Até contradiz, hustler. É anarquista, ao contrário do pai que era minarquista. Coerente, portanto.

    Não há muitos, não David Calão. Infelizmente. Em Portugal ser “anarquista” é rabiscar umas paredes e ser contra o McDonald’s.

  40. hustler

    RicFer, se quer acrescentar alguma coisa a este tema, faça favor. Se se quiser degladiar com designações e outros adjectivos, procure outra pessoa.

  41. Gonçalinho

    Gosto especialmente da acusação de “infantil” ao anarquismo, quando o colectivismo trata os súbditos da vontade alheia como crianças a ser protegidas pelo sempre “bem”-intencionado estado. Já o anarquista quer ser responsável pelas suas escolhas — todas elas, tanto as boas como as más. Mas o anarquista é que é infantil. Divirto-me. A sério que me divirto.

  42. David Calão,

    Não sou anarquista. Defendo, sempre defendi um estado mínimo, com as cinco funções inalienáveis. E, no que alguns daqui discordarão comigo, suplementado com algumas funções desejáveis (educação obrigatória custeada e gratuita e saúde primária custeada — e de maneira nenhuma provistas pelo estado). Fiz as contas, coisa que a esquerda não sabe fazer, sendo esse a sua primeira falha metodológica. Vale 15% do PIB. O nível de impostos seria 1/3 do que é hoje.

    Razoável. É esta a palavra que tem de ser ponderada. A razoabilidade é a medida do retorno. Neste momento pagamos demais por nos escravizarem a vida, coisa que é feita elas pessoas que nós próprios escolhemos. Não acha um contrassenso?

  43. hustler,

    Quando as pessoas se podem mudar facilmente não há mercados de trabalho monopsónicos. O que hoje vemos é um monte de jovens abaixo dos trinta anos aferrolhados a um empréstimo de casa (já de si caríssimo) que os limitam a uma determinada região. Empréstimos que serviram para manter os preços das casas altos.

    A prova da influência do imobiliário na vida deste país esta na atribuição dos vistos Gold. Foi claramente uma medida feita para vender casas de luxo. Repare que sou completamente a favor de vistos Gold económicos, sem qualquer critério imobiliário.

    Os filhos dos chineses serão meio lusos meio chineses. Os netos dos chineses usarão a camisola das quinas quando seguirem um mundial de futebol e provavelmente já mal saberão falar mandarim.

  44. castanheira antigo

    Nunca nenhum regime socialista subsistiu . Como dizia Tatcher : ” o socialismo acaba quando se acaba o dinheiro dos outros” . Num país de 10 milhões de pessoas , onde 7 milhões vivem dos favores do estado , os outros 3 milhões são escravizados para sustentar os primeiros . Só que estes podem desistir e deixar de trabalhar , e é esta a única diferença entre a escravatura tradicional e a moderna .
    Podem estar cientes que é esta prerrogativa que os “novos escravos” vão tomar e o mundo ocidental irá lentamente empobrecer e definhar porque ninguém consegue manipular indefinidamente as leis da economia tal como Adam Smith a definiu . Quando os burocratas não tiverem escravos para explorar serão corridos a pontapé por aqueles que sempre os apoiaram e deles esperavam as benesses sem qualquer contrapartida.
    No que me diz respeito apoiarei a divisão de Portugal em duas partes iguais . Uma para os liberais e outra para os socialistas . Estes que se taxem uns aos outros e que se explorem uns aos outros para na pratica sentirem na pele o que ´é escravatura , pois parece-me que não sabem .

  45. David Calão

    Francisco, obrigado pela resposta. Escravidão sim, mas que seja baratinha, é um bom princípio.

  46. fernandojmferreira,

    Quem é que lhe assegura, no seu território anarquista, o direito à vida e à propriedade privada? Se não há lei, não há castigo. E se não há castigo, vence o que tiver a arma maior. Os pobres chineses que tiveram três horas para saírem das suas casas porque um qualquer general queria os terrenos para construir uma fábrica sabem-no (as casas onde fizeram uma vida nunca foram deles, eram do Estado, e o Estado vendeu os terrenos a um general qualquer).

    Se há uma coisa que ter vivido em estados falhados me ensinou, é que estado nenhum e estado a mais são ante-câmaras do inferno. E eu vivia bem, porque sou muito desenrascado e sei cultivar relações. Muitos brancos petulantes tive eu de ir safar, a risco da minha própria vida.

    Um estágio de seis meses nesses paraísos anarquistas dava-lhe uma noção da realidade.

  47. David Calão,

    Todo o Estado é imposição. Não se pod desdizer isso, e isso já vem dos filósofos franceses de antes da revolução (Rousseau disse-o claramente). Mais, o Estado é um serviço que não se pode dispensa, a menos que uma pessoa atravesse a fronteira territorial. Eu não posso seceder do estado português, declarar a minha quinta apátrida, e deixar de pagar impostos. Ou passar a pagar para o estado inglês, russo ou sul-coreano, segundo as suas regras. Não é assim que as coisas funcionam. Se eu quero viver sob as regras do estado russo, terei de me mdar para um dos territórios controlados pelo estado russo. A minha liberdade está coartada desde o início porque, alas!, o estado é-me imposto.

    Como dizia o Fernando Henrique Cardoso: Os impostos são maus, e por isso se chamam impostos; se fossem bins seriam chamados voluntários

    Tudo o que é obrigatório deve ser razoável. E baratinho, usando as suas palavras!

    A manutenção industrial não acrescenta valor ao produto. É no entanto ineludível, e não se pode passar sem ela. Má manutenção fará cair a qualidade do produto e mesmo a capacidade de produzir. Manutenção industrial a mais acrescentará tanto custo ao produto que a empresa deixará de ter quem compre os seus produtos e irá à falência.

    Percebe que o papel do Estado se deve gerir pela razoabilidade e não pela ubiquidade?

  48. Castanheira,

    «Quando os burocratas não tiverem escravos para explorar serão corridos a pontapé por aqueles que sempre os apoiaram e deles esperavam as benesses sem qualquer contrapartida.»

    A história não o comprova. Quando essa situação acontecer, a grilheta virá. Os discursos sãos de liberdade individual estão neste momento quase extintos, substituídos pelo discurso horrendo de interesse social. A história indica essa mudança de discurso como o prólogo da tomada de liberdades e pela imposição do estado policial.

    Para bem do povo, e enfernizando a maioria das pessoas..

    Sou só eu a notar isso?

  49. castanheira antigo

    Concordo , Francisco
    Nos USA , caso nunca visto , apetrecham-se as forças policiais com blindados anti-motim mas com justificações inverosímeis de anti-terrorismo . Em junho de 2014 entre em vigor a lei americana que impõe a qualquer banco existente no mundo a imposição de informar o fisco americano da existencia de contas bancarias de americanos , sob pena de imposiçoes sansionatorias .
    Isto vai implicar muito menos investimento e consequente empobrecimento do ocidente . Esta é a tendência.

  50. David Calão

    Caro Francisco, lá está, então concordamos em alguns princípios. Eu também acredito que o Estado deve ter um papel equilibrado, nem a mais nem a menos, embora discorde de si nas quantidades e na forma. Mas ambos concordamos que o estado serve para garantir a nossa liberdade e direitos, e que por isso não é lógico esse estado ser equiparado a um esclavagista.

  51. David,

    O Estado, tal como a manutenção, é imprescindível à ordem social. Quando falamos disso falamos das cinco funçoes essenciais:

    1) Produção legislativa;
    2) Defesa contra ameaças externas (exército) e internas (polícia e protecção civil);
    3) Administração da justiça (polícia criminal, tribunais);
    4) Política externa;
    5) Administração local, executando a lei.

    Tudo o resto é passível de ser realizado pela sociedade: educação, saúde, segurança social, apoio à pobreza, certificação escolar. O que enumerei não leva mais de 5% do PIB. No máximo!

    Eu, como disse, acrescento duas funções que considero desejáveis:

    1) Custeio de toda a educação obrigatória (até ao 10º ano, na minha opinião). por aluno; e de requalificação de adultos, por aluno.
    2) Custeio dos cuidados primários de saúde, por doente.

    Nem escola nem hospitais deveriam ser públicos. Não temos dinheiro para custea tais desperdícios.

    Cada uma das rubricas leva tipicamente 5% do PIB, a julgar pelos orçamentos actuais.

    O Estado que o David defende é caro, ineficiente e apenas beneficia quem nele trabalha (no Estado) e quem dele suga (os beneficiários de prestações sociais). Oprime os que querem fazer algo de si e trabalhar. É por isso injusto e tirano.

    O que defendo é mais justo. Quem quer trabalhar recebe mais do seu trabalho e quem não quer trabalhar é penalizado por isso.

  52. Renato

    Calão

    Mas então lhe pergunto: Quando deixa de ser razoável, o estado não se torna escravagista? Eu diria que sim, quanto menos razoável, mais escravagista. Quanto mais o estado tira a liberdade, obriga a trabalhar mais para ele, manipula o povo, e joga uns contra os outros, mais escravagista é. Até o ponto, que chegaram muitos estados, de impedir que as pessoas deixem o país.Ai, a escravidão é completa. Note que, quando Moisés se opôs à escravidão dos hebreus pelos egípcios, não pediu nada, além da liberdade de irem embora.

    Quanto ao anarcocapitalismo, discordo dele, mas discordo também que seja pueril. É uma doutrina complexa e profunda, e não propõe de forma alguma que deixe de existir leis. Requer estudo para que compreendam os argumentos. Discordava dele no início, e continuo discordando, mas tive de pensar profundamente em muitas coisas para poder debater com os ancaps.

    Finalmente, o estado pode não ser coercitivo de forma alguma. O que diferencia um território com governo de um condomínio? Inicialmente governos foram criados para cuidar de bens comuns às pessoas de um determinado território. Tinham um abrangência geográfica pequena, e o escopo de sua atuação era também limitado. Quem não gostasse, bastava andar alguns quilômetros, e estaria fora da área de atuação daquele governo. Provavelmente foi assim que muitas tribos se dividiram, discordâncias que resultaram e cisão. Mas os governos atuais estão hipertrofiados, as pessoas sentem isso, isso incomoda bastante uma enorme quantidade de pessoas. E porque não vão embora? Hoje as coisas são bem mais difíceis. A vaidade dos governantes os fez invadirem regiões fronteiras, expandirem sua região de atuação, através da violência e da fraude. A mesma vaidade que fez os governantes aumentarem o escopo de atuação do estado, invadindo a privacidade das pessoas, perseguindo, manipulando, jogando uns contra os outros. Os estados se tornaram geograficamente enormes, e quem quiser sair terá de ir para muito longe, afastar-se da língua, da cultura e dos amigos.

    Agora imagine que o maior estado do mundo não tivesse mais de 200km de diâmetro. e dimensões ainda menores na maioria dos casos. Originalmente, as cidade eram estados, imagine que voltássemos a este situação. Qual seria o efeito disso? Com os meios de transportes atuais, seria simples mudar de estado, como se muda de condomínio. Estados bem geridos e respeitadores das pessoas, seriam preferidos. As pessoas e as empresas iriam para onde as coisas lhes fossem melhor. Selecionariam os estados que tivessem leis que lhes parecessem mais adequadas, onde houvesse mais serviços por menos impostos, mais tranquilidade. Pessoas com demandas diferentes, prefeririam morar em locais diferentes, votariam com os pés. Haveria, por assim dizer, um “mercado de países” como há um mercado de condomínios.

  53. hustler

    Francisco Colaço,
    “Quando as pessoas se podem mudar facilmente não há mercados de trabalho monopsónicos.”, não será tanto assim. Por exemplo, um transmontano que se mude para o Algarve à procura de trabalho, se não for mão de obra qualificada, poderá eventualmente conseguir emprego na hotelaria, mas como sabemos, este sector de actividade pode-se dizer que pertence ao dito mercado monopsónico, por conseguinte, a entidade patronal tem a possibilidade de pagar qualquer coisa superior (não quantifico) ao que se passaria, por exemplo, com outro sector de actividade no mercado de perfeita concorrência.
    Mas pegando ainda noutro exemplo, imagine agora que um engenheiro da cidade do Porto tem dificuldade em arranjar trabalho na sua área de residência devido à saturação de oferta dos mesmos profissionais naquela zona, pelo que se decide mudar para o Alentejo onde ainda há procura desta profissão. O que passa a acontecer é que o mercado de trabalho da região do Porto para aquelas qualificações passa a ser de alguma forma monopsónico e o mercado do Alentejo um mercado de perfeita concorrência (competição pela mão de obra). Enquanto que no primeiro exemplo a entidade empregadora tem algum poder para “ditar” salários para baixo, no segundo, a escassez dessa mão de obra permite que seja o engenheiro a negociar de alguma forma o seu rendimento, nas várias regiões do país.

    Mas falando da mobilidade regional – ou da falta dela, no caso de Portugal-em que medida, esta condiciona o mercado de trabalho? Ora, se o engenheiro deste último exemplo estiver algemado a um crédito à habitação, tentará apenas arranjar trabalho na cidade onde actualmente reside, o que o torna vulnerável a um mercado monopsónico onde a entidade patronal pode “espremer” salários ( é apenas um mercado óptimo apenas quando a procura excede a oferta, pois “puxa” os salários para cima). Se no entanto, Portugal fosse um país de tradições no arrendamento urbano, o mercado de trabalho poderia deslocar-se de um fenómeno de monopsónico (em alguns sectores) onde a oferta excede a procura (o que “empurra” os salários para baixo) para um mercado com características mais semelhantes ao do da concorrência perfeita, onde os salários passam a ser disputados.
    Independentemente destas considerações, haverá sempre muitos sectores de actividade com características monopsónicas em Portugal, e onde a entidade patronal tem algum poder ou margem para definir os salários, não estando estes dependentes de um mercado concorrencial perfeito.

    O que sucede actualmente no nosso país, é que com a crise, o mercado de trabalho tendencialmente monopsónico apanhou “boleia” do sector ligado à concorrência perfeita. Dou-lhe novamente um exemplo, a grande distribuição, que é de alguma forma um oligopólio, aproveita a onda de desemprego para dispensar os trabalhadores e repor outros a um preço mais baixo, justificando-se com a conjuntura e a quebra das vendas. Ora, um supermercado vende maioritariamente bens de primeira necessidade e por isso as pessoas não deixam de comprar. No entanto acrescentam: – as pessoas agora já não levam os carrinhos cheios; mas em boa verdade é que a quebra de vendas é marginal, e o seu volume de vendas permite-lhes ter uma alavancagem financeira boa. Resumindo, mesmo que houvesse uma quebra marginal de vendas, uma redução de créditos e injecção de capitais próprios permitiria obter a mesma rentabilidade, mas o que na realidade se passa, é que a conjuntura permite-lhes contratar com salários mais baixos, o que lhes permite manter a mesma margem, ou inclusive, aumentá-la.

  54. «na hotelaria, mas como sabemos, este sector de actividade pode-se dizer que pertence ao dito mercado monopsónico, »

    Deveras? Todos os hotéis, pensões, cafés e estaminés de vendas de batata frita têm o mesmo dono?

  55. hustler

    Francisco Colaço, não sou eu que o afirmo, é a literatura!
    Imagine que tem um hotel de cinco estrelas na Quinta do Lago para um nicho qualquer de clientela, qualquer crise que assole o país não “abana” o negócio desse hotel, pois estou a supor que a classe alta não seja muito afectada no seu poder de compra! Nesse sentido, imagino-o um mercado monopsónico.

  56. Vivendi

    Os EUA do wellfare state se transformaram no o warfare state… Tudo a bem da democracia é claro.

    Francisco Colaço aprecio muito a sua lucidez. Percebe-se que tem escola de vida, coisa que falta a muitos.

  57. hustler

    Imagine ainda que tem uma cidade tipo Londres ou Praga, onde existem centenas de hotéis. O facto de não haver quebra na procura de dormidas (conseguido pelo turismo intensivo), mesmo que a cidade esteja minada nesses estabelecimentos, permite que estes estejam sempre a ser solicitados, o que de alguma forma os torna menos vulneráveis à competição do sector.
    O exemplo que lhe descrevo é apenas o meu ponto de vista, mas penso que esta suposição possa ser uma aproximação à realidade.

  58. A literatura afirma coisas muito idiotas.

    Quem não gostar de trabalhar na Quinta do Lago poderá trabalhar no restaurante O Alentejano ou no café Travo Amargo. Se há concorrência pelo mercado de trabalho que seja quase perfeita, em Portugal é na hotelaria e na construção civil.

    Afirmar que os mercados de engenharia no Porto são monopsónicos faz-me perguntar-lhe se acaso sabe o significado da palavra monopsónico.

  59. hustler

    Caro Francisco, não precisa de se indignar.
    Não especifiquei um emprego concreto no meu exemplo, fiz apenas uma abordagem genérica, até porque não conheço muito bem a realidade do mercado de trabalho dessa profissão.
    O meu outro exemplo de hotelaria, explica também porque alguma parte deste sector pode ser visto como um mercado monopsónico.

  60. Parei de ler quando referiram que o sector da agricultura é monopsónico. Não imagino que todas as quintas pertençam ao mesmo dono, nem que sejam obrigadas a praticar um certo nível de salários por lei, sem margem para os aumentar ou diminuir. Para além de terem definido mal monopsonia, logo no início, havendo-a confundido com oligopsonia (talvez o grego deles esteja enferrujado, mas mono é um prefixo de unicidade).

    Como disse, caro Hustler, a literatura diz coisas muito idiotas, e há muitos idiotas a publicar, e mais idiotas ainda a rever o que foi publicado como pares. Todos os maus argumentos acabam por ser desmontáveis por mínima aplicação de bom senso e de memória.

    Pode-me dizer que o Estado é um operador oligopsónico dominante na área do ensino ou da medicina. Não há operadores oligopsónicos (e ainda menos monopsónicos) na restauração.

  61. hustler

    Caro Francisco Colaço,
    então se na época de verão, uma quinta qualquer precisar de apanhadores de “framboesa”, não tiver concorrência à volta e o produto em causa estiver sempre vendido, não acha que de alguma forma, a entidade patronal tem um certo poder “extra” em definir salários?
    Se para uma dada quantidade de framboesas a apanhar naquela quinta (a quantidade é uma constante), o trabalhador receber uma percentagem extra para as apanhar depressa, não está o patrão a exercer um poder salarial acrescido? O que eu quero demonstrar é que o trabalhador poderia receber uma remuneração fixa/ dia pela apanha de uma quantidade definida pela entidade empregadora, no entanto como este último quer colocar os seus produtos o mais depressa no mercado, não se importa de pagar mais do que poderia, para que elas sejam apanhadas depressa, e nesse sentido, existe uma aproximação à monopsonia.

    Relativamente, à industria hoteleira, posso deixar-lhe este link

    ” Critics hold that multinational hotel chains, influential tour operators and foreign interests sometimes in association with powerful domestic groups often engage in anticompetitive practices at the expense of local communities, domestic workers and other stakeholders where the tourism activities take place. Succinctly, we conclude that monopsonistic practices may arise in the tourism sector of small economies.”
    http://journals.cluteonline.com/index.php/JBER/article/view/2702/2749

  62. Relativamente ao link que me deu, faça-me o favor de me dizer onde os representantes dos milhares de cafés, restaurantes, hotéis, pensões, moteis, hosteis e parques de campismo em Portugal se reúnem para combinar preços e salários anti-competitivos.

    Pense, Hustler, pense! Não creia em tudo o que lê. Muito arrecadémico bem sonante e pago com os cacaus públicos não deixa o burro que foi esfolado para lhe fazerem o pergaminho particularmente orgulhoso da utilização que foi dada à sua pele e que lhe valeu o derradeiro sacrifício.

  63. hustler

    Francisco Colaço, ainda está com dificuldade em aceitar as evidências.
    Desde já nunca abordei o tema dos monopólios e oligopólios, se bem que haja uma correlação forte com o mercado de trabalho monopsónico. Por isso, a questão da combinação de preços é transcendente ao assunto.
    Quando menciono hotelaria, não poderei obviamente incluir todo o tipo de hotelaria e todo o tipo de restauração, apenas aqueles têm uma oferta diferenciada, nicho de mercado ou qualquer outro tipo de vantagem. No fundo, isto tudo resume-se a ter uma qualquer vantagem competitiva que lhes permita encaixar mais margem do que o fariam se estivessem incluídos num mercado perfeitamente competitivo sem qualquer coisa extra que os distinga. A própria localização de um estabelecimento qualquer num ponto chave, pode dar-lhe essa vantagem.
    Não poderia nunca incluir os humildes cafés de rua, os moteis, hostels, etc, estes estão vocacionados para um mercado com baixo poder de compra e generalista, para além disso sem a dita diferenciação, sofrem verdadeiramente uma pressão competitiva entre eles.

  64. O Colaco e’ xuxa… Acha que e’ escravo mas se for QB ja nao e’ escravo. Alias, o escravizador ate e’ necessario, tipico sindrome de Estocolmo. Acha que so nao anda a matar os vizinhos todos nem os vizinhos o tentam matar porque o escravizador escreveu num papel: “E’ proibido matar”!
    Nesta conversa toda, o meu ponto vai para o Calao, que ao menos e’ consistente, gosta do escravizador! Leva porrada e gosta porque acha que levaria mais porrada, caso contrario.

  65. Existe algum ponto em Portugal onde apenas UM hotel exista? Não existem em qualquer lugar cafés, restaurantes, casas de repouso, que competem pelos mesmos trabalhadores com as mesmas qualificações? Competem pelos mesmos trabalhadores. Não tem nada a ver com oferta ou segmentação de mercado. Isso está no outro lado da sua actividade.

    Não há monopsonia mo mercado de trabalho em lado nenhum e em nenhum sector de actividade, salvo nas áreas de diplomacia e no magistério judicial, onde o Estado é o único empregador, e por razões óbvias e atendíveis. Todos os exemplos que deu foram trocados (essa da monopsonia no Porto e livre mercado no Alentejo definiu-o a si, Hustler, como completamente equivocado neste assunto).

    Hustler, diga apenas: «tem razão, não percebi que o termo monopsonia havia sido abusado pelos trabalhos que li, e realmente significa UM ÚNICO COMPRADOR DE BENS OU SERVIÇOS.» Ninguém lhe leva a mal. Todos os dias todos nós temos pelo menos uma centena de opiniões erradas. Já me aconteceu, e já, neste mesmo blogue, mais de uma vez admiti o erro e mudei de opinião. E não fiquei mais fraco por isso. Pare de recalcitrar contra os aguilhões.

  66. Fernando Ferreira,

    Vá ao Congo seis meses e veja aquilo em que dá a anarquia. O Fernando apenas se esquece de dizer, em anarquia:

    1) Quem legisla?
    1.1) Quem se assegura de que a lei é aplicada?
    1.2) Quem se assegura de que a lei é justa?
    2) Quem se assegura que aqueles que fazem as leis e que aqueles que asseguram a sua execução são justos?
    3) Se não há lei, quem o impede de matar a si e aos seus e de o despojar da sua propriedade?

    Como é que o Fernando se assegura de que a sua propriedade é assegurada em anarquia? Ah, pois é, não há propriedade em anarquia porque qualquer tira de alguém, desde que dois se juntem para despojar um e dividir a carniça. O que não faltam são pessoas que seriam capazes de tal. Não havendo estado, não há regras, nem leis, nem propriedade, nem castigo, nem segurança.

    Veja a anedota em Russo. Segue-lhe bem o pensamento. O Camarada Lobo sabe sempre quem vai jantar.

  67. hustler

    “Existe algum ponto em Portugal onde apenas UM hotel exista? Não existem em qualquer lugar cafés, restaurantes, casas de repouso, que competem pelos mesmos trabalhadores com as mesmas qualificações?”, tendo em conta que não são mão de obra qualificada, será que não são os trabalhadores que competem pelos hoteis, restaurantes, etc? Não me parece que seja o que afirma!

    Meu caro Francisco Colaço, não fique em bicos dos pés e não esteja a tentar rebaixar-me pelo exemplo que dei, apenas tentei humildemente, fazer um exercício mental. Se não serviu para o efeito, nem com a ajuda do link que lhe coloquei, um de nós está equivocado, no entanto sirvo-me da literatura e inclusivé deixei-lhe aí outro link do Economic Journal of Labor que abordava o sector da hotelaria.

    Já agora deixo-lhe uma citação acerca do mercado monopsonico e os seus efeitos positivos no aumento salarial, bem como o caso onde este mercado exerce descriminação salarial negativa, uma vez que o meu exemplo bacoco foi um mau exemplo.

    “Yet, even when it is sub-optimal (minimum wage), a minimum wage higher than the market rate raises the level of employment anyway. This is a highly remarkable result, because it only follows under monopsony. Indeed, under competitive conditions any minimum wage higher than the market rate would actually reduce employment, according to classical economic models. Thus, spotting the effects on employment of newly introduced minimum wage regulations is among the indirect ways economists use to pin down monopsony power in selected labor markets.
    Just like a monopolist, a monopsonistic employer may find that its profits are maximized if it discriminates prices. In this case this means paying different wages to different groups of workers even if their MRP is the same, with lower wages paid to the workers who have a lower elasticity of supply of their labor to the firm.”

  68. Fernando,

    Talvez saiba mais do que o Fernando. Só não me deixo convencer por tratas pegadas. A treta de auto-governação e de cooperação circular é treta. Todos sabem disso. Excepto os comunistas e os anarquistas. E os resultados viram-se na história da humanidade.

    Há virtudes em haver um estado. Há muitas virtudes se esse estado for pequeno. O que ponho em causa é que o Estado passou do ponto de equilíbrio, olhou para além do marco e enferniza-nos a vida.

    As pessoas não são assim tão boas. 10% de escroques poderão obliterar as propriedades de 10% de bons cidadãos, uma após outra, desde que tenham acesso aos grandes pacificadores (armas ou fornecimento de bens essenciais). Um estado consensual e mínimo, que se dedique a preservar a liberdade e a propriedade privada, et non plus ultra, é muito bem vindo.

    O Alentejo do Sec. XIX era chamado «Terra sem Lei» e não julgo que as malhas de cooperação tivessem trazido igualdade e prosperidade senão a uns poucos. Os outros eram limitados a criar os porcos sem lhes provar a carne. No Congo, na escala limitada, vi anarquia a funcionar, nos bairros de barracas, onde entrei por várias vezes. Nem imagino o Fernando a entrar num deles. Também vi com os meus olhos um homem a ser linchado (por acaso foi nos Camarões) sem que ninguém pudesse parar os sequazes. Sabendo que não podia intervir a favor do homem, tive de me calar, e ainda hoje tenho pesadelos por isso.

    E por isso recuso a anarquia, mesmo se pseudo-cientificamente embelezada. Esta não funciona, a não ser para os sobas dos bairros.

    O Império Romano podia ter muito poucas virtudes, mas o facto é que afluíam pessoas ao Império, vindas de fora, e não há registo de migrações em massa para fora do Império. Nem a rainha Boudica dos catuvelanos, a que dizia “Antes mortos que pagadores de impostos”, deixava de lamentar-se que as suas terras se despovoavam porque os seus congénitos preferiam a segurança e o primado da lei do Império e abandonavam-nas.

  69. Hustler,

    «tendo em conta que não são mão de obra qualificada, será que não são os trabalhadores que competem pelos hoteis, restaurantes, etc?»

    Assim como a Samsung e a Nokia competem para me vender um telemóvel, eu e o meu vizinho competimos para comprar um telemóvel Nokia enquanto há em stock.

    É a definição de MERCADO. Parabéns!

    (PS: o meu telemóvel é um bloco sem toque comprado em segunda mão. O meu vizinho não existe, pois a única casa que está ao meu lado está desocupada. A única coisa que temo é que o Hustler seja perrofessor univerresitário, o que de todo não me surpreenderia.)

  70. hustler

    Francisco, não tente albaroar tudo o que eu escrevo aqui, impondo superiormente a sua opinião e os seus exemplos, em detrimento dos meus, que os classifica de ridículos, pois torna-o presunçoso.
    Seria bem melhor da sua parte tentar ajudar-me a limar conceitos e a introduzir novos elementos à discussão, ainda para mais tenho-o em conta como uma pessoa inteligente e assertiva.

    “Assim como a Samsung e a Nokia competem para me vender um telemóvel, eu e o meu vizinho competimos para comprar um telemóvel Nokia enquanto há em stock.”, essa agora, quer inverter as coisas? Então a oferta de produto é feita por empresas familiares, ou estamos a falar de empresas de escala? Esse pressuposto nunca se coloca, por isso são coisas não comparáveis.

    P.S. Não sou economista, de qualquer das formas fico agradecido por me considerar elegível na discussão destes assuntos.

  71. Hustler,

    Não é o Hustler que está errado. São os conceitos que defende. Chama monopsónio a claras situações de concorrência variada. Repetidamente. O Hustler está confundido. Monopsónio é APENAS UM COMPRADOR. É isso que diz a palavra. O problema está na sua interpretação da palavra monopsónio. É um problema de base. Não tem a ver com a sua inteligência, quando muito com as suas fontes. O que digo é que o Hustler está errado porque chama cão a um gato. A partir daí não pode perorar com justeza sobre o adestramento de cães.

    Até pode dizer muitas coisas de livros da especialidade, mas eu tenho cães e gatos e afirmo-lhe que os meus cães aprenderam a sentar-se à minha ordem; e, por muito que aplique o que faço a um cão ao gato, não consigo os mesmos resultados.

    Reveja o seu livro de economia. E já agora vou-lhe bonomicamente sugerir que o faça ouvindo a música de Luis Cobos ou de Eugen Cicero. 😉

  72. “A treta de auto-governação e de cooperação circular é treta. Todos sabem disso. Excepto os comunistas e os anarquistas. E os resultados viram-se na história da humanidade.”

    A treta do governo “pelo povo” e “para o povo” e’ trata. E nem vai la com os famosos “checks and balances” que, basta olhar para qualquer pais do mundo dito democratico, nao funcionam.

    “Há virtudes em haver um estado. Há muitas virtudes se esse estado for pequeno. O que ponho em causa é que o Estado passou do ponto de equilíbrio, olhou para além do marco e enferniza-nos a vida.”

    Quanto pequeno e’ um estado pequeno? E’ o que o Colaco considera pequeno? e se o Ze Maria Pincel quiser um estado mais pequeno? e se o Antonio Jaquim quiser um estado maior? E porque e’ que os estados modernos passaram o “ponto de equilibrio”? Esta visto que a historia dos “checks and balances” nao funcionam.

    “As pessoas não são assim tão boas. 10% de escroques poderão obliterar as propriedades de 10% de bons cidadãos, uma após outra, desde que tenham acesso aos grandes pacificadores (armas ou fornecimento de bens essenciais). Um estado consensual e mínimo, que se dedique a preservar a liberdade e a propriedade privada, et non plus ultra, é muito bem vindo.”

    Aqui concordo com o Colaco na sua avaliacao das pessoas. Na democracia ou em qualquer forma de estatismo-colectivismo coercivo, esses EXACTOS 10% de escroques sao os que se tornam politicos e obliteram as propriedades dos outros e controlam as armas e o fornecimento de bens essenciais. Nao sei se sou so’ eu, mas o Colaco ilustrou exactamente o regime democratico representativo.

    Muitos Colacos reconhecem isto, mas dizem que a culpa nao e’ do sistema politico, mas dos politicos que estao no poder. “Bons” politicos, politicos que “poem o superior interesse nacional acima do seu proprio” fariam o sistema funcionar. Colaco, se a qualidade do teu sistema de organizacao social depende da qualidade das pessoas que estao no poder, isto quer dizer uma coisa apenas: o teu sistema e’ um MAU SISTEMA!

  73. Fernando,

    E a anarquia depende da qualidade das pessoas que estão no não-poder?

    Perante a anarquia, o que impede o seu vizinho de achar que a sua propriedade é mais vantajosa nas mãos dele e agir em conformidade? A e B podem mancumonar-se para roubar C, extirpá-lo das suas propriedades e rocurarem um desfecho que lhes seja agradável: propeiedades divididas entre A e B, e C morto. Sem castigo, nada os deterá.

    Dê-me UM exemplo de que a anarquia (a completa ausência de estado formal) funciona. Regras: tem que durar décadas, tem que ter um baixo nível de violência (esqueça criminalidade, pois onde não há lei não há crime) e tem que conduzir à prosperidade e à verdadeira liberdade. Tal como no comunismo, Fernando, falho em encontrá-lo.

  74. fernandojmferreira

    “o que impede o seu vizinho de achar que a sua propriedade é mais vantajosa nas mãos dele e agir em conformidade? A e B podem mancumonar-se para roubar C, extirpá-lo das suas propriedades e rocurarem um desfecho que lhes seja agradável…”

    O Colaco, mais uma vez, ilustrou exactamente o que se passa no regime democratico, onde os politicos acham que as propriedade dos outros sao mais vantajosas nas maos deles do que nas dos legitimos proprietarios. Os eleitores fazem exactamente como o Colaco descreve: A e B mancumonam-se para roubar C e fazem-no “legalmente”.

    Engracado como os exemplos do Colaco arrasam completamente as suas razoes para a existencia do estado. O Colaco tera de se esforcar mais um pouco! 😉

  75. fernandojmferreira

    Quer um exemplo de anarquia? Os 206 estados do mundo, vivem em anarquia. Coabitam o mesmo planeta e nao existe um “governo mundial” nem um “tribunal mundial”, acima de qualquer pais.

  76. hustler

    Francisco, treine o seu gato intensivamente, vai ver que passado uns tempos está mais que apto a ingressar num circo e a disputar um número de leões. 😉

    Quando o termo original se extende ao mercado de trabalho,

    “While the term monopsony does not refer specifically to the labor market, the labor market is the primary locus of work on monopsony. One reason for this is that it was recognized early on that a monopolist in the manufacture of a particular good would also be a monopsonist in types of labor used only in the production of that good.”

    e adianta:
    “Although not monopsony in the strictest sense, monopsony power can be exercised by any employer that faces an upward sloping supply curve for labor. A single employer in a nominally competitive labor market can have monopsony power over his current workforce if workers bear a cost of job change, pecuniary or non-pecuniary.”,

    como vê, ainda continuo com um problema de interpretação.

  77. hustler

    E no que respeita à competiçao numerosa e à diferenciação dentro de um mercado, -por mim referidos anteriormente -o artigo menciona o seguinte:

    “In these models, firms have some wage-setting power, even in the presence of many competitors, due to imperfect information (perhaps from search frictions) or high levels of differentiation. The basic notion is that the firm’s employment represents an equilibrium between the flow of workers who leave and those who join the firm, and that these flows are determined by the wage that the firm chooses.”

  78. Fernando ferreira,

    «Os 206 estados do mundo, vivem em anarquia. Coabitam o mesmo planeta e nao existe um “governo mundial” nem um “tribunal mundial”, acima de qualquer pais.»

    E coabitam pacificamente? Nunca há nenhum estado (sei lá, a URSS) que combine com outro (talvez a Alemanha) dividir um terceiro (a Polónia)?

    Ou um estado (a Rússia) que queira um parte de um outro estado (como, sei lá, a Ucrânia ou a Estónia ou a Geórgia)?

    Funciona muito bem, não funciona, com flores, unicórnios e danças de Bollywood à mistura?

    Nem os cangalheiros chegam a lucrar devido à disrupção da economia.

  79. Hustler,

    Nenhum dos exemplos que apontou como sendo de monopsonia o eram. O único exemplo que apontou que poderia configurá-la (o engenheiro no Alentejo), apontou como sendo de livre mercado. Monopsonia é UM ÚNICO COMPRADOR, e quem não o disser não sabe nada do assunto. (Começo a pensar que basta ser-se académico para não se perceber nada de assunto nenhum.)

    Tem de compreender que todos estão em competição: clientes também competem pelos produtos de fornecedores (algo que se esquecem de dizer os cinzentistas eburronómicos e que nuna foram aos saldos com um bando de mulheres), trabalhadores também competem pelos melhores empregos, empresas competem pelos clientes e pelos empregados. Não há concorrência perfeita, mas quantos mais estiverem no mercado, mais esta se assemelha à perfeição.

    Chama-se a isso mercado. Há muitos empregadores e muitos empregados na hotelaria. Há muitos empregadores e muitos engenheiros no Porto. Concorrência perfeita. Há um empregador para diplomatas de carreira. Monopsónio.

    De qualquer forma, as conclusões do estudo que mandou estão erradas. Fazem uma assumpção que se pode não verificar no gráfico de equilíbrio. Pode-me dizer qual?

  80. Fernando Ferreira,

    Reconheço as limitações da democracia, e na verdade inclino-me mais para uma república constitucional de poderes limitados. A anarquia, o comunismo e os ismos todos nunca funcionaram senão para um escol, que deles desmesuradamente frui. Todos os outros ganham a grilheta e a miséria. E ainda têm de sorrir e dar loas ao escol.

    Não há nenhuma anarquia que não tenha degenerado em tirania férrea. Esta é a natureza dos homens, e só numa república constitucional ou numa democracia estas paixões pelo injusto domínio do outro podem ser refreadas. Para que estes regimes funcionem, bons homens têm de ser escolhidos. Aqui comemos o que cozinhamos e escolhemos a corda com que nos enforcamos.

    Confio em Deus. Todos os outros têm de apresentar resultados e prestar-se ao escrutínio.

  81. fernandojmferreira

    Colaco, porque e’ que a Franca, a Alemanha e a Italia (por exemplo), nao se juntam e conquistam a Suica? Ou porque e’ que a Austria nao anexa o Liechtenstein? Sao claramente “mais fortes”. Ou os EUA, porque nao anexam o Canada, 10 vezes mais pequenos em populacao e militarmente muito mais fracos? Hummmm!!!!

    2014-04-12 16:22 GMT-06:00 O Insurgente :

    > Francisco Miguel Colaço commented: “Fernando Ferreira, Reconheço as > limitações da democracia, e na verdade inclino-me mais para uma república > constitucional de poderes limitados. A anarquia, o comunismo e os ismos > todos nunca funcionaram senão para um escol, que deles desmesuradame” >

  82. hustler

    Francisco Colaço,
    “Nenhum dos exemplos que apontou como sendo de monopsonia o eram. O único exemplo que apontou que poderia configurá-la (o engenheiro no Alentejo), apontou como sendo de livre mercado. “, mas Francisco, o engenheiro no Alentejo é o “vendedor” e as poucas empresas que existem por lá são os “compradores” (mas cada empresa é UMA entidade/UM comprador, é impossível reduzir isto a único comprador absoluto neste exemplo) e o tradeoff entre preço pago e quantidade comprada é a curva de oferta que o monopsonista confronta. Um comprador competitivo (as companhias alentejanas que disputam a parca mão de obra) , por outro lado, não é confrontado com tal trade off – deve aceitar um preço determinado pelo mercado.

  83. Vivendi

    Ensaio sobre o anarco-capitalismo.

    É o anarco-capitalismo viável?

    A proposta dos anarco-capitalistas é a ausência total de participação do estado em suas vidas e são contra qualquer forma de coletivização coerciva.

    Assim de repente podemos enquadrar este modelo de vida nas formas primitivas tribais do passado e em algumas poucas tribos que ainda hoje existem mas que se encontram distantes dos modelos civilizacionais que foram sendo construídos ao longo da história que através de organizações sociais deram origem às várias nações e países existentes no mundo.

    Onde encontramos o anarco-capitalismo em território Português? Talvez no exemplo dos povos tribais que pouco ou nada deixaram de estruturante no atual território nacional e por contra-ponto ao império romano (uma das primeiras forma organizadas de estado na península ibérica) ainda hoje é possível encontrarmos bastante elementos e marcas desse passado romano e até muitas das edificações romanas ainda hoje são utilizadas (pontes, estradas..) mas também é uma evidência histórica que a civilização romana entrou em decadência pelo peso da sua burocracia, inflação e gestão centralizadora ao ponto de provocar a fúria e a raça de pequenas tribos locais como os Viriatos para combater o domínio romano.

    Sobre uma perspectiva histórica mais global, a civilização europeia , que foi o modelo civilizacional que se impôs de forma mais relevante no mundo foi fortemente marcada pela matriz cultural helénica- cristã e após milhares de anos de avanço civilizacional ainda hoje perduram como catalizador principal no desenvolvimento da organização espontânea da sociedade não obstante o surgimento moderno de elementos opositores (iluminismo, revolução francesa, marxismo cultural).

    Fazendo agora uma conclusão sucinta da história é facilmente compreensível que os pequenos grupos tribais se organizaram (num trabalho digno de formiguinhas) em modelos sociais que mais tarde deram origem às nações com o objectivo principal de se protegerem de povos invasores para assim poderem desenvolver pacificamente as suas atividades agrícolas e comerciais e por incrível que pareça ainda hoje assistimos a este mesmo filme. Ainda existem grupos invasores a tentar intervir nos mais diversos locais e regiões do mundo restando aos autóctones procurar alguma forma de defesa e a sua resistência torna-se mais eficaz quanto maior é o peso da tradição e da história.

    A manipulação em volta da Ucrânia é um exemplo da loucura que permanece nos dias de hoje (onde o problema está longe de se resumir a um simples conflito entre vizinhos).

    E muito mais acontece por essa Europa, um continente que se encontra ainda com uma série de fronteiras artificiais construídas no tempo da revolução napoleónica (maçônica) onde temos uma série de povos e regiões que desde séculos passados permanecem nos dias de hoje com uma forte ambição e desejo na secessão.

    No reverso e em simultâneo temos a utopia da Europa Federal (UE) que é bastante semelhante com o pior dos tempos da civilização romana (burocrata, centralizadora e parece querer ser inflacionária) e, pior ainda, também é parecida com a Europa do início do Séc XX (desconfiada e invejosa entre as várias nações que compõe o continente europeu).

    E onde entra o papel do anarco-capitalista moderno no meio disto tudo?

    Para além da sua intransigente defesa na propriedade privada, o anarco-capitalista, pouco mais consegue na tentativa de promoção de um modelo de vida desorganizado e descomplexado pois está condenado a bater de frente perante uma ordem social que foi construída de forma espontânea e ou manipulada ao longo dos vários séculos e torna-se assim uma imensa utopia a tentativa de qualquer imposição radical (já bastou o comunismo internacionalista).

    A realidade é a de uma sociedade que se depara com os mesmos problemas de sempre e como tal não se encontra preparada para evoluir espontaneamente para outras formas de organização social.

    Já a defesa do papel do individual contra o colectivo (principalmente quando falamos de coerção) é muito importante e é claramente um direito natural legítimo.

    Considero pois utópica uma sociedade de cariz totalmente anarco-capitalista mas já não considero uma utopia o indivíduo anarco-capitalista e acho que seria bastante interessante termos os estados a permitirem a liberdade de opção para quem quiser seguir um modelo de vida individual no modelo anarco-capitalista.

    E o seu envolvimento com o estado? Como ficaria? Sempre que um anarco-capitalista tivesse que recorrer ao estado seria através de uma abordagem de troca comercial invés de uma troca que hoje é feita pela via dos impostos. Os custos dos serviços estatais que hoje passam praticamente despercebidos pelas comunidades bem como a proveniência dos recursos passariam a estar enquadrados em uma formação de preços conforme a lei do mercado.

    E para o pessoal da esquerda, os anarco-comunistas, também considero que deveriam ser permitidas a criação de comunas (com a ressalva que o território tenha sido comprado ou voluntariamente cedido) para que os camaradas possam desenvolver o seu projeto de vida conforme os seus ideais sem interferir na liberdade dos outros.

    E como conceber esta lógica? Toda esta lógica só é possível se tivermos um afastamento do estado central para o estado local. No modelo privado só com um estado local é possível haver uma quantificação de valor para uma série de serviços ( estradas, saneamento, etc…) e no modo socialista estes passariam também a depender exclusivamente dos recursos da comunidade onde estariam inseridos. Tal avanço só é possível com uma verdadeira concepção descentralizadora. Assim o aparecimento de cidades-estados e regiões-estados com elevada autonomia são a forma mais correta para que as comunidades se encontrem com o estilo de vida mais desejado.

    (haveria muito mais a desenvolver mas já vai longo…)

  84. Fernando JM Ferreira,

    «Colaco, porque e’ que a Franca, a Alemanha e a Italia (por exemplo), nao se juntam e conquistam a Suica? Ou porque e’ que a Austria nao anexa o Liechtenstein? Sao claramente “mais fortes”. Ou os EUA, porque nao anexam o Canada, 10 vezes mais pequenos em populacao e militarmente muito mais fracos? Hummmm!!!! »

    Porque não querem. Porque existe uma lei internacional e estes países são respeitadores dela. Porque conhecem as consequências da guerra e a instabilidade das culminações. Porque existe um conselho de segurança e um tribunal internacional.

    Outros países há que se estão a marimbar para a lei internacional quando lhes convém.

    Assim como há boas pessoas (e nestas qualquer sistema político funciona), há más pessoas. E estas destrambelham qualquer ordem política.

    Mon cher, il y a trop de trics dans la réalité pour être compris par la faiblesse de l’esprit humain.

  85. Vivendi,

    O Estado providencia segurança a inimigos externos e internos. Diga-me lá como é que se irá pagar isso:

    Uma renda fixa? (paga-se um tanto por ter as forças armadas de prevenção ou os sistemas de bombeiros)
    Um estipêndio por intervenção? (chamas a polícia, amochas com o dinheiro; se não tiveres dinheiro, ora melhor para o ladrão; se foi o ladrão que te roubou o dinheiro que daria para chamar a polícia, ora que ladrão esperto!)

    Como é que faria a administração da justiça?

    Um anarquista dá tareia num não anarquista, este último o inocente. Quem persegue judicialmente o agressor?
    Um anarquista mata outro anarquista e a sua família pelas suas terras, tomando posse delas. É crime?
    Uma mulher anarquista é violada por um gangue de anarquistas. Pede ajuda, compreensivelmente, aos seus vizinhos não anarquistas, que se arrolam em milícia popular e dão uma valente tareia aos violadores. É crime?
    Um anarquista é espoliado por um não anarquista poderoso. Os outros anarquistas, receosos pela sua vida, amocham e calam-se. A quem apela?

    Está a ver como o anarco-capitalismo não funciona num contexto de Estado?

  86. Vivendi,

    «E para o pessoal da esquerda, os anarco-comunistas, também considero que deveriam ser permitidas a criação de comunas (com a ressalva que o território tenha sido comprado ou voluntariamente cedido) para que os camaradas possam desenvolver o seu projeto de vida conforme os seus ideais sem interferir na liberdade dos outros.»

    É permitido. Ninguém os impede. Houve-as no Alentejo. O facto é que todas as tentativas de vida deste modo acabaram sempre em pobreza, desavenças e quezílias internas, acabando os membros por as abandonar de vez.

    Nunca duraram.

  87. Vivendi

    Francisco Colaço,

    Creio que não percebeu o meu argumento. Não defendo uma sociedade anarco-capitalista mas considero um direito legítimo o individuo querer seguir o modelo de vida anarco-capitalista.

  88. Renato

    Hustler

    Considero que você é exageradamente preocupado com a possibilidade de algum trabalhador ganhar, em algum momento, menos do que o valor de salário numa situação de equilíbrio.

    Então, vou fazer algumas considerações. Em primeiro lugar, os mercados são por natureza dinâmicos, e não estáticos. Há constante mudança, os preços sempre estão orbitando os valores de equilíbrio, mas raramente são exatamente este valor. Mesmo porque as condições mudam, a população muda, a tecnologia muda, as demandas mudam, e o próprio equilíbrio muda. Você se preocupa que um engenheiro, um trabalhador do setor hoteleiro, um colhedor de frutas ganhe menos do que esse hipotético valor de equilíbrio. Mas quem disse que talvez não hajam engenheiros, garçons ou colhedores de mais? Não será esse um sinal para que outros não entrem no ramo? Ou até para que os mais jovens mudem de ramo? Seria de espera o equilíbrio estático num mercado dinâmico?

    Termino com uma pergunta: Qual a melhor maneira de levar a maioria dos trabalhadores a uma situação economicamente confortável? Permitir que a economia cresça ou trava-la com inúmeras normas e proibições? Que é pior para os trabalhadores: alguns problemas epsódicos, dos quais eles podem fugir mudando de ramo ou de local de moradia, ou o travamento permanente da economia pelas loucuras do estado? Portugal poderia estar crescendo tanto como cresceu Taiwan, Cingapura ou Hong Kong, mas para isso os portugueses devem arejar seu pensamento. Ficar pensando de forma mesquinha só levara à pobreza.

    Finalmente, não sendo português, não compreendi de que forma um financiamento habitacional pode prender alguém a algum lugar. Aqui no Brasil, vendem-se o tempo imóveis financiados, seja por meio de contratos de gaveta, seja por refinanciamento. tenho uma irmã nos EUA, e pelo lá também se vendem imóveis financiados. Parece que por ai é diferente, e me causou espanto. Quanto a imóveis alugados, não existem por aí. Aqui no Brasil uma pessoa pode simplesmente alugar um imóvel (financiado) a outrem e morar ele próprio de aluguel. Mas como a lei é excessivamente benévola com os inquilinos, muita gente prefere não fazer isso, por segurança. Como é a lei por em Portugal a respeito de aluguéis?

  89. Vivendi,

    Tanto percebi o seu argumento que pus algumas questões pertinentes sobre anarquia em contexto de estado.

    É impossível. A menos que consideremos os anarquistas animais, sem quaisquer direitos humanos, já que, segundo os seus próprios desejos, o Estado não deve jamais perseguir crimes de não-anarquistas contra anarquistas.

  90. Renato,

    Em Portugal, ao contrário dos Estados Unidos, a entrega do imóvel penhorado não extingue a dívida. Quem não consegue vender o imóvel está preso a ele com uma cadeia tão mais curta quanto maior for o montante da dívida.

  91. HO

    hustler,

    “O facto de por vezes incluir “expressões liceais” pretende simplificar o ponto de vista e o debate, a literatura demasiado científica introduz uma névoa no que se pretende debater.”

    Ponto prévio, nunca escrevi nada sobre “expressões liceais”; mas sim que recorreu a citações de um artigo de opinião (pro-sindicatos) de um site de explicações para estudantes de liceu – o que seria irrelevante não fosse o conteúdo do artigo.

    Doppo, sendo que tenho pouca pachorra para longas citações de literatura académica em caixas de comentários de blogs e nenhuma para argumentos de autoridade, na eventual nebulosidade da literatura científica é sempre possível avançar, com cautela, esforço e olhos bem apertos e o ocasional apalpanço. Face às trevas que descem de artigos de propaganda semi-analfabetos resta ao homem avisado dar meia-volta.

    ““de facto, nos tempos que correm já deveriam incluir uma adenda”

    Está a falar de que manuais? Manuais introdutórios são manuais introdutórios são manuais introdutórios. Se abordassem todos os casos particulares e hipóteses/teorias heterodoxas ou simplesmente mais sofisticadas seriam manuais sobre tudo, qua sobre coisa nenhuma, e inúteis para leccionar introdução à economia em três trimestres. Ainda assim, bons manuais de introdução abordam o caso do salário mínimo (e outros casos de desequilíbrio/especificidades do mercado de trabalho) e os argumentos normativos a favor e contra a existência desse tipo de política.

    Manuais para graus mais avançados abordam modelos monopsonistas do mercado de trabalho; duvido que qualquer manual de economia de trabalho não o faça em profundidade (ainda que tenha lido apenas umas fotocópias de um há já alguns anos, estou confortável com esta assumpção).

    Este seu ângulo de ataque não faz sentido. Face às evidências empíricas, fala-se mais de mercados de trabalho monopsonistas do que seria expectável; precisamente porque o salário mínimo legal é politicamente popular e referências a monopsónios de empregadores fá-lo parecer um bocadinho menos irracional economicamente.

    “penso que mais importante que isso tudo é saber se os trade offs negativos suplantam os positivos. Se apenas mencionar o incremento marginal de desempregados e preços está a limitar a discussão aos aspectos negativos; o que é politicamente popular, pode não ser completamente negativo, dependendo da magnitude ou dose dessas políticas.”

    Pois pensa; fatalmente, pensa mal.

    Ainda que fosse possível quantificar os efeitos positivos e negativos com elevado grau de exactidão e consenso, seria difícil encontrar uma medida comum para os quantificar uns contra os outros. Alguns são de natureza intangível.

    O importante é o seguinte: mesmo que a sociedade decida, e o traduza numa decisão política, que os assalariados de baixa produtividade terão de ter um rendimento disponível mínimo de ‘x’, que essa redistribuição de rendimento é desejável, qual o instrumento, a política, que, assegurando esse objectivo, minimiza os efeitos negativos?

    “Denoto que, mesmo defendendo acerrimamente o seu ponto de vista, nunca em algum momento, contrariou a existência de um mercado monopsonista. E se não o nega, então assumo que admita a co-existência do mesmo com o modelo da concorrência perfeita. No entanto, no que escreve, não se alargou a observar os efeitos positivos, apenas os negativos.”

    Não percebi bem o que pretendeu dizer neste parágrafo, mas, para que não restem dúvidas: a) considero a modelação de mercados de trabalho para jurisdições de salário mínimo legal pouco convincentes – inúteis; não me é fácil ser mais claro do que isto; b) nunca li nada que, mesmo assumindo o modelo monopsonista como mais descritivo da realidade e a necessidade de partir o comportamento de monopsónio por via legal, me convencesse que um salário mínimo legal seria o melhor instrumento disponível c) referi múltiplas vezes os aspectos que os apologistas do salário mínimo legal entendem como positivos (provavelmente tantas quanto os negativos) – o aumento do rendimento disponível de certos membros da sociedade,

    “é capaz de o corroborar com literatura? Gostava de entender melhor o seu ponto de vista.”

    Por exemplo:

    Click to access dp2955.pdf

  92. hustler

    Caro HO

    Desde já lhe adianto que nunca pretendi usar qualquer argumento de autoridade nesta discussão, até porque, não tenho qualquer legitimidade para o fazer, por isso, se muitas vezes me socorro de literatura descendente das trevas, semi amadora, semi analfabeta e semi liceal, é porque, primeiro não sou autoridade na matéria e segundo, ao contrário de si, não fiz a profissão de fé na área, consequentemente, no desconhecimento dos repositórios dessas literaturas, não me resta outra alternativa que não usar o que me vem à mão, pois quem não tem cão, caça com gato.

    Posto isto, e voltando a pegar numa das suas afirmações, não chego exatamente a entender os efeitos negativos que menciona, quando diz que decisores políticos se servem de um instrumento ou política redistributiva avalizada pela sociedade. Para além do desemprego (marginal, na diversa literatura), que outros efeitos lhe associa?

    “a) Considero a modelação de mercados de trabalho para jurisdições de salário mínimo legal pouco convincentes – inúteis; não me é fácil ser mais claro do que isto;”, daqui só posso deduzir uma coisa, independentemente de ser uma medida boa ou má, achará sempre que a mão invisível da economia alcançará sempre melhores resultados que qualquer regulamentação imposta pelo estado; associou-se a uma corrente liberal e é nesse campo ideológico que se identifica.

    b)” c) referi múltiplas vezes os aspectos que os apologistas do salário mínimo legal entendem como positivos (provavelmente tantas quanto os negativos) – o aumento do rendimento disponível de certos membros da sociedade,” sendo liberal e apologista do lassez faire como entendo que é, junta a sua voz à daqueles que consideram que é melhor o indivíduo singrar pelas suas capacidades, competências e trabalho, do que fazer uso de uma política demagógica –a do salário mínimo- para chegar a essa franja da sociedade. Na verdade é um céptico do coletivismo, da interferência do estado e da redistribuição.

    “b) nunca li nada que, mesmo assumindo o modelo monopsonista como mais descritivo da realidade e a necessidade de partir o comportamento de monopsónio por via legal, me convencesse que um salário mínimo legal seria o melhor instrumento disponível”, permita-me então que introduza novos dados ao debate.
    O salário mínimo é um ótimo instrumento quando um país é confrontado com uma crise como a nossa. Se a introdução de um mínimo legal imposto pelo estado é um imposto infligido aos empregadores, então este deveria chamar-se imposto travão. Digo isto porque se o mercado de trabalho for completamente desregulado no que diz respeito a rendimentos, verificar-se-á uma espiral deflacionista preços-salários que iria também agravar a carga de dívida particular e pública. Se os salários apenas forem ligeiramente delapidados, este fenómeno será muito menor. Nesse sentido, é também um estabilizador automático.

    O salário mínimo é consensual entre muitos académicos e vários países o adotaram. Todas as nações da OCDE fazem uso deste instrumento (à execepção daqueles onde os sindicatos têm muito para poder negociar) . Há já estudos que incluem os países em vias de desenvolvimento e do terceiro mundo. Todas as conclusões apontam que a introdução de um mínimo legal tem algum alcance na diminuição da pobreza, embora faça aumentar a empregabilidade da economia informal em detrimento da formal. No entanto, a imposição de valor legal dentro de um certo limite, traz por arrasto, o aumento dos rendimentos no mercado paralelo, que não aconteceriam se não houvesse qualquer regulação.

    Diz ainda o FMI, pela mão de Olivier Blanchard que o salário mínimo é um instrumento de redistribuição e que há limites para a extensão em que ele pode ser usado como tal, no entanto pode fornecer um patamar que minimiza a exploração.

    Algo também a considerar é que a imposição de um valor, aumenta a sub empregabilidade e a empregabilidade em part time, o que se traduz num menor valor de desemprego, pois a haver uma desregulação completa, o número limitado de postos de trabalho full time disponíveis na economia não conseguiria absorver todo o número de desempregados, e a criação de novos postos demoraria algum tempo a atingir.

    Deverei ainda acrescentar que a subida marginal -dentro de certos valores-, do salário mínimo, poderá causar o efeito substituição trabalho-trabalho, o que não é necessariamente mau, uma vez que ao substituir um trabalhador com menos competências por outro com mais qualificado, poderá traduzir-se num aumento da produtividade das empresas.

    Um outro que me vem agora à cabeça, prende-se com o aumento dos commodities ao longo do tempo, ora bem, se pensarmos que a carne é um commodity e que é um bem inflacionado ao longo dos anos, o único factor que passa a ser estático numa qualquer empresa de fast food (incluindo agora todos os outros commodities de um estabelecimento como esses) é agora o fator mão-de-obra. No entanto, regra geral, os preços de todos os commodities influenciam a economia como um todo, e se assim é, o preço de um McMenu irá aumentar ao longo dos anos. Será lógico então pensar, que ao aumentar o preço do dito menu, a empresa aumenta a margem, pois a mão de obra –o maior custo de uma companhia-fica inalterado. A ocorrência deste fenómeno passa a dar à empresa um poder para mexer em vencimentos, a dita característica monopsónica de um mercado de trabalho. Este fenómeno, juntamente com o aumento da produtividade, está na base do aumento dos salários.

    Para concluir, tanto a OCDE, como a Comissão Europeia, como o IMF, não desaprovam o salário mínimo, dentro de certos limites, como o aconselham a indexá-lo, entre 40 e 60%, à mediana de rendimentos conforme o país em causa, à produtividade e à paridade do poder de compra. Acrescentam ainda, que o salário mínimo, poderá ter um valor dinâmico, no contexto de uma determinada conjuntura e poderá ter acertos tanto para cima como para baixo, à semelhança do que se passa no Reino Unido, onde uma comissão permanente independente, o analisa ano a ano e faz recomendações ao governo.

    Caro HO, podemos incluir outros elementos na discussão se quiser, qual a melhor alternativa ao salário mínimo que não afecte o trade off do desemprego de uns e o bem-estar de outros/viabilidade das empresas.
    As alternativas que me sugere, wage subsidies, EICT e outros tipos de política redistributiva, apesar de instrumentos alternativos, não estão isentos de críticas, e muitos estudiosos na área consideram que tais políticas devem ser complementadas com um salário mínimo sub-óptimo.

  93. hustler

    Renato, a primeira parte do seu parágrafo toda a gente a conhece e consta em todos os livros de economia
    “Você se preocupa que um engenheiro, um trabalhador do setor hoteleiro, um colhedor de frutas ganhe menos do que esse hipotético valor de equilíbrio.”, não, o que eu queria demonstrar é que existem vários modelos de mercado de trabalho complementares aqueles que estão nos manuais para ingressantes na universidade. Esses exemplos serviram apenas para demonstrar o meu ponto de vista.

    ” Permitir que a economia cresça ou trava-la com inúmeras normas e proibições?”, quanto mais restrições, regulamentações, taxas discriminatórias, burocracia, maiores entraves às empresas e menor crescimento económico.
    No entanto, cabe-me dizer, que quando os mercados são completamente desregulados, estes podem desenvolver comportamentos de inficácia e sub eficência, nesses casos, onde a mão invisível não resolve o problema, o estado deverá intervir, tal como demonstra o teorema de Coase.

  94. Renato

    Hustler

    E o que impedirá o governante de, a pretexto de ‘melhorar’ o funcionamento do mercado, ajudar seu empresários favoritos, suas centrais sindicais favoritas, suas empresas de mídia favoritas, seus setores favoritos? Não é assim que se obtém e mantém poder político? Não é essa a inteira história do mercantilismo, até os dias de hoje? Os motivos são sempre diferentes, mas são sempre justos, e sempre adequados ao ‘bem comum’. Só nas conversas ao pé do ouvido, falam sobre obter cada vez mais poder, esmagar os adversários. Em público, é só sobre o bem comum.

    Restringir as coisas que o estado pode fazer é talvez o único caminho eficaz para manter um razoável grau de liberdade, frente a um ente cujo principal instinto é se tornar cada vez mais poderoso e influente. Porque a soma das vontades dentro da máquina estatal, se não forma um ente com vontade clara, forma um ente com instinto, e muito voraz.

  95. Renato

    Hustler

    Na sua resposta ao HO você tocou no assunto da deflação, e mostrou, como a maioria das pessoas hoje em dia, a preocupação de evita-la. Gostaria de ler sua opinião sobre a defesa da deflação que fazem os economistas austríacos. Eis aqui um dos muitíssimos artigos dos austríacos sobre o assunto:
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1011

  96. Pingback: Portugal esclavagista | O Insurgente

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