Escola pública e escola privada

Aquando do lançamento dos seus dois livros ‘A sala de Aula’ e ‘Diários de Uma Sala de Aula’, Maria Filomena Mónica esteve na SIC Notícias onde afirmou não ser contra, mas a favor, da escola pública. Para reforçar o seu entendimento, Filomena Mónica mencionou a diversidade social existente na escola pública, em comparação com o que sucede nas escolas privadas. No seu ponto de vista, esta diversidade social é importante para as crianças e jovens, por lhes dar uma visão mais alargada da realidade. Para evidenciar ainda mais o seu argumento, Filomena Mónica referiu conhecer alunos das escolas privadas que julgam que todos os restantes colegas também têm uma piscina em casa.

Ora, eu estudei, por escolha dos meus pais que fizeram uma opção de vida nesse sentido, em escolas privadas e não conheci nenhum colega que tivesse piscina. Se calhar, não fui inteligente nos relacionamentos que criei, apesar de muitos daqueles que fiz se manterem ainda hoje. E ainda sem piscinas em casa. Chamo a atenção para estas afirmações de Maria Filomena Mónica, não só por virem de alguém que, apesar de não conhecer pessoalmente, respeito bastante, mas porque demonstra o preconceito que existe contra o ensino privado.

A escola privada tem duas vantagens sobre a escola pública: a escolha de um ensino com uma determinada orientação (uns preferem a religiosa, mas há quem dê prioridade ao ensino das línguas estrangeiras ou até da filosofia ou mesmo da música) e o acesso directo a quem manda na escola. O ter uma palavra a dizer sobre o modo como os seus filhos são tratados e orientados num dado estabelecimento de ensino pelos professores.

Ultimamente tem-se assistido a um fenómeno, também entre pessoas de direita, de valorização da escola pública. Eu não vejo qualquer problema nisso, mas este, como todos os fenómenos sociais, tem de ser analisado com atenção. Como sabemos a colocação dos alunos na escola pública é feita de acordo com a morada de residência ou do domicílio profissional dos pais. Ora, esta valorização da escola pública que referi é acompanhada por um cuidado na escolha dos bairros onde se reside. É como se dissesse: «eu sou a favor da escola pública, mas naquele bairro». A partir do momento em que a colocação dos alunos na escola pública é determinada pelo domicílio dos pais, é normal a diferença entre escolas públicas dependendo da sua localização. A escolha de um bairro para viver tendo em conta o ambiente que faz a escola desse local, acaba por ser natural. Natural, sem dúvida, mas responsável também pelo fim da mobilidade social que Filomena Mónica diz se ter perdido na escola pública. Já não será a escola que permite que qualquer rapaz ou rapariga dê o salto na escala social, mas são os pais que escolhem os bairros para escolherem a escola. Não é a escola que determina o futuro, mas o bairro, ou o encarregado de educação, pois muitas vezes este é escolhido em função do bairro onde se vive e há quem seja encarregado de educação de muitas crianças neste país, que condiciona a escola. Não havendo liberdade para escolher a escola, escolhe-se o bairro. Esta atitude, compreensível, repito, tendo em conta a falta de liberdade na escolha da escola, não deixa de desvirtuar o conceito de escola pública, ao mesmo tempo que a elogia; acaba por ser uma forma de criação de escolas de elite, porque em zonas de elite, a custo zero.

O conceito da escola pública devia visar não se ter de mudar de bairro para ter acesso a uma boa escola. A escola pública, porque universal e dirigida a partir da 5 de Outubro, deve ser igual em todo o lado. Não pode conter diferenças que discriminem os que não têm acesso à melhor escola pública apenas porque os pais nâo têm meios de se mudar para um bairro melhor. Uma saída deste pressuposto compromete a sua ideia base de igualdade de oportunidades. Como referi, nem todos podem mudar de casa para um local onde o ambiente social à sua volta é equivalente ao de uma escola privada, com a vantagem de não se pagar e se vestir a veste, tão confortável no mundo da esquerda politicamente correcta, de ser a favor da escola pública.

43 pensamentos sobre “Escola pública e escola privada

  1. Carlos Pacheco

    “Como sabemos a colocação dos alunos na escola pública é feita de acordo com a morada de residência ou do domicílio profissional dos pais.” Não é rigorosamente assim. Naturalmente esse terá de ser sempre um critério de ordenação. Mas havendo vagas, não conheço nenhum impedimento para inscrição numa escola pública qualquer. Qual seria o outro critério sugerido pelo meu amigo? Olhos azuis, conta bancária?

  2. Carlos Pacheco

    “A escola privada tem duas vantagens sobre a escola pública: a escolha de um ensino com uma determinada orientação (uns preferem a religiosa, mas há quem dê prioridade ao ensino das línguas estrangeiras ou até da filosofia ou mesmo da música)…” Está mal informado sobre o que é hoje a escola pública. Há escolas públicas com a possibilidade de orientação para a música, outras para as artes plásticas, etc…

  3. Está certo, a escola pública em que se anda depende do bairro onde se vive. O que vem diminuir a diversidade social que, creio que ninguém contesta é útil sob todos os pontos de vista.
    Claro que a escola privada não é uma “cura” para este problema, antes pelo contrário, só vem é aprofunda-lo.
    O que se devia fazer era o “busing” como se faz nos Estados unidos, isto é, ter meios de transporte que uniformizem a origem social dos alunos pelas escolas públicas ao distribui-los por escolas fora do seu bairro.
    Por mim que por opção dos meus pais estudei durante nove anos em escolas privadas e só fui para a pública aos quinze anos, no décimo ano, sempre considerei esta idade como a idade da minha libertação. De repente, após umas férias grandes, entrei noutro mundo, num mundo muito mais real, no mundo verdadeiro.
    Num mundo onde ninguém tinha piscinas nem ia passar férias aos Estados Unidos como eu estava habituado a ver. Sim, na minha escola havia quem tivesse piscina. E herdades de 800 ou mais hectares!

  4. Carlos Pacheco

    “O ter uma palavra a dizer sobre o modo como os seus filhos são tratados e orientados num dado estabelecimento de ensino pelos professores.” Os pais têm sempre uma palavra a dizer sobre isto, mesmo nas escolas públicas. Revela preconceito. O que a escola pública deve evitar é que os pais tenham um número descontrolado de coisas a dizer. Porque os pais não são donos dos filhos, porque os pais não são donos da liberdade do professor.A lei já prevê há muito a possibilidade dos meninos serem educados exclusivamente em casa, para os pais mais comichosos.

  5. lucklucky

    “O que vem diminuir a diversidade social que, creio que ninguém contesta é útil sob todos os pontos de vista.”

    Lugar comum sem sentido.
    A diversidade social com um miúdos gangsters, com droga ou simplesmente crianças desinteressadas e sem vontade de aprender não é útil.
    Um míudo que tenha apetência para engenharia e ciência deveria ir para uma escola com tal ênfase, existe? claro que não. No sistema socialista a diferença é punida.

    E por razões políticas da esquerda, a necessidade permanente de terem vítimas é preciso que as crianças continuem como tal se possível na idade adulta.

    “O conceito da escola pública devia visar não se ter de mudar de bairro para ter acesso a uma boa escola.”

    A boa escola depende da vontade das crianças e da qualidade dos professores e programas conseguirem que as crianças tenham vontade de aprender.
    Como em Portugal não há professores só há funcionários não se espere grande coisa.
    Uma vez que o ensino é totalitário devido à ideologia do regime.
    Como os resultados do próprio país demonstram. Quem nos levou à bancarrota 3x em 40 anos foram universitários não foram analfabetos.

    O que se viu neste texto e em vários comentários foi a obrigatoriedade de as crianças boas serem trucidadas, sacrificadas com o objectivo de uniformizar, igualdade na mediocridade.
    Que alguém socialista como Carlos Pacheco o defende a faz perfeitamente sentido, que outros que se dizem não socialistas não.

  6. Carlos Pacheco

    Que alguém fascista como o luck… saiba distinguir bem as “crianças boas” das crianças más faz sentido. 🙂

  7. Carlos Pacheco

    O senhor da coreia do norte vai contratar o luck… para decidir quem são as crianças boas e quem são as más 🙂

  8. “Porque os pais não são donos dos filhos”

    Concordo em absoluto. Claro que os país não são donos dos filhos. Mas… O estado também não! E compete aos pais, a obrigação de, escolherem o melhor para os seus filhos. Não ao estado e nem aos professores.

    “Os pais não são donos da liberdade dos professores.”

    Concordo em absoluto. Claro que os pais não são donos da liberdade dos professores. Ninguém deve ser dono da liberdade de ninguém. Mas, num país onde a constituição obriga o estado a participar na educação das crianças e, onde toda a gente acha que a educação é um direito (e é, pelo menos enquanto pagarmos impostos para a ter), os professores, do ensino público, pelo menos, prescindem da sua liberdade, porque tem de cumprir com a sua obrigação de satisfazerem esse direito a quem o reivindica.

    “Para os pais mais comichosos.”
    Há quem nunca tenha compreendido as cações do Zeca Afonso… “Quando o pão sabe a mer**, o que faz falta é avisar a malta.” Mas não, o que faz falta é baixar a cabeça ao pasto e fazer parte do rebanho, pode ser que ainda não seja a nossa vez de ir à tosquia. Ou de ir parar ao açougue.

  9. As crianças têm sempre vontade de aprender. Faz parte da natureza do animal que somos. O erro não está nas crianças. Os adultos é que nem sempre têm disposição para ensinar o que as crianças querem aprender.
    Parafraseando por defeito Agostinho da Silva, a boa escola seria a escola que tivesse as portas abertas a quem quisesse aprender e, na qual se ensinasse o que quem lá entrasse tivesse necessidade ou curiosidade de aprender.
    O ensino oficial (público e privado)em Portugal é o contrário. É movido por interesses políticos e não por interesses sociais ou pedagógicos. Por isso é mais fácil uma cadeia de supermercados abrir uma cadeia de colégios privados do que um grupo de pedagogos abrir uma escola com uma abordagem diferente ao ensino e formação de crianças e adolescentes.
    Não fossemos um país de burocratas e fiscais, e talvez os Nobel e as bolas de ouro não tivessem de emigrar para o serem.

  10. hustler

    “A boa escola depende da vontade das crianças e da qualidade dos professores…”, então não é o meio que faz o índividuo? Se eu colocar uma criança rebelde numa escola “boa”, a probabilidade de reabilitar essa criança não será alta? Não é lógico pensar que a criança, em função do ambiente, vai nivelar por cima ou por baixo, conforme seja o caso?
    Também não é lícito pensar que um professor seja mais estimulado, no caso de leccionar num ambiente mais harmónico?
    O luckyluck não sabe que o meio circundante condiciona ou estímula a personalidade de um indivíduo? As pessoas não são apenas dependentes da sua própria vontade, parte do seu comportamento é definido pelo meio onde se inserem!
    “A diversidade social com um miúdos gangsters, com droga ou simplesmente crianças desinteressadas e sem vontade de aprender não é útil.”, só se não os conseguirmos reabilitar.
    É inerente à adolescencia, ou pelo menos a parte dela, a insubordinação, a irreverência e a acidentes de percurso. Deve a sociedade ostracizá-los e condená-los ao estigma social para todo o sempre, ou pelo contrário, tentar recuperar os jovens?

  11. k.

    Todo o post faz sentido, menos numa pequena questão: nada, ou pouco tem a ver com a dicotomia escola publica/escola privada.
    Isto é, eu também advogo que os pais possam escolher a escola dos filhos, e que estas devem ter mais autonomia na sua gestão. Mas isso não tem nada a ver com o facto de serem públicas ou privadas..

  12. lucklucky

    “Que alguém fascista como o luck… saiba distinguir bem as “crianças boas” das crianças más faz sentido.”

    Você é que é Fascista ao defender a Educação Publica. Quer o ensino seja todo igual. Logo você está perfeitamente dentro da Ideologia Socialista.

    “Se eu colocar uma criança rebelde numa escola “boa”, a probabilidade de reabilitar essa criança não será alta? ”
    Você já está dizer que os alunos da escola “boa” devem sofrer por causa do rebelde.
    Um “rebelde” pode destruir uma turma.
    O “rebelde” pode melhorar ao não depende da sua rebeldia e de como a escola boa lida com rebeldes. Mas com a ideologia em vigor será sempre prejudicando os outros.

    “O luckyluck não sabe que o meio circundante condiciona ou estímula a personalidade de um indivíduo?”

    Precisamente por isso é que disse o que disse.
    Parece que a sua ideologia o torna incapaz de ver o que um miúdo “rebelde” pode destruir.
    Você quer salvar o rebelde às expensas dos outros miúdos.
    De lhes travar o desenvolvimento.
    Por isso até é incapaz de ver o mal que as suas ideias trazem. Impedindo as outras crianças de avançarem mais rápido.

    E esta opinião diz muito daquilo em que acredita sobre o que é ser professor hoje. O professor- -funcionário incapaz que usa os outros miúdos como armas educativas para fazer o trabalho que deve ser seu.

    Qual o ordenado que uma criança não rebelde ganha por fazer o trabalho do professor ?
    É o professor que tem recuperar o rebelde, não os outros alunos.

    Eu usei o seu termo rebelde só para facilitar. Mas há muito tipo de rebeldia. Falei da destrutiva.

  13. Luís Lavoura

    Eu duvido que haja muitos pais que mudem de casa para ter acesso a uma boa escola pública. As casas não estão assim tão baratas, e vender uma casa e comprar outra tem custos de transação elevados.

  14. hustler

    Luckyluck, você é muito radical nas suas opiniões, permita-me que lhe diga.
    “Você quer salvar o rebelde às expensas dos outros miúdos.
    De lhes travar o desenvolvimento.”, por essa ordem de ideias, qualquer carta fora do baralho, não deveria ter direito à reintegração ou reabilitação.

    Você esquece-se no entanto, de que um adolescente não tem a personalidade talhada, e mesmo que o seu percurso na juventude seja errático, não significa que venha a ser um marginal na idade adulta. Você parte do pressuposto que uma criança “rebelde” que tem má índole, apresentará este comportamento para sempre. Esquece-se porventura, que outrora já foi adolescente! Se foi um jovem exemplar, tanto melhor, mas querer fazer do seu comportamento a norma para a maioria dos jovens, é não querer aceitar a diversidade humana.

    Pois nada mais longe da realidade. Todas as pessoas são diferentes, uns mais inteligentes, outros mais sossegados, outros mais curiosos, outros mais inconformados, etc…
    Ao propôr a segregação das crianças, está irremediavelmente a condená-las à exclusão na idade adulta. No fundo o que depreendo das suas palavras, é que defende uma sociedade “feudal”, as crianças de bem deverão apenas conviver com outras crianças de bem, e os reguilas com os outros reguilas. No fundo uma éspécie de Darwinismo social, onde seres “inaptos” deverão resignar-se à sua condição e não prejudicar os outros, aqueles com um valor social – na sua opinião- maior.
    Esquece-se também que é o sucesso da escolaridade que permite a mobilidade social e a fuga ao círculo da pobreza. Ao excluir os reguilas de uma escola “boa”, está a condenar-lhes o aproveitamento escolar e a remetê-los para o fundo da escala social, no fundo, a acentuar ainda mais a clivagem social e estratificação de classes.

  15. JPT

    Dado que a educação dos seus membros (de só alguns, ou, de todos), é, desde há alguns milhares de anos, considerado um dos papéis básicos do Estado (exercido directamente ou através de instituições das religiões oficiais) – tal como assegurar a ordem, a segurança e a salubridade públicas ou administrar a justiça – parece-me que um verdadeiro liberal deveria ter, a este respeito, antes de mais, uma preocupação: a de que nem um só cêntimo de dinheiro dos contribuintes seja entregue a escolas privadas (conceito que, desde a laicisação do Estado, inclui as confessionais) – nem um só crédito fiscal, nem um só terreno cedido, nem uma só só vantagem na aquisição de bens e serviços. Absolutamente nada. Porém, estranhamente, o nosso tão particular “liberalismo” não cuida tanto disto. Pelo contrário, parece intensamente apostado em piorar (ainda mais) a escola pública, retirando-lhe recursos financeiros e humanos (antes de mais, os alunos das classes médias), criando melhores condições para um negócio fortemente subsidiado e, por natureza, redundante (por se sobrepor a uma necessidade que sempre terá de ser satisfeita pelo Estado). Parafraseando o grande Mário Jardel: “porque será?”

  16. fernandojmferreira

    Ai, tanta coisa com a escola publica e a escola privada. Porque e’ que as duas nao podem co-existir pacificamente? Para isso e’ so’ preciso que o financiamento do ensino publico deixe de ser obrigatorio.
    Assim, os LuckLuckies deste mundo (nos quais eu me incluo) sao livres de colocar os filhos na escola que desejarem e os Pachecos deste mundo sao livres de se juntarem todos (e devem ser muitos, ja que a maioria dos portugueses apoia a escola publica) e de financiarem a sua escola publica.
    E como os Pachecos ate acham que a escola publica e’ muito superior a privada, o que provavelmente vai acontecer e’ as escolas privadas fecharem por falta de alunos.
    Ate os politicos, que na maioria das vezes colocam os seus filhos nas escolas privadas, vao poder optar pelas escolas publicas. Ponto final!
    Que tal esta proposta?

  17. fernandojmferreira

    Logo vi, Pacheco, seu malandreco…
    Viva o ensino publico, desde que so’ valha ir aos bolsos dos outros!
    Ahhhh, ganda Pacheco!!! 😉

  18. lucklucky

    “De lhes travar o desenvolvimento.”, por essa ordem de ideias, qualquer carta fora do baralho, não deveria ter direito à reintegração ou reabilitação.”

    Mais uma vez demonstra a sua disponibilidade para sacrificar outras crianças.
    Certamente não tem direito à rebilitação prejudicando o direito dos outros evoluírem e avançarem. A reabilitação não precisa de ser feita ás custas de outras crianças.

    “Você esquece-se no entanto, de que um adolescente não tem a personalidade talhada, e mesmo que o seu percurso na juventude seja errático, não significa que venha a ser um marginal na idade adulta.”

    Pois, pode não ter, não lhe dá no entanto direito de prejudicar outros.

    É também por esta razão que as escolas deve poder ser diferentes. Não podem, porque vivemos no totalitarismo da educação, na igualdade e no pensamento único.
    Se o hustler quer uma escola que sirva para equalizar – na minha opinião na mediocridade- o hustler e quem consigo concorda deve a poder criar.

    “No fundo o que depreendo das suas palavras, é que defende uma sociedade “feudal”, as crianças de bem deverão apenas conviver com outras crianças de bem, e os reguilas com os outros reguilas.”

    É precisamente o contrário de feudal.
    O que determina a separação é comportamento, não é o sangue azul ou vermelho.

    “Esquece-se também que é o sucesso da escolaridade que permite a mobilidade social e a fuga ao círculo da pobreza. Ao excluir os reguilas de uma escola “boa”, está a condenar-lhes o aproveitamento escolar e a remetê-los para o fundo da escala social, no fundo, a acentuar ainda mais a clivagem social e estratificação de classes.”

    Errado. São as suas ideias que condenam os pobres ao circulo de pobreza. São os pobres que têm mais facilidade de cair na mediocridade pois são os mais vulneráveis -porque também contactam mais – com o mundo dos “reguilas” – não que não existam ricos também –
    Uma escola que proteja um miudo pobre dos “reguilas” pode-se tornar um oasis na vida desse miudo. Um míudo rico está mais protegido pelos país.
    Quando a Escola se recusa a porteger os bons está primeiro a prejudicar os bons mais vulneráveis. Os Pobres. Que poderiam deixar de sê-lo.

  19. fernandojmferreira

    O Pacheco vai rolar a rir quando tiver cada menos ovelhas a quem chular e, quer o Pacheco queira quer nao, as ovelhas sao cada vez menos. Pacheco, malandreco, sempre a pensar no “elevado interesse nacional”, ne’ Pacheco!

  20. Uma das famílias do mais socialista que há… é dona de um dos colégios privados mais elitistas que há. Oh… mas defendem a escola pública e a igualdade de oportunidades, com unhas e dentes… desde que seja para os outros.

  21. fernandojmferreira

    Xii, estas com azar, Pacheco. Ja ha muito que abandonei esse TGV, em rota de colisao com um grande muro de betao. Por isso, mantem-te a tona, Pacheco e segura-te bem! 😉

  22. fernandojmferreira

    Vulcan, mais propriamente. Demos cabo de todos os Pachecos que encontramos. Agora nao temos quem se preocupe com os pobrezinhos. Todos os Pachecos do Universo preocupam-se mais com os pobrezinhos do que com eles mesmos. Parece que em Portugal e’ onde ha mais concentracao de Pachecos por metro quadrado. Assim sendo, ja la vao 3 bancarrotas em 40 anos, and counting… 😛

  23. fernandojmferreira

    Isso, Pacheco, vai para dentro. E ve la se deixas de pensar no pau do Ferreira, ja e’ a segunda vez que falas no pau. Meu malandreco… 😉

  24. Fernando Ferreira,

    Sugiro-lhe que não alimente o Carlos Pacheco. Não irá ganhar nada da discussão. Lembre-se que nunca deve argumentar com pessoas de inteligência inferior, funcionarios públicos ou, pior, ambos.

  25. rmg

    “Anda , Pacheco” , díria a Hermínia Silva .

    Neste caso particular não anda nem desanda .
    Pelas horas a que entrou em “loop” fácilmente se verifica que é rapaz para não ter mantido um saudável equilíbrio entre o líquido e o sólido ao jantar .

  26. hustler

    “A reabilitação não precisa de ser feita ás custas de outras crianças.”, pois, só não diz qual é o método alternativo para reintegrar as crianças problemáticas! Uma vez crianças difíceis, então os pais que resolvam o assunto em casa! (Mesmo que os pais estejam ausentes, trabalhem por turnos, não tenham condições financeiras, etc…)

    Mais uma vez: “Pois, pode não ter ( a personalidade talhada), não lhe dá no entanto direito de prejudicar outros.” Quem trata de endireitar o jovem então? acha que uma criança em tenra idade tem que ser auto didata no que diz respeito à conscencialização? Do género: -Se não tem uma consciência e sentido de responsabilidade que desenvolva uma, não esteja a estorvar os outros! lol

    “Não podem, porque vivemos no totalitarismo da educação, na igualdade e no pensamento único.”, mas alguma vez me ouviu a defender o totalitarismo na educação? Onde foi buscar essa? Ouviu-me porventura, a esgrimir argumentos entre ensino privado vs público?

    “Se o hustler quer uma escola que sirva para equalizar – na minha opinião na mediocridade- o hustler e quem consigo concorda deve a poder criar.” É tão somente a sua opinião. Quero sim, uma escola que sirva para dar igualdade de oportunidades entre as pessoas, independentemente do seu estrato social, do bairro onde residem, terem posses ou serem indigentes, de ser escola privada ou escola pública, etc…A equalizar alguma coisa será sempre pela positiva.
    Mas eu já o entendi, você aceita e aprova as desigualdades, para haver ricos tem que haver obrigatoriamente pobres, para haver pessoas cultas e instruidas tem que haver pessoas iliteradas e sem capacidade de análise, para haver colarinho branco tem que haver o colarinho azul, para eu estar bem você tem que estar mal, para haver os patrões tem que haver a Maria, a criada.Certo? Não que alguma vez deixe de haver isto, mas se você poder escavar mais o fosso que separa as classes sociais, mais fácil é para si se distinguir da multidão e poder contemplar o povão de lá de “cima”. Denoto um certo prazer que você tem nisto. Já viu, se fossemos todos bons e iluminados, ricos e abastados, como poderia você sobressair? Isto era como se lhe cortassem as pernas.

    “É precisamente o contrário de feudal.
    O que determina a separação é comportamento, não é o sangue azul ou vermelho.” Quando escrevi feudal, fi-lo entre aspas, não me estava a referir à cromatografia sanguínea.
    Ao utilizar “feudal” estava a referir-me exactamente ao comportamento, uma vez que você estratifica e categoriza as pessoas conforme o seu comportamento, e uma vez etiquetando os mesmos, já não lhes é possível de se desfazerem desse epíteto, como se de um processo irreversível ou uma deficiência se tratasse.

    “São os pobres que têm mais facilidade de cair na mediocridade pois são os mais vulneráveis -porque também contactam mais – com o mundo dos “reguilas” – não que não existam ricos também -” Então em que ficamos, os pobres têm ou não têm mais facilidade de cair na mediocridade? Você é que o diz, não as minhas ideias.

    “Quando a Escola se recusa a porteger os bons está primeiro a prejudicar os bons mais vulneráveis.” Qualquer escola que se preze protege os bons, e esforça-se por incluir os menos bons, uma não invalida a outra. Uma boa escola não descarta os indesejados, tenta sempre – mesmo que seja uma tarefa exaustiva- nivelar por cima.

  27. LIBERTAS

    A escola estatal é óptima, mas um sorvedouro de recursos.
    A escola estatal é óptima, mas para os filhos dos outros.
    A escola estatal é óptima, mas reproduz a pobreza.
    A escola estatal é óptima, mas um imenso fracasso abrilino.

    Eu cá, se pudesse, evitava o pesadelo da escola estatal às minhas filhas: disse-me a minha filha que frequenta no 10º ano um colégio privado, depois de 9 anos em escolas de funcionários públicos: os «arruaceiros» do colégios são mais bem comportados que os mais bem disciplinados da escola estatal.

  28. Renato

    Hustler

    Não sei como é ai em Portugal. Cá no Brasil, vi aplicarem esse doutrina. Foi mais destruidor do que um tornado. Muitas escolas públicas, há 60 anos (conforme depoimentos de outros) eram excelentes. Há quarenta anos, eram razoáveis. Há vinte anos eram horríveis, e hoje o ensino público só não é crime organizado porque não é organizado. Eu mesmo cheguei a dar aulas por pouco tempo numa escola pública. Eis o aspecto mais pavoroso que eu lembro: os alunos interessados em aprender não tinham a menor chance. Aqueles que tinham a intenção de impedir que os outros aprendessem, tinham a plena oportunidade para isso, e não havia nada que o professor pudesse fazer. Bom, pelo menos nunca fui ameaçado com uma arma, e isso me fez mais feliz que a maioria dos professores.

  29. Hustler,

    «Quero sim, uma escola que sirva para dar igualdade de oportunidades entre as pessoas, independentemente do seu estrato social, do bairro onde residem, terem posses ou serem indigentes, de ser escola privada ou escola pública, etc…»

    Não a encontra na escola pública. Basta ver a seriação (agora muito anglófona e bacocamente chamados rankings, ainda para mais no plural). Veja as disparidades, e pior, as diferenças regionais.

    Se a escola pública servisse para equalizar, não haveria lugar a diferenças estatisticamente significativas nas classificações das escolas no mesmo exame nacional.

  30. hustler

    Francisco Colaço, está a ver as coisas só de um lado, as disparidades e diferenças regionais de que me fala também se verificam na escola privada, dê uma vista cuidadosa num desses rankings e logo vê.

    A mesma analogia da homogeneidade (embora menor) se poderia aplicar à escola privada, dadas as disparidades de classificações entre elas.

    A política do (bom) ensino é mais complexa que a visão redutora do ensino publico vs privado.

  31. hustler

    “Muitas escolas públicas, há 60 anos (conforme depoimentos de outros) eram excelentes. Há quarenta anos, eram razoáveis. Há vinte anos eram horríveis, e hoje o ensino público só não é crime organizado porque não é organizado.”,
    Renato, as coisas aqui são um pouco mais brandas e esse tipo de situações são casos esporádicos aqui e ali por todo o Portugal.
    Obviamente, que para casos diferentes, soluções diferentes.
    Apesar de haver muita pobreza em Portugal, não chega aos níveis de miséria absoluta e inequidade presentes na sociedade brasileira.
    A escola pública aqui é alvo de críticas, justas nalguns aspectos e injustas noutros.
    Aqui existe sobretudo um problema ao nível da gestão das escolas públicas e a ineficência do estado é bem latente no ensino. Observam-se também problemas organizacionais transversais a todo o sistema de ensino. Sente-se aqui que não há pressão por parte do estado no alcance de objectivos mensuráveis ao nível de resultados dos alunos e outros. Por outro lado, o socialismo instituiu a mentalidade do eduquês no sistema de ensino, uma espécie de “aprende a aprender” que se traduz num laxismo por parte de professores e alunos.
    Portanto, o estado que deveria ser o segundo encarregado de educação dos alunos (no sentido da exigência), destituiu-se dessas funções.

  32. Hustler,

    Não falei sobre a escola privada. mas se quiser olhar as seriações, veja das cinquenta melhores e das cinquenta piores quantas são públicas e privadas.

    A escola pública não é o equalizador. É a desculpa e a raison d’être dos colégios modernos e de santas muitas.

  33. Renato

    Hustler

    Inicialmente você havia dito isto:
    “Esquece-se também que é o sucesso da escolaridade que permite a mobilidade social e a fuga ao círculo da pobreza. Ao excluir os reguilas de uma escola “boa”, está a condenar-lhes o aproveitamento escolar e a remetê-los para o fundo da escala social, no fundo, a acentuar ainda mais a clivagem social e estratificação de classes.”

    E isto:
    “então não é o meio que faz o índividuo? Se eu colocar uma criança rebelde numa escola “boa”, a probabilidade de reabilitar essa criança não será alta? Não é lógico pensar que a criança, em função do ambiente, vai nivelar por cima ou por baixo, conforme seja o caso?”

    E também isto:
    “Você esquece-se no entanto, de que um adolescente não tem a personalidade talhada, e mesmo que o seu percurso na juventude seja errático, não significa que venha a ser um marginal na idade adulta.”

    Mas finalmente, você disse isto:
    “Por outro lado, o socialismo instituiu a mentalidade do eduquês no sistema de ensino, uma espécie de “aprende a aprender” que se traduz num laxismo por parte de professores e alunos.
    Portanto, o estado que deveria ser o segundo encarregado de educação dos alunos (no sentido da exigência), destituiu-se dessas funções”.

    Não percebe a contradição? Se a escola é como você admitiu, neste último parágrafo, de nada adiantará tentar influenciar par o bem as alunos rebeldes, pela sua inserção em bom meio. Supondo que tal estratégia pudesse dar certo, só seria viável com professores muito capacitados, bem intencionados, com bons objetivos, e muito dedicados. Mas se o laxismo impera, serão os rebeldes que imporão “suas regras” ao alunos interessados, e ambos os grupos serão prejudicados (extremamente). E tudo o que você disse antes vira letra morta.

  34. mag

    Mas vocês são malucos da cabeça? Sabem da vida dos vossos filhos? Ou será que nem tempo têm para tentar saber? Quantos e quantos da escola privada são os maiores consumidores de drogas, andam na má vida, e andam nos colégios provavelmente dos vossos filhos..!
    Uma criança com 6 anos ou 5, que vá para a escola nem sabe se entra numa escola pública ou privada, nessa idade eles nem consciência têm disso, a não ser a diferença por chamar “colégio”. E essa criança lá por ser filho de pessoas com posses não quer dizer que não possa ser “reguila”, ou passado 10 anos fumar, andar nas drogas, passar 10 anos a tentar terminar a faculdade, etc. Muitos amigos que andaram em colégio privados nem cursos superiores têm, deve ser do “interesse” incutido pelo colégio.
    Toda a gente deve pagar impostos porque vivemos todos no mesmo país, somos uma sociedade apesar de tudo. É bom receber subsídios nos privados mas melhorar as escolas públicas, saúde pública, já não certo?
    E a filha de não sei quem que diz que os menos comportados dos privados são muito melhores que os exemplares do público, só tenho pena da educação que recebe quer em casa quer por parte do colégio onde anda/andou. É fácil generalizar, mas há muitos profissionais de excelência que andaram em escolas públicas, médicos, gestores, professores de colégios privados até.. Ou será, que eles são maus professores… :O Há professores que dão aulas em privados e públicos ao mesmo tempo, e agora? Em que é que ficamos? Há bons e maus professores em todo o lado, assim como há muito bons e muito maus alunos no privado e no público.
    A minha irmã está a estudar para médica nunca reprovou e passou 12 anos em escolas públicas, eu sou recém formada também toda a minha formação foi em escolas públicas. Tivemos colegas, amigos, inimigos, de todos os tipos e classes sociais, se afetaram a nossa aprendizagem? Como é passível de ver, não! Se nos enriqueceram como seres humanos e a nossa consciência social? Sim!
    Trocaria a minha formação até hoje? Não. Vou pôr os meus filhos em privados? Também não!
    Pais, não se desresponsabilizem das vossas competências para os colégios, porque eu também conheço jovens do privado e sei, que é mais forte aquilo que une as duas realidades, do que aquilo que separa em termos de “podres”.
    A estigma é perigosa, mas muito rápido estamos em cima e em baixo.
    Os “reguilas” só afetam a aprendizagem das crianças que não são sensibilizadas em casa para a diferença, e que geralmente lidam mal com a mudança. Crianças essas que não adquirem personalidade própria pois são constantemente formatadas por pensamentos individualistas como os que li acima.

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