Eu também quero lançar uma petição. Ou duas.

fendi baguetteAndo há uns tempos com um grave problema a afligir-me e, como penso que outras pessoas poderão padecer do mesmo mal, acho que é tempo de lançar uma petição. Eu bem esperei que o mercado funcionasse, mas os designers persistem no mesmo e os consumidores – uns papalvos que não sabem decidir por si, compram tudo o que lhes põem à frente – são uns tolos que não sabem zelar pelo bem comum. Urge, portanto, fazer uma petição contra a moda – que, refira-se, dura há já uns anos ininterruptamente, com consequências não inteiramente mensuráveis – do uso da pele de cobra em carteiras e sapatos. (Nem vou referir, para não ficar nauseada, coisas indecorosas como casacos ou saias deste material.) As pessoas snakefóbicas como eu já sofrem há anos demasiados com o convívio com a pele destes animais asquerosos em lojas supostamente respeitáveis sempre que necessitam de lá comprar alguma coisa. E nem consigo calcular o sofrimento das pessoas sensatas como eu quanto a este assunto que se vejam na contingência de trabalhar com este horrendo material – é incompreensível o silêncio dos sindicatos nesta matéria. Além do mais, os querubins celestiais que são os meus filhos têm por hábito gozar com a sua mãe devido a esta minha vulnerabilidade. Fazem questão de me apontar todas as mistelas em forma de sapatos e carteiras feitos de pele de cobra e, quando não estão devidamente ameaçados, costumam fazer a seguinte gracinha: esperam que eu esteja distraída, vêm ter comigo de braço estendido dizendo ‘Mãe, que carteira tão gira’, eu inicio o movimento para pegar no que me estão a dar, de repente vejo que é de pele de cobra e grito. (Se alguma vez viram alguém acompanhada de duas crianças a gritar numa loja de carteiras, posso ter sido eu.) E a pele de cobra, além de nojenta, apresenta-se por vezes disfarçada. Já me aconteceu, lá pela viragem do milénio, numa loja Fendi far, fare away, ter pegado numa bagette, de repente ter percebido que a asa e o fecho eram de pele de cobra e ter atirado aquele objeto pestilento para o chão. O que foi muito inconveniente, porque era muito cara. Lá por não me ter metido em despesas nessa altura não quer dizer que não venha de futuro a suceder. É um daqueles casos em que o perigo espreita. Penso, assim, que fica clara a necessidade de uma petição.

Em todo o caso, como me parece castigo excessivo para os querubins celestiais deixar-lhes a dívida pública que os governos socialistas – os do PSD-CDS, mas sobretudo do PS e, dentro destes, dos viciados em dívida socráticos – se alguém quiser fazer uma petição para colocar um limite constitucional à dívida pública (uma vez que lá está tanto disparate, algo de útil não faria diferença), I´m in. Ou uma petição que obrigue cada lei a estimar quanto vai aumentar a dívida pública – dito de outra forma, quanto vai tramar as gerações seguintes. Para algo nestes termos, contem comigo.

7 pensamentos sobre “Eu também quero lançar uma petição. Ou duas.

  1. jo

    A democracia é assim. Se se cumprirem as regras estabelecidas todos podemos falar ou apresentar petições. Logo arranje 5000 pessoas e faça a sua petição.
    Claro que dava mais jeito se se pudessem proibir ou recusar petições incómodas, declarando-as não conformes à norma. É sempre mais fácil dizer “Não discutimos isso” do que apresentar argumentos válidos contra.

  2. José

    Maria João, você continua a estar muito embebida em temas de moda. haverá alguma razão especial para enfeitar sempre as suas prosas com uns laivos de temas mais ou menos fashion? Indo agora à matéria relevante vejo que a sua participação no P&C constituiu para si uma verdadeira lição de vida… Percebeu o que os subscritores do manifesto queriam …sim é política e não economia…depois que existem outras visões do mundo para além da sua e do seu círculo próximo, … E como tal numa democracia , mesmo na nossa pode haver pessoas a fazer as mais variadas petições…É a vida como dizia o outro…

  3. Maria João Marques

    ‘haverá alguma razão especial para enfeitar sempre as suas prosas com uns laivos de temas mais ou menos fashion?’
    há a melhor razão de todas: apetece-me.
    ‘a sua participação no P&C constituiu para si uma verdadeira lição de vida…’
    é verdade. perante o P&C, os momentos que passo com os meus filhos, por exemplo, perdem qualquer importância. não só foi uma lição de vida como foi A lição de vida.
    ‘existem outras visões do mundo para além da sua e do seu círculo próximo’
    estou boquiaberta. nunca me tinha ocorrido tal possibilidade.

    jo e josé, cada um faz e assina as petições que entende e cada um goza com as petições que entende.

  4. jo

    Fico satisfeito que tenha essa opinião acerca das petições.
    A petição sobre a reestruturação da dívida pública teve já uma vantagem: acabou com a lenga-lenga do “vocês não têm alternativa”.
    Parece que só se aceitam à discussão soluções que sejam iguais às que o governo defende. Fica um diálogo um bocadinho coxo.

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