PDL-LIS

PDL-LIS“Um dia venho para aqui fazer um filme”, diz Diogo Lima, a meio do filme que realmente foi ali fazer. O “ali” são os Açores, é São Miguel, onde Lima nasceu e foi criado, e o filme é PDL-LIS, o documentário de 28 minutos que Lima, estudante de cinema em Lisboa de 20 anos, realizou em 2012 e disponibilizou online, a partir de hoje e até 21 de Abril, para quem quiser ver. E toda a gente deveria querer.

Lima, diz, não gosta dos Açores. É “mínimo”, “vêem-se as mesmas caras e os mesmos sítios todos os dias”, toda a gente o conhece, ninguém tem privacidade. “É difícil não ficar farto”. Por isso, ao contrário de alguns dos seus amigos (que aparecem no filme), foi-se embora. Mas “por mais que odeie aquela merda”, será “sempre”, diz, “a minha casa”. “Será sempre uma casa, um sítio onde eu posso voltar, e ter alguém lá”.

PDL-LIS foi feito, diz o site, para um “atelier de documentário” do curso de cinema do realizador. Em certo sentido, nota-se. O filme é feito com pouquíssimos meios, e tem um certo toque amador de quem estava a começar a aprender a fazer estas coisas. Mas até isso dá alguma alma ao filme. A dada altura, Lima atrapalha-se a dizer algo em voz-off. Atrapalha-se numa palavra qualquer, e a narração não sai como ele certamente queria que tivesse saído. O filme só ganha com isso. Dá a ideia que o que está a ser dito é genuíno, é sentido. E mesmo sem as legendas que um amigo de Lima lhe diz que ele tem de pôr no filme – pois caso contrário ninguém vai perceber o sotaque açoriano – qualquer pessoa – açoriano ou não açoriano – percebe o que está a ser dito. Açoriano ou não açoriano, todos temos uma avó ou avô que nos dizem que estamos com um ar cansado ou muito magros, um “primo pequeno” que se “torna um adolescente de voz rouca”, um pai que brinca com algo que dissemos, ou uma mãe que nos diz que o que estamos a dizer é o contrário do que na verdade sentimos. Açorianos ou não açorianos, todos nós, mais tarde ou mais cedo, chegaremos a uma altura em que percebemos que há sempre uma “distância que, por mais curta que seja, se sente”. “Afinal”, diz Lima na casa que o avô comprou em 1967, “o tempo passa aqui da mesma maneira que passa lá fora”. Depois de ver PDL-LIS, só espero que à medida que o tempo venha a passar, ele tenha oportunidade de fazer mais filmes.

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