o tiro no porta-aviões

“Há duas semanas, a propósito das europeias, aqui destaquei que entre todos os partidos portugueses era no PCP que eu depositava alguma esperança, como lebre do debate acerca do edifício institucional da zona euro, e em particular acerca da permanência de Portugal na moeda única a médio prazo. Pois bem, o repto parece ter sido acolhido, e a avaliar por uma excelente entrevista concedida por João Ferreira, o cabeça de lista do PCP, ao Expresso do passado final de semana, concluo que temos lebre!”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

7 pensamentos sobre “o tiro no porta-aviões

  1. k.

    Sair do Euro não é uma alternativa credivel, por muitas razões, sendo a maioria apontada no texto.

    Por outro lado, a manutenção do status quo mantêm-nos numa situação de “debt servitude”, na melhor das hipoteses.

    Portanto não há alternativas económicas. Apenas politicas – e essas, apenas a nível Europeu.
    Temos ai duas possibilidades:
    1. Somos o “bom aluno”, e contamos com a generosidade dos nossos parceiros para reeestruturar a dívida (mesmo, não pagarmos parte)
    2. Somos o “rebelde”, e tentamos forçar os nossos parceiros a negociar para reeestruturar a dívida (mesmo, não pagarmos parte)

    Creio que a opção política deste governo é a n1. Vamos ver se dá frutos – pessoalmente, não tenho grande fé na generosidade dos nossos parceiros, afinal somos apenas uns “preguiçosos do sul da europa”, estereótipo que internamente gostamos de reforçar

  2. Alexandre Carvalho da Silveira

    Podia substituir o último parágrafo do seu artigo, onde põe todas aquelas interrogações, apenas por uma: por exemplo, o que é que aconteceria a Lisboa se um dia destes sofresse um abalo com uma intensidade de nove na escala de Ritcher? Deus nos livre de tal coisa, mas a resposta é muito simples: não ficava pedra sobre pedra. Serve para responder a esta singela pergunta, e serve para responder a todas as interrogações que coloca, e muito bem ao PCP.

  3. 7anaz

    Essa questão dos “preguiçosos do sul da europa” é realmente um estereótipo que nos desejam vender e que muito de nós portugueses vamos aceitando angelicamente. Quaquer cidadão deste pais que se desloca frequentemente para terras alemãs e contacta com responsáveis pelo tecido empresarial alemão, sabe que a alemanha debate-se com sérias dificuldades da sua força de trabalho, e porquê? Baixa produtividade, e porquê? Indices de absentismo elevados. Solução? Os alemães estão a manter dentro das suas portas todo o sector de I&D e começam a deslocalizar massivamente os sectores produtivos para paises onde podem contar com a presença das pessoas no local de trabalho. Não acreditam? Ver para crer, já dizia S. Tomé.

  4. Luís Lavoura

    A saída do euro não é uma hipótese viável, pelas razões que o Ricardo bem aponta no texto.
    O que é preciso é reestruturar a dívida (fazer default), não sair do euro. É a dívida que nos tolhe, não o euro. Com o peso da dívida, andamos a trabalhar para pagar ao estrangeiro.

  5. Luís Lavoura

    7anaz
    Eu qaundo trabalhei na Alemanha era, sem qualquer dúvida, quem mais tempo passava a trabalhar lá no sítio. Todos os meus colegas alemães trabalhavam bem menos horas do que eu. E reparavam nisso, não passava desapercebido.

  6. k.

    “Luís Lavoura em Março 19, 2014 às 11:55 disse: ”

    .. E você fazia mal! É pago para trabalhar 8 horas, não mais. Trabalho no UK, e aqui literalmente fazem fila para sair as 1700.. ai do patrão que diga, ou mesmo insinue considerações como “horas extra não pagas”.
    É uma questão cultural – o “capitalista” Português gosta muito de busy work, isso para ele é que cria riqueza! O valor acrescentado da actividade é irrelevante – ele nem se preocupa muito com isso, nem se quer preocupar, dai estar sempre a defender que Portugal tem de ser um pais de mão de obra barata.

    Por aqui, trabalho não remunerado é considerado escravatura (literalmente*), para o patrão portugues, é considerado “iniciação no mercado de trabalho”.

    *
    http://www.standard.co.uk/news/uk/graduate-wins-court-fight-that-slave-labour-at-poundland-was-unlawful-8491345.html

  7. António Amaro de Matos

    O euro nasceu de uma imposição feita à Alemanha, contrapartida do apoio dado, de má vontade à reunificação. O objectivo seria controlar a economia alemã, via coordenação económica na zona euro e, evidentemente rivalizar com o dolar com uma moeda importante que talvez se pudesse tornar moeda de refúgio. Nenhum dos objectivos cumprido, para desfazer o que deu os resultados que estão à vista não vejo outro caminho viável que não seja convidar (já não ér possível impor nada à Alemanha) a Alemanha a sair do euro em primeiro lugar. Cairia sem dúvida o valor do euro no mercado e o marco até se valorizaria em relação ao euro. As outras nações do euro ficariam mais competitivas. Querendo-se continuar, o segundo a sair deveria ser a França, devagarinho…

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