No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no i. Salazar empobreceu o país para pagar os excedentes orçamentais que visavam financiar a economia; este regime empobrece-nos para pagar o endividamento que visou financiar a economia. Quando é que paramos?

Os filhos de Salazar

A biografia “Salazar”, de Filipe Ribeiro de Meneses, descreve a difícil situação financeira que Salazar encontrou no seu mandato nas finanças e a solução que propôs ao país. Para Salazar, estamos em 1928, o problema era de índole financeira, económica, social e política, ordem pela qual deveria ser resolvido.

Já com o orçamento equilibrado, Salazar entendia que o crescimento económico passava pelo aumento das exportações, a disponibilidade do crédito e o investimento em infra-estruturas vitais, como portos e estradas (p. 75). Tirando o défice, veja-se como a receita é em tudo idêntica à da actual classe política, que visa um acordo sobre os investimentos públicos para assegurar o crescimento económico, e do manifesto dos 70, que querem reestruturar a dívida pública por entenderem ser o Estado o motor da economia.

O Estado na base do país. Ou da nação, porque, tirando o nome, estamos onde estávamos em 1928. Para ter crédito, Salazar reformou a Caixa Geral de Depósitos (CGD) que se tornou numa instituição que financiava investimento público. CGD ou banco de fomento, a lógica não difere.

A única diferença é que, se para ter dinheiro Salazar empobreceu o país, a actual classe política faz o mesmo, endividando-o. O que une os dois regimes é a pobreza. Pobre, o país não se desenvolveu com Salazar, prejudicando as gerações futuras. Endividado, Portugal empobrece, deixando uma pesada factura aos nossos filhos. Os nossos, porque os de Salazar estão nos partidos desta democracia.

21 pensamentos sobre “No Fio da Navalha

  1. vivendi

    Lamento mas vejo que percebe pouco da teoria económica de Salazar e pior ainda tenta fazer uma colagem fraca de Salazar aos políticos de hoje.

    Apenas vou deixar 2 dados para demonstrar como se encontra redondamente errado em suas palavras e o resto vai procurar ir estudar (para não escrever mentiras na próxima vez).

    – Salazar deixou Portugal com a 4ª maior reserva do mundo em ouro
    – Com Salazar o peso do estado na economia nunca passou dos 15%

    Não venha portanto com conversa demagógica sobre o passado económico para defender os demagogos do presente que que tal como o André não estudaram devidamente a lição de Salazar.

    Salazar foi considerado pela Bloomeberg o maior investidor português de sempre.

  2. manel z

    Se o meu salário for de 500 unidades monetárias, e se num determinado momento eu decidir poupar 100 unidades monetárias em vez de 50, fico mais pobre? Porque é que um aumento de poupança nacional é sinónimo de empobrecer? Riqueza é sinónimo de rendimento ou de património?

  3. Kubo

    Comparar Salazar com esta “apagada e vil tristeza”? É o mesmo que comparar o Ouro ao Latão: dá imenso jeito ao Latão – mas não o transforma em Ouro…
    À Abrilada nem a Alquima a salva… Mesmo com uma salva de palmas, quando comemorarem os 40 anos da Abrilada, podem todos eles – limpar as mãos à parede…

  4. ricardo saramago

    “Salazar empobreceu o país”
    Errado.
    Quando Salazar entrou para o governo Portugal era um país na bancarrota, pobre, rural e analfabeto. Passou por uma guerra mundial e por uma guerra colonial.
    Apesar dos seus atavismos foi durante o seu consulado que Portugal teve o maior crescimento económico continuado da sua História.
    Deixou um país com universidades, liceus, escolas primárias em todas as aldeias. Ligou todo o país com estradas, pontes. Lançou as bases do crescimento económico explosivo dos anos sessenta através da construção de barragens ,refinarias,siderurgia, portos. Foi durante os anos sessenta que a sociedade portuguesa mudou qualitativamente, se libertou do caciquismo cultural e religioso, se industrializou e terciarizou, pela primeira vez na história as mulheres saíram de casa para trabalhar e estudar.
    A História de cada famíliasportuguesa serve de exemplo de como o Portugal de 1970 era radicalmente diferente e mais rico do que o Portugal de 1930.
    Podemos apontar milhentos erros e malfeitorias ao regime do Estado Novo, mas nunca o de ter empobrecido o país.
    Haja seriedade.

  5. Viajamos dos Descobrimentos para a Primeira República, da ruralidade até África e, finalmente, à Revolução dos Cravos. Uma oportunidade para rever a história de Portugal?

    A visão da história ensinada nas escolas continua a ser a visão cosmética, sem rugas nem defeitos, com os bons dum lado e os maus do outro. O cidadão adulto e consciente, interessado pelo país em que nasceu, beneficia quando se põe a par de diferentes versões dos acontecimentos. Não serão necessariamente as melhores, nem de intenções sempre puras, mas ajudam a alargar o campo de visão.

    Tudo é desconstruído.

    Sim, é mesmo essa a palavra exacta. Em geral, as pessoas têm aquela história que aprenderam na escola, um bocadinho romantizada, com heróis, milagres, uma noção romântica do que a história foi.

    Vem acabar com o romantismo.

    Não sou eu, é a vida.

    A ironia é ingrediente que não falta. O humor é uma ferramenta importante?

    O humor ajuda a suportar e a relativizar, a pôr um travão aos excessos de entusiasmo e a idolatrias. Aprecio a mentalidade dos países nórdicos, onde é mínimo o apreço pelos heróis e são sempre de proporções modestas as estátuas que a um ou outro se levantam.

    Qual acha que vai ser a reacção dos portugueses a esta história?

    As pessoas até aos 40, 50 anos vão ficar tristes ou assustadas com a revelação. Depois, os mais velhos, dos 60 anos para cima, vão-se dividir em duas categorias: aqueles que, contra toda a evidência, continuarão a acreditar que houve uma revolução muito bem feita e muito feliz, e os outros, que se vão dar conta de que nem tudo o que reluz é ouro.

    Há história, política, costumes e um bilhete de viagem nos seus livros. Como é que se inspira?

    No decurso da minha longa vida nunca ainda me foi dado esse privilégio que muitos dizem receber. Não duvido que tal aconteça, mas francamente não tenho ideia do que seja um momento de inspiração literária. Quando decido escrever um livro não conto com ajuda do sobrenatural, apenas sei que tenho pela frente muitos meses ou anos de trabalho.

    http://www.ionline.pt/artigos/mais-livros/jose-rentes-carvalho-sonho-desapareceu-aceita-se-uma-visao-mais-sombria-25-abril/pag/-1

  6. Vivendi

    Resolvia os problemas todos

    Embora nunca tenha gostado de Salazar, o general Garcia dos Santos, defende em entrevista ao i, que este foi um grande homem do Ministério das Finanças e que é devido ao facto de ter resolvido todos os problemas sozinho que os portugueses hoje não sabem viver em democracia.

    Num ano em que se assinalam os 40 anos da Revolução do 25 de Abril, o general Garcia dos Santos refere que, ainda hoje, os portugueses não sabem viver em democracia por culpa de António Oliveira Salazar, que “foi de facto um homem extraordinário” nas Finanças.

    “Não sabemos viver em democracia”. É com base nesta ideia que o general Garcia dos Santos, um dos envolvidos no Golpe de Estado do 25 de Abril, inicia a entrevista que concede esta segunda-feira ao jornal i.

    “Salazar foi uma pessoa que resolvia todos os problemas e que forçava os portugueses a não se preocuparem com nada”, afirma, explicando que por este motivo os portugueses não souberam viver em democracia nem souberam ensinar às gerações seguintes como fazê-lo.

    Os políticos são o reflexo dessa incapacidade e hoje são, por isso, “garotos que nunca fizeram nada da vida, por um lado, e nem sabem o que é a vida com dificuldades”. A esperança está depositada nas gerações futuras.

    Este não é, no entanto, o único problema dos portugueses. “O povo português não planeia, vive um pouco ao sabor do dia a dia”, o que significa que “não temos nenhum projeto de futuro enquanto país”.

    Além disso, nunca responsabilizamos as pessoas pelas suas asneiras. “Não cortamos cabeças” e é também por isso que sobrevivemos tão bem à ditadura e, de certa maneira, se perdoou a PIDE, porque pensamos sempre: ‘O gajo no fundo não é mau rapaz, não volta a fazer’”.

    http://www.noticiasaominuto.com/pais/189573/salazar-resolvia-os-problemas-todos

  7. JSP

    Permita-me, caro autor do “post”, um (desinteressado) conselho : releia o livro, desta vez mais pausadamente e com mais discernimento…

  8. Kubo

    Subscrevo o que ‘JSP’ aconselha; e para uma leitura muito elucidativa e educativa recomenda-se a verdadeiramente excepcional biografia de Salazar do Franco Nogueira: grande e toda ela imbuída de Grandeza.

  9. Vivendi,
    O General Garcia dos Santos acerta tão bem na mouche que dói: “não temos nenhum projecto de futuro enquanto país”.

    Esta é que é a verdade verdadinha, nua e crua, e que nos devia colocar a todos em sentido.
    Que as elites não tenham um projecto (como tal refiro-me nomeadamente os políticos) já é sofredor, mas nada que admire tendo em conta como foram paridas (40 anos de ditadura, 25 de Abril, etc e tal), agora que o povo não faça pela vidinha e a isso obrigue é que é realmente assustador. José Gil tem um excelente ensaio sobre isto: “Portugal e o Medo de Existir”…

  10. lucklucky

    O General Garcia dos Santos acerta tão bem na mouche que dói: “não temos nenhum projecto de futuro enquanto país”.

    Deus nos livre dos projectos para o País. Soci@lismos não.
    O General quer o que critica a Salazar: Que quem faz os projectos vele por nós.

    Ainda não percebeu que é impossível ter um projecto para o país?
    Você sabe que raio vai ser a tecnologia daqui a 10 anos?

  11. Caro lucklucki, eu detesto socislismos! Mas o meu caro aceitará que o melhor projecto é os nossos políticos nao terem projectos, o projecto deve ser feito por nós, daquilo que resultar pela nossa liberdade de escolha. E é isto que nao existe e que eu defendo. Sonhar ainda não paga impostos…

  12. rmg

    À velocidade a que as coisas andam o mais certo é que dentro de 20 anos quase metade dos cursos que hoje andam por aí não tenham uma profissão na ponta .
    O lucklucky tem razão .

    Ó meu caro André Miguel !
    Sonhar nem paga impostos nem enche barrigas .
    Você é assim tão rico ?

  13. rmg

    André Miguel

    Muito agradeço a sua resposta porque assim passo à frente .
    Sentido de humor nulo , compreensão do que ficou em causa com as suas afirmações “poéticas” das 19.59 também nula .

    O General Garcia dos Santos acerta na mouche ?
    Claro que acerta , a mouche em causa é tão grande que qualquer pessoa acerta nela mesmo sem saber onde ela está ….

    Quanto a mim ele não me põe em sentido .
    Já há 40 anos , era eu oficial miliciano não me punha .

  14. Pingback: O país empobreceu com Salazar? | O Insurgente

  15. Também recomendo a Biografia de Salazar de Franco Nogueira. Como se levanta um Estado , na edição portuguesa publicada inicialmente pela editora Atomics Book em língua francesa e em 2007 no nosso País. As entrevistas de António Ferro e outra de Cristine Garnier. Não se deixem iludir, pensem com a vossa cabeça e deixem os Mários Soares e quejandos a falar sozinhos.

  16. E para quando deixarem a PIDE em Paz? Estão convencidos que não estão, em cada momento, a ser vigiados, “apalpados” ( figurativamente falando)e cuidadosamente controlados? Só se forem ingénuos, o que não me parece. Reparem só, quando a monarquia foi assassinada, o que fizeram os que apressadamente chegaram? A Guarda Civil passou a Guarda Republicana, ( mas actuavam pior)foram despedidos todos os funcionários de Estado que serviam a monarquia, Mataram, processos sumários, quase 300 padres e freiras. Os militares foram proibidos de frequentar as Igrejas. Deixou de haver nas paredes das escolas e edifícios públicos imagens de Cristo ou de Santos. Aos Monarcas foram não só tiradas todas as regalias ( assim como agora fazem aos ex Presidentes?) como saqueados todos os bens. No 25 de Abril aconteceu, apenas num dia, mais de 2 000 pessoas encarceradas em nome de tudo e mais alguma coisa. Diziam ser em nome da liberdade. Na Empresa onde trabalhava foi imposta a Lei da Ocupação e eleitos uns tantos para ir ao cabeleireiro e ao café, livremente e até frequentarem na carreira de tiro no RALIS na Portela.umas aulas de tiro e uso de metralhadoras, aos civis desde que de esquerda. Naquela altura quase todos apresentavam esse cartão do Cidadão: “Estive preso ou para estar”, o “Salazar era um malandro,” o Cunhal e o Soares no “exílio” é que sabiam como governar um País, etc,..VIU-SE! aprenderam a governar-se. Heróis com pés de barro….

  17. Miguel Noronha

    “E para quando deixarem a PIDE em Paz? ”
    Acho que hoje ainda vou descobrir que a PIDE era uma associação benemérita. Provavelmente geria um salão de chá ao estilo das Vicentinas.

  18. Pingback: Salazar | O Insurgente

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