Nove “Galambices”

GalambaJoão Galamba, um “ilustre deputado da nação”, com “licenciatura em economia” e um dos subscritores do “manifesto dos 70” que defende a reestruturação da dívida responde aqui a esta crónica do João Vieira Pereira. Aqui fica uma análise às suas nove “Galambices”.

  • Galambice #1: Não reestruturar a dívida é equivalente a “aceitar, de forma resignada, a nossa servidão“. Isto escrito por um dos subscritores em 2009 do aumento da dívida pública não deixa de ter a sua piada. Ao mesmo tempo, o João Galamba defende que a restruturação da dívida é menos “suja e traumática” não tendo consciência dos seus verdadeiros efeitos (LerLerLerLer & Ler).
  • Galambice #2: “Reduzir o défice público por via da austeridade retira recursos da economia (mau para a economia), corta salários dos FP (mau para os FP e para a economia), corta pensões (mau para pensionistas e para a economia), corta prestações sociais (mau para quem delas precisa ou tem direito e mau para a economia), corta no investimento público (mau para a economia presente e futura), diminui a capacidade de desalavancagem do sector privado (empresas e famílias têm menos rendimento, logo têm mais dificuldade em poupar)“. O João Galamba não parece perceber algo básico: os recursos que financiam o estado são impostos e dívida (impostos futuros que pagam juros); isto é, são recursos desviados do sector privado. Se o estado não desviar tantos recursos do sector privado estes recursos serão ser aplicados de forma mais produtiva pelo sector privado. Além disso se o estado não emitir dívida – não terá que pagar juros (e defender a reestruturação mais tarde). Mais importante, o João Galamba não compreende que a economia cresce através da produção e não do consumo (vídeo).
  • Galambice #3: “sem reestruturar a dívida não será possível canalizar recursos para a economia […] O manifesto não defende que o Estado é o motor da economia, limita-se a constatar verdades elementares de macroeconomia que qualquer estudante do primeiro ano de licenciatura tem o dever de conhecer”. Este texto é estranho, mas creio que é uma repetição da falácia do ponto 2.
  • Galambice #4: “Quem diz que “sem reestruturação a única via é a da austeridade” limita-se a constatar que se cerca de 8 mil milhões de juros forem intocáveis, então, para baixar o défice como está previsto nas regras europeias, temos de cortar salários, pensões, saúde, educação, prestações sociais e investimento público, o que prejudica o crescimento;” – mais uma vez, não deixa de ter piada vindo de um subscritor do manifesto de aumento da dívida e grande apoiante de José Sócrates, um dos maiores responsáveis do aumento da dívida pública. Que parte é novidade para o João Galamba? Que os juros de empréstimos contraídos são para ser pagos? Que o tratado de Maastricht define um limite para a dívida pública de 60%?
  • Galambice #5: “A reestruturação da dívida não tem um impacto menor nos balanços dos bancos do que a austeridade que está prevista, como se constata pelos valores do crédito mal-parado, que, em Janeiro, atingiram um novo máximo histórico. Mais, como dizem todos os estudos, o principal bloqueio à retoma do investimento é a falta de procura“. A primeira frase carece de factos e contas até porque está a comparar coisas que não são comparáveis (o efeito da reestruturação da dívida no balanço dos bancos e o crédito mal parado). A segunda falácia é que a retoma tem que ocorrer do lado da procura. O aumento do consumo é uma consequência, e não a causa do crescimento económico (vídeo).
  • Galambice #6: “Entre os subscritores do manifesto, há quem sempre tenha dito que a entrada no euro foi um erro, outros que chegaram à conclusão que foi um erro,  outros que acham que, não tendo sido um erro, o euro, na sua actual configuração, é insustentável, etc. Enfim, esta parece-me uma questão certamente fascinante, mas absolutamente irrelevante para avaliar o manifesto e o que lá está proposto;” A mim parece-me relevante para perceber o que realmente defendem os subscritores do manifesto, e se um título melhor para o manifesto não seria “Em defesa da saída de Portugal do euro”.
  • Galambice #7: “As taxas de juro são baixas ou altas consoante o contexto. Taxas de 3.9% não têm de ser mais sustentáveis do que 5.6%, tudo depende da taxa de crescimento do PIB nominal.” Aqui falta perceber a relação de causalidade entre taxas de crescimento e as próprias taxas de juro… mas folgo em saber que o João Galamba que acima se queixava dos 8.000 milhões de euros de juros do orçamento de estado, não se importe de pagar 10.000 milhões ou 20.000 milhões – desde que haja crescimento económico.
  • Galambice #8: “A dívida ao sector oficial também inclui a dívida detida pelo BCE. Mesmo excluindo a dívida ao FMI, estamos a falar de mais de 70 mil milhões de euros, mais de um terço do total. É pouco? Quem se assusta tanto com a reacção dos investidores, devia apoiar esta posição: é a garantia de que os investidores não se assustavam tanto; isto até podia fazer baixar os juros nos mercados da dívida.” Perdão??? Como é que baixariam os juros nos mercados de dívida? Será que o João Galamba percebe a relação entre risco e taxa de juro?
  • Galambice #9: “JVP acha que a crise que vivemos é da responsabilidade de políticas orçamentais do passado. Haverá certamente subscritores do manifesto que  partilham dessa posição, mas será assim tão difícil de perceber que há muitos que olham para esta crise de uma forma radicalmente diferente de JVP. Eu, por exemplo, acho que esta não é uma crise de finanças públicas, mas sim uma crise de balança de pagamentos numa moeda que foi criada no pressuposto de que esse tipo de crise era uma impossibilidade.” Isto é, o despesismo e défices sistemáticos dos governos de Portugal – incluindo o de José Sócrates que estimulou a economia até o país estar a um passo da bancarrota – nada tem a ver com o pedido de resgate feito pelo governo de… José Sócrates. O conceito de honrar os limites definidos no tratado de Maastricht parece um conceito alígenea. O conceito de um orçamento equilibrado – de não se gastar mais em despesa do que o que se recebe em receita também parece ser um conceito estranho. A “solidariedade europeia” deverá estar sempre pronta a estimular o consumo dos portugueses.

Haja paciência.

25 pensamentos sobre “Nove “Galambices”

  1. Carlos Conde

    Em Beja também existe um maluco popular o “Manel Moedas” mas nós não discutimos o que ele diz, como vocês fazem com o Galamba.

  2. HO

    Concordo parcialmente -se calhar, apenas tangencialmente- com o João Galamba: acho que há nesta “crise”, entendida in toto, uma componente do lado da oferta, ainda que secundária face a problemas estruturais. Mas que só poderia ser atacada via monetária, e, não estando esta disponível, outro tipo de esforços são fúteis no imediato e contraproducentes a prazo – como aliás o João Galamba deveria ter aprendido em 2009.

    Se o João Galamba está genuinamente preocupado com o problema da procura e do crescimento nominal, deveriam empenhar-se em fazer lobbying por uma mudança, sensível, moderada e pragmática, da política do BCE e não em arranjinhos fiscais que, excepto no cenário delirante de alemães, holandeses e companhia aceitarem subsidiarem a Europa pobre ad perpetuam, resultará em deixar Portugal de vez sem arranjo.

    “… numa moeda que foi criada no pressuposto de que esse tipo de crise era uma impossibilidade…”.

    Oops. Queria dizer inevitabilidade? Alguém deveria ter lido o Milton Friedman, a Margaret Thatcher et al a seu tempo. Agora? Inês está morta.

  3. O problema é que há quem leve esse gajo a sério. Por isso, contrariamente à última frase, “não haja paciência” nem clemência com esta cretinice!

  4. Joaquim Amado Lopes

    “Haja paciência.”
    Pelo contrário, João Cortez. Já não há paciência para o João Galamba.

  5. k.

    “Posted on Março 13, 2014 by João Cortez ”

    Galambice #1: O Galamba tem razão. Em nome da “honra dos pobrezinhos” estamos numa situação de “debt bondage”, em que você e os seus filhos terão de pagar fatias crescentes da sua riqueza daqui até à eternidade para servir divida que não conseguem pagar. Mas atenção, o investidor agradece o risk free investment. Obrigado por defender isso.

    Galambice #2 O Galamba tem razão. A austeridade veio pelas razões erradas, e não funciona.

    http://www.voxeu.org/article/panic-driven-austerity-eurozone-and-its-implications:

    Galambice #3: O Galamba tem razão, ver ponto 1.

    Galambice #4: O Galamba tem razão. Quanto ao Tratado de Maastricht.. foi para o lixo assim que os Alemães o violaram.

    Galambice #5: O Galamba tem razão – um “não pagamos”, seja por efeito de uma restruturação ou porque “não pagamos o crédito” tem o mesmo efeito para um banco. E o aumento do consumo causa crescimento economico, e vice versa – não é uma relação unilateral

    Galambice #6: O Galamba tem razão. Creio que você não discordou.

    Galambice #7: O Galamba tem razão, isto é perfeitamente consensual. Uma taxa de juro de 5% é baixissima se o crescimento do PIB nominal for de 20%. Qual é a dúvida? E não existe causalidade entre taxas de crescimento e taxas de juro, vide o nosso antónio fátas:
    http://fatasmihov.blogspot.co.uk/2014/03/global-interest-rates-and-growth-r-g.html

    Galambice #8: O Galamba tem razão. Se o stock de dívida a instituições oficiais for cancelado, a probabilidade de pagar o stock de dívida privada aumenta. O Risco de default diminui, também a taxa de juro. Qual é a dúvida?

    Galambice #9: O Galamba tem razão. A Zona Euro como um todo era um bloco equilibrado (agora é excedentário). A Alemanha é altamente excedentária (insustentavelmente excendentária sem o Euro). Infelizmente é também uma zona onde apesar da politica monetária ser única, a politica fiscal é multipla, e nada coordenada. Logo, apesar de haver recursos no todo, não os há nas partes, o que as torna vulneráveis – aliás, o pedido de ajuda internacional de Portugal não tem nada a ver com a dívida (A Alemanha actualmente tem quase 90% do PIB, e nada lhe acontece), tem a ver com contágio grego pelo facto dos mercados terem entendido que não havia maneira de Portugal sustentar as suas políticas, sem o apoio do BCE, ou sem transferências de estados mais ricos. Se esse existisse, não estavamos nesta situação

  6. k.,

    O Galamba não tem razão em nenhuma das suas proposições. Mais, ele muda as proposições consoante o governo em funções e de acordo com o ambiente externo. É um vira-casacas, um inconstante, um microcéfalo ou um populista. Escolha uma de quatro.

    Eu escolho a quarta. Sem quaisquer reservas.

    Há dois tipos de sacanas: os incompetentes bem-intencionados e os inteligentes mal-intencionados. Não me preocupo com os mal-intencionados e simultaneamente incompetentes, pois nestes um pé atrapalha o outro.

    O Galamba é claramente um mal-intencionado inteligente. Não é utópico, e por isso mudará a sua opinião com a mudança mais que temida do poder para o PS. Desdirá o que diz hoje com a mesma boca e a mesma desfaçatez. Não precisa de acreditar no que diz, apenas precisa de dizer o que outros queiram ouvir, desde que com isso conquiste e se mantenha no poder.

    Em suma, faz parte dos escroques que desgivernaram este país. Mas é um senhor escroque, e um líder natural entre estes.

    Seguem-no os burros bem intencionados.

  7. k.

    “Francisco Miguel Colaço em Março 14, 2014 às 10:34 disse: ”

    Podia substituir no seu post qualquer nome, de qualquer político – isso são opiniões. Há outra coisa que é olhar para os números e estudar as coisas.

    O Galamba tem razão. No máximo, o Galamba não tem é força, porque muito do que propõe só pode ser aplicado com consenso a nível Europeu. Agora, não me diga que as politicas que ele propõe, que foram seguidas nos EUA (de forma fraca), e que agora se traduzem num crescimento dessa economia e numa redução do défice estão erradas.

  8. N

    sinceramente? acho uma ofensa, para não dizer uma filhadaputice, esses bardamerdas que nos encaminharam directos ao buraco virem agora com lições de economia. este país está podre. os partidos estão podres. todos.

  9. Carlos Conde

    Isto é o que o menino diz que fez até hoje:

    Prestação de serviços Ministério dos Negócios Estrangeiros (Presidência Portuguesa da UE)
    Prestação de serviços ABC Saude (Albertus Bouw Consulting) (Julho-Dezembro 2008)
    Prestação de serviços na UMCCI (Unidade Missão Cuidados Continuados Integrados) (Janeiro-Setembro 2009)
    Prestação de serviços na Rádio Televisão Portuguesa (participações avulsas no programa Directo ao Assunto)

  10. Pingback: Sobre a famosa “reestruturação de dívida” | O Insurgente

  11. arni

    k. tinhams défice de 10% e agora temos de 5%.Em contrapartida,os EUA diminuíram o défice bastante menos que nós

  12. k.,

    O Galamba apenas terá razão num sistema em que o Estado não retire dinheiros da economia para os reinjectar na economia. Uma soma nula.

    Será que o gajo quer um estado à soviética, que detém os meios de produção? Mais importante, será que o k. nos quer impor um estado à soviética?

  13. Vasco

    O galamba é mais um desses licenciados ao domingo que só anda por onde anda graças ao paizinho, outro XUXA miserável. Resumindo, mais um que não sabe fazer contas nem quer aprender!

  14. HO

    “Agora, não me diga que as politicas que ele propõe, que foram seguidas nos EUA (de forma fraca), e que agora se traduzem num crescimento dessa economia e numa redução do défice estão errada”

    Eu reli isto 3 ou 4 vezes e ainda não percebi. As políticas que o Galamba propõe foram seguidas nos EUA e traduzem-se num crescimento da economia e redução do défice? Está a falar exactamente do quê?

    O que o Galamba propõe, na medida em que propõe seja o que for, são transferências fiscais massivas dos países do norte da Europa para Portugal. O resto da arenga só serve para ofuscar – para esconder que fazer uma “proposta” dessas aos portugueses é desonesto. Eu nem consigo perceber como é que isso é aplicável ao caso dos EUA. Os EUA vão entrar no 5º ano de austeridade fiscal -que resultou numa redução do défice- que não produziu recessão via multiplicadores fiscais devido ao offset monetário – isto até é dogma novo-keynesiano na ausência de uma ZLB (e o crescimento da economia americana demonstra que não existia nenhuma liquidy trap). Que tem isto a ver com o que propõe o Galamba?

  15. " il paese dove sono nato è molto piccolo a aldeia em que nasci é muito pequena "

    Não querendo desfazêr nada… E os 90% da Alemanha…?!

    “O conceito de honrar os limites definidos no tratado de Maastricht parece um conceito alígenea. ”

    Acho que o Sr. acabou de dar um tiro nos pés, e provar que de facto, MAASTRICH é só enquanto a ALEMANHA quiser…

    As regras mudam muito consoante o prato da balança e como tal, não são REGRAS; são excepções para PORCOS (PIGS)!

  16. " il paese dove sono nato è molto piccolo a aldeia em que nasci é muito pequena "

    Pode então continuar a fazêr de conta que todas as nações tem “REGRAS”…

  17. HO

    Arni, está enganado (austeridade é frequentemente um termo de ofuscação, mas utilizo-o aqui no sentido de consolidação fiscal, de diminuição sustentada do défice estrutural – aquilo que Portugal e os EUA têm feito desde 2010, embora os EUA menos que Portugal)

    Eu quero evitar spammar as caixas de comentários repetindo o que anteriormente escrevi, por isso deixo-lhe links para os comentários anteriores:

    https://oinsurgente.org/2014/02/25/o-efeito-multiplicador-da-austeridade/#comment-224680
    https://oinsurgente.org/2014/03/13/irresponsaveis-primeiro-caloteiros-depois/#comment-226656

    (terá que navegar os comentários até encontrar as partes mais relevantes)

    Ou confira aqui, página 70:

    Click to access fm1302.pdf

    O ajustamento de 2013 foi particularmente brutal – se acompanha estes assuntos, lembrar-se-á do debate em torno do “sequestration” e do “fiscal cliff” e das previsões apocalípticas de que isso esmagaria a economia norte-americana – isso era precisamente a “austeridade”. O recente acordo orçamental relaxará a trajectória mas esta continuará a ser de consolidação nos anos próximos (pelo menos até 2016, a próxima oportunidade que os Democratas têm de ganhar o Congresso).

    Daqui: http://www.nytimes.com/2013/10/31/business/cutting-the-deficit-by-cutting-programs-is-risky.html

    “But few countries can match the speed with which the United States has embraced fiscal austerity. In 2013, the federal deficit shrank at its fastest pace in more than four decades, dropping to 3.9 percent of the nation’s gross domestic product, from 6.8 percent the year before, according to the Congressional Budget Office.

    According to the International Monetary Fund, the general government deficit of the United States, which includes states and municipalities, will fall by about two-thirds as a share of G.D.P. from 2009 to 2014. Most of the decline will come from reductions in spending.

    Not even Britain has trimmed its budget as steeply. Only Greece, Ireland and Portugal — cornered into austerity by creditors in Berlin and in Brussels demanding a cleanup from past excesses — have shrunk government spending more sharply.”

    Daqui: http://www.cnbc.com/id/101201622

    “Despite all the “hoo-hah” over Europe suffering tough austerity measures, the U.S. has implemented a stricter program of fiscal tightening since 2010, according to a report by Lombard Street Research published Friday.

    Dario Perkins, a director at the independent research firm, argued that the U.S. economy had performed relatively well, despite administering larger structural fiscal tightening than any of Europe’s major economies over the last three years”.

    (ignore a explicação que a austeridade nos EUA não teve os mesmos efeitos recessivos na economia, que os multiplicadores fiscais foram menores, porque começou mais tarde -é verdade em relação a alguns países europeus mas não a outros e não é verdade em relação à Euro Área- e por causa dos bancos ou outros disparates. Os multiplicadores fiscais foram menores porque o Fed manteve a procura interna à tona via easing monetário -esse foi o factor singular mais forte- ao passo que o BCE tem feito uma política mais apertada que potenciou os multiplicadores – daí os falhanços dos Gaspar nas previsões sobre o grau de compressão da procura interna, etc. Ou, como estamos numa casa de orientação austríaca, a secondary deflation do Hayek foi evitada pelo Fed nos EUA e potenciada pelo BCE na Europa).

  18. HO

    PS – em acrescento ao parêntesis, é por esses mesmos motivos que acima aconselhei o João Galamba a, se está preocupado com o lado da procura, virar as atenções para o BCE, porque a consolidação fiscal é necessária e lá, por isso, uma inevitabilidade enquanto estivermos no Euro num mundo pos bailout.

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