Irresponsáveis primeiro, caloteiros depois

Em 2009, um grupo de notáveis lançou um manifesto pelo aumento da despesa pública (e, consequentemente, da dívida). A lista completa dos irresponsáveis está aqui. Desta lista realço os nomes dos que agora também assinaram o manifesto pelo calote à dívida pública e consequente confisco dos depósitos:

– Adriano Pimpão
– Boaventura Sousa Santos
– Francisco Louçã
– João Galamba
– José Maria Castro Caldas
– Pedro Adão e Silva
– Ricardo Paes Mamede

17 pensamentos sobre “Irresponsáveis primeiro, caloteiros depois

  1. migas

    Os Pedros, o Adão e Silva e o Marques Lopes (que assinou o manifesto de 2014) são notáveis?
    Coitado deste país.

  2. mggomes

    Isto é que é o verdadeiro serviço público! 🙂
    Tinha-me lembrado de verificar as entradas comuns nessas duas listas, mas, por confessada preguiça, não o cheguei a fazer.
    Tal como seria de esperar, lá estão os do costume (alguns, pelo menos).

    A pergunta que se impõe: por que não houve nenhum jornalista a efectuar esta tarefa e a confrontar os envolvidos?

    Teoria económica socialista única in a nutshell: política de crescimento = pedir emprestado e depois não pagar!
    Resulta sempre… haja quem empreste dinheiro…
    Elementar.

  3. k.

    Só existe um pequeno problema:
    Nada no manifesto que assinaram em 2009 foi efectivamente feito.

    Bem, poderá vir a ser feito, vamos ver o que este governo coloca nos “investimentos em infraestruturas prioritárias” – algo que vêm um bocadinho tarde.

    Noutras noticias, estranhamente os EUA não só não estão falidos depois de gastarem 500 biliões em… investimentos, como estão no caminho da recuperação.

    http://en.wikipedia.org/wiki/American_Recovery_and_Reinvestment_Act_of_2009

  4. HO

    “Nada no manifesto que assinaram em 2009 foi efectivamente feito”

    Quelle surprise! Quem é que poderia adivinhar uma coisa dessas? Que alguém tenha olhado para as contas públicas de Portugal em Junho de 2009 (ou para a deterioração das condições de financiamento dos bancos e empresas e evolução da btc) e tenha visto a possibilidade de um estímulo fiscal parece mais uma anedota que um facto histórico. Raramente (nunca?) tão boas intenções se aliaram a tão pobres poderes de previsão.

    Creio, porém, que estas sete personagens devem ser enaltecidas, não apenas escarnecidas. Nestes quatro anos terão aprendido que o crescimento da dívida pública pode ser um obstáculo ao crescimento – um facto que evidentemente desconheciam em 2009. O ano em que o deficit foi de 9.3% e o CAB (saldo orçamental ajustado para o ciclo) em % do GDP salto de -2.9% para -8.3% – um estímulo fiscal de 5% do PIB (!!). E ainda faltou o do manifesto que não foi feito. Isto ainda parece surreal.

    “Noutras noticias, estranhamente os EUA não só não estão falidos depois de gastarem 500 biliões em… investimentos, como estão no caminho da recuperação.”

    O que é estranho? Excepto, é claro, a sua referência à ARRA. O que tem o estímulo de 2009 a ver com a actual recuperação? Você tem algum modelo em que os multiplicadores, mesmo que existam e sejam maiores que 1 em recessão (e o consenso quanto aos multiplicadores da ARRA vagueia em torno da unidade), continuem a existir durante a recuperação? Eu não conheço nenhum modelo que explique isso, pelo menos no mainstream, mesmo incluindo Old-Keynesians. No que toca ao ARRA, esta imagem vale por muitas palavras:

    O que alguns poderão achar estranho é que os US tenham feito mais austeridade fiscal do que a Área Euro entre 2009 e 2013 e, ainda assim, crescido mais. E que o crescimento tenha acelerado em 2013, simultaneamente com o sequestro e o fiscal cliff.

    Há pouco tempo coloquei aqui os números e escuso-me de os repetir:
    https://oinsurgente.org/2014/02/25/o-efeito-multiplicador-da-austeridade/#comment-224680

    É claro que não há nada de estranho no “monetary offset”. A recuperação nos US é mais vigorosa -ou melhor, menos anémica- do que na Europa porque a política monetária do Fed é melhor -ou, para sermos exactos, menos má- do que a do ECB.

    Os últimos anos poderiam ter sido uma excelente lição quer para a esquerda obcecada com políticas fiscais expansionárias, quer para a direita apostada em fazer de conta que choques nominais não existem. Infelizmente, e ao contrário dos distintos sete signatários que alguma, pouca, coisa aprenderam em quatro anos, ambas parecem preferir cabular.

  5. LV

    Estranho serem tão poucas as repetições. Estas pessoas têm de dar sinais de que existem. A todo o custo. Por isso, toca a assinar.

  6. k.

    “HO em Março 13, 2014 às 17:34 disse: ”

    É curioso, que com um défice de 9% em 2009, as taxas de juro na altura não mexeram. Começaram a mexer com o efeito contágio da Grécia – a austeridade foi imposta por “medos de mercado”
    http://www.voxeu.org/article/panic-driven-austerity-eurozone-and-its-implications

    Relativamente ao ARRA, foi aprovado em 2009.. para financiar investimentos de 2009 até 2019. Portanto está totalmente errado em afirmar que o efeito é apenas para 2009. Os investmentos ao abrigo do ARRA continuam a ser feitos hoje. E os impactos são positivos, assim o diz o CBO:

    Click to access 02-22-ARRA.pdf

    Não tinha visto o seu comentário anterior (acontece):
    Não concordo com a afirmação que os EUA fizeram mais austeridade fiscal que a Alemanha, por exemplo. Tinham um balanço estrutural muito mais elevado à partida, a redução em pontos percentuais também expectavelemnte é maior – e reflexo das politicas expansionárias que tiveram.

  7. k.

    “Francisco Miguel Colaço em Março 14, 2014 às 13:00 disse: ”

    Uma empresa que teve apoios do estado, e que faliu.

  8. mggomes

    Francisco,

    Aqui o truque passa por considerar a Solindra ISOLADAMENTE (o Bastiat é que gostava de complicar, não se sabendo limitar ao essencial…).
    Partindo dessa premissa, e usando a sábia argumentação dos “reestruturadores”, manifestamente o que se passou foi:

    1) O investimento não foi megalómano, mas antes escasso.
    –> necessário um banco de fomento para estimular o crescimento;
    –> ou mais investimento público;
    –> até mesmo mais impostos, se necessário, diria Manuela Ferreira Leite!

    2) A dívida não foi devidamente reestruturada
    –> necessário punir os usurários que boicotam o desenvolvimento sustentável;
    –> ou, numa manifestação de inatacável coerência proclamar: a dívida será paga amanhã. E repeti-lo todos os dias, ao raiar do sol. Convictamente. Com aquele ar de intelectual incompreendido.

    Investimento non-stop e adiamento ad eternum do pagamento das dívidas teriam permitido manter a Solindra de pé.

    q.e.d.: a austeridade destrói o crescimento.

  9. HO

    “É curioso, que com um défice de 9% em 2009, as taxas de juro na altura não mexeram. Começaram a mexer com o efeito contágio da Grécia – a austeridade foi imposta por “medos de mercado”
    http://www.voxeu.org/article/panic-driven-austerity-eurozone-and-its-implications

    Sim, os mercados foram lentos a reagir. Caíram no erro do “this time it’s different”, uma vez mais – passe a redundância. Contudo escapa-me a relação disto com o manifesto por mais dívida em 2009. Qual é exactamente o seu ponto? Se os bond holders tivessem continuado a ignorar a situação fiscal de Portugal ad aeternum seria possível adoptar uma política fiscal ainda mais expansionista em 2009 e por mais alguns anos? Claro, mas isso são cenários absolutamente irrealistas que não ajudam a perceber nada. Nós sabemos exactamente o que aconteceu – os juros começaram a subir no ano seguinte e no início de 2011 Portugal já não tinha acesso aos mercados.

    De resto, pode ser interessante especular se os investidores sobrestimaram ou não os riscos da dívida pública face aos fundamentos (de resto, o argumento parece-me ser substancialmente mais fraco para Portugal do que para os outros países, a economia portuguesa estava estagnada há uma década apesar de entradas maciças de capital e deficits fiscais, o que sugeria constrangimentos estruturais graves, aliás visíveis noutros indicadores), mas há algo de bizantino neste exercício – as coisas são o que são, ou seja, a subida das taxas de juro da dívida foi a que foi. A despesa do manifesto não foi feita porque não havia dinheiro. A austeridade foi imposta por falta de dinheiro. O que sugeria que o governo português tivesse feito? Copiado o ministro da informação iraquiano para convencer os investidores de bonds a comprar dívida portuguesa mais barata? Bem, em certa medida foi isso que fizeram meses a fio, até aceitarem que o pedido de resgate era inevitável – uma loucura “optimista” que custou uns largos milhões aos contribuintes portugueses. Respeitar o julgamento dos mercados, para parafrasear o artigo, não é exactamente uma opção. Se o mercado exige este ou aquele yield para comprar dívida, ou aceita o preço ou não a coloca e cobre o deficit com aumentos de impostos e corte na despesa; especular se o mercado está a ser demasiado severo não resolve nada (ainda menos a posteriori).

    O mesmo -interessante mas fútil- é verdade para o resto do artigo. Mesmo que os autores tenham razão -desconfio que não, mas sou agnóstico- e fosse, não só possível, como desejável, fazer o ajustamento fiscal em Portugal a um ritmo mais lento e menos doloroso caso a Alemanha tivesse enveredado por uma política fiscal expansionista, nós sabemos como matéria de facto histórico que a Alemanha não adoptou essa política; et por cause, o governo fiscal da Alemanha não estava nas mãos do governo português (para grande surpresa da esquerda portuguesa que se especializou na elaboração de propostas políticas destinadas aos eleitores alemães e do norte da Europa e, em igual medida, para grande felicidade dos Alemães, continua a não estar).

    Fico sem perceber porque trouxe esse artigo à colação. Repare que o De Grauwe não diz que Portugal et al podem prescindir da autoridade – pelo contrário, afirma precisamente o oposto. A tese dele é que o ajustamento fiscal deveria ter sido mais lento e não foi devido a um erro do mercado na avaliação da dívida, em parte suscitado por dúvidas sobre a acção do ECB (neste capítulo em particular, sobre o ECB, estou absolutamente de acordo – e este é apenas um de vários erros que o ECB cometeu desde 2008). Mas ele, como qualquer pessoa com um mínimo de literacia económica ou um módico de bom senso, aceita que a austeridade fiscal era necessária: “In order to avoid misunderstanding, we are not saying that southern European countries will not have to go through austerity so as to return to sustainable government finances. They will have to do so” e “The desirable budgetary stance for the Eurozone as whole consists in the south pursuing austerity, albeit spread over a longer period of time , while the north engages in some fiscal stimulus “.

    Ou seja, cita um artigo em que se afirma que Portugal deve fazer austeridade, a um ritmo menos intenso mas por mais tempo (na condição de os países do Norte adoptarem uma política fiscal inversa) para defender a tese de que Portugal deveria ter pedido ainda mais dinheiro emprestado em 2009.

    “Relativamente ao ARRA, foi aprovado em 2009.. para financiar investimentos de 2009 até 2019. Portanto está totalmente errado em afirmar que o efeito é apenas para 2009. Os investmentos ao abrigo do ARRA continuam a ser feitos hoje. E os impactos são positivos, assim o diz o CBO:
    http://www.cbo.gov/sites/default/files/cbofiles/attachments/02-22-ARRA.pdf

    Quando tiver dúvidas sobre o que eu escrevi, pode sempre reler o meu comentário. Eu nunca afirmei que “o efeito é apenas para 2009”. Disse que o estímulo era de 2009 e perguntei-lhe o que tinha a ver com a actual recuperação.

    Algumas clarificações: dizer que o ARRA “financia investimentos de 2009 até 2019” é uma meia verdade. Entre 2009 e 2019 seria o período em que o ARRA teria um impacto no deficit orçamental, a estimativa do custo fiscal foi feita para esse período. Mas a parte esmagadora de impacto no deficit aconteceu no período imediato, em 2010 já estava gasto metade do estímulo e no terceiro semestre de 2011 mais de 80% (e estes números provavelmente foram reajustados em alta depois do orçamento de 2013 que eliminou parte dos gastos previstos). Os trocos que restam a partir de 2011 são essencialmente dos créditos fiscais, de abatimentos a impostos. Também não percebo bem o que significa “os impactos são positivos”. As estimativas do CBO para os multiplicadores fiscais têm intervalos larguíssimos, que oscilam entre valores inferiores a 1 e 2 e picos, dependendo da componente (em todo o caso muito longe dos 4 e 5 prometidos pelos Galambas americanos) , no curto prazo, e uma diminuição do output no longo prazo até .3% ou coisa que o valha -estou a falar de cor mas não anda longe disto (aliás, eu não consigo perceber como é que você lê os relatórios do CBO sobre o ARRA, que afirmam expressamente que irá existir uma contracção económica de longo prazo devido ao aumento da dívida pública provocado pelo ARRA e ao mesmo tempo escreve o que escreve sobre o Galamba, os EUA e o deficit americano em comentários a outro post. Há outro K. a comentar?). Se os impactos são positivos ou negativos depende das estimativas que aceitar e do prazo. Mas não é o dinheiro do ARRA que andou a gerar crescimento económico em 2013.

    Dito isto, parece-me que você não percebeu o ponto principal: a política fiscal do governo americano não se reduz ao ARRA. Não é o ARRA que diz se a política fiscal foi expansionista ou contracionária de 2009 para cá. O ARRA é apenas um item num menu enorme. De 2009 para cá o governo federal fez contracção fiscal, não expansão (e os governos estatais/locais ainda mais). Não interessa se subsistem uns creditos fiscais do ARRA quando outras taxas de imposto subiram bem mais; ditto para o lado dos gastos. Isto parece-lhe um orçamento de expansão fiscal? http://imgur.com/tLI0kCV

    Consulte estimativas do impacto da política fiscal agregada no crescimento:

    A última vez que foi positiva foi precisamente no último trimestre de 2009. Eu nem consigo perceber como é que acha que os US andaram a fazer expansão fiscal – se é isso que acha, começo a estar confuso quanto ao que você pretende dizer. Muito menos que exista algum efeito acelerador – uma vez mais, isso vai contra toda a teoria económica conhecida. A variável, a política fiscal, mudou de sentido. Se os US andam a fazer expansão fiscal, então Portugal também.

    “Não concordo com a afirmação que os EUA fizeram mais austeridade fiscal que a Alemanha, por exemplo. Tinham um balanço estrutural muito mais elevado à partida, a redução em pontos percentuais também expectavelemnte é maior – e reflexo das politicas expansionárias que tiveram.”

    Como assim, não concorda? Não leu os dados? O que é um “balanço estrutural muito mais elevado à partida”? À partida de quê? E a última frase deve ter um problema de construção porque tal como está parece ser apenas um contradição em que a austeridade fiscal é o reflexo de políticas expansionárias.

    A meu ver, o melhor indicador da política fiscal são as variações do CAPB em % do GDP (ou as do CAB), o saldo primário estrutural, ie ajustado para o ciclo, limpo de estabilizadores. Se você preferir outra métrica qualquer, tudo bem, mas, a ser assim. faça o favor de dizer qual é. Se os EUA fizeram mais ou menos austeridade fiscal que a Alemanha não é uma questão de opinião. Fizeram mais, pelo menos na perspectiva do CAPB. Se tiver dados empíricos diferentes ou se quiser utilizar outra métrica, mostre-os. E avise o Obama, o rapaz ainda há dias veio dizer que queria acabar com a era de austeridade (e os keynesianos todos que andam há anos a queixar-se dela).

    Os dados para os deficits estruturais estão aqui, página 70: http://www.imf.org/external/pubs/ft/fm/2013/02/pdf/fm1302.pdf

  10. Miguel Noronha

    “Nota: ficou um comentário retido para moderação neste post (talvez por ser demasiado extenso”
    Foi isso. Já está aprovado

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