No que é que a reestruturação da dívida portuguesa e a dívida alemã são importantes para se ter vergonha na cara

A comparação, muito habitual e confortável, entre o perdão e a reestruturação da dívida alemã no período do pós-guerra e a possibilidade de se fazer o mesmo em Portugal é, no mínimo, grosseira.

A dívida alemã resultou da destruição do país na guerra 39-45. A dívida portuguesa, do desenvolvimento do país. Foi o modelo de desenvolvimento económico alemão que pagou a dívida. Ao invés, foi o modelo de desenvolvimento português que contraiu a dívida.

A comparação é, pois, além de grosseira, uma ofensa não só aos alemães, mas a nós próprios.

 

 

28 pensamentos sobre “No que é que a reestruturação da dívida portuguesa e a dívida alemã são importantes para se ter vergonha na cara

  1. Carlos Guimarães Pinto (carlospin@gmail.com)

    Sendo que metade da dívida perdoada correspondia às imposições cegas da convenção de vencedores da I GM do tratado de Versalhes.

  2. dervich

    Foi um certo “modelo de desenvolvimento” alemão que originou uma guerra que destruiu todo um continente…por duas vezes.
    Já que cada vez mais 2014 = 1914, convém manter uma certa perspectiva, num tempo em que novamente não existem quaisquer regulações económicas e militares, onde a lei do mais forte e do que fala mais alto nos irão conduzir a sítios onde já antes estivemos…

  3. JS

    Tudo bem. Só não sei será justa a expressão “… mas a nós próprios.”.
    Não seria melhor dizer: “… os governantes que tivemos…” , “…. os Primeiros Ministros …” ou mesmo “… o pessoal dos partidos, do arco da governação …”.
    Destestável e mistificador, este “… nós …” .
    Ps- Juro que também não estava em nenhuma das naus que descobriu o caminho marítimo para a India.

  4. Pingback: O manifesto da descoberta da roda – Aventar

  5. JP

    A maior obra de engenharia de social de toda a Europa é provavelmente o PNIC (Plano Nacional de Imbecilização em Curso). A qualquer hora se liga a TV e descobre-se o espanto que as almas promovidas a tudólogos oficiosos com lugar cativo debitam em devota contribuição à causa. Dia após dia, lá temos de assistir aos monólogos de gente que [faz de conta que] não entende que um país deixado de cofres vazios e com dívidas para pagar por muitos anos só pode endividar-se mais, a não ser que aconteça o milagre do crescimento instantâneo e exponencial da produção. E isto não é um problema causado por ignorância – isto é mesmo o estado mental em que nós nos encontrámos e de que provavelmente nunca sairemos, como atesta a presença de alguns dos responsáveis por nos trazerem até aqui. Acontece que a maneira como aqui chegámos é um crime de lesa-pátria que encheu barrigas de bandos e suas “famílias”, agora preocupados com o sintoma.

  6. JP

    Já agora, ainda não percebi por que é que esta gente ainda não pediu ao Sr.Hollande o ressarcimento pelas pilhangens das invasões francesas. 🙂

  7. Nightwish

    “A dívida alemã resultou da destruição do país na guerra 39-45. A dívida portuguesa, do desenvolvimento do país. Foi o modelo de desenvolvimento económico alemão que pagou a dívida. Ao invés, foi o modelo de desenvolvimento português que contraiu a dívida.”

    Enfim… Cada vez mais os fanáticos demonstram que não sabem nada.

  8. EMS

    ” foi o modelo de desenvolvimento português que contraiu a dívida.”

    Modelo de desenvolvimento alemão em 1939:
    Fabricar panzers e stukas em massa; exportar o produto para os países limítrofes.

    Modelo de desenvolvimento alemão depois de 1945:
    Oh tadinha da alemanhazinha toda partida. Toma lá um planito Marshall para te recuperares sem teres que levar com juros altos ou uma troika a mandar em ti.

    Agora não podes pagar os danos que causaste aos outros? Pobrezita, não te preocupes amiguinha, a malta espera.

    Casaste com a priminha RDA e precisas de algum para o enxoval. Deixa lá, quando estives mais desafogada pagas.

    Esquece, não precisas de pagar nada. Isso foi no tempo do Napoleão ou dos neandertais (que curiosamente têm um nome germanico).
    Pronto amiguinha, está tudo perdoado. Agora estás livre como um passarinho e podes ser arrogante com os que estão na mó de baixo.

  9. JP,

    Esta malta de que fala culpa os credores por nos terem emprestado o dinheiro que nós pedimos nas condições em que nós aceitámos e na data que nos convinha. E desculpa-se.

    Fora Manuela Ferreira Leite, todos os signatários do Manifesto deveriam ser servidos com um processo de expropriação por causa da dívida que tramaram com os amigos para contrair. Apenas excluo a Manuela Ferreira Leite porque no seu consulado à frente das finanças (e apenas neste desde 1995) a dívida externa líquida DIMINUIU. Em todos os outros aumentou desmesuradamente.

  10. JS,

    NÓS elegemos os que em NOSSO nome fizeram a dívida que hoje NOS trama. Alguns foram reeleitos por NÓS. Refiro-me, claro, a Guterres e a Sócrates, os piores dos piores.

    Quando NÓS os reelegemos, NÓS assentimos claramente com as suas prodigalidades.

  11. Brytto

    Eu até acho que eles têm alguma razão quando comparam a Alemanha do pós guerra com Portugal actual. Hitler condenou a Alemanha a décadas de miséria, estes artistas fizeram o mesmo com o nosso país, não admira pois que queiram uma solução idêntica, eles sabem bem como devastaram o país!… Faz sentido 🙂

  12. EMS,

    Se estamos na mó de baixo, devemo-lo a nós próprios. Os alemães não têm nada a ver com isso. Da última vez que verifiquei (ainda no ano passado, nas eleições locais), os portugueses escolhiam livremente o veneno com o qual se iriam matar das listas dos partidos políticos. Quem tem culpa do mal dos portugueses são 1) os que votaram nos que +ara lá foram, 2) os que não quiseram votar e se abstiveram, 3) os que não quiseram avançar para as eleições, podendo fazer algo diferente.

    Nenhum destes é alemão.

  13. Guillaume Tell

    E que houve milhões de alemães que foram condenados aos trabalhos forçados, as instalações industriais foram desmanteladas e as patentes retiradas. Além de mais o perdão só aconteceu no inicio dos anos 50 e que até lá houve austeridade na mesma.

    Mas é sempre a mesma coisa, toca a olhar para o que dá jeito e que outros paguem.

  14. Rogerio Alves

    Mesmo que os alemães tenham demonstrado e continuem a demonstrar uma ética de trabalho exemplar e invejável, convém não esquecer que os alemães perderam a guerra o que, por definição, os faz os maus da fita (e, ainda por cima, sob o comando de um dos ditadores mais odiados – e odiosos – da História, eleito democraticamente) pelo que os perdões da dívida tiveram o seu quê de complacência por parte dos vencedores.

  15. Rogerio Alves

    … mas isso não me faz apoiar ou concordar com o “manifesto dos 70 notáveis”… nem discuto a moralidade do pedido ou da sua argumentação, apenas acho que tem muitos custos a prazo, demonstra um (já conhecido) egoísmo dos seus subscritores que não se importam de empurrar mais dívida para as gerações futuras para que os mesmos subscritores possam passar os seus últimos anos com mais conforto…

  16. António

    Caro André,
    desculpe a pergunta, mas reestruturação da dívida não é o que o governo tem feito ultimamente de forma encapotada?

  17. Rogerio Alves

    Já agora, não acho que faça muito sentido (ou sequer ajude à discussão) comparar dívidas de reparação de uma derrotada (que assumiu as dívidas – à força ou não, fê-lo) de uma guerra de que há ainda sobreviventes e as conquistas do Império Romano ou o que seja de outros tempos. Assim como as comparações da nossa dívida, voluntariamente contraída, com a dívida da Alemanha derrotada não são úteis nem lógicas, também as que menciono anteriormente não o são.

  18. fernandojmferreira

    “…convém não esquecer que os alemães perderam a Guerra…”
    Quantas geracoes de Alemaes nascidos depois da 2-guerra sao precisas para que essa mesma geracao seja considerada responsavel pelos actos de um lider tresloucado e milhoes de tresloucados obedientes?

  19. JS

    Francisco Miguel Colaço. Obrigado pela atenção.
    Sim. Mas convenhamos que “nos” elegemos alguém, baseados num programa eleitoral aonde não constava levar o País à falência (3 vezes).
    Se “eles” o fizeram é por que ou são mentirosos -tinham como intenção levar o País à falência(!)-, ou são incompetentes.
    Não creio que ninguém de “nos”, todos, tenha votado num programa pró-desatre nacional.
    Esse desastre tem nome. Foram “eles” os governantes, os responsáveis.
    Portanto a culpa de semelhante modelo de desenvolvimento português, o desastre, não pode ser imputada a “nos”, o eleitorado, os cidadãos.

    Como se tem visto durante estes 40 anos, o cidadão vota, o governo faz o que quer. Porquê?.
    Porque não existe fiscalização dos actos do governo. A sistema eleitoral em vigor cria uma pescadinha de rabo na boca. Os futuros pseudo-deputados, nomeados pelo futuro PM -que os nomeia para o elegerem PM- nunca fiscalizarão o seu chefe de partido, o que os nomeou, pseudo-deputados da Nação, mas que são realmente “deputados” do partido.
    Isto não é um ataque, em nome, a nenhum deputado, é apenas um “ataque” a um abjecto “sistema eleitoral”, cuidadosamente blindado, pelos seus “democráticos” proponentes.
    Ser “deputado” nesta circunstâncias não é honra para ninguém, pelo contrário. Será proveito(?).

  20. Rogerio Alves

    fernandojmferreira em Março 11, 2014 às 22:06 disse: “Quantas geracoes de Alemaes nascidos depois da 2-guerra sao precisas para que essa mesma geracao seja considerada responsavel pelos actos de um lider tresloucado e milhoes de tresloucados obedientes?”

    Tem razão em que não há uma resposta objectiva e nem acho que seja razoável que os alemães de agora tenham responsabilidade por essa guerra. Se quiser não ponha as coisas nesses termos, mas sim na existência de um contrato de dívida ainda vigente (na altura em que foi perdoada). Mas, como disse, acho que as comparações apresentadas são inúteis…

  21. JS,

    Votámos todos (coletivamente falando, é claro) num programa que levou à destruição nacional. E não foi por falta de avisos que podemos desculpar-nos desse ónus.

    «Como se tem visto durante estes 40 anos, o cidadão vota, o governo faz o que quer. Porquê?»

    Porque o cidadão votou nos deputados que escolheram o governo, com a agravante de na maioria das eleições legislativas um candidato a primeiro-ministro dizer que «vai a votos», quando, como sabemos, é o deputedo (grafia intencional!) que é escolhido pelos eleitores.

    Como disse atrás, tanto é ladrão o que vai à horta e vota como o que fica à porta e deixa votar. Quem poderia fazer diferente e nunca avançou (e neste ponto me critico!) também é responsável por precisamente não haver provisto uma alternativa sã aos desmandos dos popularuchos socialistas das diversas matizes.

    A democracia é o exercício supremo da escolha pelo cidadão do veneno com que se há-de matar. Em todos os outros sistemas de poder ele é-nos imposto. E escolha implica responsabilidade. E responsabilidade implica saber reconhecer e lidar com a culpa, aprendendo lições para que o presente não se repita no futuro.

    Logo, «eles» são «nós», foram-no no passado e sê-lo-ão para sempre.

  22. Ferreira,

    «“Quantas geracoes de Alemaes nascidos depois da 2-guerra sao precisas para que essa mesma geracao seja considerada responsavel pelos actos de um lider tresloucado e milhoes de tresloucados obedientes?”

    Tantas quantas forem achadas convenientes para o argumento presente do opinador. Tende ao infinito quando o opinador se desculpa da sua própria estultícia.

  23. Renato

    É interessante que em todo lugar, políticas socialistas produzem efeitos semelhantes ao de uma guerra, em vários aspectos. A Coreia no Norte passa fome como se tivesse passado por uma guerra, Detroit está destruída como se tivesse passado por uma guerra, os bairros novaiorquinos com preços de alugueis artificialmente baixos estão em grande parte em ruínas, como se tivessem passado por guerra, as contas dos países endividados estão destruídas como se tivesse passado por uma guerra…

  24. Isto é ridículo.

    A guerra não foi uma fatalidade que caiu em cima da inocente Alemanha.

    A guerra foi intencionalmente provocada pela Alemanha com o objectivo de destruir a Europa.

    E é mentira que o modelo alemão tenha pago a dívida.

    O modelo alemão só existe porque a quase totalidade da dívida FOI PERDOADA Á ALEMANHA.

    O que se discute é precisamente à Alemanha tudo ser sempre perdoado, quer quando viola a regra do déficit ou a do superávit, quer até quando tenta destruir a Europa.

    Foi apenas graças a esses perdões que a Alemanha conseguiu voltar a um lugar cimeiro na Europa.

    Mas quando o credor é a Alemanha, cobra e ainda impõe medidas de “castigo” destruindo a economia dos países devedores.

    O que é incrível é que haja portugueses traidores que ainda defendam a porcaria que os alemães estão a fazer contra nós.

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