No Fio da Navalha

O meu artigo desta semana no i, sobre o desastre chinês que se avizinha.

O desastre chinês

Robert Peston, editor de economia da BBC News, escreveu há dias um interessante artigo sobre o que a China nos trará no futuro. O assunto ganha importância agora que decorre a reunião anual da Assembleia Nacional daquele país. Nela, o primeiro-ministro definiu como objectivo um crescimento económico de 7,5% ao ano e um aumento do orçamento da defesa de 12%.

E o que nos diz Peston? Muito simplesmente que a terceira vaga da crise que vivemos, a primeira foi a de Wall Street e a segunda a do euro, pode ser chinesa. Robert Peston lembra-nos que após a falência do Lehman Brothers, em 2008, a China, que depende das exportações para o Ocidente, decidiu bombear ainda mais a economia através de fortes investimentos públicos. O resultado foram cidades vazias, bancos com contas- -fantasmas e uma bolha, cujo endividamento pode fazer rebentar a qualquer momento.

Pequim já percebeu que esta fórmula não funciona e, de acordo com Peston, terá duas saídas: ou continua a política de investimento público e a bomba rebentará a qualquer momento, ou reduz os níveis de crescimento para cerca de 4% ao ano e evita um desastre de consequências desastrosas. O problema é que a estabilidade social depende de taxas de crescimento elevadas e a máquina partidária comunista exige fazer fortuna. Só assim se percebe o porquê dos 7,5% referidos em cima e por que motivo as reformas políticas foram e continuarão a ser adiadas. O vício da dívida é tão forte que nem as ditaduras comunistas a ela resistem.

3 pensamentos sobre “No Fio da Navalha

  1. k.

    O crescimento da economia Chinêsa foi feita através de investimento maciço; A percentagem de investimento no PIB andou nos ultimos anos sempre acima dos 40%. Ora, se é expectável que o impeto do cimento na China pare, e a taxa de crescimento do PIB abrande, nada disso significa que os Chineses fiquem pior, pelo contrário: Se o governo tiver sucesso em aumentar a percentagem do consumo no PIB, e o Chinês médio beneficiar com isso, mesmo que o PIB cresça menos, o governo continuará a ter “o mandato dos ceus”, isto é, legitimidade através de sucesso economico.

  2. JSP

    Alguém deveria explicar a mr. Peston que os Chineses não votam…
    E que têm, além dos “lulus” Macau e Hong Kong , um cão de fila crismado Coreia do Norte.
    A velha dicotomia manteiga/metralhadoras está viva e recomenda-se – basta olhar para a Crimeia…

  3. IIndicadores. Vejam a energia consumida e a (principalmente!) deslocação de mercadorias. A China está estagnada há mais de três anos e apenas o «investimento público» vai compondo os números.

    A bolha, receio, estala este ano. E por isso é necessário uma crise nas ilhas Sensaku, nas Paracel, nas Spratli, nas Scarburough. A China jurou este ano recuperar parte das Spratly das Filipinas. Vamos ver se intendem cumprir a promessa.

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