O Dia da Igualdade Salarial

Depois de ver o post abaixo do Tó Zé sobre o “Dia da Igualdade Salarial”, ainda pensei que hoje fosse o dia 1 de Abril. Fazendo uma pesquisa pelo Google, descobre-se que este dia existe mesmo! É assinalado, por exemplo pela Comissão Para a Igualdade No Trabalho e No Emprego (* suspiros *). Aparentemente, foi celebrado pela primeira vez em 2013, e o site oficial da União Europeia afirma que “na Europa, as mulheres trabalham 59 dias de graça“. Segundo o Tó Zé, em Portugal “por trabalho de valor igual” as mulheres recebem o equivalente a menos 65 dias por ano. DiaDaIgualdadeSalarial

Se isso fosse verdade, a questão que deveria ser colocada de imediato era: “Onde estão os empresários e empresárias cegos e cegas que não aproveitam esse trabalho de valor igual pago a preço de saldo“? A justificação simplista e popular que o Tó Zé e muitos outros deputados – que votam leis bonitas de discriminação positiva como a Lei da Paridade – querem apresentar é de que se trata pura e simplemente de discriminação com base exclusiva no sexo do trabalhador. A realidade, claro está, é mais complexa. No entanto não serve o “espírito de missão de salvar o mundo” dos políticos e não faz a manchete dos jornais. Por mais vezes que o vídeo abaixo seja visto e revisto, o mito permacerá.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=EwogDPh-Sow%5D

 

E já agora, porque é que os políticos e a União Europeia não dão o mesmo destaque ao Dia Da Libertação de Impostos? Em 2013 em Portugal, cada trabalhador – do sexo masculino ou feminino (aqui não há discriminações) teve que trabalhar mais de 5 meses apenas cumprir com as suas obrigações fiscais, isto é, para o Estado!

96 pensamentos sobre “O Dia da Igualdade Salarial

  1. Carlos

    Porque razão há mais presos homens que mulheres? Acho melhor começar a lutar contra essa desigualdade.

  2. Fernando S

    Porque razão há hoje mais mulheres com estudos universitarios do que homens ?… Não é também uma desiguladade ?… Devem-se aplicar quotas em nome da igualdade de género ?…

  3. jonas river

    Digam o que disserem,a lei da paridade é um atestado de incompetência.
    (para não escrever outra coisa).

  4. Manolo Heredia

    teve que trabalhar + 5 meses para pagar ao Estado os impostos que ele precisa para entregar ao BPN, BPP, BCP, e pagar PPPs (hospitais, autoestradas, escolas), isto é, para gastar com os privados que dizem haver Estado a mais…

  5. JP

    Até admira como é que, tendo em conta o desequilíbrio entre a população m/f, ainda não fizeram uma lei conferindo a cada mulher o direito de ter o seu homem.

  6. Fernando S

    Manolo Heredia ( Março 7, 2014 às 08:13),
    Há “privados” e “privados” ..
    Os privados que se aproveitaram e se aproveitam do excesso de intervenção e de gastos do Estado não se queixam disso, antes pelo contrário.
    Os mais sofregos gostariam que os governos não fizessem cortes e até que baixassem impostos.
    Compreende-se que queiram que a mama do mercado interno cativo continue ainda por mais tempo.
    Mesmo que, deste modo, se esteja a falir o Estado e a pesar sobre o resto da economia portuguesa.
    E mesmo que a perspectiva de ganho imediato os leve a descurar os proprios interesses bem compreendidos na medida em que nada disto é sustentavel e viável a mais longo prazo.
    De resto, para uma parte deles, esta dura realidade já chegou em resultado da austeridade, com fortes quebras e até encerramentos de actividade.
    Infelizmente, arrastando nesta “aterragem brusca” muitas e muitas familias que trabalhavam e viviam destas actividades.
    PS : Os “BPN, BPP, BCP, e pagar PPPs (hospitais, autoestradas, escolas)” são apenas uma pequena parte do problema. Muito mais importantes são os gastos do Estado com os serviços publicos e com a componente dita social.

  7. ant

    No sector agricola e industrial até pode ser. Agora no sector de serviços nomeadamente banca / financeiro e administração publica essa diferença em termos médios não se verifica.

  8. Comunista

    É surpreendente as coisas a que vocês dão crédito mas enfim por algum motivo de fala na direita burra. Então o vosso homem, através de um complexo de fantasias masculinas sobre as mulheres que, como qualquer grande idiota, toma como reais, diz que a diferença salarial se dá por causas como a escolha de profissão – os homens que vão para engenharia e as mulheres para enfermagem – só que, na realidade:

    http://www.livescience.com/39124-women-engineers-earn-less-than-men.html

  9. Fernando S

    Fica-se a saber que para o Comunista há uma “direita inteligente” e uma “direita burra” !…
    Do ponto de vista dos interesses da classe operária … a “inteligente” é melhor ou pior do que a “burra” ?!…

    Quanto às diferenças de remuneração entre homens e mulheres dentro da mesma profissão, neste caso na engenharia, acontece simplesmente que teem também a ver com escolhas individuais determinadas por diferenças de motivações e de projectos de vida e profissionais de uns e de outros.
    Desde logo, é um resultado quase aritmético do facto de haver muito mais homens do que mulheres que escolhem esta profissão. Em geral, os homens investem mais numa carreira mais intensa, mais longa e, consequentemente, com mais hipoteses de acesso a cargos de direcção. Sendo que, à medida que o numero de mulheres for aumentando é natural que as perspectivas de carreira da média das mulheres se aproximem das da média masculina.
    Por outro lado, a entrada de cada vez mais mulheres neste tipo de profissões é um fenomeno ainda relativamente recente pelo que há proporcionalmente mais homens do que mulheres com experiencia e expertises adquiridas. Também aqui, à medida que a situação for evoluindo no tempo, é natural que a experiencia e a expertise médias das mulheres se aproximem das dos homens.
    Finalmente, a propria noticia linkada pelo Comunista dá uma informação bastante elucidativa sobre a relacção que existe entre as escolhas de vida e as diferenças de carreira e de remuneração. Diz a noticia que as diferenças de remunerações entre homens e mulheres são maiores a meio da carreira profissional de uns e de outros. Ou seja ; no inicio da carreira, as diferenças são menos importantes porque a motivação e o investimento de uns e de outros ainda é muito semelhante (as mulheres jovens ainda não constituiram familia pelo que, tal como os homens jovens, investem muito no trabalho) ; mais tarde as mulheres, casadas e com filhos, tendem a concentrar-se mais na vida familiar e social pelo que as diferenças de remuneração aumentam ; na fase final da carreira, as mulheres, agora mais libertas e menos estimuladas pela vida familiar e doméstica, voltam a investir mais no trabalho e ganham em remuneração.
    No fim de contas, cada vez mais, o que explica as diferenças profissionais entre homens e mulheres são escolhas livremente feitas no seio das familias.
    Sendo que, no seio destas familias, embora haja uma intervenção dos seus diferentes membros, a começar pelos pais das crianças indo até ao conjugue masculino das mulheres casadas, a decisão é cada vez mais (praticamente sempre, pelo menos nas sociedades mais desenvolvidas) tomada pelo proprio interessado, seja ele homem ou mulher.
    A evolução das mentalidades tenderá naturalmente a fazer com que as escolhas de uns e de outros evoluam e, consequentemente, que o padrão das diferenças de remuneração nas actividades profissionais se altere.
    Dito isto, nada hoje permite assegurar a 100% que as escolhas das mulheres, feitas autonomamente mesmo quando em livre concertação com outros membros das respectivas familias (por exemplo, a “divisão de funções” no seio do casal), tendam a acabar com os factores objectivos das diferenças salariais no trabalho.
    O que se pode dizer é que, felizmente, hoje em dia, as mulheres são cada vez mais soberanas nas escolhas e decisões sobre as suas vidas pessoais e profissionais.

  10. Comunista

    Desculpe Fernando mas você apenas repete o que o homem do vídeo diz e o que resulta é uma conversinha que é um mix de pregação com fantasias masculinas. As mães amam os seus filhos mas para as mulheres ser mãe não chega, os filhos por si só não são realização de vida e a vasta maioria das mulheres simplesmente não aceita deixar o seu trabalho para cuidar das crianças. Esqueçam lá as vossas avós, e como era no tempo delas, hoje em dia isso acabou.

  11. Vasco

    Não sei porque perdem tempo a responder ao K7! Ele faz parte da esquerda que não sabe fazer contas e pior que isso, não quer aprender!

  12. Fernando S

    Desculpe Comunista mas voce apenas repete a conversa fiada da “igualdade de género”…
    O Comunista é porta voz das mulheres de “hoje em dia” ?… A que titulo ??!
    Não se trata de maneira nenhuma de voltar ao tempo das nossas avós … O Comunista deve voltar a ver o que diz “o homem do video” (e, já agora, pode também reler a minha “repetição”, que pelos vistos não percebeu bem).
    Trata-se sim de deixar que a sociedade funcione de acordo com as escolhas livres das pessoas, incluindo as mulheres. As mulheres (como as pessoas em geral) não precisam de porta vozes auto-proclamados que dizem o que AS MULHERES (todas as mulheres) querem ou deixam de querer. Este é um tique caracteristico da sua corrente ideologica e politica : esvaziar a liberdade de escolha dos individuos, por definição “alienados”, e impor de cima, se necessário e possivel pela força, um esquema colectivo decidido por uma minoria de “iluminados”. Nas nossas sociedades (pelo menos nas “ocidentais”), felizmente, já não faz sentido falar de discriminação contra as mulheres. Absolutamente nenhuma discriminação legal. Quase nenhuma discriminação em termos de preconceitos negativos. Por exemplo, nenhuma empresa se priva da utilização duma mulher que se mostra melhor preparada e mais capaz do que um homem e paga-lhe em conformidade. O que acontece é que as sociedades teem a sua historia e devem evoluir naturalmente em função das escolhas livres das pessoas. Impor administrativamente, a partir de cima, a todas as pessoas, modos de vida padrão, para além de ser uma negação da liberdade, tem efeitos perversos e negativos para as pessoas e para a sociedade no seu conjunto. Muitas mulheres já percebem hoje que a “discriminação positiva” e os sistemas de quotas as desvalorizam e se tendem a voltar contra elas como um boomerang.
    Deixemos as pessoas viverem as suas vidas livremente e não procuremos prende-las num sistema pré-formatado e rigido, seja ele o do tempo das nossas avós ou outro qualquer !

  13. Comunista

    “Por outro lado, a entrada de cada vez mais mulheres neste tipo de profissões é um fenomeno ainda relativamente recente pelo que há proporcionalmente mais homens do que mulheres com experiencia e expertises adquiridas.”

    – Isto é muito interessante. Ou seja, hoje entram dois jovens, uma mulher e um homem, para a mesma profissão na área de engenharia, a mulher ganha menos do que o homem. E porquê? Aparentemente não é porque o mercado de trabalho simplesmente discrimina a mulher mas porque existe uma hereditariedade de caracteres adquiridos que afecta directamente a capacidade de trabalho, ou seja, aparentemente o jovem macho herda a experiência adquirida pela maior tradição masculina na área de trabalho em questão (engenharia). Portanto, antes ainda do rapaz e da moça receberem a primeira ordem de trabalho das empresas que os contrataram o jovem macho já sabe mais da profissão do que a moça dado que na história da profissão tem havido, até aí, muitos mais homens do que mulheres.

  14. Comunista

    “As mulheres (como as pessoas em geral) não precisam de porta vozes auto-proclamados que dizem o que AS MULHERES (todas as mulheres) querem ou deixam de querer.”

    Está certo. Experimente portanto aplicar isto a você mesmo e deixe de partir do princípio de que tudo o que você disse sobre as intenções das mulheres têm algum fundamento e depois raciocine a partir daí – verá que acabará mais próximo daquilo que eu estou a defender. Quando você fala contra a igualdade de género você apenas fala daquilo que você mesmo pensa, ou seja, que é possível estabelecer uma diferença. Isto, esta possibilidade, contradiz o que você diz na parte que citei, ou seja, que não é legítimo falar em AS MULHERES. Se não é legítimo, então não parta de nenhum princípio e deixe então as mulheres serem realmente livres de suas fantasias.

  15. rmg

    Também não percebo porque perdem tempo a responder ao rapaz , ando aqui a dizê-lo há um ano , mesmo quando eu perdia muito tempo nisso e a resposta invariável dele é que eu era “um bluff” , coisa inteligente como argumento de refutação da opinião do outro .

    Neste caso particular acho que o problema dele é diferente : tem muitas teorias mas poucas mulheres na vida dele – eu tenho 5 , entre cônjuge , filhas e netas (também tenho 4 homens entre filhos e netos) .

    Portanto assisto a isso há 40 anos (é a idade da minha filha mais nova) e estou totalmente de acordo com o que diz o Fernando S às 15.40 no que respeita às profundas alterações que se estão a dar no mercado de trabalho , também fruto das enormes modificações nas “famílias novas” (ou “novas famílias”) .
    Com netas que são as melhores alunas da turma delas no liceu e que têm “muito bom” a Matemática sei bem que isso é mesmo uma realidade nova .

    PS – Que vergonha , pôr links de sites ligados ao grande capital e a interesses inconfessáveis !

    http://en.wikipedia.org/wiki/LiveScience

  16. Fernando S

    Comunista,
    Não percebeu …
    O jovem homem e a jovem mulher entram a ganhar sensivelmente o mesmo.
    Mas como no momento t-1 havia na profissão mais homens do que mulheres isto significa que no momento t há mais homens com mais experiencia e maior expertise do que mulheres.
    Não há nada de “hereditario”.

  17. Comunista

    “O jovem homem e a jovem mulher entram a ganhar sensivelmente o mesmo.
    Mas como no momento t-1 havia na profissão mais homens do que mulheres isto significa que no momento t há mais homens com mais experiencia e maior expertise do que mulheres.
    Não há nada de “hereditario”.”

    Você é que não percebeu, quando se faz uma média com interesse científico ela parte de sujeitos nas mesmas situações, ou seja, o que se compara são mulheres e homens na mesma profissão, com os mesmos anos de estudo e de trabalho.

    O rmg pensa que a realidade destas matérias há-de ser uma extensão da experiência que ele tem da família dele. Poderia perguntar se o rmg tem a certeza de que aquilo que ele pensa dos seus familiares corresponde ao que eles pensam de si mesmos, mas não importa. Por mim, em relação ao rmg, não me parece que perca alguma coisa em deixar de ler as respostas que me poderia deixar e não me resta senão deixar votos de felicidades para ele e a sua família.

  18. Fernando S

    Comunista : “não parta de nenhum princípio e deixe então as mulheres serem realmente livres de suas fantasias.”

    Mas o Comunista é que desconfia da liberdade e da capacidade de escolha das mulheres !…
    Eu não tenho nenhuma “fantasia” a este respeito (eventualmente outras !… 😉 ) …
    Ao contrario do que insinua eu não defendo sequer que as mulheres sejam hoje como as nossas avós, em casa a tomar conta dos filhos.
    Penso é que cada um deve escolher livremente o seu caminho e fazer pela vida.
    Não vejo qual é o interesse e qual é a moral em atribuir administrativamente (por lei) a uma mulher um lugar de direcção ou uma remuneração melhor apenas porque é do género feminino e não porque tem as qualidades pessoais para tal (que não são apenas de diplomas académicos ou de antiguidade na carreira).
    Se houver um numero crescente de mulheres que vá fazendo escolhas de vida que as levem a serem engenheiras com o mesmo grau de investimento e empenho que teem muitos dos seus colegas homens então eu acho muito bem que tenham as mesmas responsabilidades e remunerações (ou até maiores, se for o caso).
    Sabendo que, com este tipo de escolhas, por um lado, ganham algo que até agora era mais procurado por homens, e que, por outro lado, perdem algo que até agora era mais procurado por mulheres. A escolha é delas e devem naturalmente ser livres de poderem seguir este caminho.
    Mas isto não se decreta nem se impõe administrativamente.
    Deve ser uma evolução natural, livremente desejada e realizada pelas proprias pessoas.

  19. Comunista

    O que a sua tese aplica às mulheres pode ser aplicado também às pessoas de etnia africana. Diga-me uma coisa Fernando, você assume também que é em nome da liberdade que se poderá pagar menos a um negro do que a um branco para fazer o mesmo trabalho sob a razão de, historicamente, ter havido mais brancos do que negros na respectiva profissão?

  20. Comunista

    “Deve ser uma evolução natural, livremente desejada e realizada pelas proprias pessoas.”

    O ser humano não é um macaco. Não evolui naturalmente, antes pelo contrário, o ser humano é muito pouco natural, decorrente, aliás, e ao contrário dos macacos, da característica de ter a sua espécie, a espécie humana, como um objecto e uma interrogação para si mesmo.

  21. Carlos

    Comunista, porque há mais presos homens que mulheres? Certamente que é discriminação. Porque razão a grande maioria dos ganhadores de prémios nóbel é judeu? Deve ser discriminação que se tem de combater, de certeza.

    Quem fala deste tipo de casos como discriminação é verdadeiramente ignorante.

  22. Fernando S

    Comunista,
    Compreendo que seja algo que não cabe na sua ideologia totalitaria (etimologicamente falando … sem ofensa ! 🙂 ).
    Se as duas pessoas estã exactamente na mesma situação é normal e desejavel que tenham as mesmas remunerações.
    Mas acontece que no mundo concreto as situações são muitas e muitas vezes as pessoas, para além das aparencias formais, teem diferenças reais que fazem com que não estejam exactamente na mesma situação.
    Isto vale para todas as pessoas, não apenas quando se compara um homem com uma mulher.
    Já se referiu varias vezes que, em inicio de carreira, homens e mulheres com as mesmas qualificações académicas e profissionais teem normalmente remunerações equivalentes.
    O que acontece é que as situações evoluem depois e uns e outros fazem escolhas pessoais e profissionais que não são necessáriamente equivalentes.
    Faz parte da vida e é uma violencia e contra-producente procurar ignorar estas diferenças e tentar nivelar tudo pela mesma bitola.
    Isto levaria a uma sociedade extremamente rigida, ineficiente, e no final até injusta relativamente ao principio moral do mérito e do investimento pessoal.

  23. Comunista

    “porque há mais presos homens que mulheres? Certamente que é discriminação. Porque razão a grande maioria dos ganhadores de prémios nóbel é judeu? Deve ser discriminação que se tem de combater, de certeza.”

    Porque é que você não responde às suas perguntas? Você pensará que elas terão uma resposta imediatamente evidente para todos, mas olhe essa presunção parece-me pouco académica. Portanto deixo-lhe um desafio: responda às suas perguntas, mostre lá a teoria que, para si, subjaz ao que você diz aí sobre os judeus, as mulheres e os prisioneiros.

  24. Comunista

    “Faz parte da vida e é uma violencia e contra-producente procurar ignorar estas diferenças e tentar nivelar tudo pela mesma bitola.”

    Fernando, você está a esvaziar-se. É pena que continue agarrado a uma perspectiva muito pobre mas, enfim, é com você.

    Você afinal continua a falar das diferenças entre homens e mulheres quando antes pareceu defender que não era legítimo falar de AS MULHERES. Mas suspeito que esta contradição no sua posição não o vá incomodar minimamente.

  25. Fernando S

    Comunista : “O que a sua tese aplica às mulheres pode ser aplicado também às pessoas de etnia africana.”

    Em parte. Já disse que há certos aspectos, como o das diferentes escolhas individuais, que se aplicam a todo e qualquer ser humano e não exclusivamente às diferenças entre homens e mulheres.
    Mas os factores culturais que diferenciam homens e mulheres em geral não são os mesmos que distinguem diferentes etnias. Estes são de resto bastante diversificados e complexos (incluindo mesmo o aspecto das relações entre homens e mulheres).

    Comunista : “[] Você assume também que é em nome da liberdade que se poderá pagar menos a um negro do que a um branco para fazer o mesmo trabalho sob a razão de, historicamente, ter havido mais brancos do que negros na respectiva profissão?”

    Esta é uma versão sua, uma caricatura, não é a minha tese relativamente às diferenças entre homens e mulheres … Definitivamente Vc não percebeu nem vai perceber…
    De qualquer modo, eu nunca colocaria a questão nos termos em que coloca ….
    Até porque no plano normativo eu considero os individuos e não os colectivos “branco”, “negro”, ou qualquer outro grupo humano, étnico ou outro. Estas categorias apenas teem valor empirico e estatistico.
    Considero que se deve pagar o trabalho de cada pessoa em função da avaliação que se faz da sua contribuição produtiva para a criação de riqueza, bens e serviços. A circunstancia de ser “branco”, “preto”, “homem”, mulher”, ou o que for, não deve ser um critério. Do ponto de vista da moral e até do ponto de vista da eficiencia.
    Logicamente, também não concordo com a “discriminação negativa” e com quotas em função de critérios de raça.
    Considerar normativamente os individuos em função da sua inclusão num grupo humano é mais uma caracteristica da sua área ideologica e politica (burgueses/trabalhadores, brancos/pretos, homens/mulheres, heterosexuais/homosexuais, etc).
    Esta é precisamente a via que recuso e combato !

  26. Comunista

    “Considerar normativamente os individuos em função da sua inclusão num grupo humano é mais uma caracteristica da sua área ideologica e politica (burgueses/trabalhadores, brancos/pretos, homens/mulheres, heterosexuais/homosexuais, etc).”

    Meu caro você apenas quer que deixemos os mercados à vontade para pagar menos às mulheres do que aos homens, aos negros do que aos brancos, você quer que façamos pouco barulhinho.

    Você é livre de se calar.

    Por mim, como também sou livre de me calar, fico por aqui na nossa discussão.

    Cumprimentos.

  27. Fernando S

    Comunista : “Você afinal continua a falar das diferenças entre homens e mulheres quando antes pareceu defender que não era legítimo falar de AS MULHERES.”

    Eu apenas disse que, “não são precisos porta vozes auto-proclamados que dizem o que AS MULHERES (todas as mulheres) querem ou deixam de querer.” Cada mulher, como cada pessoa, deve ser o seu proprio porta voz e sabe melhor do que ninguém o que quer ou deixa de querer.
    Obviamente, isto não contradiz a evidencia de que, quer se goste quer não, quer se ache melhor ou pior, há diferenças entre os géneros masculino e feminino. Quanto mais não seja, por definição.
    De qualquer modo, o que estava em discussão não era tanto a questão da existencia ou não destas diferenças mas antes a de saber se certas diferenças salariais médias estatisticamente constatadas entre homens e mulheres podem ou não ser explicadas em função de certas diferenças na maneira como os homens e as mulheres tendem a fazer escolhas pessoais e profissionais que condicionam as respectivas carreiras profissionais.

  28. Fernando S

    Comunista : “você apenas quer que deixemos os mercados à vontade para pagar menos às mulheres do que aos homens, aos negros do que aos brancos,”

    De modo nenhum….
    Os mercados são constituidos por pessoas que procuram maximizar os seus ganhos e que por isso não teem racionalmente qualquer interesse em pagar em função de critérios não economicos mas sim em função da contribuição produtiva que os outros podem dar para os seus negocios.
    Os mercados não teem razões para discriminar pelo sexo, raça, religião, nacionalidade, etc.
    A discriminação é sim algo que tem a sua origem e logica fora dos mercados : na politica, nas nomenklaturas, nas ordens morais, nas ideologias colectivistas e totalitarias, etc.

    Comunista : “Você é livre de se calar.”

    Um bom exemplo da ideia comunista de “liberdade” !!

    Retribuo os cumprimentos.

  29. Comunista

    Vale a pena voltar, uma vez que você tomou em mãos um problema concreto do seu discurso.

    “Eu apenas disse que, “não são precisos porta vozes auto-proclamados que dizem o que AS MULHERES (todas as mulheres) querem ou deixam de querer.””

    – excepto quando esse porta voz é você:

    “Cada mulher, como cada pessoa, deve ser o seu proprio porta voz e sabe melhor do que ninguém o que quer ou deixa de querer.”

    Ao falar em DEVER você simplesmente coloca-se na função de mestre ou seja você continua em contradição. Você tenta não agir como mestre mas aparece como o tipo de mestre que não dá ordens directamente, preferindo ir rejeitando todas as ordens até que sobre só a sua, a que você quer, a que informa o seu universo e que você toma como passa o lugar da natureza, do que é da ordem natural. A sua tentativa de responder à crítica que lhe faço de entrar em contradição apenas aprofunda e mostra outros aspectos desta mesma contradição.

  30. Comunista

    “Os mercados não teem razões para discriminar pelo sexo, raça, religião, nacionalidade, etc.”

    o sexo (género feminino/masculino), a raça, a religião, a nacionalidade também são mercadorias.

  31. Comunista

    “Os mercados não teem razões para discriminar pelo sexo, raça, religião, nacionalidade, etc.”

    o sexo (género feminino/masculino), a raça, a religião, a nacionalidade também são mercadorias.

    Ou seja, entregues à sua inércia os mercados têm muitas razões para discriminar sexo, raça, religião, nacionalidade. Parece-me que quem quer falar pelos mercados, como parece ser o seu caso, devê-los-ia conhecer um pouco melhor.

  32. Renato

    A interpretação de que as empresas pagam menos às mulheres que aos homens, pelo mesmo serviço, é absurda. Se isso fosse verdade, haveriam milhares de exemplo de empresas onde, no mesmo cargo, mulheres (ou negros, ou islâmicos) ganham menos que homens. Mas as feministas só conseguem apontar dados agregados, nenhum único exemplo real de disparidade de salários na mesma empresa, no mesmo lugar, para o mesmo cargo.

    Acontece muito freqüentemente que mulheres (ou negros também) serem contratados em empresas que pagam menos. Mas isso não prova de forma alguma que há discriminação com base em sexo (ou raça). Pelo contrário é impossível que seja este o motivo. Senão vejamos: Se admitíssemos a hipótese de que as empresas que melhor pagam, discriminam contra as mulheres (e negros) teríamos de admitir que as empresas que menos pagam teriam um viés pró mulheres! É evidente que seria absurdo dividir os empresários em “machistas-pagadores de melhores salários” e “feministas-pagadores de menores salários”. Logo, a “explicação” dada pelas feministas é absurda.

    Além disso essa explicação é absurda por motivos econômicos. Haveria uma oportunidade de ouro para empresários, de contratarem mulheres competentes a salários mais baixos, o que daria uma vantagem competitiva a esses empresários sobre os outros. Essas empresas teriam mais lucros, e sobreviveriam/cresceriam mais. Outros empresários, para não tomarem prejuízo, seriam obrigados a fazer a mesma coisa. Isso aconteceu, por exemplo, no futebol brasileiro, nas primeiras décadas do século XX. Inicialmente o futebol era um esporte de brancos. Mas logo, os times que contratavam negros se mostraram superiores, obrigando outros diretores de times, mais racistas, a contratarem negros também, pelo risco de serem postos para fora do mercado.

    No caso específico de engenharia, aqui no Brasil se nota o seguinte fenômeno: Nas melhores escolas de engenharia, há muito mais homens que mulheres. Em escolas mais fracas, a proporção é mais equilibrada. Ora, as empresas consideradas melhores (que são justamente as que pagam melhores salários) contratam principalmente alunos das melhores escolas. Converse com o pessoal de RH daqui e comprove, se o candidato for egresso de uma escola considerada ruim (ou mesmo média), a currículo vai para o lixo direto, ele nem será chamado. E não importa que o sujeito tenha tido um excelente desempenho, ou mesmo uma pós-graduação numa universidade considerada de terceira linha, ele perderá para um graduado de uma boa escola. Ora, nesse caso é impossível que nessa área as mulheres tenham salários iguais aos dos homens, elas estão fazendo as escolas erradas, que só lhes permitirão serem contratadas em empresas menos boas, com salários mais baixos. E as melhores empresas (que normalmente são maiores) permitirão maior crescimento profissional (por terem uma escalada maior de cargos). É claro que a mulher engenheira pode mostra sua competência, ser contratada por empresas cada vez melhores, e fazer uma grande carreira. Mas será mais difícil.

  33. Fernando S

    Comunista,
    Percebe-se que a simples ideia de que as pessoas sejam livres de escolher o que querem o deixe algo transtornado.!…
    Ao contrário do Comunista eu não pretendo ser porta voz das mulheres.
    Como já disse e repeti várias vezes nos comentários acima, eu não sei o que o conjunto das mulheres quer. Sei apenas que não existe uma vontade unica e que cada mulher sabe melhor do que ninguém o que quer e quais são as escolhas que mais lhe convéem.
    O Comunista é que faz parte daqueles que pretendem que TODAS as mulheres querem trabalhar e viver exactamente como os homens, exercerem as mesmas profissões e terem as mesmas funções que os homens, e por ai fora. Dai que, em coerencia, pretendam que o Estado, através das leis e de regulamentações administrativas, imponha à sociedade a obrigação de aplicar a paridade absoluta na organização da vida economica, e em particular nas empresas (por este andar virá o dia em que o farão igualmente no seio das familias, dos grupos de amigos, etc).
    Eu não tenho absolutamente nada contra o facto de um grande numero de mulheres desejarem ter um tipo de vida social e profissional que se aproxime do que é ainda hoje mais proprio dos homens. Trata-se de uma escolha que apenas cada mulher deve fazer e, felizmente, nem a legislação actual nem a mentalidade dominante nas nossas sociedades “ocidentais”, levantam hoje qualquer obstaculo a que cada mulher possa ter e realizar esse objectivo.
    Mas, qualquer que sejam as opções das mulheres, estas devem assumi-las em consciencia e com responsabilidade, fazendo oportunamente os investimentos e os percursos pessoais e profissionais que os homens fazem para alcançarem as situações a que chegam. Não faltam as provas de que, quando uma mulher faz esse tipo de escolha, a possibilidade e a probabilidade de sucesso é normalmente igual à de um homem.
    O que não se justifica é que haja uma qualquer forma de “discriminação positiva” para as mulheres (“negativa” para os homens), imposta por lei, que atribua administrativamente às mulheres as mesmas profissões, as mesmas funções, as mesmas hierarquias, as mesmas remunerações. Apenas porque são mulheres e não porque uma mulher em concreto tenha todas as qualidades que a torna mais apta para o lugar.
    Para além de uma injustiça, uma verdadeira discriminação, o resultado será extremamente negativo em termos da eficiencia e da produtividade globais. No final, é o conjunto da sociedade que sai a perder. Incluindo, naturalmente, as proprias mulheres.
    De resto, tirando uma minoria de “femininistas” e de oportunistas que veem uma oportunidade de promoção profissional sem terem as qualidades para tal, não me parece sequer que a esmagadora maioria das mulheres esteja hoje muito convencida da inevitabilidade e da bondade da paridade.

  34. rmg

    Não li nada desde que comentei há não sei quantas horas atrás mas verifico que continuam a responder ao “Comunista de pacotilha” que por aqui anda a debitar banalidades políticamente correctas há anos .

    Estou à vontade porque já lho disse a ele por que é que o apelido assim e posso repeti-lo as vezes que fôr preciso : nasci , cresci , estudei e trabalhei 3/4 da minha vida (68 anos) no meio de comunistas a sério e , não sendo nem nunca tendo sido comunista , afirmo sem qualquer dúvida que este que nos caíu em sorte aqui não tem nada a ver com comunismo nem com comunistas . .

    Os verdadeiros comunistas nunca são malcriados como este é por sistema e estão dispostos a dialogar sem fugir com desculpas parvas como este faz , o facto de no fim se manterem com as mesmas convicções do princípio da conversa é outro assunto …

  35. Fernando S

    Comunista : “o sexo (género feminino/masculino), a raça, a religião, a nacionalidade também são mercadorias. Ou seja, entregues à sua inércia os mercados têm muitas razões para discriminar sexo, raça, religião, nacionalidade.”

    Não vejo no que é que essas dimensões não economicas da condição humana sejam “mercadorias”. Não se vendem nem se compram.

    Também não vejo o que é que, sendo proprio e especifico dos mercados, leva ao tipo de discriminações que refere.
    Quando muito seria o inverso : certos preconceitos de pessoas que participam nos mercados podem influenciar as respectivas decisões no sentido em que estas não sejam exclusivamente e puramente economicamente racionais.
    Por exemplo, um empresario “machista” prefere empregar um homem em vez de uma mulher que, no entanto, teria efectivamente mais qualidades para o lugar. Neste caso tratar-se-ia de uma decisão economicamente irracional e o empresario em questão perderia em eficácia e competitividade. Por isso mesmo, mesmo os empresarios preconceituosos tendem a fazer um esforço para não trazer esses preconceitos para os respectivos negocios. Não porque tenham mudado de convicções mas por interesse proprio bem compreendido.
    Ou seja, ao contrario do que o Comunista afirma, a logica de mercado tende antes a afastar e a diminuir a inluencia dos preconceitos discriminatorios provenientes do exterior do proprio mercado.

    Este mesmo raciocinio aplica-se igualmente ao assunto do post que está na origem desta nossa discussão : as diferenças salariais entre homens e mulheres.
    Muitas vezes, com motivações ideologicas, como é o caso do Comunista, ou por simples erro de apreciação, estas diferenças salariais são atribuidas a preconceitos “machistas” por parte dos empregadores. Assim sendo, apareceria como justificada a necessidade de contrariar estes preconceitos obrigando os empregadores a pagar os mesmos salarios a homens e mulheres que teem aparentemente as mesmas qualificações.
    Acontece que, como já se referiu anteriormente, estas diferenças salariais são normalmente explicadas pelo facto de, por detrás de uma aparente igualdade de situações, existirem diferenças reais que determinam diferentes niveis de eficiencia e produtividade.
    Também se falou no facto destas diferenças reais não serem genéticamente inerentes a cada sexo (que até podem existir mas que são cada vez menos relevantes no mundo moderno) mas sim o resultado de diferentes estratégias e escolhas pessoais livremente feitas pelos homens e mulheres que se comparam.
    Ou seja, as diferenças salariais são economicamente racionais, decorrem de diferenças de produtividade que resultam das ecolhas livremente feitas pelas pessoas, não são o efeito de qualquer forma de discriminação no seio da empresa, pelo que não devem ser contrariadas do exterior sob pena de se criarem formas de injustiça (os salarios não corresponderiam às reais contribuições produtivas dos interessados) e de se reduzir a eficiencia e a produtividade global de cada empresa e, consequentemente, do conjunto da economia.
    Apenas mudanças fora das empresas, por exemplo nas estratégias e escolhas das pessoas, mulheres e homens, podem levar a mudanças nos padrões salariais relativos aos géneros.
    Quando muito poder-se-ia dizer que estas mudanças pressupõem mais a montante alguma evolução nas mentalidades no que se refere aos modelos que as pessoas teem quanto ao que deve ser o projecto de vida dos homens e das mulheres.
    Mas mesmo aqui a questão que se coloca é anterior ao que se passa efectivamente na empresa (se se preferir, no mercado de trabalho).
    Dito isto, não estou sequer convencido de que os homens e as mulheres estejam naturalmente vocacionados para terem os mesmos modelos e projectos de vida.
    Mas aqui já entramos na discussão mais genérica sobre a igualdade ou desigualdade dos géneros.

  36. Fernando S

    mg,
    Compreendo o que diz e pela minha parte agradeço a sua chamada de atenção.
    Por sinal eu também já lido com pessoal da área comunista (que não se limita ao PC) há muito tempo. Creio que conheço relativament bem as pessoas e as ideias. Com muitos tive e tenho um relacionamento cordial e até de amizade pessoal.
    Como em todos as categorias, há-os melhores e piores. Tanto no plano estritamente pessoal como no plano das ideias e dos comportamentos.
    No debate politico respeito-os como pessoas e como interlocutores na mesma medida em que me respeitem também.
    Digamos que tenho um grande defeito : tenho uma certa dificuldade em deixar de tentar rebater as ideias que defendem e que me parecem ser fundamentalmente erradas e de chamar a atenção para o facto do comunismo ser uma das ideologias totalitárias que mais estragos fez (e, embora desacreditada e enfraquecida, ainda faz) no mundo contemporaneo.
    Saudações.

  37. rmg

    Fernando S

    Agradeço a atenção que deu ao meu comentário .

    Esse não será decerto um defeito seu mas uma virtude que eu reconheço e também tento ter com algumas pessoas mas não com todas e , como dei a entender , já ando aqui há muito tempo a ler tiradas francamente malcriadas quando é contrariado ou a assistir a saídas de sendeiro do “Comunista” quando a conversa não lhe convém .

    Para mim isto torna-se por vezes mais difícil pois na minha família “muito chegada” houve quem , não sendo comunista , passasse muito maus bocados por defender e proteger amigos e colegas comunistas .

    Tal como o Fernando S ainda hoje me dou com muitos comunistas com quem trabalhei e convivi durante mais de 50 anos e inclusivé tenho entre os meus grandes Amigos ( nunca são mais de quatro …) alguém que dedicou a vida ao PCP .

    Portanto imaginará o que sinto ao ler alguns comentários e compará-los com aquilo que resulta dos inúmeros debates que vou mantendo em encontros regulares com esses conhecidos de toda uma vida .

    Compreendo bem que essa seja a sua maneira de ser pois eu também já fui assim .
    Mas há estudos sérios que provam que não só nunca se ganha um debate na net como a única coisa que se consegue é que o interlocutor reforce as suas convicções , por mais que se diga .
    Isto tem muita a ver com a empatia ou com a falta dela que existe na net pois falta a expressão , a entoação e todo um conjunto de outros factores , incluíndo a possibilidade de emendar um raciocínio “em tempo” , em suma com a falta do cara-a-cara .
    Ora mesmo sem ler os estudos eu já o tinha percebido por “saber de experiência feito”…

    Cumprimentos
    Uma boa noite para si

  38. Comunista

    Fernando, os mercados que eu conheço são feitos por seres humanos com todos os seus defeitos e virtudes, racionalidade e irracionalidade, mas pelos vistos não é assim para você, para você nos mercados só há racionalidade, mesmo usando “racionalidade” como se fosse uma ideia auto-evidente, quando não é.

    “Não vejo no que é que essas dimensões não economicas da condição humana sejam “mercadorias”. Não se vendem nem se compram.”

    Vendem-se, compram-se, usam-se, descartam-se. Veja a emigração. Quando é precisa porque as empresas querem baixar salários estimula-se a emigração de certas nacionalidades e etnias cujas condições de vida os dispõem para aceitar o que os locais já não aceitam, depois, como são pessoas como outras quaisquer eles têm filhos, multiplicam-se, procuram melhorar o seu estilo de vida até que há uma crise e passam a indesejáveis, a parasitas, a abusadores.

  39. Comunista

    “Digamos que tenho um grande defeito : tenho uma certa dificuldade em deixar de tentar rebater as ideias que defendem e que me parecem ser fundamentalmente erradas e de chamar a atenção para o facto do comunismo ser uma das ideologias totalitárias que mais estragos fez (…)”

    Como assim Fernando? Os comunistas são todos uns cavalheiros incapazes de serem mal educados e portanto, com certeza, incapazes de alguma coisa sequer perto do que você aqui lhes atribui. Se não acredita no que digo pergunte ao rmg que ele é que sabe.

  40. Comunista

    “O Comunista é que faz parte daqueles que pretendem que TODAS as mulheres querem trabalhar e viver exactamente como os homens, exercerem as mesmas profissões e terem as mesmas funções que os homens, e por ai fora.”

    Fernando, apresente lá, se não se importa, uma citação daquilo que eu escrevi até agora que suporte esta sua afirmação.

  41. Comunista

    Vale ainda a pena ver quais os países onde a diferença de salários é maior – presumo que as teses do homem do vídeo também explicarão o caso e portanto do que se trata é da racionalidade do mercado e da liberdade de escolha:

    “o Iémen é o país com maior desigualdade de géneros. Ainda assim, o relatório salienta que este foi o sétimo país a registar mais progressos na diminuição da desigualdade. Seguem-se Paquistão, Chade, Síria, Mauritânia, Costa do Marfim, Irão, Marrocos, Mali e Arábia Saudita.”

    http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO286006.html

  42. Renato

    O que o comunista não entende, porque decidiu não entender, é que não atribuimos às pessoas perfeição. O mercado é bom, não porque as pessoas sejam totalmente boas (são em parte más, em parte boas). O mercado é bom porque DISCIPLINA as pessoas. O empresário pode ser misógino ou não, racista ou não, ele é obrigado a contratar bons funcionários, sejam mulheres, sejam negros, porque ele não pode se dar ao luxo de prescindir deles. Se os empresários no seu conjunto, por motivos pessoais, boicotassem mulheres capazes, o salário delas no mercado cairia significativamente. Ora, nesse caso, todo empresário que furasse o boicote ganharia uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes, podendo contratar funcionários mais eficientes a menor preço. Tais empresas tenderiam a ter mais lucros que as outras, crescer mais que as outras, a ocuparem uma parcela maior do mercado e a correrem menos risco de falência. Depois de algum tempo, as empresas não misóginas (ou não racistas, o raciocínio é o mesmo) dominariam o mercado, e os salários das mulheres não estaria menor que o dos homens. Empresário misóginos teriam de mudar de atitude, ou serem prejudicados (talvez até excluídos do mercado como empresários).

    Inclusive, esse é o motivo porque defendemos que as intervenções do governo no mercado tendem a serem más. O governo protege certos empresários da disciplina do mercado, impede que sejam castigados, ou os compensa de outra forma, impedindo que os piores sejam excluídos. Assim, o governo preserva muitos vícios empresariais. Os empresários na Coreia do Sul, Taiwan ou Hong Kong serão mais profissionais que empresários no Brasil, Venezuela ou Argentina. No primeiro caso, o profissionalismo, percepção do mercado, arrojo, terão grande peso no sucesso. No segundo caso, os contatos políticos e curvar-se aos governantes de plantão serão muito mais importantes, podendo inclusive dar grande sucesso a empresários profissionalmente bastante ruis. No Brasil, empresário que não se curva ao petismo está condenado a não crescer ou mesmo desaparecer, mesmo que seja um excelente empresário. Assim, em países mais intervencionistas, o governo premia o vício, e pune a virtude.

    No caso do mercado financeiro, o intervencionismo é realmente desastroso. O governo não só incentiva a irresponsabilidade, criando bolhas e inflação monetária, como depois ainda salva seus amigos mais irresponsáveis.

  43. Fernando S

    O comentario do Renato, excelente e com o qual estou plenamente de acordo, responde directamente às observações que o Comunista tem vindo a fazer. Obrigado.
    Claro que este tema, que é normalmente abordado com muitas imprecisões e grande demagogia por aqueles que se opõem ao mercado livre, tem pano para mangas.
    Voltarei a comentar logo que possa.

  44. Comunista

    O Renato vive iludido pela cassete que lhe ensinaram. Se se fala de mercados então fala-se de mercados no seu conjunto e não apenas na ideia abstracta de mercado da qual se extraem apenas perfeições.

    Vejamos isto:

    “O mercado é bom, não porque as pessoas sejam totalmente boas (são em parte más, em parte boas). O mercado é bom porque DISCIPLINA as pessoas.”

    – mas quem é que disciplina o mercado? Você fala do mercado como se fosse um deus, com inteligência reflexiva, ou seja, que se ajusta, adapta por si mesmo independentemente dos agentes concretos que o compõem e dentro destes da relação de forças que cada agente na persecução do seu interesse tem em influenciar os mercados. O falhanço da posição do Renato está em sugerir que as distorções nos mercados não estão inscritas nos próprios mercados mas em desvios dos verdadeiros mercados que são os puros, sem defeitos.

    Não há razão nenhuma para que os governos, quer dizer, o poder político não seja também uma mecadoria e portanto não há como querer isolar o mercado puro que existe separado da política e o mercado impuro que mercantiliza a política.

    Depois os próprios mercados foram criados por eventos políticos, por decisões, pressões da burguesia sobre o poder político aristocrático, ou seja, sem intervenções políticas não se falaria dos mercados tal como se fala hoje de modo que a relação dos mercados com a intervenção política começou logo à nascença e nunca parou.

    Então assim como os burgueses mais poderosos lutaram pelos seus interesses e construiram o seu mundo e o seu modelo económico através do poder político também hoje outros agentes económicos, no interior do próprio modelo burguesia, ou em harmonia com o mercado burguês, lutam por melhores condições no mercado.

    No nosso caso aqui trata-se de chamar a atenção para o facto de as mulheres ganharem menos do que os homens ocupando as mesmas posições.

    “No Brasil, empresário que não se curva ao petismo está condenado a não crescer ou mesmo desaparecer, mesmo que seja um excelente empresário.”

    Quanto a isto, eu não sei se você é brasileiro ou não. Eu não sou mas moro no Brasil há mais de dez anos e digo-lhe sem hesitação que o Brasil está muito melhor do que o que estava. Não há comparação. Mas atenção que eu não digo que não tenha ainda graves problemas. Tem. Mas eu vi o Brasil crescer e vi muitos brasileiros melhorarem a sua vida e isto foi contra a direita, contra o seu pensamento e o seu modelo. O PT já vai no terceiro presidente seguido por alguma razão, e o brasileiro que protesta contra o governo, a maioria sabe ainda assim que o PSDB, a direita, é pior e por isso até hoje ainda não apareceu à frente numa sondagem e o que não falta ao PSDB são meios de comunicação de massa: desde logo a Globo, mas não só. Então, em resumo, Dilma continua a liderar as sondagens e até, atrás dela, vem Marina Silva que é também da área da esquerda, ou seja, no Brasil o povo não quer nada com a direita.

  45. Comunista

    “mercado livre”

    Fernando, mercado livre é demagogia e ideologia. Você fala de mercado livre mas aparentemente não reconhece a muitos agentes do mercado a liberdade de lutarem pelos seus interesses, reconhece apenas isso a outros agentes. Então se um banquiro se queixa do governo, a direita aplaude o banqueiro e critica o governo, se é uma organização de trabalhadores a queixar-se do governo, a direita já apoia o governo, ou seja, o único indivíduo livre que a direita reconhece no mercado é o detentor de capital.

  46. rmg

    Comunista

    O Brasil não está muito melhor do que estava .
    Tive aí durante anos (voltou há dois) um filho mais comunista que V. e não é nada disso que ele conta (e não é um puto , vai a caminho dos 45) .

    O próprio Governo brasileiro assume a situação na página oficial do Ministério da Economia local quando fala de crescimentos do PIB da ordem do 1% e aponta as razões como sendo o endividamento excessivo das famílias e a crise internacional (onde é que eu já vi isto ?).

    Portanto não me admira nada que continuem os mesmos a liderar as sondagens : já vimos o mesmo filme aqui em idênticas circunstâncias e acabou como acabou : espere pela pancada …

  47. Comunista

    Não me chateie a cabeça rmg.

    De resto, respondendo a esta questão em geral, eu moro aqui e vi muitos brasileiros melhorarem a sua vida nos últimos 10 anos. Além disso é verdade que quando Dilma entrou se notou uma grande estagnação que entretanto não tendo voltado a níveis de crescimento anteriores já se desatou um pouco mais o ano passado (2013).

  48. Comunista

    O que é interessante na posição do Renato é o mito subjancente do crescimento infinito, ou seja, o que ele presume na distinção que faz do mercado purificado face ao mercado politizado é que o mercado purificado implicaria crescimento contínuo, infinito, porque se assim não for, se o mercado puro também implicar períodos de recessão, desemprego, empobrecimento, ele passa a parecer-se muito com o mercado politizado. Então, para se analisar a diferenciação entre mercado puro e mercado politizado que no Renato faz é preciso introduzir o tema do crescimento infinito que haveria de distinguir o mercado puro do impuro.

    Quem aqui é que vem em defesa da garantia de crescimento infinito se os mercados forem “livres” e “puros”?

  49. Renato

    Comunista

    Suas conclusões são absurdas. O fato de existirem intervenções de natureza política na economia reforça meu argumento. Há uma clara correlação negativa intervencionismo econômico (na forma de burocracia rocambolesca, impedimentos de entrada no mercado, protecionismo) e crescimento econômico. Em todos os países há intervenções, mas quanto mais pesadas essas intervenções, mais a economia se ressente.

    Quanto ao Brasil, era uma catástrofe anunciada desde o início. Lula aproveitou o crescimento mundial, com os esqueletos já todos tirados do armário, muitas empresas já privatizadas, foi só colocar no piloto automático. Cessada a ameaça de calote (que o próprio lula fazia quando estava na oposição, justamente para prejudicar a economia) os juros caíram, e foi só aproveitar a fase de crescimento mundial. Mas aquilo que ele tinha de fazer, não fez. É um país cheio de gargalos estruturais, cheio de burocracia asfixiante, que os parceiros internacionais supunham que seriam suprimidos. Não foram suprimidos, eu sei do que falo. Tentamos importar uns equipamentos de Taiwan por meses, e foram meses de burocracia difícil e prejuízos. Para quem faz as coisas por baixo do pano, as coisas ficam bem mais fáceis. Ou para os queridinhos do partido. É por essas e outras que o Brasil sempre está na rabeira dos emergentes.

    Nesses anos de crédito fácil, o setor público brasileiro triplicou sua dívida. Fizeram diversos malabarismos para maquiar a relação dívida/PIB. A copa é o último alento de euforia. Isso dá ainda algum gás para a economia, mas o rescaldo serão mais dívidas e elefantes brancos (estádios).

    Não contente em se endividar, o governo incentivou o endividamento coletivo do povo. Segundo a visão equivocada desse governo, é o consumo que faz a economia crescer, quando sabemos que na verdade é o contrário, é a produção que puxa o consumo. Temos um país com baixa poupança (porque o governo faz despoupança), juros altos (porque a dívida do governo cresce cada vez mais) alta inflação monetária (já sabemos onde isso vai chegar), um país que está nos trilhos errados. Esse foi o caminho do populismo, do crescimento através de dívidas irresponsáveis, dos favores para empresários amigos do partido. A Argentina é o Brasil de amanhã, a Venezuela é a Argentina de amanhã, e Cuba é a Venezuela de amanhã. A não ser que mudemos de caminho.

  50. Renato

    De qualquer forma, é sempre intrigante como uma pessoa que defende um sistema genocida e miserável supõe que possa falar mal de um sistema que tirou a humanidade da pobreza…
    Agora, morar na Coreia do Norte ou em Cuba, isso ninguém quer…

  51. Comunista

    Renato,

    No Brasil o que se conseguiu com Lula e Dilma pela primeira vez na sua história foi a criação de uma classe média com dimensão nacional – tão simples quanto isto.

    Agora que a história não acabou, isso é verdade, mas o facto é que o Brasil está hoje muito mais bem preparado para os riscos da existência do que jamais esteve na sua história.

    “Suas conclusões são absurdas.”

    São tão absurdas que você já começou a temperar a sua posição e a admitir que os mercados, sejam quais for, afinal são intervencionados pelos Estados e pela política, só não diz ainda que é para não se afundarem em suas próprias contradições, mas um dia lá chegará.

    Lembro-o ainda que há países que geralmente se associam a menos intervenção do Estado que até são bastante interventivos.

    Claro que se você acredita que a colocação de tropas americanas no médio oriente é para promover a democracia eu não tenho mais nada que lhe diga mas se não acredita, se aceita que existem motivos ligados acima de tudo a interesses políticos e, portanto, económicos, então verá como uma grande fatia do orçamento dos EUA vai para o intervencionismo do Estado norte-americano nos mercados mundiais. E veja que tropas no terreno é só o mais ostensivo, já que se sabe que os meios secretos de intervencionismo nestes mercados, nomeadamente através da rede mundial de abuso de poder e invasão de privacidade lançada também pelos EUA e que não tem nada a ver com terrorismo (escutas a Merkel e Dilma, por exemplo).

  52. Comunista

    “De qualquer forma, é sempre intrigante como uma pessoa que defende um sistema genocida e miserável supõe que possa falar mal de um sistema que tirou a humanidade da pobreza…”

    Nunca defendi o genocídio. Não sou eu que tenho como ídolo político um assassino em massa: Churchil – responsável por milhões de mortos de fome na Índia.

  53. Comunista

    Quanto ao endividamente, bom…não há capitalismo sem endividamento. Se o capital apenas tiver como rendimento possível o que pagou ao trabalho que é a grande massa do consumo, o capital nunca cresce. Para crescer, é preciso que o trabalho se endivide para que o capital possa receber mais do que aquilo que pagou aos trabalhadores/consumidores.

  54. BGracio

    Comunista,

    “No nosso caso aqui trata-se de chamar a atenção para o facto de as mulheres ganharem menos do que os homens ocupando as mesmas posições.”

    Não é verdade. Aquilo a que o Comunista, o génio Seguro y sus muchachos e os nobres activistas da igualdade se referem quando falam de diferenças salariais na ordem dos 20%, são estatísticas de diferença salarial entre homens e mulheres. Ponto. Mesmo quando estas estatísticas contemplam o nível de formação, ignoram outros factores essenciais para a definição de salários, como as funções, a indústria e algo muito menos mensurável como é o caso das escolhas individuais, as escolhas que todos fazemos dia a dia nos locais de trabalho e que impactam as nossas carreiras.

    Se tivesse visto o vídeo linkado no post ou o deixado pelo AA, perceberia isto. De qualquer forma, aqui vai mais um link sobre o mesmo tema:
    http://www.payscale.com/career-news/2013/04/fallacy-of-the-gender-wage-gap

    Se continuar com dúvidas, pode ouvir a própria presidente do CITE a dizê-lo numa entrevista que está na página que o João Cortez linka no post. Em resumo, a senhora explica que as mulheres tendem a seguir profissões com remunerações inferiores às profissões mais associadas aos homens e isso influencia a diferença salarial entre géneros (aqui acrescenta uma pequena pérola com a aparente opinião de que as diferenças de remuneração entre estas profissões estão relacionadas com o género…).

  55. Comunista

    BGrácio, a razão porque as mulheres ganham menos do que os homens é porque lhes pagam menos do que os homens. É isto. Razões para pagar menos em vez de mais nunca faltam, qualquer patrão consegue um rol delas. Se se pode pagar menos, paga-se menos. Esta é a lei. O resto, a meu ver, é conversa de mau pagador.

    O salário de cada mulher empregada vem de decisões concretas de quem as emprega e lhes paga o salário, então, diariamente, responsáveis pela atribuição de salários simplesmente decidem pagar menos às mulheres do que aos homens simplesmente porque podem fazê-lo sem prejuizo.

    Então eu inverto a sua lógica, ou seja, não é por essas razões que você indica que se paga menos; paga-se menos porque se podem apresentar razões como essas, porque elas são aceites ou mais ainda, paga-se menos porque se pode, ponto final, e quando alguém perguntar porquê se paga menos, toca-se a cassete do vídeo e siga a pagar menos.

  56. Comunista

    Estudo de 2005 que mostra como mulheres nas mesmas posições e ramos de actividade do que os homens ganham menos. É que andam a tentar iludir a questão com um tema como este que o BGracio traz:

    ” Em resumo, a senhora explica que as mulheres tendem a seguir profissões com remunerações inferiores às profissões mais associadas aos homens e isso influencia a diferença salarial entre géneros (aqui acrescenta uma pequena pérola com a aparente opinião de que as diferenças de remuneração entre estas profissões estão relacionadas com o género…).”

    DO QUE SE TRATA É DE DIFERENÇAS NAS MESMAS PROFISSÕES, NOS MESMOS CARGOS, NOS MESMOS EMPREGOS.

    http://www3.catho.com.br/salario/action/artigos/As_diferencas_salariais_entre_Homens_e_Mulheres.php

  57. Comunista,

    Insiste na cassete do malvado capitalista que quer pagar menos a mulheres só porque são mulheres. As decisões salariais não são feitas apenas pelo empregador. Para fixar um salário é preciso que alguém o aceite.

    As suas conclusões nem fazem sentido. Se as empresas pudessem simplesmente pagar muito menos a uma mulher pelo mesmo trabalho, então tenderiam a substituir os homens por mulheres e não é isso que se verifica.

    Mas os seus argumentos compreendem-se. São os que dão jeito à sua ideologia, onde a palavra “mercado” é quase um sacrilégio. Tudo é visto como opressão do trabalhador pelo capital.

    Quanto ao estudo da Catho, não conheço o mercado no Brasil, mas entra na mesma falácia já referida: analisa as várias dimensões separadamente. Além disso, seria interessante ser referida a metodologia do estudo. Volto a recomendar-lhe o link que coloquei e o vídeo da insuspeita presidente do CITE.

  58. Comunista

    “As suas conclusões nem fazem sentido. Se as empresas pudessem simplesmente pagar muito menos a uma mulher pelo mesmo trabalho, então tenderiam a substituir os homens por mulheres e não é isso que se verifica.”

    As empresas podem pagar menos às mulheres. Ainda não leu as notícias. Já quanto à substituição dos homens pelas mulheres parece-me que aí o efeito seria o contrário uma vez que a oferta de mão-de-obra diminuiria e os salários subiriam, é que não há mulheres que cheguem para tudo. O mercado de trabalho precisa de homens e mulheres. Quando passar a haver 50% de desemprego então aí, teoricamente, poderá dispensar um dos sexos, se quiser. Por enquanto não pode.

    “Quanto ao estudo da Catho, não conheço o mercado no Brasil, mas entra na mesma falácia já referida: analisa as várias dimensões separadamente. Além disso, seria interessante ser referida a metodologia do estudo. Volto a recomendar-lhe o link que coloquei e o vídeo da insuspeita presidente do CITE.”

    Ouça eu falo dos homens ganham mais do que as mulheres enquanto trabalham no mesmo posto, com os mesmos estudos e as mesmas responsabilidades. É neste plano que o estudo que eu citei labora, ou seja, no plano onde a sua teoria não funciona.

    De resto, foi sempre contra a direita que as mulheres conquistaram a sua liberdade. Este tema é apenas uma variação de um problema antigo que a direita tem com a liberdade das mulheres e a igualdade de direitos face aos homens. Está-vos nos genes políticos.

    Só para não esquecer contra o quê as mulheres tiveram de lutar e a que área política pertence o seu opressor:

    “Feminism was established so as to allow unattractive women easier access to the mainstream of society.” Rush Limbaugh

    “The feminist agenda is not about equal rights for women. It is about a socialist, anti-family political movement that encourages women to leave their husbands, kill their children, practice witchcraft, destroy capitalism and become lesbians.” Pat Robertson

  59. Comunista

    E olhe que há muito mais. Parece não haver limites na estupidez quando se trata da direita em relação às mulheres.

  60. Fernando S

    Comunista (Março 8, 2014 às 02:20) : ” os mercados que eu conheço são feitos por seres humanos com todos os seus defeitos e virtudes, racionalidade e irracionalidade, mas pelos vistos não é assim para você, para você nos mercados só há racionalidade”

    Obviamente que nos mercados concretos não há só racionalidade. Precisamente porque aqueles que neles participam e interveem não se libertam completamente de toda uma série de motivações que não são estritamente económicas e que teem que ver com outras dimensões humanas e porque há multiplas intervenções externas, do Estado e de outras instancias da sociedade, que obedecem a outros critérios.
    Dito isto, a verdade é que, no funcionamento dos mercados, tanto mais quanto mais livres forem, a racionalidade económica tende a ser preponderante relativamente a outras motivações e critérios (que alguns preferem chamar “irracionais”).
    Mercados fundamentalmente “irracionais” não existem, são tudo o que se queira mas não são “mercados”.
    Ou seja, a lógica subjacente aos mercados, que é económicamente racional, tende a conter, a atenuar, e a “expulsar”, os comportamentos anti-económicos, que são objectivamente prejudiciais a quem os adopta.
    O Renato explicou muito bem este aspecto falando no papel disciplinador dos comportamentos que os mercados teem.
    As interferencias externas no funcionamento dos mercados tendem antes a contrariar este papel disciplinador em sentido racional e a fazer com que as decisões dos intervenientes sejam fortemente condicionadas por critérios que são anti-económicos.
    Um bom exemplo destas interferencias externas, neste caso por parte dos Estados, e das “irracionalidades” que lhes estão associadas, é precisamente obrigar as empresas a recrutar pessoas em função de categorias sociais em que são incluidas, como “mulheres”, “minorias étnicas”, etc, e não apenas em função da avaliação que a empresa faz das qualidades produtivas das pessoas.
    Deste modo, por um lado, são muitas vezes cometidas injustiças porque as pessoas não são recrutadas pelos seus méritos individuais mas antes por critérios discriminatórios (logo, geradores de desigualdades) e, por outro lado, prejudica-se a eficiencia das empresas e, por consequencia, a capacidade da economia no seu conjunto em criar riqueza (logo, em gerar bem estar em beneficio de todos e não apenas de alguns).

  61. Fernando S

    Comunista (Março 8, 2014 às 02:20) : “Vendem-se, compram-se, usam-se, descartam-se. Veja a emigração.”

    O Comunista, na sua obcessão anti-mercado, ve “mercadorias” por tudo quanto é sitio. Chama “mercadorias” ao sexo, à raça, à religião, à nacionalidade, etc … Independentemente das reflexões e das conclusões politicas que possa querer tirar, a verdade é que estes conceitos referem-se a atributos das pessoas, não são bens que possam ser comprados e vendidos num mercado.
    Suponho que o que o Comunista quereria dizer é que certas pessoas com alguns destes atributos são tratadas como “mercadorias” na medida em que são compradas e vendidas por outros.
    Seja como for, não é verdade. Excluindo alguns casos isolados e algumas realidades marginais existentes sobretudos em certos paises do terceiro mundo, a escravatura já não existe, as pessoas fisicas não são vendidas ou compradas como mulheres, negros, muçulmanos, romenos ou o que quer que seja. No mundo moderno, e em particular nas economias de mercado, as pessoas não são “mercadorias”, não são vendidas e compradas. Nem “mulheres”, nem “negros”, nem ninguém. Quando muito pode-se dizer que uma parte significativa das pessoas, quaisquer que sejam os respectivos atributos, vendem (mais exactamente, alugam) as suas capacidades de trabalho a empresas em troca de um salário.
    O Comunista dá o exemplo concreto da emigração…
    Ao contrário do que afirma, não é verdade que os emigrantes sejam vendidos e comprados e levados para os paises de destino para serem utilizados enquanto são necessários e descartados quando deixam de ser precisos. Os emigrantes tomam livremente a decisão de partir com a perspectiva de poderem vir a trabalhar em troca de salários muito superiores aos rendimentos que conseguem obter nos paises de origem e, deste modo, poderem melhorar significativamente as suas condições de vida. Mesmo em situações de clandestinidade e de mercado negro, os emigrantes ganham em geral bem mais do que ganhavam anteriormente. Não emigraram forçados pelos paises e empresas que os empregam. Antes pelo contrário. Estes paises procuram normalmente impedir a imigração. Sabemos todos como grande parte dos emigrantes, sobretudo os provenientes dos paises mais pobres, tudo fazem para conseguirem entrar nos paises de acolhimento, por vezes mesmo arriscando as proprias vidas. O modo paternalista e condescendente como pessoas como o Comunista veem a experiencia dos emigrantes, para além de não corresponder à realidade dos factos, mostra uma enorme falta de consideração para com pessoas que, sabendo perfeitamente o que querem, livremente tomaram corajosamente os seus destinos nas proprias mãos. O Comunista pretende ainda que os emigrantes são discriminados com salários mais baixos do que as médias dos nacionais dos paises de acolhimento. Teem efectivamente salários mais baixos (embora muito superiores aos que poderiam eventualmente ter nos paises de origem) mas não são discriminados. São salários que correspondem grosso modo à contribuição produtiva de cada um. O que acontece é que a média dos emigrantes tem um nivel de preparação profissional bastante inferior à média dos nacionais. O Comunista parece ainda indignar-se com o facto de, em periodos de crise, os emigrantes serem despedidos e expulsos do pais. Efectivamente, em perido de crise o desemprego aumenta nos emigrantes, normalmente acima da média nacional. Mas esta é uma consequencia inevitavel das crises e é perfeitamente conhecido que os sectores mais afectados são muitas vezes aqueles que utilizam mão de obra menos classificada (construção, serviços domésticos, etc). Não é discriminação contra os emigrantes, é a economia a ajustar, afectando as pessoas em função da situação que tem na economia e não da respectiva nacionalidade. Também não é verdade que os imigrantes sejam expulsos dos paises onde estão. De um modo geral, nos paises de imigração, o numero de expulsões de estrangeiros em situação irregular não aumentou com a crise. Por não serem expulsos é que a taxa de desemprego dos emigrantes aumenta. Mesmo os fluxos migratorios, depois de uma primeira retracção, tendem a continuar. Acresce que uma parte importante dos imigrantes e seus descendentes adquire a nacionalidade dos paises de acolhimento e não sequer ser expulsa. Ao contrário do que o Comunista diz, a emigração, pesem embora todas dificuldades e dramas humanos que estão necessáriamente ligados aos fluxos migratorios, é uma oportunidade e uma possibilidade efectiva para que milhões e milhões de pessoas melhorem significativamente os seus rendimentos e as suas condições de vida.
    Olhando para a historia contemporanea mundial, em particular a do século XX e deste inicio do século XXI, vemos antes que as populações que mais sofreram e sofrem não são de modo nenhum aquelas que conseguiram emigrar para os paises “capitalistas” mas antes aqueles milhões e milhões que nos seus proprios paises viveram e vivem a miséria que foi e é provocada pelos regimes comunistas e pelas politicas socialistas que se opõem ao desenvolvimento da economia de mercado.
    Se há quem tenha de se justificar são sobretudo aqueles que, como o Comunista, defenderam e defendem estes regimes e estas politicas !

  62. Fernando S

    Comunista (Março 8, 2014 às 02:57) : “Os comunistas são todos uns cavalheiros incapazes de serem mal educados e portanto, com certeza, incapazes de alguma coisa sequer perto do que você aqui lhes atribui.”

    O facto de muitos comunistas (não todos, como de resto em qualquer grupo humano) serem pessoas bem educadas e de bem não obsta a que possam ter ideias erradas e defender e apoiar uma ideologia que foi e é responsável por muitos dos piores males da época contemporanea !

  63. Fernando S

    Comunista (Março 8, 2014 às 05:40): “Fernando, apresente lá, se não se importa, uma citação daquilo que eu escrevi até agora que suporte esta sua afirmação [“O Comunista é que faz parte daqueles que pretendem que TODAS as mulheres querem trabalhar e viver exactamente como os homens, exercerem as mesmas profissões e terem as mesmas funções que os homens, e por ai fora.”].

    Não disse que o Comunista escreveu isto.
    Disse que é o que decorre das suas ideias e soluções politicas relativamente à questão das diferenças salariais entre homens e mulheres.
    Sabendo-se que, principalmente nos paises mais desenvolvidos, estas diferenças salariais resultam sobretudo de diferenças efectivas nos modos de vida e de trabalho de homens e mulheres, aquilo que o Comunista defende, isto é, a intervenção do Estado no mercado de trabalho no sentido de eliminar todas as diferenças salariais entre homens e mulheres, apenas é logicamente possivel fazendo com que no conjunto dos homens e no conjunto das mulheres exista a mesma repartição das diferentes profissões e funções e, consequentemente, dos diferentes modos de vida.
    No fim de contas é o que resultaria da aplicação generalizada do principio da paridade de géneros às profissões e às funções (o mesmo numero de homens e mulheres em cada profissão e em cada função, com as mesmas remunerações).
    Este tipo de solução, se fosse efectivamente implementado, para além de implicar uma sociedade monolitica e totalitária, levaria a uma enorme perda de eficiencia social e, consequentemente, a um forte empobrecimento de todos, homens e mulheres.
    Sabendo-se que o género humano, na procura constante de soluções para melhorar a sua existencia, podendo cometer erros tem também a capacidade de avaliar os resultados e de perceber e corrigir para melhor, é felizmente muito pouco provável que se chegue alguma vez a este extremo.
    De qualquer modo, a tendencia actual para uma legislação dita “de género” é preocupante e vai certamente ter consequencias que serão mais negativas do que positivas para a condição das mulheres em geral.

  64. Fernando S

    Comunista (Março 8, 2014 às 06:08): “Vale ainda a pena ver quais os países onde a diferença de salários é maior [Iéman, etc] – presumo que as teses do homem do vídeo também explicarão o caso e portanto do que se trata é da racionalidade do mercado e da liberdade de escolha.”

    O dito relatorio diz ainda que a “desigualdade de géneros” é menor nos paises desenvolvidos do que no resto do mundo.
    Sem deixar de questionar as metodologias utilizadas por alguns destes estudos (que partem precisamente da constação de que existem diferenças salariais entre homens e mulheres para concluirem que estas resultam apenas da discriminação no mercado de trabalho sem se interrogarem sequer sobre outras explicações), o que se ve objectivamente pelos numeros é que estas diferenças são muito maiores nos paises onde o mercado está menos presente e é menos livre.
    De resto, a comparação entre (a) um mapa dos paises classificados em termos de diferenças salariais constatadas entre homens e mulheres e (b) um mapa do grau de liberdade economica dos mesmos paises, é extremamente elucidativo : grosso modo, quanto mais livre é a economia de um pais menores são as diferenças salariais (e não apenas).
    O que é mais uma confirmação empirica de que os mercados não são a causa das principais diferenças salariais entre homens e mulheres.

  65. Fernando S

    Comunista (Março 8, 2014 às 15:05): “[] Mercado livre é demagogia e ideologia. Você fala de mercado livre mas aparentemente não reconhece a muitos agentes do mercado a liberdade de lutarem pelos seus interesses, reconhece apenas isso a outros agentes. Então se um banquiro se queixa do governo, a direita aplaude o banqueiro e critica o governo, se é uma organização de trabalhadores a queixar-se do governo, a direita já apoia o governo, ou seja, o único indivíduo livre que a direita reconhece no mercado é o detentor de capital.”

    Está completamente enganado. Não se confunda as ideias… Eu é que sou o liberal, o Comunista é o … comunista ! 😉
    Eu reconheço a todos os agentes economicos a mesma liberdade para procurarem realizar os seus proprios interesses.
    Por isso mesmo é que sou contra o intervencionismo discricionário dos governos no funcionamento dos mercados. Como foi muitas vezes explicado pelos liberais, isto não significa que o Estado não tenha um papel na criação e na manutenção de condições institucionais que permitam e garantam o livre funcionamento dos mercados. O Estado deve assegurar o “Direito”. O Estado deve ser o garante da liberdade dos individuos. Mas, até por isso, não deve limitar o exercicio dessa mesma liberdade. Logo não deve interferir no livre funcionamento dos mercados. Em particular, os governos não devem discriminar entre os intervenientes no mercado, favorecendo, protegendo, subsidiando uns e penalizando outros.
    Por exemplo, de um modo geral, embora nuns paises mais do que noutros, os Estados interveem no mercado de trabalho através de legislação que com frequencia limita fortemente a liberdade das diferentes partes, os trabalhadores e as empresas. O argumento principal avançado é o de que é para “proteger” os trabalhadores contra o patronato. Mas na realidade não protege a generalidade dos trabalhadores. Quando muito protege corporativamente certas categorias, em particular os que já teem empregos estáveis e bem pagos, mas agravando objectivamente as condições de muitos mais, em particular os mais precários ou desempregados. Sobretudo porque este tipo de legislação, ao tornar mais rigida a gestão dos recursos humanos pelas empresas (e por todos, familias, independentes, etc), acaba por provocar um desemprego estrutural mais importante, por favorecer a precaridade e o mercado negro, por acelarar o aumento do desemprego em peridos de crise, por dificultar o recrutamento em periodo de crescimento economico, etc, etc. Neste sistema dum mercado de trabalho entravado, aos “sindicatos de trabalhadores” é atribuido legalmente um forte poder de bloqueio e de perturbação da actividade economica e é mesmo tolerada (pelos poderes publicos e por parte da sociedade) uma actuação à margem da lei geral e que é contrária às liberdade de todos os cidadãos, incluindo os verdadeiros interessados, trabalhadores como empresas. Dizer que aos trabalhadores e aos sindicatos não é reconhecida a liberdade de defenderem os seus interesses, sabendo-se o que é a realidade quotidiana nos nossos paises, é uma completa negação da realidade. Talvez o Comunista prefira a liberdade que os trabalhadores nos paises comunistas tinham e teem para lutarem pelos seus interesses e para se organizarem em sindicatos livres e representativos !!!…
    Não sei ao que se refere quando diz que “se um banqueiro se queixa do governo, a direita aplaude o banqueiro e critica o governo” … Fala de Portugal ?… A que “direita” se refere ?… Em que situações isso acontece ?… Tudo depende … Tenho antes visto muitas situações e muitos casos em que os liberais criticam uma certa promiscuidade entre certos governantes e certos sectores da Banca e defendem uma liberalização do conjunto do sector financeiro.
    De um modo geral, os liberais não defendem os interesses de uns contra os interesses de outros, nem dos detentores do capital contra os trabalhadores, nem de certos capitalistas em prejuizo de outros. Todos devem ter a mesma liberdade para prosseguirem os seus proprios interesses.
    Na verdade, o Comunista é que defende uma economia sem liberdade para os agentes economicos, em que o Estado organiza tudo e intervém em tudo, fazendo politicas discriminatorias a favor dos “bons” (“trabalhadores com consciencia de classe”, “empresarios patriotas”, “banqueiros do povo”, etc) contra os “maus” (“trabalhadores vendidos ao capital”, “grande capital”, “finança internacional”, “especuladores sem escrúpulos”, etc) !
    Sabemos todos muito bem que na boca e na pena de um comunista a palavra “liberdade” significa o exacto oposto !!

  66. Comunista

    Fernando, obrigado pelas respostas.

    “Sabemos todos muito bem que na boca e na pena de um comunista a palavra “liberdade” significa o exacto oposto !!”

    Isto é presunção sua. Em Portugal foi a direita que impôs uma ditadura de quase 50 anos e que está mais que preparada para impor outra, talvez mais longa ainda, através de tratados europeus que limitam a capacidade de decisão interna do povo português.

  67. Comunista

    Francisco, ainda vocês pensavam que a mulher só servia para fazer bébés e já os comunistas contavam com elas para a política.

  68. Comunista

    O PCP tem 30% de mulheres militantes e cerca de 25% de mulheres no Comite Central, ou seja, as mulheres estão sub-representadas nesse orgão que é o principal, em cerca de 5%. Quanto aos salários dos funcionários do Partido nunca ouvi nada de se pagar menos a mulheres do que a homens.

  69. As mulheres militantes não são mulheres? Fiquei curioso com esses 30% de mulheres militantes e 25% de mulheres, e assumo não ter percebido nada do que quis dizer.

    Qual dos seguintes era mulher: José Carlso Rates, Bento Gonçalves, Álvaro Cunhal, carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa?

    E descubra as semelhanças e diferenças desta lista, especialmente no que toca aos cardinais:

    António Filipe, Bernardino Soares ,Bruno Dias, Francisco Lopes, Honório Novo, Jerónimo de Sousa, João Oliveira, João Ramos, Jorge Machado, Miguel Tiago, Paulo Sá

    e

    Carla Cruz, Paula Santos, Rita Rato

    Sabe-me dizer do que falo (são mulheres militantes ou mulheres)?

  70. Se fossem bloquistas, a situação era mais uma ordem de grandeza mais complexa. Como comunista que é comunista não é rabeta nem se dá com eles (e ao menos isso!), assumo que as listas são honestas e esclarecedoras.

  71. Comunista

    É simples: 30% dos militantes do PCP são mulheres, 25% dos membros do Comite Central, o Orgão mais representativo do Partido, são mulheres, ou seja, para a porcentagem de mulheres do PCP estar representada a 100% no comite central este precisaria de mais 5% de mulheres.

    De resto, não consta que os salários dos funcionários do Partido sejam diferenciados por sexo – que é do que se trata aqui.

    Já o seu último comentário é demasiado idiota.

    Passe bem.

  72. Renato

    O comunista distorce a verdade, como sempre.

    Sobre Churchil: Constam a história como bem lhes agrada, porque precisam criar genocidas entre os não comunistas, para JUSTIFICAR seus ídolos.
    Quanto a mim, não idolatro ninguém, muito menos Churchil. Quem o Mas a idolatria

    “As empresas podem pagar menos às mulheres. Ainda não leu as notícias. Já quanto à substituição dos homens pelas mulheres parece-me que aí o efeito seria o contrário uma vez que a oferta de mão-de-obra diminuiria e os salários subiriam, é que não há mulheres que cheguem para tudo. O mercado de trabalho precisa de homens e mulheres. Quando passar a haver 50% de desemprego então aí, teoricamente, poderá dispensar um dos sexos, se quiser. Por enquanto não pode.”

    Quanta ignorância econômica. Empregar todas as mulheres não depende de poder dispensar os homens. Se os salários das mulheres forem mais baixos, fazendo exatamente a mesma coisa que os homens, é claro que cada empresário, em busca de lucro, contratará primeiro mulheres, e só quando não houverem mais mulheres para contratar, contratará os homens. Porque um empresário agiria diferentemente disso? Por exemplo, se um empresário precisa contratar dez engenheiros, com no mínimo quinze anos de experiência em construção de edifícios de apartamentos, ele mandará o departamento de pessoal contratar engenheiras, para pagar menos. Todos os outros empresários agirão da mesma forma, porque todos buscam aumentar os lucros. Rapidamente não haverão mais mulheres a contratar, e só quando não encontrarem mais mulheres, contratarão homens. Logo, todas as mulheres que quisessem estariam empregadas, mas haveria certo nível de desemprego entre os homens. Evidentemente não é isso o que acontece, portanto o cenário imaginado por você é irreal. Uma outra consq6encia inevitável seria uma concorrência dos empresários pelas mulheres, aumentando os salarios destas.

  73. Comunista

    “Quanta ignorância econômica. Empregar todas as mulheres não depende de poder dispensar os homens. Se os salários das mulheres forem mais baixos, fazendo exatamente a mesma coisa que os homens, é claro que cada empresário, em busca de lucro, contratará primeiro mulheres, e só quando não houverem mais mulheres para contratar, contratará os homens. Porque um empresário agiria diferentemente disso?”

    Você aparentemente é demasiado limitado.

    Mas vamos lá de novo. Para contratar mulheres é preciso não só que elas procurem o emprego mas que sejam percebidas pelo menos tão eficazes como os homens que concorrem. O que acontece é que o empregador percebe entre os seus candidatos uma mulher qualificada para o trabalho e oferece-lhe o emprego que nessa mesma posição na empresa – pode haver posições com mais do que um funcionário – paga mais a homens do que a mulheres para fazer o mesmo trabalho sem que o homem seja comprovadamente mais eficaz. É disto que se fala. Eu não falo de empregos em que, por exemplo, contando a força física, os homens podem de facto render mais do que as mulheres e portanto ser mais bem pagos, do que eu falo é de empregos que envolvem capacidades do intelecto para as quais as mulheres podem ser tão qualificadas quanto os homens.

    Por exemplo:

    “A maior disparidade entre salários é encontrada nos bancos privados: nestes, a remuneração das mulheres é 29,92% menor que a dos homens. Já nos bancos públicos, a diferença salarial média é de 15,25%. Apesar de receberem salários mais baixos, no quesito nível de escolarização, as mulheres superam os homens: em geral, 71,67% das bancárias têm curso superior, contra 66,52% dos homens.

    É possível perceber diferenças salariais até quando os salários de trabalhadores (as) com o mesmo nível escolar são comparados. Um bancário que tem doutorado recebe aproximadamente R$ 12.595,93, enquanto uma bancária com o mesmo nível de instrução recebe aproximadamente R$ 5.889,10 – uma diferença de 53,25%.”

    http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2012/03/mulheres-bancarias-recebem-salarios-menores-do-que-homens-com-mesma-funcao

    Já vi que para você os homens, os seres humanos, serão imperfeitos em todo o lado menos nos mercados. Por alguma razão miraculosa os mercados regeneram os defeitos humanos. Entra no mercado é perfeito, é um ser racional a 100%, quando sai aí volta a ser só mais ou menos racional, quando entra no outro dia volta a ser 100% racional, quando sai, decai novamente, enfim só dentro da Igrej…err, dos mercados, é que há redenção das imperfeições humanas.

    Enfim, você sequer compreende como o seu pensamento tem a estrutura do fanatismo religioso.

  74. Se as mulheres no PCP são representadas a 25% contra 30%, a subrepresentação não é de 5% mas de 16,7% (1/6).

    E se disse o que disse é porque o caso Fogaça foi interpretado nem mais nem menos do que por Álvaro Chunhal como um «desvio de direita» (com a homossexualidade expressamente ali incluída).

    Portanto, comunista que é comunista tem de ser homem e cheirar a cavalo. Africano, se tiver de ser.

    Pergunta rápida, que tem muito a ver com isto: qual era a univrsidade afectuosamente chamada de «Jardim Zoológico» pelos moscovitas durante o anti-rácico tempo da URSA?

  75. Comunista

    “Se as mulheres no PCP são representadas a 25% contra 30%, a subrepresentação não é de 5% mas de 16,7% (1/6).”

    Sim. Correcto.

    Em relação à composição total do comité central há uma proporção de 25 para 75 quando a proporção no partido é de 30 para 70.

    Quanto ao mais você está mais preso nas suas análises do PCP à era soviética do que o próprio PCP.

  76. Comunista,

    «Quanto ao mais você está mais preso nas suas análises do PCP à era soviética do que o próprio PCP.»

    Terá a bondade de conceder que, de onde me encontro (amante da liberdade, dos direitos individuais e proponente de um estado mais pequeno), o PCP continua tão atado à URSS como dantes. Aliás, escrito por um comunista em O Militante:

    «Hoje a URSS já não existe. Sucedeu uma das mais surpreendentes e inesperadas tragédias que a História regista: setenta e quatro anos depois dos «Dez dias que abalaram o mundo» (1) a contra-revolução triunfou na pátria de Lénine(sic) .»

    Isto apareceu numa revista do PCP em Novembro de 2011. O PCP, se não concorda com isto, pode dizê-lo expressamente. Se concorda, anui a um dos regimes mais carniceiros da história humana que, segundo o mais que insuspeito Camarada Nikita Kruschov (Discurso Secreto, proferido em 1955 durante o XX Congresso PCUS) é responsável pela morte de 60 milhões de russos até 1954. Números dele, não meus.

  77. Comunista

    “Se concorda, anui a um dos regimes mais carniceiros da história humana que, segundo o mais que insuspeito Camarada Nikita Kruschov (Discurso Secreto, proferido em 1955 durante o XX Congresso PCUS) é responsável pela morte de 60 milhões de russos até 1954.”

    Esses números não têm credibilidade académica nenhuma hoje em dia. Nem sequer pertencem a Khrushchev. Mas, é inútil protestar. Se você quiser que se informe melhor, por exemplo num debate entre dois historiadores (um inglês e um americano) neste site. Veja na caixa de comentários onde os dois discutem:

    http://www.lrb.co.uk/v09/n02/j-arch-getty/starving-the-ukraine

    Em todo o caso não nego que Stalin tenha de facto liderado uma política que causou grande mortandade. Mas Stalin não é meu ídolo. Ao contrário de vocês que idolatram um genocida racista como o Churchill.

  78. Comunista

    A maior tragédia da queda do URSS foi a URSS não ter tido força e apoio do povo para continuar. É, fundamentalmente, uma crítica ao movimento comunista soviético.

  79. «Nem sequer pertencem a Khrushchev.»

    Pois na verdade foram parte do relatório que deu azo ao Discurso Secreto, proferido perante o XX Congresso do PCUS, e mandado ler a 5 de Março de 1956 em todas as secções do Komsomol. Como lhe disse, o número mais alto que conhecia até ao momento era de 15 milhões de mortos. O Discurso foi publicado no Ocidente em 1956, não tendo sido negado pelas autoridades soviéticas; e acabou por ser publicado na Rússia em 1989. O relatório nunca foi publicado mas várias partes chegaram a ser integradas em samizdate.

    Será que o Kruschov estava a… sei lá… mentir? Ou será que dizia a verdade e afinal quem mente são os gajos do PCP?

    Como vê, de onde eu vejo, é coisa que comunistas devem decidir entre si. (Admito que o número de 60 milhões inclua os civis e militares russos mortos durante a participação russa na II Guerra Mundial, que o relatório imputa à política desastrada e asinina do Estaline.

  80. Fernando S

    Comunista, também agradeço os seus comentários.

    Comunista (Março 9, 2014 às 11:15) :
    “Isto [na boca e na pena de um comunista a palavra “liberdade” significa o exacto oposto] é presunção sua. Em Portugal foi a direita que impôs uma ditadura de quase 50 anos e que está mais que preparada para impor outra, talvez mais longa ainda, através de tratados europeus que limitam a capacidade de decisão interna do povo português.”

    Não é presunção. É a realidade da ideológia e das realizações historicas do comunismo, passadas e presentes.
    Em matéria de oposição à liberdade, a realidade do comunismo esteve quase sempre acima de outras experiencias totalitárias e autoritárias.
    Quando muito esteve ao mesmo nivel de outro tipo de socialismo, o “nacional”, embora este tivesse sido bem mais breve, provocado por isso menos vitimas, e deixado bem menos herdeiros e acólitos até aos tempos presentes.
    Esteve bem acima dos fascismos nacionalistas, também estes já extintos e hoje em dia apenas reclamados por pequenas minorias, militantes e sobretudo folklóricas.
    Esteve muitissimo acima da generalidade dos regimes autoritários de direita, mesmo dos mais brutais e sanguinários (do génro latino-americano).
    Quanto à “ditadura de quase 50 anos [] em Portugal”, e que foi indiscutivelmente uma ditadura, a verdade é que, ao pé das performances repressivas muito superiores do comunismo, foi uma “brincadeira de crianças”.

    Por sinal, ao contrário do que sustenta o Comunista, esta ditadura não foi imposta e mantida pela “direita” em geral. Foi apenas a obra de um sector bem preciso e delimitado, de uma direita nacionalista e anti-liberal.
    Esta direita nacionalista e anti-liberal não tem hoje em Portugal uma expressão digna de nota : muito embora o numero de portugueses que conservam alguma nostalgia por estas ideias e pelo “Estado Novo” não seja desprezivel, sobretudo nas gerações mais velhas, esta direita não tem expressão eleitoral visivel, não tem representação politica organizada (quando muito alguns grupelhos da “direita nacional”), é ostracizada pela grande maioria dos portugueses e mesmo reprimida pelo regime que saiu do 25 de Abril de 1974. De notar que actualmente os expoentes e os simpatizantes desta área ideológica, actualmente designada como sendo de “extrema direita”, não teem práticamente qualquer possibilidade de expressão : não são ouvidos pela comunicação social, dificilmente conseguem manifestar-se publicamente, não lhes é sequer reconhecida a possibilidade de homenagearem os seus herois e os seus simbolos. Ou seja, a direita nacionalista portuguesa é sujeita a uma tratamento claramente discriminatório, nomeadamente quando comparado com a total liberdade e tolerancia que é concedida à área comunista, desde o PCP até à dita “extrema esquerda”.

    De qualquer modo, a “direita” que conta hoje em Portugal não tem nada a ver com a extrema direita que, ontém como hoje, pode ser associada ao regime anterior ao 25 de Abril de 1974. De resto, o termo “direita” nem sequer consta dos nomes dos principais partidos politicos que a constituem (“social-democrata”, “popular”, “centrista”, etc). Seja como for, esta “direita” é politicamente moderada, adere sem reservas aos principios fundamentais da democracia representativa (tal como a esquerda moderada que gravita em torno do Partido Socialista mas ao contrário da “direita nacionalista” e da “esquerda comunista e extrema”), e acomoda com maior ou menor convicção varios dos principios de diversas correntes de pensamento e politicas moderadas caracteristicas das democracias ocidentais (democracia-cristã, liberalismo, etc).
    Em particular, a dimensão liberal presente nesta “direita”, por limitada que seja, quer a que está diluida no seio das organizações partidárias quer a que tem alguma autonomia e pureza doutrinal, é mais do que suficiente para a colocar nos antipodas de um regime nacionalista e assumidamente anti-liberal como o “Estado Novo” em Portugal.

    A ideia do Comunista de que “a direita” actual estaria “preparada para impor outra [ditadura], talvez mais longa ainda, através de tratados europeus que limitam a capacidade de decisão interna do povo português”, é no minimo delirante. Repare-se que se está a falar da pertença de Portugal a um espaço politico que é uma das regiões do mundo onde a democracia e a liberdade estão mais implantadas e avançadas. Repare-se ainda que os ditos “tratados europeus” foram sempre aprovados por uma esmagadora maioria dos deputados parlamentares e celebrados por governos legitimamente eleitos. Por fim, o Comunista acaba por incluir na “direita” o proprio Partido Socialista (que, como se sabe, é convictamente pró-europeu e tem tido um papel importante na nossa integração europeia).
    Esta posição do Comunista é reveladora da enorme distancia que ainda hoje separa os comunistas portugueses de uma evolução que os aproxime minimamente do que muitos dos antigos Partidos Comunistas europeus já fizeram há bastante tempo.
    Os comunistas portugueses, juntamente com outros comunistas “ortodoxos” que, embora cada vez mais isolados, ainda subsistem nalguns paises, continuam a pensar com o velho e desacreditado paradigma do “anti-fascismo”, que considera que tudo o que não seja “democrata popular” (leia-se, comunista e “compagnons de route”) é de “direita” (até os socialistas) e responde logicamente a um projecto “fascista” (a tal “outra ditadura ainda mais longa”).

    Os comunistas portugueses bem tentaram, ao longo dos quase 50 anos da ditadura salazarista, substitui-la por algo que, sabemos hoje, teria sido muito pior : um regime totalitário comunista. Estiveram perto de o conseguir a seguir ao 25 de Abril de 1974, durante o famigerado PREC (Processo Revolucionário em Curso). Felizmente foram bloqueados, por forças militares e politicas defensoras da verdadeira democracia representativa e sufragadas pela esmagadora maioria dos eleitores portugueses. Mas, mesmo assim, acabaram por permanecer na ribalta e até hoje nunca perdem qualquer oportunidade para se oporem à causa de liberdade.

  81. Comunista

    “Os comunistas portugueses bem tentaram, ao longo dos quase 50 anos da ditadura salazarista, substitui-la por algo que, sabemos hoje, teria sido muito pior : um regime totalitário comunista.”

    Vou-lhe contar uma coisa que talvez o Fernando não saiba. Stalin não queria que os partidos comunistas ocidentais seguissem a via bolshevique, as orientações estalinistas eram que a ocidente valiam as frentes, alianças e a luta parlamentar. Então, no caso, quanto mais ortodoxo fosse o PCP menos era a tendência para o bolshevismo.

    Cumprimentos.

  82. Fernando S

    Comunista,
    Os comunistas sempre ajustaram as suas estratégias às circunstancias mas o objectivo manteve-se sempre o mesmo : a conquista do poder e a instauração de um regime comunista. O que o Comunista chama “a via bolshevique” não é a unica que permite prosseguir este objectivo.
    A estratégia da “Frente Popular”, consistindo em fazer alianças politicas com outras forças consideradas como sendo “anti-fascistas”, foi formulada e assumida claramente sobretudo após a chegada dos nazis ao poder na Alemanha.
    Mas nunca foi uma orientação de fundo dos comunistas. Foi sempre, claramente, uma estratégia puramente instrumental tendo em vista os seus objectivos finais de poder total e sem partilha.
    De resto, esta estratégia chegou mesmo a ser substituida por outra de sentido exactamente oposto, de coexistencia e mesmo de colaboração com nazis e fascistas, entre 1939 e 1941, quando a União Soviética de Stalin celebrou com a Alemanha hitleriana um Pacto de não agressão e de repartição de territorios situados entre os dois paises.
    O fim deste Pacto, em resultado da decisão de Hitler de atacar a União Soviética, voltou a dar vida à estratégia comunista da “Frente Popular”.
    Em particular, foi esta estratégia que foi seguida no imediato pós-guerra nos paises do leste europeu ocupados pelas tropas soviéticas. Os Partidos Comunistas constituiram coligações com outras forças politicas para a realização de eleições e a formação de governos. Tudo isto foi feito para criar a ilusão de que nestes paises se estaria a seguir uma via democrática. Mas a verdade é que, estando estes paises ocupados e fortemente controlados pelos soviéticos, foi tudo uma enorme farça e, por detrás de uma fachada de aparente pluralismo e democracia, foram instauradas ditaduras de partido unico, os Partidos Comunistas locais estreitamente pilotados pela União Soviética. Foram as auto-proclamadas “Democracias Populares”, em que a “Democracia” correspondia efectivamente à ditadura e o “Popular” ao totalitarismo comunista.
    Estas estratégias, decididas essencialmente em Moscovo e aplicadas pelo mundo fora pelos Partidos Comunistas locais, respondia sobretudo às exigencias do momento da politica externa da União Soviética. Efectivamente, houve situações em que certos Partidos Comunistas locais se viram forçados (por vezes contrariados e com conflitos internos) a “por agua na fervura” revolucionaria para não prejudicar as manobras politicas e diplomaticas da União Soviética no plano internacional. Mas, mesmo nesses casos, o objectivo final, da tomada do poder pela força e da instauração de um regime comunista, nunca foi abandonado nem descurado. O fim da União Soviética acabou com a dependencia dos PCs relativamente a um centro unico mas não alterou a lógica de fundo da estratégia comunista.
    O caso português, para além das vicissitudes próprias a cada realidade nacional concreta, não fugiu nem foge à regra.
    O que mais importa reter é que estas estratégias comunistas sempre estiveram associadas à utilização de uma dupla linguagem : por um lado, um discurso mais ou menos pacifico e democrático para o exterior ; por outro lado, uma comunicação interna, toda ela voltada para a neutralização e eliminação de qualquer oposição, incluindo a dos aliados de conveniencia em tempo oportuno, com vista à conquista e à manutenção do poder pela força.
    Os comunistas sempre foram mestres na arte da propaganda, da mentira, da manipulação, com vista à prossecução dos seus objectivos por todos os meios.
    Quanto mais falavam e falam em “liberdade” e em “democracia” mais estavam e estão empenhados em tudo fazer para a implantação de um tipo de sociedade que é a perfeita negação da liberdade e da democracia.
    O que é surpreendente é que, com todos os exemplos historicos que mostram à saciedade esta realidade, ainda subsistam muitas pessoas inteligentes e cultas, como é manifestamente o caso do Comunista, que continuam a negar o óbvio e a defender convictamente uma ideologia totalitária.
    Mas é verdade que a natureza humana é complexa e as ideias e as acções dos homens (e das mulheres … 😉 ) teem razões e determinantes que não são lineares !
    Cumprimentos.

  83. Renato

    O comunista continua a dizer dizparates

    Sobre Churchil torno a repetir, liberais não idolatram pessoas (e jamais justificam psicopatas, como o fazem todos, ou quase todos, os marxistas). E em segundo lugar, é inacreditável que se pudesse na época causar um genocídio à fome na Índia, e pior, que isso deixasse de ser usada como propaganda pelos nacionalistas hindus, que pouco depois lutariam pela emancipação. Mas cada esquerdista acredita no que fica mais jeitoso para si. Quanto aos regimes comunistas, o genocídio foi o padrão, e o padrão de todos os marxistas no ocidente foi sempre apoiar totalmente todo crime cometido pelos governantes comunistas (fingindo um pouco de contrariedade quando isso ficasse melhor diante dos idiotas úteis). As raríssimas exceções, como George Orwell, só servem para aumentar grandemente a culpa da imensa maioria dos marxistas, que nem mesmo ouvindo a repreensão da boca de outros socialistas, se abstiveram de dar completo apoio aos psicopatas que mandavam nos países comunistas. Até hoje continuam coniventes com os crimes, todas as vezes que os negam.

    Quanto à questão dos salários, você continua não entendendo nada. Liberais não acreditam na perfeição das pessoas, acreditam em mecanismos de correção. Um empresário pode ser tão estúpido quanto quiser quanto aos fatos relativos aos seu próprio negócio, mas estupidez tem de resultar em perdas econômicas, e perdas econômicas tem de resultar em diminuição da empresa frente aos concorrentes. Se uma determinada ação gerencial resulta em perdas econômicas (isso inclui diminuição dos lucros) é irracional economicamente, mas se não resulta em perdas, nem imediatas nem futuras, então não é irracional economicamente. Ora, os empresários são variados, agirão de formas variadas, e a ação mais racional de uns exporá a irracionalidade de outros, pois os mais racionais evitarão perdas que os mais irracionais não evitarão, e dessa forma os mais racionais (economicamente) acabarão por excluir os mais irracionais do mercado. Um certo empresário, mesmo que não entenda os seus erros, copiará as ações dos mais bem sucedidos, ou não as copiará, e sofrerá grave risco de ser expulso do mercado.

    Assim acontecerá com os empresários que contratarem pessoas competentes a custos mais baixos do que os outros, terão vantagem competitiva, e dessa forma, restará aos outros copiar a ação dos primeiros ou ficar para trás.

    Suas estatísticas não provam aquilo em que você crê. Você faz uma montanha de suposições, e nem as percebe. Senão vejamos:

    “A maior disparidade entre salários é encontrada nos bancos privados: nestes, a remuneração das mulheres é 29,92% menor que a dos homens. Já nos bancos públicos, a diferença salarial média é de 15,25%”.
    Esta estatística não diz que as mulheres estão recebendo menos, no mesmo banco, no exercício da mesma função. Você supôs isso, e nem percebeu (ou percebeu e fingiu que não percebeu).

    “Apesar de receberem salários mais baixos, no quesito nível de escolarização, as mulheres superam os homens: em geral, 71,67% das bancárias têm curso superior, contra 66,52% dos homens. É possível perceber diferenças salariais até quando os salários de trabalhadores (as) com o mesmo nível escolar são comparados. Um bancário que tem doutorado recebe aproximadamente R$ 12.595,93, enquanto uma bancária com o mesmo nível de instrução recebe aproximadamente R$ 5.889,10 – uma diferença de 53,25%.”

    Você misturou alhos com bugalhos. Salários, no mercado, não são função direta do número de mestrados ou doutorados que uma pessoa tem. O diretor presidente pode ser um simples bacharel, e pode acontecer de um estagiário ter três doutorados. Deveria a empresa pagar muito mais ao estagiário do que ao diretor presidente, por causa da situação acadêmica deles? Então, essa estatística não prova absolutamente nada.

    O mesmo artigo que você cita traz outras “pérolas”: “A pesquisa ainda revela que as mulheres permanecem menos tempos nos bancos, e isso se justificaria pelas dificuldades advindas do cenário em que se inserem nesses empregos: baixos salários e falta de perspectiva de promoções rumo a cargos de maior prestígio. Enquanto 17 mil homens permaneceram empregados nos bancos por três décadas, apenas seis mil mulheres tiveram o mesmo tempo de casa, revelam os dados.”

    Uma conclusão absolutamente estúpida. Conheço mulheres que tinham bons cargos em bancos e abandonaram a carreira para cuidar de filhos. Não conheço nenhum homem que passou por essa situação. Um exemplo emblemático que conheço é de uma moça que tinha cargo de gerência, ganhava muito bem, mas o marido passou a ganhar tanto que ela chegou à conclusão de que valeria dedicar-se aos filhos, pois o salário do marido era mais que o suficiente para terem um nível de vida altíssimo. Se ela tivesse continuado no banco, em que cargo estaria hoje? Se parte das mulheres interrompem sua carreira, seja definitivamente, seja por um tempo, é inevitável que não atinjam os mesmos níveis salariais dos homens. Porque os salários melhores, na maioria dos casos, ficam para aqueles com carreiras longas.

    No mesmo artigo: “Segundo o estudo, as diferenças salariais podem ser explicadas pelo fato de as mulheres ocuparem cargos na base da pirâmide, com as mais baixas remunerações. Apenas 18% das bancárias ocupam cargos de diretoria e, ainda assim, recebem salários inferiores aos dos homens que ocupam a mesma posição. Enquanto um diretor ganha, em média, R$23.688,10, uma diretora tende a ganhar R$ 18.936,18. ”

    A conclusão estúpida seria a de que, no mesmo cargo, na mesma empresa, a mulher ganha menos. Mas não está dito em lugar algum que essa disparidade é dentro da mesma empresa.

    Aprenda a ler estatísticas (ou pare de fingir que não sabe lê-las).

  84. MG

    Estava interessado no assunto, e verifiquei que o mito já foi
    desmistificado nos EUA e no Canada , embora a narrativa dominante
    continue a ser a da vitimização do sexo feminino. Em Portugal não
    sabia como estava a situação , apesar da narrativa ser semelhante.
    Fui verificar na Pordata . E constatei para surpresa minha, que em
    Portugal em termos médios a diferença salarial em trabalho por conta
    de outrem é inexistente. Ou seja é verdade que os homens têm uma
    remuneração em média maior, 999 euros para os homens e 813.7 euros
    para as mulheres. Mas os homens trabalham em média 36.9 horas
    efectivas por semana 147.6 horas por mês e as mulheres 33 horas
    efectivas por semana e 132 horas por mês valores de 2013 . Ou seja
    em média os homens ganham 6.77 euros/hora e as mulheres 6.16
    euros/hora . Se tivermos depois em conta os dados mostrados no video
    que refletem as mesmas tendências não só nos EUA e no Canada como
    também em todo o mundo, sobre as preferências nas escolhas
    profissionais e realização pessoal dos homens e mulheres versus
    remuneração , é fácil concluir que a questão é um mito também em
    Portugal, que continua a prevalecer e que serve apenas para alimentar
    a narrativa da vitimização e discriminação feminina.
    http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5676503
    http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5676513
    http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5676515

  85. MG

    Volto a colocar aqui o comentário tendo em conta que o texto do primeiro saiu mal configurado.

    Estava interessado no assunto, e verifiquei que o mito já foi desmistificado nos EUA e no Canada , embora a narrativa dominante continue a ser a da vitimização do sexo feminino. Em Portugal não sabia como estava a situação , apesar da narrativa ser semelhante. Fui verificar na Pordata . E constatei que em Portugal em termos médios a diferença salarial em trabalho por conta de outrem é inexistente. Ou seja é verdade que os homens têm uma remuneração em média maior, 999 euros para os homens e 813.7 euros para as mulheres. Mas os homens trabalham em média 36.9 horas efectivas por semana 147.6 horas por mês e as mulheres 33 horas efectivas por semana e 132 horas por mês valores de 2013 . Ou seja em média os homens ganham 6.77 euros/hora e as mulheres 6.16 euros/hora . Se tivermos depois em conta os dados mostrados no video que refletem as mesmas tendências não só nos EUA e no Canada como também em todo o mundo, sobre as preferências nas escolhas profissionais e realização pessoal dos homens e mulheres versus remuneração , é fácil concluir que a questão é um mito também em Portugal que continua a prevalecer e que serve apenas para alimentar a narrativa da vitimização e discriminação feminina.
    http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5676503
    http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5676513
    http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5676515

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