Crimeia: finalmente, o referendo

De acordo com o Vice-Primeiro Ministro da Crimeia, o referendo que decidirá o futuro da região está marcado para o próximo dia 16. O meu russo está um todo nada enferrujado mas gostaria de saber se este soldado russo que está de férias na Crimeia também se irá pronunciar. Haja clarificação.

13 pensamentos sobre “Crimeia: finalmente, o referendo

  1. Nuno Cardoso da Silva

    A vontade de um povo é o elemento mais importante para determinar o seu estatuto político. Acho óptimo que os habitantes da Crimeia possam decidir livremente se querem ser ucranianos, russos ou ser soberanos sozinhos. O mesmo direito de autodeterminação devia ser reconhecido aos catalães e aos bascos, aos corsos, aos flamengos e aos valões. Mas é claro que toda a gente sabe que a democracia não é viável porque os povos são maioritariamente estúpidos e ignorantes. Por isso precisam de minorias escalrecidas que os dirijam. Se não estou em erro foi o Lenine que disse isso, logo deve ser verdade.

  2. ruicarmo

    Nada tenho contra referendos. Supreende é a eficácia de em menos de duas semanas se fazer a coisa, durante uma não ocupação militar russa no terreno.
    Que grande coisa referendar algo sobre um facto consumado quando por cá já se referendaram regionalização, aborto e ainda queriam tão bonito instrumento ao serviço da co-adopção. Como digo, haja clarificação e um bocadinho de circo, já agora.

  3. Maria João Marques

    Fascista, queres limitar os direitos de cidadania dos soldados russos de férias. (Mas se for coisa séria, que duvido, também me parece que o referendo na Crimeia seria proveitoso.)

  4. ruicarmo

    ehehehehe.
    Não quero limitar direitos nenhuns, nem mesmo os dos cidadãos anónimos camuflados de auto-defesa, com ou sem acesso a redes sociais.
    Apesar dos naturais protestos da rapaziada de Kiev, espero sinceramente que o resultado possa ajudar a impedir mais uma guerra na Europa. Em termos futuros, no campo teórico, também seria interessante assistir a referendos em território russo, especialmente naquelas regiões onde os “russófonos” sejam uma minoria.

  5. A Crimeia é desculpa. Os campos férteis do Dniepre são muito importantes para a Rússia num mais que esperado cenário de colapso da produção agrícola dos Estados Unidos por causa do mau tempo. Caso a campanha de Primavera do trigo corra como a do presente Inverno, não haverá trigo para exportar para a Rússia. Ou para a Europa.

    Os russos estão a manipular AMBOS os lados. E aposto que as balas de fuzil encontradas no corpo de manifestantes e de polícias são 7.62x54R.

    Em menos de um ou dois meses, creio bem, ou haverá um governo fantoche pró-russo na Ucrânia ou uma guerra civil que acabe no controlo russo da Ucrânia. A UE não manda nada, nem em si própria, e os Estados Unidos estão muito longe.

    Basta ouvir o ex-assessor do Putin, o Ilarionov, agora membro do Instituto Catão (Cato Institute, mas apeteceu-me traduzir). Para mim, o Putin vai cair numa churchelliana armadilha dentro de uma trapa dentro de uma cilada que os ex-comunistas lhe puseram aos pés. Um presente envenenado que, dadas as coisas, pode significar a remoção de Putin por um golpe militar com o apoio da população, coisa neste momento impensável. Basta que a URSS (oops, a Rússia, que g’anda gafe!) veja chegar filas e filas de caixões, como na época da I Guerra Mundial ou da do Afeganistão, e o ardor que o Putin tem no país desvanecer-se-á como o orvalho na aurora.

    A situação pode ser revertida… pelo Putin. A Europa não tem nada a dizer. Só pode observar. Quem mexe os cordéis são os russos. Quem controla um e outro lado das barricadas são os russos. Quem controla o Putin que controla os russos que controlam os ucranianos é que é a fonte de todo o mal.

    (Quem está de acordo com a decisão do Putin na região? Quem é que está em posição de lhe enviar dados falsos e enviesados? Não aconteceu já noutro cenário, ainda recente, num outro país e sobre uma outra guerra?)

  6. Nuno Cardoso da Silva

    Rui, quanto tempo seria necessário para que os habitantes da Crimeia saibam se querem ficar na Ucrânia ou regressar à Rússia?… Cinco minutos?…

  7. Pois eu acho que devemos dar uma hipótese de referendo à cidade de Lisboa, para se tornar totalmente independente de Portugal. Mais, acho que TODOS os portugueses, independente de viverem em Lisboa ou não, devem votar. Aliás, acho que os portugueses podem dispensar os votos de Lisboa e votar por eles.

    Lisboa independente JÁ. Para bem dos restantes portugueses! 😉

  8. «Rui, quanto tempo seria necessário para que os habitantes da Crimeia saibam se querem ficar na Ucrânia ou regressar à Rússia?… Cinco minutos?…»

    Não se mede por aí. Mede-se por três destroyers, um porta-aviões, duas companhias de spetznaz e umas boas litradas de sumo de batata.

  9. ruicarmo

    Depende de quem der a resposta à sua pergunta: se o parlamento da Crimeia, se o próprio Nuno.

  10. JP

    Há dias estava um analista na TV a debater com um outro analista e ex-deputado comunista. O comunista afirmava que o actual poder na Ucrânia era ilegítimo. O outro rebatia que tinha tudo resultado de aprovações no parlamento. Resposta: foi na rua e é ilegítimo! Foi uma pena o apresentador do programa (que ficou calado, possivelmente fruto do hábito das presguntas pré-programadas) não ter perguntado logo se o 25 de Abril de 1974 foi feito na rua ou no parlamento, e se o regime do qual emanou a nova constituição especial também foi ilegítimo. Assim de repente parece-me que não tarda e a rua passará novamente por uma fase de legitimação dentro das cabecinhas pensadoras, conforme o lado para onde pender. Para muitos isto é política. Para outros é falta de ética e de outras coisas mais.

  11. Ahhh, o referendo… Essa solucao igualmente coerciva e de caracter obrigatorio para quem quer que se oponha a opiniao da maioria dos referendados. Se a decisao (obrigatoria e coerciva) de ser parte da Russia ou da Ucrania vier de um politico, esta tudo mal; se vier duma maioria, esta tudo bem.
    Para clarificar mais as coisas no referendo, acho melhor a pergunta ser:
    “Are you in favour of being against of being in favour of opposing Crimea becoming a constituent territory of the Russian Federation or not?”
    Vai tornar a vida dos referendados muito mais facil!

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