Bebés para o país

O Henrique Raposo desta vez não tem razão com esta cultura do filho único.

Também eu acho que a baixa natalidade é um problema do país (está um post a meio e tudo), mas pior maneira de se lidar com esta questão da falta de natalidade é fazer juízos de valor sobre decisões que os indivíduos tomam para a sua vida. Comecemos por definir um ponto: ter filhos é um projeto de vida que as pessoas devem escolher – ou não – inteiramente por fatores privados e que não têm de dar conta a ninguém; ter filhos é uma decisão pessoal, não é nenhuma obrigação para com o país, a religião, whatever. É legítimo um casal não querer ter filhos, tal como é legítimo um casal entender que quer proporcionar a melhor educação e experiências de vida ao filho único, e que essa educação e experiência não permitem o segundo filho. E parar no filho único porquê? Há pais que têm mais de um filho – é o meu caso – e que até poderiam ter mais filhos se tomassem decisões mais baratas, digamos assim, para as crianças. Na minha decisão sobre o meu número de filhos entra a possibilidade de lhes proporcionar a educação que eu entendo ser a melhor, incluindo atividades extra-curriculares (poucochinhas, que para mim as crianças têm de ter tempo para ‘não fazer nada’), férias simpáticas (ou o que reputo de férias simpáticas), o tamanho da casa e por aí fora. Tenho amigos que têm mais filhos e tomam decisões diferentes. Ótimo, cada um deve escolher segundo o seu plano de vida. E sei lá eu da vida das pessoas que não conheço ou de quem não sou amiga. Espero não vir a ter a direita, que defende, entre outras, a liberdade dos pais escolherem a escola dos filhos, com um discurso ‘os pais não sabem quantos filhos devem ter’.

E por agora só andei pelas questões financeiras, mas há outras igualmente relevantes. O tempo disponível após profissão é uma das óbvias. Eu, por exemplo, gosto de ter tempo para os meus filhos, para cada um dos meus filhos, e tenho a enorme sorte de ter horários definidos por mim e a possibilidade de trabalhar em casa ou de levar os meus filhos para o escritório. Além disso, enlouqueço se não tiver tempos para mim. Se calhar estou a ser pouco generosa com o meu tempo, e em vez de fazer mestrados, ler, escrever em blogues devia era pensar em ocupar o meu tempo com mais um filho. E há ainda questões mais finas, como a disponibilidade de uma mulher para várias gravidezes e períodos de amamentação, bem como os efeitos associados de engordar, estar meses a fio com cuidados com a alimentação, o cansaço das noites mal dormidas,… Digo isto com muito à vontade; adorei estar grávida e amamentar (o que fiz, de resto, de forma a deixar orgulhosa a Organização Mundial de Saúde) e tenho o peso que tinha antes da primeira gravidez; mas o facto de ter adorado não quer dizer que tenha de passar o resto da minha idade fértil a produzir filhos para a nação (o mesmo para as outras mulheres, independentemente do filho único ou nenhum).

Regresso às condições financeiras das famílias, num país onde o ordenado médio não chega a mil euros. Neste contexto, parece-me um exercício de diletantismo olhar para qualquer causa da baixa natalidade que não a fragilidade económica das famílias. Nestes casos, ter apenas um filho (dois só com muitas cautelas) costuma ser a decisão que tomam as pessoas mais estruturadas, as que sabem manter empregos, aquelas que conseguem que os filhos estudem com aproveitamento e, assim, melhorem a sua vida face à dos pais. E esta estrutura e capacidade de organizar a vida de modo que as gerações vão vivendo sucessivamente melhor é bem mais salutar do que embelezar as estatísticas da natalidade.

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25 thoughts on “Bebés para o país

  1. Hajapachorra

    Era difícil escrever um texto mais apimbalhado. Não, não é legítimo um casal não querer ter filhos. No caso de se tratar de um casal católico é motivo bastante para declaração de nulidade do casamento.

  2. Maria João Marques

    Hajapachorra, deixe-me dar-lhe uma notícia que certamente o vai chocar imenso: nem todos os casais do país são católicos. Outra: desconfio que a sua opinião sobre o que é ou não legítimo deixa os outros casais bastante indiferentes.

  3. Joaquim Amado Lopes

    Mais inacreditável que o comentário do Hajapachorra é ter havido 3 pessoas a concordarem com ele.

  4. Pingback: Um Portugal sem bebés e com um Estado matulão | O Insurgente

  5. HO

    “Espero não vir a ter a direita, que defende, entre outras, a liberdade dos pais escolherem a escola dos filhos, com um discurso ‘os pais não sabem quantos filhos devem ter”

    Isto é um evidente disparate. A defesa de arranjos políticos que respeitem a liberdade individual não implica o acriticismo moral. Pelo contrário: há boas razões para acreditar que a primeira só é bem sucedida num ambiente em que as diferentes concepções de vida boa e opções morais estejam sujeitas à crítica e os comportamentos sejam passíveis de ser influenciados pelo exercício da persuasão e da pressão social.

    A analogia é falaciosa: a direita deve defender a liberdade dos pais em escolherem a escola dos filhos sem restrições impostas pelo estado, tal como deve defender a liberdade dos pais em escolherem o número de filhos sem restrições impostas pelo estado. Mas a direita, ou, lá por isso, a esquerda, não se deve abster de fazer juízos sobre as escolas ou o número de filhos que os pais escolhem (ou a tipologia de família). E de tentar dissuadir más escolhas, aquelas contra bonos mores, e incentivar as boas – com recurso ao argumento privado e não ao decreto público, diferença fundamental que parece ter escapado à autora.

    Isto pode desagradar à Maria João Marques mas há fortes razões para acreditar que os pais não sabem quantos filhos devem ter – e é absolutamente legítimo interrogar-nos se assim é. As pessoas tendem a sobre-estimar os custos de ter filhos -especialmente de ter mais que um filho- e a subestimar os benefícios. Não sei se o Henrique Raposo leu o livro do Bryan Caplan (“Selfish Reasons to Have More Kids: Why Being a Great Parent is Less Work and More Fun Than You Think”), mas desconfio que sim: ele desenvolve o mesmo argumento. Há um fenómeno de “over-parenting” nas sociedades modernas que motoriza uma cultura de filho único porque distorce a percepção de custos e benefícios. Quando ele fala nas aulas de ballet e violino, nas explicações disto e daquilo, ou no prenúncio de desastre civilizacional que são as roupas de marca para petizes, está carregadinho de razão: há umas décadas de literatura que demonstram que isso não serve para nada. O retorno dos investimentos da paternidade moderna, pressurosa e activa, oscila entre o negligenciável (no status e na qualidade de vida futura da criação) e o negativo (as escolas de dança formam fornadas de crias ressentidas). Ter um segundo filho pode substituir tudo isso, a um preço bem mais baixo, e com vantagens para o primeiro.

    Para lá disto, o último parágrafo é pouco convincente também por outra razão. As pessoas tendem a ter menos filhos quanto mais ricas são – de sociedade para sociedade ou em análises longitudinais na mesma sociedade. Os declínio de natalidade estão associados ao enriquecimento, não à estagnação económica. E se os factores económicos contribuem alguma coisa, é excessivamente caridoso atribuir-lhes uma motivação altruísta. Dito isto, é evidente que o impacto das mudanças culturais é o factor singular mais forte (o vídeo colocado no post da Daniela Sousa apresenta pistas mas há muito escrito sobre o assunto); a revolução egofânica de que falava o Voegelin continua a ceifar vidas – neste caso, não nascidas – a despropósito. O aumento da irreligiosidade e a sua aceitação social -aliás, dizer que ” ter filhos é uma decisão pessoal, não é nenhuma obrigação para com (…) a religião, whatever” é, suponho que inconscientemente, um puro apelo à irreligiosidade (ou à “religiosidade de cafetaria”) e egofania, pois se há religiões que se abstenham de preceitos em matéria de fecundidade suponho que sejam quase inexistentes em Portugal- é o principal motor desta tendência. As pessoas que vão à igreja, casam e casam cedo continuam a ter filhos; o que explica a quebra é que há cada vez menos pessoas dessas.

  6. José Silva

    Ó Maria João, quanto mais a leio mais boquiaberto fico com o facto de você se assumir como católica! Você é católica onde? É que em todos os seus textos eu não consigo descortinar qualquer resquício da doutrina da Igreja e da Fé que nós os católicos defendemos! Em que paróquia frequentou você a catequese?

  7. Miguel

    Maria João,
    a Carta Encíclica Humanae Vitae destina-se aos fiéis de todo o mundo católico http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae_po.html onde indica
    “Se, portanto, existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivem ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimônio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade, sem ofender os princípios morais que acabamos de recordar”

    – motivos sérios para distanciar os nascimentos – regular a natalidade –
    Julgo que a Maria João é católica, reconhece que a Encíclica não é mera opinião?

    Acrescento que não concordo com o post da Daniela Silva, A “Baixa” natalidade não será problema pois não existe a “óptima” natalidade de um país. Cada homem+mulher deve decidir quantos filhos desejam ter e exercer essa liberdade.

  8. lucklucky

    “Isto é um evidente disparate. A defesa de arranjos políticos que respeitem a liberdade individual não implica o acriticismo moral.”

    Precisamente.

    “Regresso às condições financeiras das famílias, num país onde o ordenado médio não chega a mil euros. Neste contexto, parece-me um exercício de diletantismo olhar para qualquer causa da baixa natalidade que não a fragilidade económica das famílias.”

    Mais outro disparate.
    Quais eram os ordenados no passado?

  9. EMS

    “Quais eram os ordenados no passado?”

    E quanto custava criar um filho no passado?
    Ora vejamos: Nasce mais um puto, mete-se mais agua na sopa. Sapatos não são bens de primeira necessidade. Pelos 8 anos o miúdo está a guardar cabras e a ajudar na economia da família. Pelos 12 já está numa oficina a aprender um oficio.

    Embora o Henrique Raposo tenha sido exagerado e algo cabotino, tenho que lhe dar alguma razão. Um filho no nosso mundo é um encargo. Nos velhos tempos ou em países de 3º mundo os filhos podem ser um recurso ou um investimento.

  10. lucklucky

    E? Mesmo assim no campo e bem distante dos centros urbanos.

    —-
    Segundo a bitola hoje do que são “condições” para uma criança , nenhum dos nossos antepassados deveria ter nascido. E quanto mais tempo passa cada vez mais nós não deveríamos também ter visto a luz do dia.

  11. EMS

    Lucky, 30km de lisboa não me parece assim tão distante.
    Muitos dos nossos antepassados nasceram porque o unico contraceptivo que a maioria das pessoas conhecia era a abstinencia sexual.

  12. HO

    “Lucky, quando eu era miúdo nos anos 70 este tipo de situações ainda era era frequente.”

    Consegue quantificar o frequente? Que percentagem de alunos portugueses nos anos 80 abandonava a escola aos 8 anos?

    “Muitos dos nossos antepassados nasceram porque o unico contraceptivo que a maioria das pessoas conhecia era a abstinencia sexual.”

    E o coitus interruptus. Os declínios na taxa de fecundidade na era industrial estão quase sempre ligados a mudanças culturais, propagadas das elites para as bases. Aconteceram independentemente da introdução de novos métodos contraceptivos. Via reproductive stigma.

    “.Um filho no nosso mundo é um encargo. Nos velhos tempos ou em países de 3º mundo os filhos podem ser um recurso ou um investimento.”

    No nosso mundo, o que é um bilhete de cinema? Umas férias nos trópicos? Um jacuzzi lá para casa? Escrever em blogues ou frequentar mestrados? Ler livros? São encargos, investimentos, recursos?

  13. Pingback: Bebés para o país 2 | O Insurgente

  14. Maria João Marques

    Miguel, sou católica e digo-lhe o que vale para mim a posição da Igreja quanto a nascimentos e contracetivos: nada. E além de não valer nada, é mesmo uma imbecilidade. E não venha com disparates sobre valor das encíclicas, que a minha religião é o cristianismo, não o papismo.

  15. EMS

    HO, o coitus interruptus?
    Como me poderia eu ter esquecido do coitus interruptus. Uma pratica tão popular e divulgada que ainda tem nome em latim.

    E porque insiste no argumento rapozeano que vivemos todos cercados de luxos?
    Qual é a percentagem de portugueses que viajam aos trópicos ou têm jacuzzi?

    Quanto custa dar o 12ª ano a 5 miúdos e mantê-los em casa vestidos e alimentados até aos 18 sem trazerem rendimentos para a família?

  16. EMS

    Maria João, nem sei porque é que o Miguel passou a tal encíclica. Ela até acaba por permitir o sexo não reprodutivo.

  17. Rogerio Alves

    Whatever! Se querem o meu conselho (e se não forem desprovidos de espíritos, não vão querer e vão decidir pela própria cabeça) como pai de um filho, aqui está: não tenham filhos NENHUNS! Se forem daqueles que não dependem do Estado e fizerem as contas todas (sejam poupados ou não) ficarão abismados com o que cada filho custa. E a conversa da recompensa que um filho traz, para mim não faz muito sentido, porque para mim é difícil sentir falta daquilo que nunca se teve. Já eu sinto falta de tudo o que perdi por ter um filho. Mas, repito, ninguém há-de querer o meu conselho.

  18. Surprese

    EMS: tem toda a razão, acabou de dizer que o Rei vai nú.
    As pessoas tinham muitos filhos porque eram mão de obra barata, e eram também uma seguro de doença e velhice.
    Bastava que um deles singrasse económicamente, para poder ajudar os país na velhice, e haveria sempre um (ou uma) que ficaria a tomar conta dos pais na invalidez.

  19. HO

    “HO, o coitus interruptus?
    Como me poderia eu ter esquecido do coitus interruptus. Uma pratica tão popular e divulgada que ainda tem nome em latim.”

    Não sei se está a ser sarcástico, mas esse método -que tem um nome em latim e uma infinidade deles em linguagem vulgar- era o mais popular quando se iniciou a quebra das taxas de fertilidade na era industrial (um fenómeno que se iniciou na Europa do norte ainda no século XIX), ainda antes da popularização do preservativo no final e viragem de século. Não, ao contrário do que parece julgar, a abstinência. Há estudos de caso, focados na Sicília e na Irlanda, que demonstram que a evolução dos padrões de fertilidade é independente da questão dos contraceptivos.

    “E porque insiste no argumento rapozeano que vivemos todos cercados de luxos?
    Qual é a percentagem de portugueses que viajam aos trópicos ou têm jacuzzi?”

    Houve aqui um mal entendido. Eu não fiz esse argumento. Também não estava a pensar em bens de luxo. Substitua o jacuzzi por uma televisão ou tempo no facebook. Ou um bem de consumo, seja normal ou inferior. O que são essas coisas? Encargos, recursos ou investimentos?

    “Quanto custa dar o 12ª ano a 5 miúdos e mantê-los em casa vestidos e alimentados até aos 18 sem trazerem rendimentos para a família?”

    Não faço ideia, mas isso é irrelevante. O ponto é que, seja lá qual for o custo, a esmagadora maioria das pessoas inflaciona-o e sobrestima-o.

  20. EMS

    HO, estava a ser sarcástico mas honesto. Duvido que o coitus interruptus tenha alguma vez sido popular. Pior ainda, imagino que fosse pouco efectivo. É que concentra o controlo da natalidade na vontade do homem. Exactamente na ocasião em que o homem não tem vontade nenhuma de controlar seja o que for.

    Quebra de taxas de fertilidade na revolução industrial?! Onde foi buscar isso, já viu que o aumento populacional começa exatamente com a revolução industrial? Em 1820 éramos 1000 milhões, neste momento já ultrapassamos os 7000 milhões. Como explica isso, medicina para as massas em 1820, antibióticos em 1900? Não me parece.

    Ok, parece que no seu entender a quebra de natalidade se deve ao aumento de tempo gasto em actividade lúdicas. Err… deixa ver… a internet e a tv com mais de 4 canais popularizaram-se a partir do inicio deste século. Isso não explica muita coisa sobre a baixa de natalidade portuguesa no ultimo quarto do século XX.

    Não faz ideia de quanto custa criar um filho até aos 18 mas acha irrelevante. Não sei o que dizer.

  21. EMS

    Rogerio Alves, bolas homem, nem tudo é dinheiro, imagino que exista alguma recompensa emocional em ter-se descendência.
    Espero que o seu miúdo ainda não tenha idade para o ler. Pobre criança.

  22. HO

    “HO, estava a ser sarcástico mas honesto. Duvido que o coitus interruptus tenha alguma vez sido popular. Pior ainda, imagino que fosse pouco efectivo. É que concentra o controlo da natalidade na vontade do homem. Exactamente na ocasião em que o homem não tem vontade nenhuma de controlar seja o que for”

    Aceito as dúvidas e inquietações; mas não chegam para pôr em crise o que li na History of Contraception do Angus McLaren (quando estiver perto do livro cito os dados) e que é confirmado por tudo o que li sobre o assunto. Qual é a sua fonte?

    E, desculpe a insistência, mas o que os dados empíricos de estudos de caso demonstram é que o EMS tem a causalidade invertida. A “ocidentalização da família”, expressa na quebra da taxa de natalidade, é uma tendência secular que motoriza o recurso a métodos anti-contraceptivos mais populares, não o contrário. Ela surgiu em sociedades antes da popularização do preservativo ou da pílula, ou mesmo quando estes eram ilegais (como na Europa do Norte e na Irlanda) e não se verificou em outras quando o uso de contraceptivos modernos já estava vulgarizado (como na América do Norte). É contra-intuitivo, mas este factor não tem a importância que lhe quer atribuir.

    “Quebra de taxas de fertilidade na revolução industrial?! Onde foi buscar isso…”

    A lado nenhum. Se ler o meu comentário com um pouco de atenção verá que nunca fiz qualquer referência à “revolução industrial”.. Falei na “era industrial”, um conceito diferente: http://en.wikipedia.org/wiki/Industrial_Age

    A quebra de natalidade na era industrial deve ser estudada isoladamente das que aconteceram antes porque é propulsionada por razões de natureza completamente diferente.

    “Ok, parece que no seu entender a quebra de natalidade se deve ao aumento de tempo gasto em actividade lúdicas. ”

    Está, uma vez mais, enganado. Se me permite um conselho, é desnecessário especular sobre o que eu entendo ou não sobre esta matéria: basta ler o post que escrevi um pouco mais acima.

    Ainda assim, é relativamente consensual que os filhos são bens complementares, que existe um efeito de substituição na paternidade. Há debate sobre o efeito rendimento, se existe e em que dimensão, mas não sobre o primeiro. Eu gosto de prestar atenção a posições heterodoxas, mas convém que estas sejam sustentadas em algo mais sólido que achismos e anecdotal evidence.

    “Não faz ideia de quanto custa criar um filho até aos 18 mas acha irrelevante. Não sei o que dizer.”

    A não ser que, por alguma razão que me escape, o preço relativo da paternidade em Portugal seja especialmente mais elevado do que em outros países, é totalmente irrelevante. Se for esse o caso, apresente dados que o levam a sugerir isso; até lá, não vejo qualquer razão para assumir que Portugal é um caso excêntrico e diferente de todos os outros países diferente dos outros em que o fenómeno aconteceu.

    Dito isto, e tendo todo o prazer em continuar a esclarecer as suas dúvidas, eu respondi a um comentário seu com um par de perguntas para clarificar afirmações que fez e continuo curioso sobre as eventuais respostas que o EMS tenha.

  23. Renato

    A grande causa do aumento da população explosivo durante o século XIX foi simplesmente um aumento explosivo da produção.Esse aumento começou antes, mas foi extremamente intenso no século XIX, em grande parte devido à maior liberdade econômica, em relação ao que havia antes. Este liberdade econômica, além de permitir diretamente maior aumento da produção, maximizou imensamente a revolução técnica, pois todos os produtores tinham ótimos motivos para buscar a máxima produtividade.

    Quanto à questão de filhos, concordo com os proponentes da ideia de mais de um. Pelo que pude observar, há sinergia na criação de mais de um filho, as crianças se distraem umas às outras, além de que, pelo que percebo, os filhos únicos tendem a serem excessivamente egoístas. Pessoalmente tenho um só, ainda pequeno, mas se essa decisão dependesse só de mim, preferiria ter de dois a quatro.

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