Prosperidade a crédito (3)

Na mesmas “jornadas parlamentares” em que Silva Lopes alertava para a impossibilidade de se baixar os impostos sem cortar na despesa e para a insustentabilidade do sistema público de pensões, Ricardo Paes Mamede enunciava os “Factores determinantes da trajectória de empobrecimento do país”.


As ideias de Ricardo Paes Mamede resume-se neste slide:

RPM-empobrecimento

Resumido:
– Redução de despesa pública; Desde logo confunde despesa com riqueza. A primeira terá de preceder a segunda caso contrário terá de ser financiada por um filantropo ou, na falta deste, recorrer ao endividamento o que no caso português é visível na evolução do stock de dívida. Tudo ilusório. Como escrevia Helena GarridoNão estamos a empobrecer simplesmente porque não tínhamos enriquecido“. Para além do mais, muito dos recursos foram gastos em projectos sem viabilidade económica e que geram prejuízos operacionais que terão que ser cobertos por alguém.
– Privatização de serviços públicos – muitos deles altamente deficitários com sucessivos défices de explorações a serem cobertos pelo OE. Não se compreende o efeito negativo na riqueza.
– Aumento da regressividade fiscal – Aceitando para efeitos de discussão que se trata de um fenómeno real, pelos vistos a “progressividade” aumentava a riqueza. Carece de fundamentação.

Parece-me claro que as visões de Silva Lopes e Paes Mamede são incompatíveis mas não sei se os participantes nas “jornadas” deram por isso. Refira-se que, tomando à partida opções políticas que discordo, ao menos a primeira tem fundamentos económicos sólidos.

6 pensamentos sobre “Prosperidade a crédito (3)

  1. ricardo saramago

    O ISCTE continua a fazer juz à sua reputação.
    Há quem chame a estas coisas Freakonomics…
    Será que eles acreditam no que dizem ou, os que têm mais cabeça, só lá vão para aparecer e ser vistos com os camaradas?

  2. Brytto

    Esta coisa de se querer estar mais rico após uma bancarrota era muito engraçado se não fosse ridículo. O pior é que ainda se perde tempo com este assunto… Quer dizer, a partir de agora as nações vão trabalhar arduamente ( como se fosse difícil…) para se chegar à bancarrota, pois saberão que a seguir virá ainda mais riqueza para os seus cidadãos!… Estou farto destes animais, desculpem a franqueza 🙂

    Viveu-se numa mentira mas continuam a persistir na mentira, até quando? Se calhar julgam-nos idiotas, o pior é que talvez tenham razão, a resposta virá nas eleições de 2015… receio saber bem qual vai ser a resposta!

  3. HO

    Uma maneira muito peculiar de medir a progressividade fiscal. Que quer aquilo dizer?

    O último capítulo da apresentação intitula-se “Opções políticas e económicas de nível nacional”. Lê-se os pontos 1., 2. e 6. (os restantes dependem da execução prévia destes) e percebe-se que o “de nível nacional” é uma demonstração da fina ironia do autor.

    Uns 60% dos portugueses tenciona votar em partidos que apresentam propostas políticas dirigidas, não eles, os eleitores portugueses, mas aos contribuintes alemães.

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