O Efeito Multiplicador Da Austeridade Alemã

As contas públicas da Alemanha registaram em 2013 um excedente de 300 milhões de euros, indicam os dados definitivos publicados hoje pelo instituto federal de estatística alemão Destatis” (fonte).

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7 pensamentos sobre “O Efeito Multiplicador Da Austeridade Alemã

  1. Joaquim Amado Lopes

    Segui o link que o k indicou, li o texto de Krugman e alguns dos comentários. Os dois primeiros comentários que li arrasam o post de Krugman e ajudam a perceber o ponto de vista de Krugman vs o “alemão”.

    Krugman defende que se gaste à larga agora como se se fosse rico à custa de comprometer o futuro a médio-longo prazo, na onda do “quem vier a seguir que limpe a m**** que lhe deixei”.
    Os alemães defendem que para se gastar é preciso primeiro poupar e que é sendo responsável (austero) agora que se garante o futuro.
    Enfim, pontos de vista.

  2. Miguel Noronha

    Se bem se recordam o Krugman não está contra a austerdade em Portugal. Aliás quando veio cá receber os “honoris causa” deixou todos os socialistas a ranger os dentes. O que ele diz é que não podemos ter austeridade em Portugal e na Alemanha ao mesmo tempo. Para este último defendia políticas expansionistas ao mesmo tempo que se aplicava a austeridade em Portugal.

  3. Joaquim Amado Lopes

    k,
    Se não tem paciência para ler mais do que os títulos dos artigos talvez fizesse melhor em não os “recomendar”. É que este último artigo refere-se à falta de consenso sobre quando a “austeridade” (no sentido de moderação salarial) começou, se com a Agenda 2010 ou com a reunificação da Alemanha.
    Ou seja, não questiona se a boa situação da Alemanha resulta da austeridade, antes o confirma.

    De qualquer forma e usando uma analogia com a alimentação, austeridade não é reduzir de forma drástica o consumo de açucar quando são diagnosticados diabetes; austeridade é ter uma alimentação equilibrada ao longo do tempo, com ajustamentos consoante a evolução das necessidades alimentares.
    A “austeridade” faz parte da cultura alemã, enquanto que em Portugal é como o comprimido que somos obrigados a tomar e cuspimos assim que o médico vira as costas.

  4. k.

    “Joaquim Amado Lopes em Fevereiro 26, 2014 às 13:47 disse: ”

    Não há contradição.
    Bem, você disse que os dois primeiros comentários desmontavam o artigo do Krugman.
    O artigo que eu citei desmonta os comentários – aliás, até refere algo muito interessante: Na Alemanha não existe salário minimo nacional, mas existe salário minimo “sectorial”, negociado por sindicatos. É o desmantelamento desta figura que aumentou a competitivadade da economia.

    Ora.. sucede que Portugal nunca teve essa figura. Deve ser por isso que somos tão competitivos.

  5. HO

    Aboliram as portarias de extensão, a concertação social e as convenções colectivas em Portugal?

    O que o artigo diz – ou melhor, como uma das partes citadas no artigo defende – e como sugere o Joaquim Amado Lopes parece ter escapado ao K., é que o mercado laboral alemão já era suficientemente flexível pré-Hartz reforms e que estas não foram centrais para a moderação salarial. Se ler o paper, o autor não afirma que estas não tiveram impacto; pelo contrário, afirma explicitamente que tiveram um contributo – apenas que a contenção salarial se deveu aos mecanismos institucionais, nomeadamente a negociação salarial por empresa e a fraqueza institucional dos sindicatos, que já existiam ex-ante. As reformas Hartz incidiram em aspectos como a reforma da segurança social ou transferências sociais como o subsídio de desemprego que, segundo o autor, tiveram um impacto marginal na moderação salarial. Ou seja, a ausência de constrangimentos políticos, legislativos, no mercado laboral alemão foi o que permitiu o rápido ajustamento salarial alemão e o aumento da produtividade.

    Eu não consigo perceber o “Portugal nunca teve esta figura”. Que figura? O drama de Portugal é que o mercado laboral é muito mais rígido que o alemão pre-Hartz: a recomendação do autor no paper é que países como Portugal abandonem instrumentos de negociação colectiva e adoptem a negociação individual: “In our view, the policy recommendation from Germany for the rest of continental Europe would be (…) reforms that would target the system of industrial relations by decentralizing bargaining to the firm level”. Portugal não tem esta figura, não tem recurso à manipulação da taxa de câmbio e nem um instrumento fiscal para atingir o mesmo fim como a mudança da TSU foi capaz de implementar.

    De resto, o artigo que o K. tem muito pouco a ver com austeridade fiscal e é difícil de compreender como poderia contradizer os comentários. O CAPB (cyclically-adjusted primary balance, saldo orçamental primário ajustado para o ciclo) em % do PIB anual de Portugal entre 2003 e 2008 foi de -4.7, -3.6, -6.0, -4.3, -3.5, -3.6. Alemanha, para o mesmo período, -3.3. -2.9, -2.3, -1.8, -1.9, -1.1. O governo alemão fez austeridade, ajustando CAPB em 2/3 de um ponto de partida mais baixo, Portugal foi mantendo deficits insustentáveis.

    Paper e dados:
    http://www.cream-migration.org/publ_uploads/CDP_06_14.pdf
    http://ec.europa.eu/economy_finance/db_indicators/gen_gov_data/documents/2012/ccab_spring_en.pdf

    Já agora, o Krugman deveria ter adicionado a esse gráfico pontos para os US, UK e Japan. Depois poderia mudar o título para “The Myth of the Eurozone Austherity”. Cinco dos países europeus no gráfico fizeram MENOS austeridade fiscal que os US, UK e Japão no mesmo período: Alemanha, Austria, Bélgica, Finlandia e França. O CAB dos US desceu 3.8% do PIB potencial entre 09 e 13, UK = 6.3%, Austria = 1.3 %, Belgica = 1.1%, Finlandia = -1.0% (política fiscal expansionária), França = 3.6% e Alemanha = 0.9% (todos os dados do IMF World Outlook de Outubro, via Mark Sandowsk).

    Ou seja, se o Krugman tivesse razão e a política fiscal fosse tão poderosa e com multiplicadores altos, esses países da Eurozone – e a Eurozone no seu todo, ja que esta fez menos austeridade fiscal que US e UK (aqueles 5 países são 60% do PIB da área Euro- deveriam estar a crescer bem mais que os Estados Unidos e o Reino Unido, que fizeram mais austeridade fiscal. E o Japão, com uma política fiscal super expansionária, mais que todos. No entanto, a realidade é esta:
    http://research.stlouisfed.org/fred2/graph/?graph_id=162305&category_id=0

    It’s the monetary offset, stupid.

    Dados:
    https://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2013/02/pdf/text.pdf

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