De um país que perseguiu afincadamente a igualdade (carinhosamente dedicado a António José Seguro)

Pedaços da biografia de Mao por Jonathan Spence. É um livro pequenino, da série Penguin Lives, com tamanho de livro de bolso apesar da capa dura, 178 páginas fora notas bibliográficas. Até Seguro deve conseguir lê-lo sem dificuldade.

Sobre o grande salto em frente, que além do objetivo de fazer a China ultrapassar a Grã-Bretanha na produção de aço em 15 anos, das grandes obras de irrigação (que usaram os camponeses como, sem qualquer hipérbole, escravos), dos métodos agrícolas ideológicos e da mortandade que resultou de tudo isto, de que já escrevi aqui, foi também uma grande campanha igualitária: ‘The Great Leap, in Mao´s mind, would combine the imperatives of large-scale cooperative agriculture with a close-to-utopian vision of the ending of distinctions between occupations, sexes, ages and levels of education. […] Mao professed to see in it the promise of a China without hunger in wich the chinese themselves would no longer pay for food and the surplus would be given away free to the poorer people elsewhere in the world. […] Hard work and discipline would bring better health to everyone, just as Mao had experienced it in the cave dwellings during the civil war, and physicians would have nothing left to do except research. […] Nobody would need to put on airs – clothes would be indistinguishable in cut and texture, and would be as free as food. Differentiated wage systems would vanish, as would any need for private housing. Morality would improve so much in the new society that no supervision would be required.’ (pp 132-133)

Hein? As campanhas pela igualdade são tão boas que tornam a comida e a roupa gratuita e até acabam com as doenças. E sobre essa outra campanha de Mao pela igualização radical da sociedade chinesa, a grande revolução cultural proletária: ‘Every street was to have a quotation from Chairman Mao prominently displayed, and loudpeakers at every intersection and in all parks were to broadcast his thought. Every household as well as all trains and buses, bicycles and pedicabs, had to have a picture of Mao on its walls. Ticket takers on trains and buses should all declaim Mao´s thought. Every bookstore hat to stock Mao´s quotations, and every hand in China had to hold one. No one could wear blue jeans, tight pants, “weird women´s outfits”, or have “slick hairdos or wear rocket shoes”. No perfumes or beauty creams could be used.’ (pp163-164)

(Mao Zedong, Jonathan Spence, Viking)

5 pensamentos sobre “De um país que perseguiu afincadamente a igualdade (carinhosamente dedicado a António José Seguro)

  1. Rinka

    Muito gostam de falar do Mao. Se queremos falar verdadeiramente da RPC, embora obviamente Mao seja A figura incontornável há que dar verdadeiro peso a Deng Xiaoping. Ele sim moldou aquilo que a RPC é hoje em relação a tudo. Economia, sociedade, relações externas e internas (Taiwan, Xinjiang, Mongólia Interior, Macau, Hong Kong etc).
    Como tal toda a atenção a Mao acaba por encobrir uma boa parte da História da RPC

  2. Rinka

    Curiosamente não fala das experiências em Yan’an quando se refere ao período de Mao.
    Seja como for, Mao não é exemplo para ninguém, nem para ilustrar o que é suposto ser o Comunismo

  3. Expatriado

    Mao disse: “Many hands make light work” durante a o Grande Salto em Frente. Resultado?

    Muito rapidamente a populaçao chegou ao biliao.

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