Quem paga o estado social?

O Miguel Botelho Moniz fez em tempos algo semelhante mas achei por bem actualizar o gráfico com os dados do OE 2014 simplificado.

IRSOE2014

A azul temos a % cumulativa dos agregados familiares e a vermelho a % cumulativa da colecta de IRS. No eixo horizontal temos o limiar mínimo dos escalões de IRS. Pelos dados da “colecta média” já era gritante a brutal progressividade do imposto mas graficamente nota-se bem melhor. Como notava o nosso leitor Olympus Mons Ou seja, 65% dos portugueses não paga IRS.90% todos juntos representam 30% das receitas.10% dos contribuintes português pagam os restantes 70%.Sendo que 5% dos contribuintes pagam quase 60%.

De recordar as “oportunidades” criadas (extensamente tratados pela Teoria da Escolha Pública) para a troca de votos por uma quinhão do saque fiscal. Não será pois de admirar que a totalidade dos partidos do espectro político nacional se declaram adeptos de formas variadas do socialismo (alguns em versão hardcore outros mais light).

26 pensamentos sobre “Quem paga o estado social?

  1. portuguese hustler

    As florzinhas de estufa aqui de Portugal queixam-se de um aumento em média de 2,9% de IRS (segundo dados do FMI), então que dizer dos suecos, coitados, nem sei como se levantam da cama todos os dias com a carga fiscal que têm ( Sweden is a welfare state where citizens get free education and subsidized healthcare. Everyone is also guaranteed a basic pension. Even public transportation is subsidized. All these are the results of an aggressive tax scheme by the Swedish government in which those with extremely high incomes are levied a tax rate of 56.6 percent. As this rate will only kick for those with income of $85,841, most Swedes do not worry about it as it is way above the average income of $48,800. Sweden also has a 30 percent tax on investment income, as well as significant rates for property holdings and social security. http://www.therichest.com/business/the-top-ten-countries-with-the-highest-tax-rates/)

    O autor também não sabe que o aumento dos impostos (os directos, não os indirectos) constituem a melhor maneira de redistribuir a riqueza pelas classes mais baixas, através de acesso aos cuidados de saúde, educação e reformas, e simultaneamente diminuir a iniquidade? “Lower top marginal tax rates since 1979 have increased the rate of return to efforts by executives and managers to bargain for greater compensation — at the expense of both workers’ paychecks and even shareholders’ portfolios,” the EPI state”
    http://www.moneynews.com/Economy/EPI-income-inequality-tax/2013/06/19/id/510666,

    Facts about income distribution in Sweden

    • The highest 20% income earners in Sweden pay nearly half (47%) of all taxes.

    • The same 20% of the population consumes just over a tenth (12%) of all public services.

    • The bottom 20% income earners pay only 5% of all taxes.

    • The same group of the population consume over a quarter (27%) of all public services.

    • Comparing individual and household groups divided into 20 income levels shows that in Sweden:

    – Individuals earning the most pay nearly nine times more tax than those who earn least.

    – This tax is paid from a gross income that is approximately six times greater than those who earn the least.

    – Disposable income (after tax and benefits) for the highest earning individuals ends up barely three times higher than the disposable income of the lowest earning group. http://www.svensktnaringsliv.se/english/news/swedens-income-distribution-very-equal_153293.html

    Em relação ao corte da despesa, não seria muito mais desejada? Sim, sem dúvida! Mas não demora muito mais tempo a pôr em prática e os seus resultados não são só sentidos a posteriori (horizontes temporais de anos)? Sim, sem qualquer margem de dúvida! Aqui compreendo o Vítor Gaspar, era necessário alcançar metas temporais anuais para o défice acordadas com a Troika! Uma reforma de estado demora tempo a planear e a executar, especialmente quando se se encontra refém de interesses corporativos ( a gente viu o que aconteceu à reforma das autarquias, rendas da electricidade, RTP, etc….)
    Quer parecer-me é que há uma certa comichão em pagar impostos, quando se sabe que são um veículo de eleição na redistribuição da riqueza. Claro, a não ser que se queira seguir uma linha capitalista “pro americana”, impostos baixos é certo, mas desigualdades que se agravam ano após ano, cuidados de saúde só para quem consegue pagar um seguro privado, formação académica paga a peso de ouro (40 000 USD por um curso superior) pago do bolso de cada um (quem não for da classe alta e média não pode aspirar a veleidades deste tipo), etc, etc…Isto é um modelo a seguir?

  2. Miguel Noronha

    Parece que os suecos não concordam consigo e desde os anos 90 começaram a “desmontar” o estado social. Posso indicar por exemplo este artigo. De resto a riquiza produzida não deixaria margem para duvidas sobre o melhor modelo económico. Para além disso existe a questão nada dispicienda do estado social me condenar a sustentar terceiros.

  3. portuguese hustler

    Os suecos não “desmontaram” o estado social, mas sim “reformularam” o estado social de forma a torná-lo sustentável! E também posso indicar por exemplo este artigo, do The Economist, “This special report will explore how 21st-century capitalism should respond to the present challenge; it will examine the recent history of both inequality and social mobility; and it will offer four contemporary case studies: the United States, emerging Asia, Latin America and Sweden. Based on this evidence it will make three arguments. First, although the modern global economy is leading to wider gaps between the more and the less educated, a big driver of today’s income distributions is government policy. Second, a lot of today’s inequality is inefficient, particularly in the most unequal countries. It reflects market and government failures that also reduce growth. And where this is happening, bigger income gaps themselves are likely to reduce both social mobility and future prosperity.” http://www.economist.com/node/21564414 . Mais, se a linha austríaca de pensamento económico fosse uma doutrina a seguir, na sua forma crua e dura, a própria Austria também a teria seguido, no entanto verifica-se que é um dos países pesos pesados da carga fiscal “Austria is one of the best places to live, so long as you are willing to pay for that privilege. Aside from the high income tax rate, it also has a social security rate of 18 percent, bonus payments are charged 6 percent, and capital gains tax is at 25 percent. Money stashed away in Swiss banks is also taxed through a special agreement between the Swiss and Austrian governments.” http://www.therichest.com/business/the-top-ten-countries-with-the-highest-tax-rates/

  4. Manolo Heredia

    Aqueles trabalhadores por conta de outrem que se queixam de pagar muitos impostos bem podiam criar uma empresa em nome individual e passar a regime de recibos verdes… Não devemos ser liberais para umas coisas e socialistas para outras…

    Acabavam-se as férias pagas, os 14 meses de salário por ano, as indemnizações por despedimento. E quando o patrão atual (futuro cliente) diminuísse a faturação iam todos para casa descansar, sem remuneração…

  5. Jorge Araujo

    Só não percebo é que é que melhor a solução neo tonta , onde além da super carga fiscal, deixo de ter escola publica, sns , tribunais , policia, e isso tudo passa a pagar em a créscimo na utilização ou em concessão , em “livre concorrência” , claro,

    ele há cada um

  6. O problema de Portugal é que não somos carne nem peixe, queremos impostos altos como os países mais desenvolvidos, mas com um proteccionismo e liberdade económica de um país de 3º mundo.
    É que isto de querer chuva e eira e sol no nabal só pode dar asneira, tal como escrever na constituição que somos uma economia-mista: um Estado “empresário” que se alimenta dos impostos sobre os privados contra os quais concorre (digam lá que não é de génio?!)…

  7. dervich

    “Acabavam-se as férias pagas, os 14 meses de salário por ano, as indemnizações por despedimento”.

    No estado já acabaram, você anda atrasado. Bem, quer dizer, as férias (ainda) são pagas, se não o fossem seriam não 14, mas sim 11 salários por ano…
    Olhe, não se tinha lembrado desta pois não? É mais uma dica que lhe dou!…

  8. Miguel Noronha

    “Os suecos não “desmontaram” o estado social, mas sim “reformularam” o estado social de forma a torná-lo sustentável!”
    Pois. A desmantelar progressivamente o estado social.

    “se a linha austríaca de pensamento económico fosse uma doutrina a seguir, na sua forma crua e dura, a própria Austria também a teria seguido”
    Um argumento de peso.

  9. JS

    Por este motivo aventa-se uma “evolução” para os sistemas eleitorais, democráticos,
    que poderá vir a ser: “Um Euro = um voto”.
    Ou seja: Um Euro, no IRS, um voto. Mil Euros, no IRS, mil votos.

    Afinal quem sustenta um sistema é que tem direito a pronunciar-se sobre quem o vai gerir.
    Nada de novo.
    Acaba por ser assim que os Administradores das grandes (e das pequenas) empresas, em geral, se atribuiem chorudos bónos e previlégios.
    E não será assim que os Administradores da coisa pública gerem o negócio?.
    Afinal “Quem paga o Estado Social”?.
    Não se riam.
    A “nossa” Autoridade Tributária já está lá bem perto: 10 Euros = um ponto para o pópó de luxo.
    Apenas uma relação, elementar, entre a contribuição e o benefício.
    Ps.- Por favor não batam no mensageiro.

  10. portuguese hustler

    A mim parece-me que o fim último de uma sociedade é o bem estar comum, parece que para alguns esse bem estar é apenas o individual, onde numa visão quase misantrópica, o colectivo é um apêndice, só serve de substrato para transacções comerciais para servir os seus próprios interesses (que maçada conviver com pessoas!)
    Engraçado é constatar que nos países com grandes cargas fiscais as pessoas tendem a ser muito mais felizes que nos países com impostos “light” … That’s right, though they may have to stare into a fake light for a few hours each winter to keep their spirits high, the people of Denmark, Norway and Sweden — as well as their Northern European neighbors in the Netherlands and Switzerland — reported some of the highest senses of well-being in the world in the latest iteration of the report, published Monday by the U.N. Sustainable Development Solutions Network. The United States, meanwhile, came in at No. 17, the United Kingdom at No. 22, Germany at No. 26, Japan at No. 43 and China at No. 93.” http://www.ibtimes.com/worlds-happiest-countries-2013-according-un-1403880,
    A linha pró americana, muitas vezes aqui aclamada e louvada, parece não trazer os mesmos resultados dos nórdicos. “But the overall driving force behind happiness in Denmark is its low levels of inequality.
    The average middle-class Dane pays between 45 and 53 percent in taxes, while the wealthiest Danes pay just over 60 percent. The poorest Danes (with incomes under $31,000 per year) pay around 30 percent in taxes.
    While Americans may consider these tax rates high, they help to put all Danes on a level playing field.”

    IN TAX WE TRUST
    A good starting point for the Tax Agency’s consistently high approval ratings is the fact that many Swedes are not naturally anti-tax. In fact, unlike in some countries where paying tax is seen as something negative, many Swedes tolerate – and even welcome – high taxes. And a growing number would accept even higher taxes to pay for a largely fair and well-functioning society, with decent public services and a universal safety net. http://sweden.se/society/why-swedes-are-okay-with-paying-taxes/
    Como tudo na vida é um trade-off, prefiro mil vezes a alternativa dispicienda de sustentar terceiros, muitos deles não bafejados por um QI alto, beleza inegualável ou uma herança dos seus pais, do que não dar nada a ninguém e viver em sítios cheios de ghettos e favelas, com a criminalidade sempre à espreita, sempre a olhar por cima do ombro e a rezar para que não seja o último dia da nossa vida.

  11. Vasco Jesus

    @Manolo Heredia

    Caro Manolo, é exactamente isso que eu quero. Que os estado saia de cima de mim.
    Eu consigo organizar a minha vida melhor que qualquer socialista conseguirá, mesmo quando me querem convencer que é para o meu bem.

    Eu (e qualquer pessoa minimamente responsável), consigo cuidar da minha reforma, das minhas poupanças e do meu dinheiro para as emergências (incluindo ficar desempregado), melhor que qualquer político conseguirá com o meu dinheiro.

    Caro Manolo, porventura acha que o estado consegue gerir a sua carteira melhor do que você próprio?

  12. Vasco Jesus

    @ portuguese hustler

    Caro portuguese hustler, esta comparação pode ser perigosa, pois você parte do pressuposto que os portugueses pagam muito menos impostos do que os suecos.
    Será interessante comparar o montante total de impostos pagos nos dois países.

    Por cá, ~35% desaparece para a Segurança Social, acrescente o IRS, do remanecente ainda irá pagar IVA no consumo que efectue, acrescente todas as infinitas taxas e impostos, desde IUC até produtos petrolíferos, acrescente o imposto de selo e afins, acrescente os 30 € que paga para ter o cartãozinho que o estado português o obriga a ter, acrescente os €€ que paga em troca de um carimbo ou documento oficial, acrescente …

  13. lucklucky

    Isto é o IRS um imposto Inconstituicional, mas que a censura do regime abafa.

    Aliás o Tribunal Constitucional só existe para dizer que normas da Constituição podem ser violadas.

  14. lucklucky

    portuguese hustler mais um totalitário que legitima o emprego da força das armas para conseguir os seus objectivos.

  15. portuguese hustler

    @Vasco Jesus

    ~35% ? Isso são peanuts, na Suécia a quota média são 46,7%, bem acima de Portugal e acima da média da UE (por sua vez acima de Portugal) ~38,4%. Se houvesse alguma dúvida esta fica agora desfeita http://www.skatteverket.se/download/18.3684199413c956649b57c0a/1361442608379/10413.pdf

    Em relação aos cartõezinhos, selos e carimbos, mais toda a modalidade de taxas e impostos associados, nisso estamos de acordo, a burocracia leva-nos uma série de impostos inúteis, pois não servem para coisa alguma, excepto para auto financiar a própria burocracia.

    “Eu (e qualquer pessoa minimamente responsável), consigo cuidar da minha reforma, das minhas poupanças e do meu dinheiro para as emergências (incluindo ficar desempregado), melhor que qualquer político conseguirá com o meu dinheiro. ”
    Também concordo!

    “Caro Manolo, porventura acha que o estado consegue gerir a sua carteira melhor do que você próprio?”
    Experimente gerir a sua carteira quando estiver na mó de baixo, a ganhar 485 biscas por mês! Depois mostre-me esses seus planos poupança reforma e do seu seguro de saúde e das propinas para a universidade dos seus filhos!

    The truth is, as a woman in my early 30’s I feel like I have gotten back a hell of a lot more than I have put into the system. And to me, that is worth paying a little extra for. I see my tax money as an investment in myself, my children, and the place where I live. This is a huge contrast to how I viewed paying taxes in the US.
    http://survivinglifeinsweden.blogspot.pt/2011/04/swedish-taxes-take-my-money-please.html

  16. portuguese hustler

    @ Lucky Luke
    Não entendi a sua crítica! A calúnia é a melhor arma que tem na sua argumentação?
    Não existe nenhum país que não tenha a modalidade do imposto sobre o rendimento, portanto devo concluir, na sua opinião, que o planeta Terra é inconstitucional.

  17. David Calão

    É assim: há gajos ricos e gajos pobres. Há duas maneiras de resolver a coisa, ou se espera que os gajos ricos paguem a escola dos pobres, a saúde dos pobres e, vá lá, os ajudem a deixar de ser pobres (yeah, right), ou se cria um Estado Social e se obriga os gajos ricos a pagar por isso. Em contrapartida, o gajo rico, se tiver um azar, sempre tem para onde se virar. Além disso pode dizer que vive num sítio porreiro, em que se faz o possível por que toda a gente viva decentemente, não precisa de contratar segurança privada para defender o seu condomínio, pode andar nas ruas relativamente descansado, sem guarda-costas, não precisa de pagar seguro de saúde aos empregados. Nem é um mau negócio, mas se acharem que é…azarucho, não sabem tão bem mandar os outros emigrar? Goes both ways

  18. Miguel Noronha

    Se para si o argumento “é assim e que não gosta que se mude” é quanto basta para justificar a extorsão fiscal passo a utilizá-lo sempre que se queixar de outra coisa qualquer. Temos que nos adaptar aos padrões de exigência dos comentadores do Insurgente.

  19. isabel rodrigues

    estou louca, pois estou.
    abaixo qualquer tipo de estado.
    voltemos aos “castelinhos” quer dizer organizarmo-nos freguesia a freguesia de modo a dar a todos os fregueses uma boa vida. cada freguesia seria um estado. assim seria melhor controlado e optimizado todo o investimento.
    num futuro bem próximo seremos milhões de excedentários substituidos por máquinas. das duas uma : não podendo viver acima das nossas possibilidades, leia-se não temos dinheiro para nos sustentar-mos e tambem não seremos ajudados pelo estado, logo morram longe. ou decidimos espalharmo-nos pelo território Português recuperando o que houver para recuperar de acordo com a natureza local (ex:recuperar-modernizar-eco antigas aldeias; reflorestação com espécies autoctenes; algum tecido industrial; etc.) .
    voltar ao escudo – não há bancos porque não poderemos armazenar dinheiro – dinheiro todo circula para sociedade de bem estar – o emprego seria naquilo para que fosse necessário fazer com a devida vigilância técnica nos casos necessários, e no que fossemos melhor treinados, etc.. precisamos com urgência de pensar a economia fora da caixa.´se há deficit emitam dinheiro para o cobrir e sem juros nem possibilidade de especulação. não retirá-lo ás pessoas com a consequênte retração económica no mercado interno.
    e por ai vai, tantas outras ideias novas para a sociedade do sec.XXI.
    a tecnologia está ai para o nosso bem estar, temos de elevar a nossa consciência e deixar de ser “mr.scrooges”.
    sair de Portugal é que não deve ser a opção mas fincar pé, pois a velha sociedade está no estertor final e vai dar briga da grossa pelo mundo fora.
    Como diz Fernando Pessoa – falta cumprir Portugal –
    não deixar que nos disperssem pelo mundo, até com a perfida ideia de que vamos espalhar a Alma Portuguesa aos barbaros.
    nada disso . devemos ficar cá e lutar por dar uma nova forma de sociedade e forma de viver ao mundo.
    chamem-me velho do restelo!
    disse

  20. lucklucky

    “Não entendi a sua crítica! A calúnia é a melhor arma que tem na sua argumentação?
    Não existe nenhum país que não tenha a modalidade do imposto sobre o rendimento, portanto devo concluir, na sua opinião, que o planeta Terra é inconstitucional.”

    1- A Constituição Portuguesa diz que ninguém pode ser discriminado por motivos económicos (entre outros). Logo todo o qualquer imposto – ou outro acto do Estado- que discrimine por motivos económicos é Inconstitucional. O IRS é um caso claro.

    2- A Democracia é apenas um método de dar legitimidade à maioria ou maior minoria para se auto convencer que pode empregar armas para realizar as suas políticas.
    Política quer obviamente dizer: obrigar os outros.
    Os comunistas poderiam fazer as suas políticas entre comunistas, o mesmo para os soci@listas, sociais democratas, conservadores etc… mas não todas as variantes do soci@lismo arrogam-se do direito de obrigar os outros a serem como eles.
    O que explica que os Comunistas portugueses – ou outros- não façam comunas?

    A Democracia ao se tornar estabelecida acaba por matar o travão ao seu poder: a Republica que a limita, e passando a interferir em cada vez mais aspectos da vida dos humanos torna-se naturalmente numa Democracia Totalitária.
    Não esquecer como a corrente fase do desenvolvimento tecnológico a ajuda nesse objectivo.

  21. HO

    Portuguese hustler,

    O sistema tributário americano é o mais progressivo do mundo. Mais progressivo que o português ou o sueco. E a taxa marginal mais elevada, a top marginal tax rate, é das mais altas do mundo – em estados como a California ou New York está ao nível da da Suécia ou de Portugal (ligeiramente menor que a sueca e ligeiramente mais alta que a portuguesa). Mas, globalmente, o sistema tributário é o mais progressivo e nem sequer o sueco está perto. (e.g. http://www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/files/2013/04/international_tax_progressivity.png )

    O que não faltam nos Estados Unidos são universidades com propinas ao nível das portuguesas, ajustando para o poder de compra – e até gratuitas. Há uma abundância – excessiva- de state colleges e community colleges, que, apesar de medíocres no contexto norte- oferecem, a custos para o aluno comparáveis, ensino de uma qualidade superior ao do magote de politécnicos, escolas superiores e universidades de vão de escada que poluem a paisagem do ensino terciário em Portugal a custos comparáveis para o aluno. Aliás, há escolas de frequência gratuita – e verdadeiramente gratuita, não como as portuguesas em que a palavra é utilizada como sinónimo de “financiada com dinheiro dos contribuintes”- como o Berea College, a Cooper Union e o College of the Ozarks- que seriam universidades de elite em Portugal. Propinas de $40K pagam-se em escolas de Ivy League como Dartmouth. Por menos de 1/4 desse valor tem acesso a escolas ao nível das melhores portuguesas. E se em Portugal apenas alunos de excelência académica têm acesso a essas escolas, essa mesma franja de alunos têm acesso, nos EUA, a bolsas e grants que lhe permitem a frequência de escolas melhores que as melhores portuguesas.

    O sistema de ensino terciário norte-americano tem problemas – sendo que o maior deles, a larga distância de todos os outros, é o excesso de financiamento público directo (que tem conduzido à inflação das propinas). Ainda assim, o panorama global é muito superior ao português ou ao sueco. A percentagem da população americana com graus de ensino superior é das mais altas do mundo – bem mais alta que a portuguesa, ou, lá por isso, a sueca – o que coloca um pouco em crise a sua sugestão de que há problemas de acesso, e boa parte das melhores instituições de ensino superior são norte-americanas. Há críticas a apontar, nomeadamente o excesso de intervenção estatal que inflaciona propinas e distorce as escolhas dos estudantes, mas, ainda assim, este é um dos domínios em que os USA estão substancialmente melhores que os países europeus. Não só é um sistema mais eficiente como mais socialmente mais justo: o custo do premium do ensino superior é pago, na sua maioria, por quem dele beneficia, na medida do benefício, e não diluído por todos, incluindo aqueles que só beneficiam de eventuais externalidades.

    Finalmente, quando a cuidados de saúde: o sistema norte-americano não será um exemplo a seguir, mas, uma vez mais, por motivos opostos ao que julga. Ainda assim, a afirmação de que “cuidados de saúde só para quem consegue pagar um seguro privado” é evidentemente falso. O Medicaid oferece cobertura a indivíduos com rendimentos anuais entre $11,500 e $16,000 (dependendo do estado) e para rendimentos entre $24,000 e $33,000 para um agregado familiar de quatro pessoas. Para lá de outros programas como o CHIP ou o Medicare, ou de programas privados. Isto descontando os subsídios para escalões de rendimentos maiores recentemente introduzidos. Boa parte das famílias portuguesas estariam cobertas por este tipo de programas – e beneficiariam de programas bem superiors.

    É sempre divertido ver um europeu a defender a estatização do sistema de saúde norte-americano. O sistema norte-americano, com preços mais ou menos livres, oferece um free-ride bem jeitoso aos outros países ocidentais. Se for introduzido um racionamento via controlo de preços por um monopsónio estatal, semelhante ao europeu, esse free-ride termina. O custo até seria invisível, para europeus e americanos, mas não menos real e gravoso.

    A esmagadora maioria dos americanos que não tem seguro de saúde simplesmente não o quer comprar – e se o custo marginal é demasiado alto para demasiadas pessoas isso deve-se ao coupling entre o seguro de saúde e o emprego (promovido pelo estado via impostos) e às limitações na oferta (promovidas pelo estado via regulamentações).

    Para concluir: estas comparações entre países como a Suécia e os EUA são exercícios falaciosos que, como muitos do género, vão sobrevivendo a rações periódicas de ignorância e desonestidade intelectual. É um disparate comparar um país com a dimensão, diversidade e idade dos EUA com países culturalmente e etnicamente homogéneos como os escandinavos, que já eram ricos há décadas. Como respondia o Friedman a quem lhe falava na ausência de pobreza na Escandinávia, vão procurar pobres entre escandinavo-americanos. Compare a Suécia com o New Hampshire, Virginia ou mesmo um estado tipo Utah que há um século pouco mais era que um deserto.

  22. Homem de Aço

    É preciso não esquecer que quanto maior um país, maior a tendência para haver maiores desigualdades sociais, não me perguntem porque, mas é uma sina no mundo e por alguma razão deve ser.
    É normal os EUA serem mais desiguais que a Suécia, apesar de Portugal ser pequeno, mas como sempre, ser o oposto da economia mundial!

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