E depois vem o Tó Zero lembrar-nos por que é necessário continuar a votar no PSD e no CDS

Na SICN diz Seguro que a igualdade absoluta infelizmente é impossível de atingir. (Nem vou comentar. Mas, só para eu ficar descansada de que as imbecilidades do senhor são conscientes, alguém lhe podia enviar uns exemplares do Brave New World, do Animal Farm e do Nineteen Eighty Four? Ou o Gulag? Ou uma história da grande revolução cultural proletária chinesa, pode ser a do Roderick Macfarquhar e do Michael Schoenhals? Ou até o artigo da constituição que nos garante o direito a expressarmos a nossa individualidade e a nossa opinião e o nosso direito a sermos diferentes? Thanks a lot.)

13 pensamentos sobre “E depois vem o Tó Zero lembrar-nos por que é necessário continuar a votar no PSD e no CDS

  1. António

    Cara Maria João,
    estava também a vê-lo e a pensar num padre qualquer a dizer a homilia dominical.
    Aqui divergimos. Apesar de eu estar a léguas do discurso dos comunistas, de achar que estão cristalizados no tempo, parados no tempo. Mas tal como um relógio parado está certo duas vezes ao dia, agora é o tempo do discurso do PCP, perante a situação do país, estar correcto.

  2. Maria João Marques

    António, isto parece discurso do PCP, de facto, mas foi do líder do PS. Entre escandalizar-se com as desigualdades (e a mim choca-me a probreza, não as desigualdades, e sim, defendo que deve haver políticas de igualização DAS OPORTUNIDADES) e defender a igualdade plena vai uma distância grande onde cabe muita gente de bom senso. O extremo do Tó Zero é para lunáticos e comunistas.

  3. António

    Cara Maria João,
    a mim choca-me a pobreza e as desigualdades, porque entendo, à maneira de Rosseau, que todos nascem iguais e que o Estado deve proporcionar condições para que essa igualdade aconteça. Estas, são então as nossas diferenças!
    Mas como disse, e reforço, estruturalmente o meu pensamento não é o comunista, mas entendo que conjuturalmente estão certos!

    P.S.: Ao ouvir o Paulo Portas, com a atenção diminuida por lhe estar a escrever, pensei que ia anunciar o Freitas do Amaral para liderar a comissão comemorativa dos 40 anos do CDS

  4. Carlos

    Maria João Marques, o que é isso da ‘igualização das oportunidades’?? Será que me vai dar a oportunidade de ser igual ao Cristiano Ronaldo ou ao Einstein?

    António, será que uma pessoa que trata o trabalho como algo penoso e só liga ao lazer tem alguma legitimidade de querer ser igual (ter o mesmo sucesso) a alguém que se esforça e arrisca para atingir um patamar mais alto?… Além disso, as pessoas são iguais perante a lei, e têm o direito à não-interferência, e não a qualquer tipo de bens como comida, educação, cuidados de saúde ou o que quer que seja. Tudo isso depende de outra pessoa. Direitos só são direitos se tiverem significado quando uma pessoa está sozinha numa ilha.
    Dizer que ‘cuidados de saúde’ são um direito não tem nenhum significado para Crusoe. Já dizer que ele tem direito à sua propriedade já faz todo o sentido. Dizer que ele tem direito a ‘alimentação básica’ é mais sem significado nenhum (se ele não pescar, caçar ou colher não come). Já dizer que tem o direito à vida faz todo o sentido.

    Aliás, na nossa sociedade dizer que as pessoas têm o direito à vida é uma parvoíce, pois ninguém tem direito à vida. Ter direito à vida significaria que eu teria a oportunidade de me livrar desta quando entendesse, e não o tenho. É mais um dever da vida, e não um direito.

  5. jo

    Penso que igualdade de oportunidades na educação, por exemplo, é existirem boas escolas para todas as crianças, e não degradar o ensino público até ao ponto que só quem pode pagar ter direito a ensino de qualidade. O mesmo quanto a cuidados de saúde.
    Igualdade de oportunidades é, por exemplo, o facto de ser conhecido de um governante não significar que se consegue um trabalho de assessor especializado aos vente e poucos anos.
    No limite seria que a possibilidade de dirigir a Sonae fosse igual à partida para o filho do Belmiro e para o filho de uma das caixas do supermercado.

  6. rmg

    “No limite seria que a possibilidade de dirigir a Sonae fosse igual à partida para o filho do Belmiro e para o filho de uma das caixas do supermercado”.

    É capaz de ser mais provável e acontece com mais frequência do que o filho da “caixa” ficar com o andar ou o carro do “jo” no caso do “jo” ter andar , carro e filho(s) .

    Mas de um modo geral o que é meu é meu e o que é do Belmiro é nosso , eu sei …

  7. rmg

    Queria dizer “viver no andar” ou “andar com o carro” do “jo” , claro .
    Longe de mim querer tirar a “propriedade” aos outros .

  8. Carlos

    jo, ter acesso a boa formação é o mesmo que ter acesso a boa alimentação. Não é a quantidade de fundos que determina a qualidade.

  9. Maria João Marques

    Acho que é mais ou menos óbvio que igualdade de oportunidades é dar a possibilidade às crianças e jovens, cujos pais não têm dinheiro para o pagar, de aceder a cuidados de saúde, de terem acesso a educação e a tirarem cursos superiores e mais para que sejam dotados (daí não ter grandes simpatias pelo que a FCT tem feito), além de, claro, ter um quadro legal que não institucionalize e faça perdurar diferenças de classe (às vezes com boas intenções, como no caso indiano dos intocáveis, que ajuda a minorar a pobreza desta não-casta e dá-lhes oportunidades de emprego mas também institucionaliza esta discriminação). Claro que quem nasce numa classe socio-económica mais elevada terá sempre à partida mais vantagens – e não sou contra isso, tenho opinião de que os pais tomam decisões de forma a beneficiar economicamente os filhos, beneficia a acumulação de capital necessária para o crescimento económico e sou contra qualquer tipo de impostos sucessórios. Mas numa sociedade onde eu desejasse viver, teria sempre de haver a oportunidade de quem nasce em meios economicamente mais frágeis possa, pelo seu talento e trabalho, ser economicamente bem sucedido. E haver facilitação da mobilidade social – até em termos fiscais (que é o contrário do que temos agora).

    A discussão de como se deveria garantir acesso a cuidados de saúde e educação a todas as crianças e jovens é outra discussão diferente.

  10. Carlos

    Mas porque razão em outros tipos de formação que não a académica, o mercado é eficiente em fornecer formação aos mais pequenos de forma a captá-los para onde estes são mais vocacionados. Exemplo disso é a formação futebolística, onde o estado não se mete, é exclusivamente o mercado, não só a identificar os jovens mais vocacionados para a área, como também a dar-lhes formação. Não é de admirar que a maioria dos jogadores de futebol nasceram em ambientes de baixo nível sócio-económico, demonstrando uma elevada mobilidade ‘social’ nesta área. Também a música ou o teatro são outros exemplos: lembro-me de quando andava na primária, ir lá um músico à escola (professor de música) que nos ajudava a cantar e tocar instrumentos para as festas escolares, e sei que ele andava a recrutar jovens que tivessem vocação e quisessem para aprenderem com ele e talvez seguir carreira na área. Um primo meu acabou por seguir a carreira de músico, não sei se por causa dessa experiência. Mas também sei que várias pessoas tiveram formação com esse tal professor. Acredito que sem o estado a interferir na formação das pessoas, o mercado encarregar-se-ia de tentar identificar e canalizar as pessoas conforme as características de cada um, já que em livre-mercado, a mão-de-obra é um bem bastante escasso. Penso que o estado destrói este mecanismo quando tenta ‘garantir as oportunidades’.
    E isso do garantir um curso superior não me entra. Da mesma forma que só uma parte da população tem vocação para o desporto, só uma parte tem vocação para ensino superior, em grande parte teórico. Tentar forçar isto dá em asneira, como é óbvio. É fácil constatar actualmente que a formação dos jovens está muito desajustada ao mercado de trabalho. Não há a alocação de recursos (mão-de-obra) para onde é mais escassa porque o sistema de preços e de sinalização está suprimido. Mas pronto, também penso que é pedir demasiado…

    E acesso a cuidados de saúde é um bem de consumo, não de ‘oportunidades’. Neste caso não se está a falar em investir em capital, como no caso de ‘educação’.

    Além disso, canalizar recursos para universidades é uma forma de fazer redistribuição tirando aos menos qualificados para dar aos mais qualificados. Um carpinteiro também paga a universidade dos jovens, apesar de não vir a obter retorno.

  11. Maria João Marques

    Carlos, ainda bem que leu que eu, por exemplo, escrevi que toda a gente devia tirar um curso superior (em vez de garantir que quem para isso estiver vocacionado o possa fazer mesmo que não tenha meios para o pagar). Parabéns.

  12. Pingback: De um país que perseguiu afincadamente a igualdade (carinhosamente dedicado a António José Seguro) | O Insurgente

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