“O futuro da ADSE”, hoje, no Económico

Hoje, no Económico:

O Estado impõe um SNS a todos os cidadãos mas depois alimenta um subsistema consumidor de recursos reservado a uma parte dos funcionários públicos.

Friedman viveu numa época de prosperidade económica e demográfica num ambiente cultural dominado pelo socialismo. Profundo conhecedor do magnetismo das políticas de base socialista, Friedman defendeu que o combate ao ‘mainstream’ não deveria ser feito contrariando os que apelavam à sedução de um futuro sem esforço. De nada valeria tentar combater a “tirania do status quo”, uma espécie de inércia socialista fortemente enraizada na sociedade civil e no universo estatal que limita a mudança de paradigmas. Restaria aos espíritos mais livres manter “as opções em aberto até que as circunstâncias tornassem a mudança necessária”.

Para Friedman, só as crises – atuais ou percebidas – são aptas a produzir mudanças efetivas. Vivemos hoje um desses momentos em que até o que “antes era considerado politicamente impossível se torna politicamente inevitável”. A reforma da ADSE tornou-se inevitável. Boa parte dos portugueses não compreende como é que o Estado impõe constitucionalmente um SNS a todos os cidadãos, mas depois alimenta um subsistema altamente consumidor de recursos reservado a uma parte dos funcionários públicos. Ao nível do PS, o debate está aceso. Manuel Pizarro e Correia de Campos são a favor da transformação da ADSE numa associação mutualista social de direito privado.

Parece que há quem defenda a entrega da gestão da ADSE aos sindicatos, num modelo próximo do que vigora no sector bancário. O coordenador do PS para a Saúde, Álvaro Beleza, defendeu o fim da ADSE, garantindo que essa intenção fará parte do programa do partido às próximas eleições. Como contraponto ao fervilhar socialista, assistimos a um forte silêncio por parte do Governo, que estará a estudar soluções. No debate da ADSE importa sobretudo saber no final de contas quem a paga. A única solução que defende integralmente o interesse do contribuinte passa pela liquidação da ADSE. Outras soluções poderão ser aventadas (v.g., para salvaguarda da oferta privada e em respeito pelas expectativas dos funcionários públicos), mas qualquer que seja a alternativa escolhida, espera-se que determine o fim da comparticipação orçamental, tornando a ADSE progressivamente autónoma e financiada integralmente pelos descontos dos seus beneficiários.

(artigo escrito na sequência do anterior, “Faz sentido a existência da ADSE?“)

2 pensamentos sobre ““O futuro da ADSE”, hoje, no Económico

  1. José Silva vaz

    Vejam lá bem esta coisa de acabar com a ADSE.Não se esqueçam de que é preciso garantir os bons resultados dos hospitais e clínicas privadas! E não sei se no caso da ADSE passar para uma filosofia de autofinanciamento quem garantirá a saúde financeira de tais empreendimentos!

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