Fundação Elipse, ou o eclipse das nossas Finanças Públicas

Agora que se revelou uma enorme paixão dos portugueses pela Arte Contemporânea, essa nova fenomenologia do ter, como muito bem a descreve o Mário Amorim Lopes, é hora de homenagear esse grande mecenas que dá pelo nome de João Rendeiro, que à semelhança do BPN deixou aos portugueses um banco falido, mas possuidor de uma belíssima (?) colecção de Arte. Registem este nome. “Fundação Elipse”. As obras não estão na cave da CGD, mas parece, algures em Alcoitão. O site da Fundação já não funciona. Mas quem quiser perspectivar a dimensão do buraco, convido a lerem a descrição do insuspeito Alexandre Pomar, aqui, publicada em 2006. Se for para ficar em Portugal, quero o Baldessari para mim, ok?

9 pensamentos sobre “Fundação Elipse, ou o eclipse das nossas Finanças Públicas

  1. Comunista

    Nada como desviar o assunto da verdadeira fórmula do capitalismo – socialismo para o grande capital, capitalismo para o povo – para uma suposta preocupação com um conjunto de obras de arte.

  2. lucklucky

    Mais uma mentira descarada do comunista.
    O Soci@lismo é para todos como se vê.
    Por isso é que a privilegiada burguesia comunista – sendo previligiada deverei até chamar-lhe aristocracia – quer os quadros do Miró.

  3. tina

    “Lançado em 2004 pelo Banco Privado como um fundo internacional de investimentos em arte, com dez por cento do capital assegurado pelo próprio banco, o projecto visava de início constituir uma colecção que poderia vir a ser vendida em bloco, ao fim de dez anos. Apesar de a Fundação contar com a participação de vários investidores, portugueses, espanhóis e brasileiros, João Rendeiro assumiu depois uma posição largamente maioritária e o projecto evoluiu no sentido de assegurar a permanência da colecção e a sua disponibilização ao público interessado.

    Não diz o mais importante, quanto é que esta Fundação recebeu do Estado português. Sem dúvida que João Rendeiro era especialista em usurpação.

  4. António

    Caro Rodrigo,
    denoto que parece sofrer de alguma confusão, pois coloca no mesmo saco, coisas que são distintas. Ou sofre da dita confusão, ou então estará de má fé, quando afirma: “que à semelhança do BPN deixou aos portugueses um banco falido, mas possuidor de uma belíssima (?) colecção de Arte.”. Acreditando, pois, que é somente confusão, permita-me que o esclareça, como se estivesse a falar para uma criança:
    1- BPN e BPP são dois bancos que faliram (não interessa agora discutir os motivos – sim houve ladrões e maus polícias);
    2- Um dos dois bancos, o BPN, tinha uma dimensão média e o governo da altura nacionalizou-o, com medo que bancos maiores, como por exemplo o BES, lhe seguissem;
    3- O outro, por ser de dimensão reduzida, o governo não o nacionalizou, procedendo-se ao respectivo processo de falência;
    4- Ao ser nacionalizado, os bens do primeiro banco, são propriedade pública
    5- Ao não ser nacionalizado, os bens do segundo banco, não são propriedade pública.
    Assim sendo, Rodrigo, o BPP não deixou nada aos portugueses! Não faça confusão, seja rigoroso!
    Cumpriomentos!

  5. António,
    Os casos BPN e BPP são efectivamente distintos. Agora, caso não saiba, há uma coisa chamada “Fundo de Garantia de Depósitos”, que vai ser accionado porque os activos do BPP não são suficientes para cobrir as responsabilidades. Ora, o dito fundo está subdotado, ou seja, não tem activos suficientes para cobrir as responsabilidades inerentes ao BPP. Adivinhe quem vai “entrar pela madeira”? O contribuinte em Portugal é um saco roto, meu caro.
    Adicionalmente, a colecção Elipse, à semelhança da Miró, deve mais dia-menos-dia ser objecto de leilão. No dia em que isso ocorrer, provavelmente algumas almas penadas vão berrar que não, que é incrível que a colecção saia do país. E na Elipse até há coisas muito boas.

  6. António

    Caro Rodrigo,
    não estou a ver a razão pela qual, algumas almas penadas hão-de berrar para que as obras não saiam do país, trata-se de propriedade privada, ao invés dos quadros nacionalizados!
    Desde que a Lei seja cumprida, que não aconteceu com o caso do quadro Crivelli como sabe, não vejo qualquer obstáculo!

  7. Comunista

    “Mais uma mentira descarada do comunista.
    O Soci@lismo é para todos como se vê.”

    O Lucklucky é que é um rol de tretas.

    É evidente que o socialismo é só para o grande capital que tem os governos e os Estado através dos governos a governar pelos interesses deles. Se um proprietário de café ou um restaurante se endividar com um banco e perder a capacidade de financiar a sua dívida, ele diz adeus ao restaurante ou a mais proprieadade que tenha e vai ele e os empregados para o desemprego. Um trabalhador que tenha uma dívida com o banco para pagar a sua casa e fique sem o emprego acaba por ficar também se casa.

    Já um banqueiro e accionaistas de bancos que rebentem com os depósitos e precisem de intervenção do Estado para não falir podem contar com o apoio do Estado, e mais ainda, os grandes capitalistas têm boys no governo e são capazes de influenciar os governos a criarem leis que os favoreçam mesmo em prejuizo dos demais agentes da economia.

    Porque razão os grandes accionistas dos bancos que precisarem de dinheiros públicos não foram chamados a contribuir com o seu dinheiro – porque razão, uma vez que são eles que têm os lucros, os prejuizos têm de ser assumidos por todos.

    Quem vive realmente os riscos do capitalismo são os trabalhadores e o pequeno e médio capital, o grande capital mama deitado.

  8. JP

    Não sei se reparou que há uma semana a culpa do que sucedeu no BPP era dos clientes, que “foram lesados porque quiseram ganhar muito dinheiro”. Hoje, à porta do tribunal, o homem já era oficialmente vítima porque também investiu no banco e perdeu o dinheiro. E quem o disse não foi um tipo qualquer, nem o Tiririca.

  9. JP

    O BdP também não sabia que o BPP chegava a remunerar a 150% (cento e cinquenta por cento) 🙂
    Ninguém sabíamos todos porque estávamos a ver exposições do Miró com gentes da justiça e a recortar processos à tesoura. Diz que há um engenheiro que parece que até se lembra* de ter falado com o pintor na altura.

    (*) entretanto decobriu-se que o pintor já tinha falecido.

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