O Estado E A Gestão De Empresas

Poiares Maduro diz que “nada justifica” que a RTP tenha o quádruplo dos trabalhadores da SIC e da TVI.

A RTP tem 1800 trabalhadores e as estações privadas têm 400. Nada justifica uma diferença tão grande. Temos de reduzir os recursos humanos para investir na grelha”, disse Poiares Maduro aos deputados, depois de já ter sublinhado que “a RTP tem um orçamento maior do que o total do investimento publicitário em todos os canais de TV“.

27 pensamentos sobre “O Estado E A Gestão De Empresas

  1. MP

    O que me irrita não é a situação retratada. O que me irrita é um governo com maioria de absoluta há dois anos e o Ministro parece um comentador a dar opiniões em vez de simplesmente resolver o problema. É uma forma de fazer política para os jornais em vez de atacar os problemas de frente. É disto que a casa gasta,

    Para opinar já basta o Marcelo, o Sócrates e o pequenino, como é que ele se chama …?

  2. Rogerio Alves

    De facto, para quê opinar em vez de resolver? E resolver, no caso da RTP, é vender. Seja por que preço for. Ou fechar e vender a licença. Agora ter o dinheiro dos contribuintes a alimentar aquilo, não, isso não.

  3. jmelo

    A RTP tem acumula 8 canais de televisão e 16 canais de rádio, a SIC tem 6 canais de televisão, e a TVI tem 5 canais. Comparações destas, em especial vindas de alguém com responsabilidades, parecem de todo sem sentido.

  4. JP

    A discussão sobre o quádrupo dos trabalhadores da RTP só serve para evitar o verdadeiro problema: os partidos querem a televisão nas mãos e se a casa estiver para ser vendida, o país é incendiado pelas forças vivas autóctones e logo a seguir é invadido pelos espanhóis e pelos marcianos.

  5. Manuel Costa Guimarães

    “A RTP tem acumula 8 canais de televisão e 16 canais de rádio, a SIC tem 6 canais de televisão, e a TVI tem 5 canais.”
    Então está tudo bem! Ufff…
    Se calhar é preciso mais 3 ou 4 canais e umas 10 rádios, só para o caso, porque acho que andamos a pagar pouco pelos existentes.

    P.S.: O último governante que tentou “reformar” a RTP foi feito em fanicos…

  6. jmelo

    Comparar o número de trabalhadores de empresas totalmente diferentes é simplesmente estúpido e, só por si, não pode ser razão para nada.

    Posto isto se juntarmos estas declarações com outras do mesmo ministro a dizer que queria criar mais 4 canais (http://expresso.sapo.pt/governo-pondera-novos-canais-para-a-rtp=f834711) só servem para atestar a desorientação e falta de rumo do Governo nesta matéria.

    E já agora, se pagamos muito ou pouco pelo serviço, não sei, mas pagamos para o serviço público menos que a média europeia em função do PIB. Se o Manuel Costa Guimarães acha muito ou pouco, isso pouco importa para a classificação de despropositadas as declarações o ministro.

  7. Manuel Costa Guimarães

    “Comparar o número de trabalhadores de empresas totalmente diferentes é simplesmente estúpido e, só por si, não pode ser razão para nada.”

    Como é que são totalmente diferentes?! O core business não é o mesmo? É isso que o ministro está a pôr em causa (e bem, na minha opinião).

    …”só servem para atestar a desorientação e falta de rumo do Governo nesta matéria.”

    Todos os governos gostam de usar a RTP para fazer publicidade da sua mão de ferro, mas no fim continua tudo igual.

    …”mas pagamos para o serviço público menos que a média europeia em função do PIB.”
    Pode-me explicar porque raio é que pagamos um tostão que seja pela RTP, que de serviço público tem ZERO?!

  8. Luís Lavoura

    Atenção que a RTP não é exatamente comparável à TVI e à SIC, já que a RTP também tem rádio, não é só televisão.

  9. Manuel Costa Guimarães

    Luís,

    Correcto. Estou a supor que o custo da rádio é irrisório a comparar com a TV. De qualquer forma, a rádio faz muito mais serviço público do que a RTP…

  10. js

    pois não, não é comparável. A SIC e TVI sobrevivem sem me virem aos bolsos. Já a RTP é um sorvedouro de impostos do contribuinte. Quando o governo tira à saúde, educação, pensões, rendimentos mínimos, salários, subsídios desemprego etc..a RTP continua a existir. O estado não deve ter meios de comunicação ponto final. Tal como não tem jornais.

  11. jmelo

    “Como é que são totalmente diferentes?! O core business não é o mesmo? É isso que o ministro está a pôr em causa (e bem, na minha opinião).”

    Para mim é óbvio por que é que são diferentes, mas pelos vistos não o é para todos. Então cá vai, é diferente porque as empresas têm dimensões diferentes. Se eu for proprietário de uma empresa de software que só tem um empregado, será que posso dizer que a Microsoft tem pessoal a mais, já que o core business é o mesmo que o meu?
    (E já agora, o objectivo das televisões privadas é vender publicidade, que é bem diferente do objectivo dos das televisões públcias, que é fornecer um serviço público de televisão, o que quer que seja que isso que dizer). Na minha opinião, as únicas coisas que o ministro está a pôr em causa (e mal!) são as suas inteligência e honestidade intelectual.

    “Pode-me explicar porque raio é que pagamos um tostão que seja pela RTP, que de serviço público tem ZERO?!”

    Posso sim senhor, porque até estou bem disposto. Chama-se “lei” e é para ser cumprida por todos, e é por isso que todos temos que a pagar. Eu cá acho que fazia mais sentido vir directamente do OE, em vez de criarem uma taxa extra e, com isso, uma carga de trabalhos e burocracias, mas isso já não interessa muito para o caso. Se tem ou não muito de serviço público, acho que isso vai depender da definição de “serviço público”. Se fizer o obséquio de partilhar a sua definição de serviço público, eu se tiver tempo passo por cá mais logo à tardinha e tento analisar as suas preocupações.

  12. Na tv só acompanho regularmente um programa Olhos nos Olhos (e assisto online).

    Boa sorte a todos aqueles que pagam impostos para concorrerem ao sorteio.

  13. rmg

    Quando se compara as televisões públicas de vários países e o que elas custam ou deixam de custar em percentagem disto ou daquilo aos cidadãos convém , por elementar honestidade intelectual , distinguir as que têm receitas de publicidade das que não as têm .

  14. BGracio

    jmelo,

    A sua comparação deste caso com o de uma start-up de software vs Microsoft não faz qualquer sentido.

    No caso da RTP, o produto da RTP1 é substituto ao da SIC e TVI (essencialmente entretenimento, com alguma coisa de notícias nos mesmos espaços horários). O target é exactamente o mesmo. Os meios de distribuição idem. O que é diferente é o número de clientes, o que significa que o que a RTP1 vende é menos apelativo que SIC e TVI. Juntando a isto uma estrutura de custos mais pesada que a concorrência e um número de trabalhadores largamente superior, é fácil entender que há alguma coisa de errado.

    Mesmo admitindo a eventual necessidade de um “serviço público”, então a solução mais equilibrada seria dividir o grupo numa empresa pública de “serviço público” (ou propaganda, consoante o entendimento de cada um) e numa operadora destinada a prestar um serviço em condições normais de concorrência, que teria que ser privatizada para não haver distorções ao mercado em resultado da protecção e dinheiro do Estado. Em todo o caso, parece-me óbvio que a maior parte dos canais de TV e rádio do grupo RTP não presta mais “serviço público” do que os concorrentes (será o Preço Certo mais “serviço público” do que a Casa dos Segredos? Ou um programa da manhã com o Jorge Gabriel mais “serviço público” do que as manhãs do Goucha e da Júlia Pinheiro?).

  15. Brytto

    Em obra perceba a dificuldade, que o ministro e a sua administração passem a ser consequentes e deixem de imitar “alguns” trabalhadores da RTP que, pelos vistos, não fazem puto.

  16. AACM

    Tao simples,… RTP…..custos > receitas = vender ,dar, colocar os custos abaixo das receitas, etc desde que os contribuintes nao tenham que meter la nem mais um centimo…….percebes Maduro, ou precisas de um desenho………….que incompetentes estes trengos dos diagnosticos e nada fazem.

  17. JP

    “Atenção que a RTP não é exatamente comparável à TVI e à SIC”

    Pois não. A SIC e a TVI lutam pela vida e a RTP chucha taxas. E se nós não pagarmos a taxa, cortam-nos a electricidade em casa. É claro que com os sistemas actuais, os consumidores poderiam solicitar o bloqueio dos canais RTP não pagar. Se calhar é por isso que na mente do legislador de facto existe o canal aberto, o que não é difícil de concluir porque parece que eles e a PGR, mais a manada de defensores do povo, entretidos com os Mirós, se estão plenamente borrifando (o camarada Ferro utilizaria outros termos para estas questões legais aborrecidas) para a aberração da emissão digital que em parte do território desrespeita o tão amado e acarinhado serviço público da Constituição da República.

  18. Manuel Costa Guimarães

    Caro jmelo,

    “Então cá vai, é diferente porque as empresas têm dimensões diferentes.”
    – Isso não torna o core diferente. Só demonstra que têm dimensões humanas diferentes, porque vendem exactamente o mesmo (Goucha vs Jorge Gabriel; Notícias vs Notícias; etc). O seu exemplo de Microsoft vs start up não faz sentido, porque a diferença é de volume de negócio, além da microsoft fazer um pouco mais que software.

    “o objectivo das televisões…” é fazerem televisão, fazer dinheiro e, já agora, serem sustentáveis quer sejam públicas ou privadas (vide BBC).

    “Chama-se “lei” e é para ser cumprida por todos, e é por isso que todos temos que a pagar.”
    – Boa, Mike. É melhor não ter pensamento crítico que isso é coisa que estraga o cabelo e, valha-nos Deus, tentar corrigir leis que achamos incorrectas.

    “Se fizer o obséquio de partilhar a sua definição de serviço público, eu se tiver tempo passo por cá mais logo à tardinha e tento analisar as suas preocupações.”
    – Sinceramente, olhar para a grelha da RTP e considerar aquilo serviço público é caso para analisar e se preocupar.
    Quanto à minha definição de serviço público, passa por servir o público numa clínica, assistência social, etc e não nos Ídolos a cantarolar.

  19. Acrescento ao que já foi dito que a própria definição que muita gente utiliza para “serviço público” de televisão é uma coisa que faria sentido… em 1960. No passado existiam limitações que hoje não se colocam:
    – Comunicação: ainda não estava generalizado o acesso a telefones e ainda se estava longe de imaginar sequer a existência da Internet, que hoje está generalizada;
    – Distância: as diferentes regiões do país viviam mais isoladas (pelo menos em tempo de viagem)
    e a televisão era uma forma de diminuir esse isolamento;
    – Controlo da informação: num regime ditatorial o controlo dos meios de comunicação era essencial;
    – Oferta cultural e entretenimento: existiam maiores dificuldades no acesso a cultura e entretenimento, sobretudo fora dos principais centros urbanos.

    Entender o conceito de “serviço público” como uma coisa estanque, que não acompanha a evolução da sociedade (o mercado para o qual é prestado esse serviço) e do acesso a tecnologia parece-me efectivamente desonestidade intelectual.

  20. tina

    Sim, justifica, o próprio Alberto Ponte disse que há lá trabalhadores que não fazem puto, por isso tem de haver outros para compensar estes.

  21. dervich

    “Entender o conceito de “serviço público” como uma coisa estanque, que não acompanha a evolução da sociedade (…) parece-me efectivamente desonestidade intelectual.”

    Permitir que o conceito de “serviço público” deixe de ser estanque, acompanhando a “evolução” da sociedade que cria coisas como a SIC e (especialmente) a TVI, parece-me desorientação intelectual.

    “O target é exactamente o mesmo. Os meios de distribuição idem. O que é diferente é o número de clientes, o que significa que o que a RTP1 vende é menos apelativo que SIC e TVI”

    Isto é muito engraçado, só que este “core business”, como todos sabem, tem a lógica invertida: Quanto pior mais vende, essa é que é a questão.

    E não vale a pena chamar a este blog a discussão sobre o que se entende por “serviço público”, duas palavras cuja associação é por aqui interdita ou adequadamente deturpada.

    Declaração de interesses: Não tenho particular apreço pela programação da RTP neste momento mas, ao menos, tenta não me tratar como um imbecil, o que, por estes dias, já é qualquer coisa.

  22. Joana Luís

    A meu ver, é mais preocupante o presidente do Conselho de Administração desde 2012 dizer que “há lá trabalhadores que não fazem puto” do que propiamente o número de funcionários. Se há funcionários que não fazem “puto” têm de ser removidos.

  23. José Silva vaz

    Desculpem a minha ignorância sobre todas estas histórias dos públicos , canais rádios etc mas o ministro irrevogável não ia privatização a RTP? Não era aquela história do dinheiro dos contribuintes? Depois não passou a mais canais pela mão do Maduro? Não vai deixar de receber dinheiro do orçamento de estado ? Segundo o tretas do irrevogável e do ministro Lima a taxa que foi revista incluída na factura da electricidade e que de passagem deixa também vestígios na conta das eléctricas que as cobram não é um imposto ….não passando pelo OE mas sendo um saque directo a partir dos bolsos dos contribuintes não conta…E este Maduro o que é que anda aqui a fazer? A ler desenhos? e o da Ponte que gere uma empresa onde há gajos que não fazem puto? Como é que podemos continuar a aturar estes tretas todos? Com esta tropa não vamos a lado nenhum!
    P.S. O ministro do ambiente o tal não poderia criar um imposto ou uma economiazonha verde para compor a coisa?

  24. António

    Caros,
    Acredito num sistema público de televisão, contudo tenho muitas dificuldades em encaixar nesse serviço público os salários milionários que muitos dos seus funcionários usufruem.
    Acredito num serviço público de tv, contudo tenho muitas dificuldades em conceber que o mesmo seja delineado por ministros com forte carga politica, que é onde a RTP está sob alçada em todos os governos – porque razão não há-de ser tutelada pelo ministro da educação e da cultura? (Ops, este último não existe!)
    Acredito num sistema público de tv que tenha uma programação infantil, digna desse nome!
    Acredito num sistema público de tv que tenha uma programação integradora dos imigrantes e e representantiva para os emigrantes.
    Acredito num sistema público de tv… …
    Quanto ás taxas de audiovisual, lembro-me de existir um concurso na RTP intitulado “Arrreganha a taxa” apresentado pelo Henrique Santana.
    Creio ser uma falácia comparar o número total dos funcionários da RTP, com os da SIC e TVI, quanto muito deveria-se comprarar com os grupos Impresa e Media Capital (onde as duas tv’s pretencem).

  25. Tanta discussao a volta da RTP. As pessoas ficam nervosas e revoltadas porque a RTP gasta “dinheiro dos contribuintes”. Nao e’, de todo, o caso. Quando se aceita isto, o caso muda de figura. Nao existe tal coisa, “o dinheiro dos contribuintes”. O dinheiro so e’ dos contribuintes ate ao instante temporal em que os contribuintes sao obrigados a entrega-lo ao estado. A partir desse momento, o dinheiro passa a ser do estado e e’ gasto pelos politicos.
    Algum dos caros leitores do Insurgente aborrece-se com o modo como o vosso vizinho, os vossos amigos ou esta ou aquela estrela do futebol ou cinema gastam o seu dinheiro? Claro que nao, o dinheiro e’ deles, eles gastam-no como quiserem. Quando as pessoas perceberem que e’ exactamente o mesmo que se passa com o dinheiro que entregam ao estado, acabam os aborrecimentos.

  26. Dervich,

    “Permitir que o conceito de “serviço público” deixe de ser estanque, acompanhando a “evolução” da sociedade que cria coisas como a SIC e (especialmente) a TVI, parece-me desorientação intelectual.”

    Em lado nenhum se disse que o SIC e a TVI fazem é serviço público. São empresas privadas a fazerem o seu negócio. Como não tenho a pretensão de ser o júri do que cada um deve ver, não me preocupa se têm programas de maior ou menor qualidade.

    O que eu disse, por outras palavras, foi que as falhas de mercado que um dia eram argumentos razoáveis para a existência de um serviço público, hoje não existem.

    Agora, se o Dervich acha que serviço público é não o tratarem como imbecil… então até eu lhe estou a prestar serviço público 🙂

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